Campos é a 19ª cidade mais violenta do mundo em ranking internacional
07/04/2017 | 09h15
Campos é a 19ª cidade mais violenta do mundo em ranking divulgado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. A cidade subiu 20 posições no ranking em relação a lista divulgada em 2016. A piora significativa de colocação reflete os números alarmantes da violência no município. Segundo dados do ISP, em 2016 foram 272 homicídios registrados em Campos. Em 2015, foram 175 casos. O estudo é realizado em municípios com mais de 300 mil habitantes e analisa dados sobre o número de assassinatos.
O Brasil foi o país com o maior número de cidades entre as 50 mais violentas do mundo em 2016, segundo a lista divulgada nessa quinta-feira (7) pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. O país possui 19 municípios no ranking.
"Das 50 cidades da lista, 19 estão no Brasil, oito no México, sete na Venezuela, quatro nos Estados Unidos, quatro na Colômbia, três na África do Sul, duas em Honduras, uma em El Salvador, uma na Guatemala e uma na Jamaica", afirmou a ONG.
Na décima posição no ranking, Natal é a cidade mais violenta do país, com 69,56 homicídios por 100 mil habitantes. O município é seguido por Belém e Aracaju.
A lista inclui ainda Feira de Santana (15º), Vitória da Conquista (16º), Campos dos Goytacazes (19º), Salvador (20º), Maceió (25º), Recife (28º), João Pessoa (29º), São Luís (33º), Fortaleza (35º), Teresina (38º), Cuiabá (39º), Goiânia (42º), Macapá (45º), Manaus (46º), Vitória (47º) e Curitiba (49º).
Com 130,35 homicídios por 100 mil habitantes, Caracas, na Venezuela, aparece no topo do ranking das mais violentas do mundo, seguida por Acapulco, no México, e San Pedro Sula, em Honduras. Segundo a ONG, a repetição da posição da capital venezuelana por dois anos seguidos confirma a crise criminal no país.
Em relação a 2015, duas cidades brasileiras deixaram o ranking no ano passado: Porto Alegre e Campina Grande.
Segundo a ONG, os níveis de violência na América Latina não são uma surpresa e refletem a impunidade. No Brasil, ela atinge 92% dos homicídios, na Venezuela, El Salvador e em Honduras, chega a 95%.
*com informações do G1
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Crise na Segurança não é apenas por atraso nos pagamentos
09/02/2017 | 05h58
Não é apenas o atraso no pagamento de salários que motiva as manifestações das polícias civis e militares. Em outubro de 2016, o blog já publicava como, desde o início do ano, a crise econômica do Estado do Rio de Janeiro afetava o funcionamento dos órgãos de segurança. A falta de estrutura gera insegurança para os profissionais. Para lembrar:  em agosto, acabou contrato de manutenção de viaturas, o ex-governador em exercício, à época, Francisco Dornelles, admitiu ao jornal O Globo que o estado estaria sem recursos até para combustível para os veículos. Já a Polícia Civil não conta mais com serviço terceirizados de limpeza e recepção; na ocasião da matéria, alguns agentes reconheceram que estão comprando materiais essenciais para a manutenção do serviço.
Veja trecho da matéria ‘Uma pessoa é vítima de roubo a cada seis horas em Campos’ publicada em 6 de outubro de 2016:
A crise que afeta o estado, que é o responsável pela manutenção das polícias Civil e Militar, tem atrapalhado a prestação de serviços. Neste ano, o estado do Rio de Janeiro não tem realizado regularmente o pagamento de servidores e fornecedores, o que tem prejudicado as atividades policiais preventivas, repressivas e investigativas.
Em Campos, a falta de pagamento dos terceirizados fez com que o município assumisse parte da responsabilidade pela limpeza das delegacias. A administração municipal socorreu também o Instituto Médico Legal, que, em julho, ameaçava fechar as portas durante alguns dias da semana por falta de médicos legistas.
Viaturas da PM — O caso das viaturas da Polícia Militar também é emblemático. Em julho, o governador em exercício Francisco Dornelles admitiu em entrevista ao jornal O Globo que a segurança pública estadual estava sob ameaça e afirmou que só havia dinheiro para pagar combustível para os veículos até aquele fim de semana. Em agosto, as unidades da Polícia Militar no interior do estado ficaram sem o serviço terceirizado de manutenção de viaturas. O contrato com a empresa responsável acabou e, até abril, a dívida do Governo Estadual com a empresa era superior a R$ 2,2 milhões.
A pesquisadora Luciane aponta que a falta de estrutura para uma maior presença da PM na rua é um aspecto importante. “O roubo é um crime de oportunidade, a ausência de viaturas nas ruas causa uma maior incidência de casos”, explica. Sobre o assunto, as autoridades locais preferiram não se manifestar e ressaltam o esforço das equipes de continuar mantendo a prestação do serviço da melhor forma possível.
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Uma pessoa é vítima de roubo a cada seis horas em Campos
15/10/2016 | 02h55
A impressão de que a ocorrência de roubos aumentou em 2016 é confirmada pelas estatísticas. O número de casos indica que um pedestre é assaltado a cada seis horas em Campos. Essa é uma das conclusões que podem ser obtidas a partir da análise dos dados oficiais do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP). Até agosto de 2016, 997 casos foram registrados nas 134ª e 146ª delegacias de polícia da cidade, mais do que o dobro se comparado ao mesmo período do ano passado. Os números também indicam que um veículo é roubado a cada dois dias e que oito roubos em estabelecimentos comerciais, dois em residências e três de carga são registrados por mês. Especialistas e profissionais da área de segurança pública apontam que o efetivo das polícias Militar e Civil em atuação é menor do que o necessário.
NUMEROS-DA-VIOLÊNCIA-EM-CAM
A pesquisadora Luciane Soares da Silva considera que o problema com o policiamento de Campos tem uma característica principal: a extensão territorial do município. “Você tem municípios menores e com mais problemas, como é o caso de Macaé e Rio das Ostras. Mas mesmo assim ainda é mais fácil a atuação em todo o território”, explica. O Complexo Portuário do Açu, em São João da Barra, também é apontado pela pesquisadora como uma das prováveis causas do aumento. “Os últimos cinco anos do empreendimento do Açu têm que ser levados em conta, pois o impacto da promessa de empregos trouxe um grande número de pessoas para a cidade, que, ao verem esta expectativa frustrada, podem cair na criminalidade”, disse. Luciane defende que é necessário trabalhar com a inteligência policial para mapear a cidade e realizar um trabalho de acordo com a necessidade de cada localidade.
Outra constatação das estatísticas é confirmada pela prática diária. O maior número de assaltos acontece nas áreas mais nobres da cidade. “Na região da 146ª não há muitos casos deste tipo, pois é justamente na área central onde há maior concentração de renda”, afirmou Luís Maurício Armond, delegado titular da 146º Delegacia de Polícia (Guarus). “Mas se engana quem acredita que apenas aumentar o policiamento nessa parte resolve o problema. Enquanto não começarem a olhar para as áreas periféricas, os crimes vão continuar acontecendo, pois é daqui que sai a mão de obra para o cometimento dessas ações”, falou o delegado, acrescentando que a segurança depende de vários fatores além da ação policial. “Ela é importante, mas trata-se de uma ação de emergência. O tratamento do problema tem que ser realizado por outros meios”, comentou.
Geraldo Rangel, delegado responsável pela 134ª Delegacia de Polícia (Centro), acredita que o aumento dos números de 2016 em relação a 2015 é normal e se dá pelo sucesso que as equipes tiveram no ano anterior. “Esses crimes são cíclicos, essa variação é bastante comum”, ressaltou.
Questionada sobre o número de profissionais em atuação na cidade, a assessoria da Polícia Civil respondeu que “por questões de segurança, não será informado o efetivo de cada unidade. O que podemos informar é que, atualmente, a instituição conta com 10.173 policiais. Esclarecemos ainda que o número previsto para seu efetivo encontra-se disciplinado na Lei Estadual n. 6166/2012”.
Apesar de procurados pessoalmente, por telefone e via e-mail pela assessoria local e estadual da Polícia Militar do Estado de Rio de Janeiro, o comandante da 8º Batalhão, Marco Aurélio Louzada e o Comando Geral da PM não comentaram o assunto.
Assalto no salão Ideale na formosa , 07-10-2016 foto rodrigo Silveira (16) Tentativa roubo frustrada em salão de beleza no Centro Foto: Rodrigo Silveira
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Sobre o autor

Camilla Silva

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