Fiscais do TRE apreendem quase R$ 40 mil após denúncia de compra de votos em Morro do Coco
11/11/2020 09:41 - Atualizado em 11/11/2020 18:52
Apreensão foi feita por fiscais do TRE
Apreensão foi feita por fiscais do TRE / Rodrigo Silveira
A equipe de fiscalização da Justiça Eleitoral de Campos apreendeu, na manhã desta quarta-feira (11), quase R$ 40 mil em espécie na casa de Leandro Soares, um cabo eleitoral em Morro do Coco, nomeado no gabinete do deputado estadual Rodrigo Bacellar (SD). A ação de busca e apreensão foi motivada por três denúncias de compra de votos. O cabo eleitoral é ligado aos candidatos a vereador Marquinho Bacellar (SD) e  a prefeito Bruno Calil (SD). Em seu perfil no Facebook, Leandro convida para uma reunião nesta quarta, em apoio aos candidatos, que só não aconteceu nessa terça-feira (10) por causa chuva: “Até segunda ordem, está mantida para hoje”, afirmou.
Bruno Calil disse que vai aguardar mais esclarecimentos sobre o fato e não vê ilicitude em possuir dinheiro em casa, uma vez comprovada a sua origem. Marquinho diz estar tranquilo e que seguirá com a campanha. Leandro, que foi à Polícia Federal, disse aos ficais que o dinheiro é dele, fruto de economias pessoais, e nega qualquer ilicitude. O montante seria, segundo ele, para pagar a compra de um terreno. Fotógrafo conhecido na região onde mora, levou para PF seu equipamento de trabalho. 
A quantia exata só foi confirmada por volta das 12h30: R$ 38,5 mil. O dinheiro apreendido foi encaminhado para a sede da PF. Já o cabo eleitoral foi convidado a acompanhar a equipe de fiscalização até a PF, uma vez que a legislação eleitoral veta prisão neste período, a não ser em flagrante, e o fato de guardar dinheiro em casa não é crime. O valor ficou apreendido na PF e, de acordo com Paulo Cassiano, delegado da Polícia Federal, o cabo eleitoral foi ouvido e liberado. Leandro disse que o principal motivo para ele comparecer à PF para prestar depoimento, mesmo sem ser obrigado, foi a possibilidade de recuperar o dinheiro, o que acabou não acontecendo. “Quem fala a verdade, não merece castigo”, completou Leandro, afirmando que nenhum material de campanha foi encontrado na sua residência, nem no seu carro.
Em nota, o candidato a prefeito Bruno Calil informou que “antes de qualquer manifestação, cabe à Justiça Eleitoral esclarecer junto à imprensa o que de fato foi apreendido e quais são as acusações. Ao que consta, não há crime em possuir dinheiro em casa, desde que haja a devida comprovação de sua origem, o que deve ser feito juntamente às autoridades competentes”.
Já Marquinho questionou não só a atuação da Justiça, mas da imprensa, ao ser questionado sobre sua posição diante do fato: “Quem precisa se manifestar é a justiça que fez a operação e passou informação a vocês (imprensa)! Estou bem tranquilo e seguirei minha campanha. Deixo o desespero para os “indeferidos” “ e o jornalismo tendencioso”.
Leandro, que, como mostra o documento abaixo, é nomeado assessor de Rodrigo, também levou para PF um contrato de uma transação que envolveria um terreno e, segundo ele, justificaria o fato de ter em casa o montante de dinheiro. Ele se prontificou a falar com a imprensa, mas foi orientado pela advogada a só se manifestar após o depoimento, o que seria feito por meio de nota — e não aconteceu até o momento.
    
A equipe de fiscalização também fez buscas em mais duas residências, a da mãe do cabo eleitoral e de uma vizinha.  

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    Arnaldo Neto

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