"Nosferatu" no Cineclube Goitacá
03/04/2018 16:35 - Atualizado em 05/04/2018 16:24
Um dos fundadores do Cineclube Goitacá, o professor e crítico de cinema Aristides Soffiati apresentará, na noite desta quarta-feira, o longa-metragem mudo “Nosferatu” (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens, 1922), com duração de uma hora e 34 minutos. Dirigido pelo alemão Friedrich Wilhelm Murnau, o clássico é uma adaptação do romance “Drácula” (Dracula, 1897), desenvolvida em cinco atos, com nomes de personagens e lugares alterados. A sessão está marcada para as 19h, na sala 507 do edifício Medical Center, situado à esquina das ruas Conselheiro Otaviano e Treze de Maio, no Centro de Campos. A entrada é gratuita.
De acordo com Aristides Soffiati, a escolha de “Nosferatu” vem como uma continuidade da linha proposta por ele ao Cineclube Goitacá, com filmes que ganharam destaque no cinema mudo. “Propus mostrar que os gêneros que a gente conhece hoje em dia, já existiam lá atrás, na era do cinema mudo. Já apresentei vários gêneros. Estão faltando o terror, suspense, comédia, musical, enfim. Então, vou apresentar esse filme como um expoente do gênero terror. É um clássico do terror, o primeiro filme significativo da saga de Drácula, uma adaptação destacada”, afirma o crítico.
Em “Nosferatu”, Friedrich Wilhelm Murnau apresenta o expressionismo alemão, que durante algum tempo influenciou até mesmo o cinema norte-americano. “O expressionismo alemão é uma linha muito importante, que usa a sombra, o claro e o escuro, usa a fumaça, várias formas de expressão. O Murnau foi um dos grandes representantes do cinema expressionista”, afirma Soffiati.
Diferentes formas de expressão são essenciais para que o espectador compreenda a mensagem dos filmes mudos. “Os grandes diretores vieram do cinema mudo. Na ausência da palavra, o cineasta tinha que usar as imagens, fazer as imagens falarem. Uma sombra, por exemplo, fala. A ausência de uma pessoa. Tudo isso fala. Era muito comum um cineasta desenvolver essa capacidade de usar a imagem no lugar da palavra. Acho que esse filme apresenta isso tudo, porque ele fala com uma outra linguagem além da palavra que não está presente. O Murnau foi um mestre nisso”, destaca o apresentador da noite.
Em “Nosferatu”, o agente imobiliário Thomas Hutter, interpretado por Gustav von Wangenheim, viaja até os Montes Cárpatos para fazer negócio. Lá chegando, descobre que seu cliente é o excêntrico Conde Orlok, personagem de Max Schereck, inspirado no Conde Drácula, que aterroriza a região. Para muitos especialistas, Orlok foi a principal representação de Drácula. Durante o tempo em que Hutter fica no castelo de Orlok, Ellen tem pressentimentos ruins, crises se sonambulismo e alucinações.
Quando retorna para Wisborg, Hutter trata de garantir a segurança da esposa. Mas, a esta altura, Orlok já espalhava peste pela cidade, devido aos ratos presentes em seus caixões. Como passou a morar de frente para a residência do casal, o vampiro inicia uma espécie de perseguição, motivada pela atração por Ellen. Durante a noite, aparece na janela do quarto desta, espionando-a. Eis que a mulher descobre ser a única capaz de deter Orlok, oferecendo-o seu próprio sangue.

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