Beneficência negocia com a Prefeitura para pagar funcionários
Folha1 - Atualizado em 02/03/2021 15:24
Rodrigo Silveira
O custo excedente da luta contra a Covid-19 ainda não foi repassado para Beneficência Portuguesa e os funcionários da instituição já começam a sentir no bolso. O décimo terceiro de 2020 ainda não foi pago e apenas 65% do salário de janeiro dos funcionários foi honrado, na última segunda-feira (1). Renato Dantas Faria, presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Campos, conta que negocia com a Prefeitura os custos dos serviços prestados no Centro de Combate e Controle ao Coronavírus (CCCC) e espera que em 10 ou 15 dias o “problema pontual” – que causou o atraso da folha de pagamento – seja solucionado. A Prefeitura de Campos ainda não se manifestou.
As conversas com a gestão de Campos, de acordo com Renato, já vêm se desenrolando desde a transição do governo, ainda na gestão do prefeito Rafael Diniz, e ainda ontem foi feito contato com o secretário municipal de Saúde, Adelsir Barreto:
– Estamos conversando com os responsáveis para equacionar o problema sem falta de pagamento ou atraso – explicou Renato Faria. Ele ainda destacou que o secretário lhe retornou na manhã desta terça-feira (2) e “se comprometeu a avançar nessa conversa”.
As negociações com a gestão vêm sendo o método mais eficaz de cumprir a folha de pagamento, manutenção dos leitos, aquisição de insumos e realização de exames. Só os recursos normais contratado e contratualizados, como o aporte federal e municipal, não estão sendo suficientes para honrar todos os compromissos e, por essa razão, o salário de dezembro foi pago no dia 27 de janeiro com a ajuda do investimento que a prefeitura fez na abertura de novos leitos no CCCC.
Para Renato Faria, a manutenção de leitos clínicos ociosos é um gasto que acaba pesando no orçamento:
– O aumento de preços durante a pandemia e o problema de manter uma estrutura para tratamento do Covid ociosa onera os gastos. Hoje, temos 40 leitos clínicos de plantão, 30 prontos para serem ocupados, já que 10 estão ocupados, que tem um custo profissional pesado e estão sendo mantido. A história do Covid em Campos é que a crise, o colapso percebido em outros lugares, só chega em Campos com 30 dias de defasagem. A prefeitura deve definir o fechamento ou não desses leitos ociosos. Se precisarmos abrir mais 20 leitos, nós conseguimos, apesar de demorar uma semana e meia. A estrutura física tá lá, e depois arrumamos o pessoal – explicou o presidente da Beneficência Portuguesa.
Ele ainda destacou que na gestão anterior havia sempre paliativos para a instituição não ficar em débito com seus funcionários e, por isso, “não chegou nessa crise de hoje”. Ele ainda se compadeceu com a situação dos funcionários:
– Entendo que um atraso de pagamento impacta na vida desses funcionários, que muitas vezes ganham o piso salarial de suas ocupações. Eles estão estressados com o trabalho pesado que tem sido feito aqui dentro e devem ter o direito a segurança no recebimento de seus salários. Mas em 10 ou 15 dias essa questão vai ser normalizada; é um problema pontual – concluiu Renato.

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