Defesa de Witzel recorre ao STF contra afastamento do governador
- Atualizado em 31/08/2020 09:45
Wilson Witzel
Wilson Witzel / Carlos Magno / Divulgação
A defesa de Wilson Witzel (PSC) recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir cassação da liminar que afastou o governador do cargo na última sexta-feira (28). Witzel é acusado de chefiar um esquema para desviar verbas da Saúde durante a pandemia de Covid-19. A informação sobre o recurso foi divulgada nesta manhã no blog da jornalista Julia Duailibi, no portal G1.
A decisão do afastamento por 180 dias de Witzel foi tomada pelo ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves. Com isso, o vice-governador Cláudio Castro (PSC) – também acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) – assume o comando do Estado no auge de mais uma crise política. O governador afastado negou as acusações, insinuou que a atuação da promotoria teria as digitais do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e afirmou que “está sendo massacrado” porque há interesses poderosos contra ele.
Além do afastamento de Witzel, o ministro Benedito Gonçalves expediu mandados de prisão contra 17 pessoas, entre elas, Pastor Everaldo, presidente do PSC; Lucas Tristão, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico; e Sebastião Gothardo Netto, médico e ex-prefeito de Volta Redonda. A primeira-dama, Helena Witzel; o presidente da Alerj, André Ceciliano (PT); e o desembargador Marcos Pinto da Cruz também foram alvos de busca e apreensão.
A defesa de Witzel espera que o STF aprecie o pedido de cassação da liminar até a próxima quarta-feira (2), dia em que a Corte Especial do STJ irá se reunir para julgar o afastamento.
A base da operação que levou ao afastamento do governador foi a delação premiada do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos. De acordo com o MPF, suspeita é de que o governador tenha recebido, por intermédio do escritório de advocacia de sua esposa pelo menos R$ 554,2 mil em propina. O MPF descobriu transferência de R$ 74 mil de Helena Witzel para a conta pessoal do governador.
A descoberta do esquema criminoso teve início com a apuração de irregularidades na contratação dos hospitais de campanha, respiradores e medicamentos para o enfrentamento da pandemia do coronavírus. A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirma que o governo do RJ estabeleceu um esquema de propina para a contratação emergencial e para liberação de pagamentos a organizações sociais (OSs) que prestam serviços ao governo, especialmente nas áreas de Saúde e Educação.
Além disso, os procuradores apontam que a primeira-dama possui “vínculo bastante estreito e suspeito” com as empresas do empresário Mário Peixoto, que fornece mão de obra para o governo do Rio de Janeiro desde a gestão de Sérgio Cabral.
O procurador da República Eduardo El Hage afirmou que o afastamento foi “muito importante para desarticular o grupo que está no poder”, que classificou como uma organização criminosa sofisticada.

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