Viatura policial.
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Polícia Militar de SP
No sábado passado o tema do artigo foi a redução do número de homicídios no país e como não há uma explicação padrão para esse fenômeno. Estudiosos e especialistas levantam diversas hipóteses para essa redução. Trégua entre facções, mudanças no policiamento ostensivo e atuação integrada entre forças policiais foram as justificativas citadas. Independente da razão, fica claro que é possível um combate aos homicídios no país. Porém, um problema persiste e isso pode afetar esse combate, que são os índices pífios de elucidação de crimes.
Em pesquisas citadas em relatório elaborado pelo Conselho Nacional do Ministério Público o índice de solução de crimes de homicídio no Brasil é baixíssimo. Estima-se que somente entre 5% e 8% dos assassinatos ocorridos se chegue ao autor do crime após investigação pelas polícias civis. Para efeitos de comparação, esses números chegam a 65% nos Estados Unidos, 90% no Reino Unido e 80% na França. Se for levado em conta o número de homicídios ocorridos em 2017, 63.880, isso significa, na melhor das hipóteses, que cerca de 5000 homicidas foram identificados, e que quase 59.000 mortes ficaram sem resposta.
São números que impressionam e deixam claro o tamanho do problema que afeta nosso sistema de investigação policial. Com tal índice de impunidade, fica muito difícil um combate adequado aos homicídios no país. Mesmo com a queda de cerca de 24% no número de homicídios ocorrida no primeiro trimestre deste ano, a grande maioria dos autores continua impune.
. Na tentativa de justificar esses números, muitos apontam a falta de investimento, carência de pessoal, falta de condições de trabalho e uma legislação ultrapassada, porém o problema parece ser mais profundo. Nossas polícias tem uma estrutura ultrapassada, criada no século XIX, e que não foi modernizada. Nas polícias civis impera a burocracia e o formalismo, o que gera uma lentidão que não condiz com a necessidade de uma resposta rápida ao problema.
Portanto, para o combate eficaz aos homicídios no país, não basta reduzir o número, é preciso punir os responsáveis, e para isso é necessária a modernização das nossas polícias, alterando suas estruturas internas e reduzindo ao máximo a burocracia e o formalismo desnecessário. Precisamos de uma polícia do século XXI para combater com eficiência o crime.