A apertada vantagem que Wladimir Garotinho (PSD), prefeito eleito de Campos no voto, fez sobre o segundo colocado, Caio Vianna (PDT), de 11 mil votos e 4,8 pontos percentuais, revela algumas coisas. A rejeição ao garotismo ainda é grande no município, especialmente na "Pedra", a Zona 98, aonde está concentrada a maior parte das classes média e alta de Campos, na qual Caio fez 60% dos votos.
Pelo curta margem de vitória, se torna claro que o único nome do clã Garotinho apto a vencer nas urnas seria o de Wladimir, que ruma para ser o novo líder do grupo político. Ele é mais leve que os demais, tem bom trânsito na classe média, se relaciona bem no meio político, é de diálogo e de construção de alianças, além de ter exercido um bom mandato como deputado federal, ainda que parcial.
O único outro nome do clã que teria potencial para vencer estas eleições seria o de Rosinha, mas a ex-prefeita e ex-governadora está inelegível. O patriarca do clã carrega grande rejeição, em virtude do seu estilo agressivo, combativo e desagregador, além de ter o ônus do desgaste de estar há 4 décadas concorrendo e exercendo mandatos. Fora a imensa dificuldade eleitoral, Garotinho também está inelegível.
Já Clarissa Garotinho está radicada há anos no Rio, distante de Campos, e parece já ter atingido o auge em sua carreira em 2014, quando foi a candidata a deputada federal mais votada no Rio com 335 mil votos. De lá para cá sua musculatura eleitoral diminuiu muito.
Clarissa foi reeleita deputada federal em 2018 com apenas 35 mil votos, 10,5% de sua votação anterior. Teve menos votos que Wladimir e que Marcão na mesma eleição, ambos com base em Campos e ela na capital. Só conquistou o mandato pela coligação PROS/PSC puxada pela ótima votação do pastor evangélico Otoni de Paula, que fez 120 mil votos apoiado por Bolsonaro e pelo Pastor Everaldo.
Cabe a Wladimir agora imprimir o seu estilo e mudar o jeito beligerante de fazer política do garotismo, para quebrar essa rejeição, especialmente na pedra, onde perdeu muitos votos de eleitores que até o achavam o mais capacitado, mas acabaram não votando nele por rejeitarem seu pai.