Jovem baleado supera desafios e mostra evolução na reabilitação
Júlia Alves 13/07/2026 10:02 - Atualizado em 13/07/2026 11:17
Arquivo Pessoal
Quase dois anos após ser baleado e ficar paraplégico, o jovem Rafael Vasconcelos comemora novos avanços na recuperação. Nas redes sociais, ele tem mostrado etapas da reabilitação, como o uso de órteses para ficar de pé, enquanto aguarda o desfecho do processo judicial.
No dia 6 de setembro de 2024, Rafael estava de bicicleta a caminho da casa de um amigo, quando foi abordado por dois homens em uma moto, que anunciaram o assalto. O crime aconteceu no Parque Santo Amaro, em Campos, e, na época, Rafael tinha 18 anos. Ao tentar fugir, ele foi baleado no tórax e na coluna, colidindo em seguida em um carro que estava estacionado próximo ao local.
Em contato com Rafael, o jovem comentou sobre como tem sido o processo desde o ocorrido. “A recuperação tem sido um processo diário. Precisei aprender a lidar com uma nova realidade, cada pequena conquista passou a ter um significado enorme. Quero continuar evoluindo e mostrar que mesmo diante disso, é possível reconstruir a vida e seguir em frente. Com o tempo, fui conquistando minha independência aos poucos. Aprendi a lidar melhor com a cadeira de rodas, voltei a treinar. Cada uma dessas conquistas representa muito mais do que parece, porque por trás delas existem meses de esforço, fisioterapia e persistência”, disse.
Rafael compartilha em suas redes sociais os processos da fisioterapia. Em uma das publicações, ele aparece utilizando órteses e explica a atividade.
“As órteses são equipamentos que estabilizam minhas pernas e permitem que eu fique em pé com segurança. Além disso elas ajudam na circulação, na postura, na prevenção de algumas complicações da lesão medular e no funcionamento do intestino e da bexiga. No meu caso, a expectativa principal da órtese não é fazer com que eu recupere os movimentos das pernas. O objetivo é me proporcionar mais funcionalidade, mais autonomia e os benefícios de conseguir ficar em pé”, esclareceu.
Reprodução
Os dois suspeitos foram presos no ano passado. O primeiro, Leonardo de Souza Júnior, foi capturado alguns dias depois que o crime completou um ano. Ele foi abordado em uma blitz no dia 12 de setembro em Copacabana, no Rio de Janeiro. Ao realizarem consulta ao sistema, foi identificado o mandado de prisão em aberto contra ele pelos crimes de homicídio e latrocínio. Já o segundo suspeito, Kauan de Jesus da Silva, foi preso no dia 10 de dezembro, na comunidade da Chatuba, no Parque Aurora, em Campos.
Segundo o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), pelos nomes indicados não foram encontrados os processos referentes ao caso. "Os processos podem estar em segredo ou ainda em fase de inquérito policial e, por isso, não aparecem nas buscas". O tribunal informou ainda que há uma audiência de instrução e julgamento marcada para Leonardo no próximo dia 27, mas referente ao crime de homicídio relacionado a ele.
Rafael contou como se sentiu ao saber da notícia da prisão dos suspeitos. “Foi um momento de alívio. Não porque isso muda a minha realidade ou encerra tudo o que vivi, mas porque mostra que houve uma resposta da Justiça. Minha vida mudou para sempre, e nada vai apagar isso, mas saber que os suspeitos foram presos traz um pouco mais de tranquilidade. Ver os responsáveis respondendo pelo caso traz um sentimento de que ainda existe uma busca por justiça”, disse Rafael.
Ele comentou ainda sobre a reflexão ao lembrar do dia do crime e se imaginava que conseguiria chegar ao ponto em que está atualmente.
“Sinceramente, não. Nos primeiros dias, tudo era muito incerto. Eu estava tentando entender o que tinha acontecido e como seria a minha vida dali para frente. Mas, aos poucos, fui entendendo que a recuperação acontece um passo de cada vez. Cada pequena evolução foi me mostrando que eu era capaz de seguir em frente. A mensagem que eu deixo é que, por mais difícil que o momento pareça, não desistam. Eu sei que existem dias em que a dor, o medo e a incerteza parecem maiores do que a esperança. Eu também passei por isso. Mas a nossa história não precisa ser definida pelo pior dia das nossas vidas. Haverá dias bons e dias difíceis, e isso faz parte do processo”, conclui Rafael.

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