Comissão de Mortos concluí ser improvável encontrar vestígios de DNA em Cambaíba
Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em Cambaíba
Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos em Cambaíba / Rodrigo Silveira
A Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos concluiu que seja improvável que a Usina Cambaíba, em Campos, tenha algum vestígio de material biológico para análise pericial. O ex-delegado do Departamento de Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra afirma que levou os corpos de 12 presos políticos da ditadura militar para serem incinerados nos fornos da usina entre os anos de 1973 e 1974. A família Ribeiro Gomes, proprietária do parque industrial neste período.
O presidente da Comissão, Marco Vinicius de Carvalho, o coordenador científico do Instituto de Pesquisa de DNA Forense da Polícia Civil do Distrito Federal, Samuel Ferreira, o chefe do núcleo de Antropologia Forense do IML Afrânio Peixoto e professor da Universidade Veiga de Almeida, Marcos Paulo Machado, e integrantes do Ministério Público Federal (MPF) estiveram em Cambaíba em fevereiro (aqui) para uma inspeção no local a pedido do MPF.
Em entrevista ao programa Folha no Ar, na rádio Folha FM 98,3, em 20 de fevereiro (aqui), o próprio Marco Vinicius adiantou que seria "praticamente impossível" encontrar eventuais vestígios de corpos no local por causa do tempo e das condições das ruínas da usina.
De acordo com Marco Vinícius, a análise técnica ficou prejudicada por causa da ação do tempo. No ano passado, o local onde ficavam os fornos desabou e está em ruínas. “Dentro do processo, chegou a se levantar a possibilidade da guarda e vigia do local, mas seria impossível. A equipe de perícia veio realizar uma análise preliminar. Nos foi informado que os fornos funcionavam a 900°C e foram desativados apenas em 1998, então a possibilidade de encontrar qualquer vestígio é mínima”.
Em 2014, o Ministério Público Federal levou Cláudio Guerra até Cambaíba para realizar reconstituição. O perito médico legista Samuel Ferreira relatou, no entanto, que não foi realizada perícia durante os trabalhos há seis anos.
Um dos corpos que teriam sido incinerados em Cambaíba, segundo Guerra, seria de Fernando Santa Cruz (aqui), pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. No entanto, esta não é a única versão. A Comissão da Verdade aponta também a possibilidade de ele ter sido sepultado em vala comum, no Cemitério do Perus, em São Paulo.
Cláudio Guerra foi denunciado (aqui) por ocultação e destruição de cadáveres pelo MPF. O ex-delegado informou que sugeriu o forno da usina Cambaíba como forma de eliminação sem deixar rastros, dado que já utilizava a usina e seus canaviais para desova de criminosos comuns. Foi realizada em 19 de agosto de 2014 uma reconstituição no local, com a presença de Cláudio Guerra, com a confirmação de que a abertura dos fornos era suficientemente grande para a entrada de corpos humanos, de acordo com o MPF.
A defesa da família Ribeiro Gomes alega que, na época da moagem, os fornos funcionavam 24 horas por dia e que seria impossível de ninguém ficar sabendo de eventuais corpos. Em 2012, o promotor Marcelo Lessa, do Ministério Público estadual, decidiu por arquivamento de inquérito, após não encontrar elementos suficientes.
— O juiz tinha determinado a guarda e vigia do local por parte da família, mas o antigo parque industrial da usina não pertence mais à família Ribeiro Gomes. Ele foi arrematado em leilão por uma empresa de São João da Barra, que foi incluída no processo. No entanto, a Usina Cambaíba foi excluída. Mas nós queremos voltar a fazer parte desta ação para podermos provar que o que não aconteceu nada do que o Cláudio Guerra disse. A usina não foi notificada, mas entramos com pedido para o adiamento desta missão do CEMDP — disse o advogado.

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    Aldir Sales

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