Operação ‘Unha e Carne’ e caso Ceperj afetam a direita nas urnas em 2026
Hevertton Luna - Atualizado em 01/08/2026 08:05
Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel
Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e Thiago Rangel / Fotos: Divulgação
A Operação “Unha e Carne” e caso Ceperj embaralharam o cenário político fluminense. Por conta da cassação e inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União), atualmente preso, e o afastamento do deputado Thiago Rangel (Avante), também detido, eles não terão as fotos nas urnas nas eleições de outubro.
Até o fim de 2025, o cenário posto era de um mar tranquilo para a direita fluminense. Após a megaoperação policial nos Complexos do Alemão e da Penha, o índice de aprovação do governo Castro chegou a 40% de ótimo e bom na capital e região metropolitana. Dado este que garantiria uma boa chance eleitoral ao postulante Bacellar para assumir como chefe do Executivo estadual.
Já Rangel surfava na mesma onda, tendo garantido uma vaga na Câmara de Campos para sua filha, Thamires Rangel, com 5.483 votos, sendo a segunda mais votada do município. Posteriormente, ela assumiria o cargo de Subsecretária de Ambiente e Sustentabilidade do Rio, em outubro de 2025, e só seria exonerada após a chegada do governador em exercício, desembargador Ricardo Couto, em maio de 2026.
De acordo com o cientista político Hamilton Garcia, as operações e condenações reconfiguram as possibilidades eleitorais.
“O impacto não se limita ao aspecto econômico-arrecadatório sobre os grupos envolvidos, mas também se estende ao político e reputacional. Em termos políticos, o temor de se associar ao grupo e entrar na mira das investigações deve inibir os acordos eleitorais que estavam em gestação”, explicou o analista.
Na última eleição, em 2022, o ex-governador venceu no 1º turno, com 4.930.288 votos. Já Bacellar obteve 97.822 votos e, com o apoio unânime do Legislativo fluminense, tornou-se presidente da Casa. Thiago, que ainda estava no Podemos, teve 31.175 votos. A pergunta que fica é: para onde irão estes votos?
Para Willian Passos, geógrafo e doutor em estatística pelo IBGE, o cenário eleitoral deste pleito é incomum, pois não há um político na chefia da máquina estadual.
“Considerando a competitividade de Eduardo Paes e do bolsonarismo, acredito numa distribuição do espólio eleitoral de Thiago Rangel e Rodrigo Bacellar em 2022 em favor de Eduardo Paes e Douglas Ruas, que deve ser o candidato do bolsonarismo. Uma parcela menor, por sua vez, pode ir para Anthony Garotinho”, disse Passos.
Judicialmente, segundo o jurista José Paes Neto, a questão de Bacellar está mais consolidada, pois ele foi cassado pelo TSE no caso Ceperj, mesma situação de Castro.
O caso de Rangel é diferente, pois ainda não há condenação.
“Para que ele seja barrado nas eleições de 2026, seria necessária uma condenação por órgão colegiado, seja em processo criminal, seja em ação eleitoral autônoma. Enquanto isso não ocorrer, ele permanece, em tese, elegível, mesmo preso”, acrescentou Paes Neto. 

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