Câmara aprova e decreto de intervenção vai para votação no Senado nesta terça
20/02/2018 09:54 - Atualizado em 22/02/2018 13:47
Plenário da Câmara dos Deputados
Plenário da Câmara dos Deputados / Wilson Dias/Agência Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta terça-feira (20), a intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro por 340 votos a 72 (houve uma abstenção). O tema, agora, será analisado com "urgência" pelo Senado, com o decreto levado diretamente ao plenário da Casa, sem passar por comissões. O início das votações, pelos senadores, está previsto para as 16h, segundo a agenda do presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Antes da votação, caberá a Eunício designar um relator para fazer um parecer oral sobre a intervenção. Para ser aprovado, o decreto precisa do voto favorável da maioria simples dos senadores, desde que estejam presentes na sessão pelo menos 41 dos 81 parlamentares. 
Decreto na Câmara - A Câmara dos Deputados iniciou a discussão do decreto do presidente Michel Temer (PMDB) na noite desta segunda-feira (19). Legalmente, as ações começaram a valer a partir da assinatura presidencial, entretanto, o general do Exército Braga Netto, nomeado por Temer como interventor, havia assinalado anteriormente que só começaria os trabalhos, de fato, após a aprovação no Congresso. Durante o dia, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou que a intervenção demandará mandados de busca e apreensão coletivos, quando é solicitado à Justiça autorização para aplicação dessas medidas em uma área mais abrangente, o que gerou polêmica. Enquanto isso, com a impossibilidade do andamento de Proposta de Emendas Constitucionais (PECs) durante a intervenção, o governo desistiu da votação da reforma da Previdência e anunciou uma nova pauta. Também ficam paradas até o final do decreto discussões como foro privilegiado, aborto e maioridade penal.
Durante seu discurso, o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu a medida do governo federal. “Conheço esta Casa. Sei que neste grave momento ela não faltar a sua responsabilidade. Nosso papel não é apenas chancelar a intervenção, mas é também o de deixar claro que o Estado brasileiro e nós, o Congresso Nacional, não seremos omissos. Basta de assistir à família destroçada por tragédias. Basta de nos chocarmos com a imensurável dor de pais e mães, que perdem seus filhos brutalmente assassinados”.
Por outro lado, o deputado Glauber Rocha (Psol-RJ) defendeu uma discussão maior com a sociedade antes de uma medida extrema. “É uma irresponsabilidade a aprovação desse decreto. Fazer com que esse decreto seja aprovado sem uma ampla discussão com a sociedade brasileira é simplesmente fazer o jogo com aqueles que são uma quadrilha articulada em crime organizado comandada pelo senhor Michel Temer”.
No início da tarde, Jungmann disse que serão necessárias medidas complementares para a intervenção, como uso de mandados coletivos que não se restringem a busca de uma área específica. “Isso é uma ordem judicial que já foi empregada outras vezes no Rio de Janeiro. Em lugar de ser uma casa pode ser uma comunidade, um bairro. Isso tudo com a máxima transparência”, explicou o ministro.
Após a polêmica, o ministério da Defesa divulgou nota onde explica que os mandados coletivos irão tratar apenas de busca de apreensão, “e não de captura, que constitucionalmente só podem ser individuais”.
Governo tira reforma da Previdência da pauta
A Constituição Federal veta, em casos de intervenção federal, que haja alterações à Carta Magna da nação. Com isso, o governo, que não estava conseguindo angariar votos dos deputados para aprovação da reforma da Previdência, decidiu retirar a matéria da pauta de votações da Câmara e incluir assuntos como a regulamentação do teto remuneratório, a privatização da Eletrobras e a autonomia do Banco Central. decidiu.
Além da Previdência, outras propostas de emenda à Constituição (PEC) referentes a assuntos importantes como foro privilegiado, aborto e maioridade penal ficam com a tramitação paralisada na Câmara do Deputados. Na semana passada, o ministro da secretaria de Governo, Carlos Marun, responsável pela articulação política com o Legislativo, se manifestou favorável à continuação do debate sobre PECs. “A Constituição não veda a discussão de temas e ela continuará acontecendo”, disse em nota quando o governo assinou o decreto da intervenção.
Nesta segunda, Marun confirmou que a tramitação da reforma da Previdência está suspensa no Congresso Nacional.
Atualmente, há 35 comissões especiais em funcionamento na Câmara para discutir diferentes PECs. Outras 22 comissões aguardam a indicação pelos partidos dos integrantes para a sua instalação.

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