As Dificuldades Iniciais Do Atual Prefeito é Equilibrar o Técnico Com o Político, Dando Embasamento Teórico/Prático. Na análise de Sileno Martinho, Abrindo a Boca para Marco Barcelos.
22/02/2017 16:27
1- Sileno Martinho, após o primeiro mês o prefeito Rafael Diniz analisou um início de governo bem pior que esperava. Com sua experiência política, como avalia a situação encontrada, e quais serão as maiores dificuldades para colocar a casa em ordem ?
R: Toda mudança de governo, seja em que nível for, traduz-se em dificuldades iniciais fruto da adaptação de uma nova equipe ao ambiente político e administrativo, some-se a isto a cultura interna de cada município, além das mudanças que invariavelmente serão operadas pelos novos gestores. Este tempo de maturação sempre vai acontecer, pois a máquina pública é complexa e precisa estar aderente a diversos parâmetros legais, sob pena de responsabilizar o gestor junto aos órgãos fiscalizadores. Creio que a dificuldade inicial do atual prefeito é equilibrar o técnico com o político, dando embasamento teórico/prático a sua equipe de governo, e tendo a sabedoria para colocar a pessoa certa no lugar certo. Fazendo isto, todo o resto vai se encaixando naturalmente, é questão de tempo!
2 - A crise mundial econômica, consequentemente afeta o Barsil, e concomitantemente reflete na nossa cidade. De que forma o prefeito pode viabilizar o caminho para uma economia sustentável do município ?
R: É voz corrente que precisamos retomar a sustentabilidade econômica independente dos royalties do petróleo, que são bem vindos, mas são finitos. O município de Campos tem grande extensão territorial e deve diversificar sua economia criando eixos de desenvolvimento, aproveitando o corredor logístico da BR 101 para atração de empresas através de polos industriais; retomando o projeto do complexo logístico Farol-Barra do Furado; incentivando a agricultura irrigada para fixar o homem no campo; fomentando a indústria pesqueira; provendo financiamentos aos pequenos e médios empresários; além de liderar a gestão integrada de territórios com os municípios limítrofes visando negociar em bloco os interesses macros da região.
3 - Como a iniciativa privada poderá contribuir com projetos para nosso munícipio ? E a nível regional ?
R: Através de parceiras público privada, o poder público atrairia o capital privado para atuar em projetos sustentáveis, onde não fosse sua expertise ou onde tivesse limitações legais ou funcionais, com foco basicamente na infraestrutura urbana e rural. Diminuir o tamanho do estado em alguns setores é fundamental para ganhar agilidade nas soluções dos grandes gargalos que impactam diretamente a melhoria da qualidade de vida da população. O poder público com as limitações financeiras atuais, deve estar aberto a estas parceiras!
4 - Sabemos que Campos é um celeiro de excelentes políticos, desde Nilo Pessanha. Agora temos vários prefeitos campistas, como Carlos Augusto de Rio das Ostras, Cláudio Linhares de Conceição de Macabu, Fátima Pacheco de Quissamã, Francimara Barbosa Lemos de São Francisco e nosso prefeito Rafael Rafael Diniz, como avalia esta excelência da nossa cidade ?
R: O mundo passa por mudanças e nas democracias ela se manifesta com mais vigor. Passamos pela primavera árabe, atravessamos turbulências mundiais, mas vivemos outra realidade. O mundo mudou e nós também! A mesma população que coloca no poder, tem o poder de destituir; seja por cansaço de um modelo de gestão, seja porque deseja experimentar o novo. Neste momento em que questões éticas estão em debate no cenário nacional envolvendo, a renovação é um sopro de esperança em novas formas de governar. Necessário porém que não decepcionem a população, pois se as expectativas não se confirmarem a reação contrária é imediata e em proporção talvez até maior. A voz rouca das ruas deve ser sempre o termômetro da classe política sob todos os aspectos.
5 - A PF junto com a operação lava jato, nunca prendeu tantos políticos e empresários no país. Essas prisões estão afetando a economia do nosso país de que forma ?
R: A Petrobrás que respondia direta ou indiretamente por grande parte do PIB nacional, uma vez paralisada, afetou os níveis de emprego no país, mas principalmente na nossa região em função da cadeia produtiva que girava no seu entorno. Nos últimos anos, segundo dados do CAGED, foram 12 milhões de desempregados e este enorme contingente afeta de maneira superlativa o país, impactando diretamente todos os segmentos econômicos nacionais, indo do pequeno produtor, ao grande empresário e até as transnacionais. Este é o efeito cascata indesejável, pois se diminui o emprego, desaquece a economia, vem a recessão! Estamos pagando um alto preço em função de erros que não cometemos. Felizmente, creio que o mercado começa a reagir. Sinto que o pior já passou!!!

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