Importante, mas só repudiar racismo não basta mais
10/11/2017 02:00 - Atualizado em 10/11/2017 02:13
Sempre se diz que o jovem é o futuro do País. Que futuro é este que tem despontado aqui e ali, com preconceito e intolerância?
Inconcebível o que ocorreu com os alunos maranhenses, que estão em Campos para o III Encontro Nacional de Núcleos de Estudos Afrobrasileiros e Indígenas e grupos correlatos da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológicas, que acontece em Campos.
A comitiva do Maranhão teve o ônibus riscado por provocações aos estudantes e professores do Nordeste. "Aqui tem água" e "#melava" foram algumas das frases escritas no veículo.
"Desde então, os atos ficaram mais graves. Nessa quarta-feira (8), no campus Guarus do IFF, os alunos foram chamados de macumbeiros após a apresentação de um trabalho. Também na quarta, estudantes do campus Centro fizeram gestos simulando o comportamento dos macacos, para ridicularizar os colegas nordestinos. E, à noite, o grupo foi informado de que não havia mais comida disponível para eles", relata a matéria da jornalista Paula Vigneron (confira no Folha 1).
Não foi, infelizmente, um fato isolado. No último dia 4, um campeonato de basquete entre alunos de escolas públicas e privadas de Natal, no Rio Grande do Norte, terminou em confronto entre o Colégio Marista e o Instituto Federal de Educação Central (IFRN), em que o primeiro saiu vencedor, a torcida invadiu a quadra para comemorar gritando frases como: “Sua mãe é minha empregada”.
Membros da torcida da escola vencedora, onde estuda a elite da cidade, também disseram coisas como: “O meu pai come a sua mãe” e “1, 2, 3, 4, 5 mil. Queremos Bolsonaro presidente do Brasil” e estão sendo altamente criticados na página do colégio nas redes sociais.
As duas instituições - IFF Campos e Marista - reagiram repudiando os atos. O IFF Campos e outros campis do Maranhão deram uma demonstração de reação através da cultura. Professores e alunos mostraram que não compactuam do pensamento racista do grupo que atacou os maraenses. O reitor Jefferson Manhães chegou a chorar, comovido e envergonhado pelo ocorrido (Confira o vídeo no final da postagem).
O Marista (aquele da inacreditável campanha "se nada der certo", no início do ano, lembra?) do Rio Grande do Norte emitiu nota repudiando e afirmando que investigará o caso.
Porém, repudiar somente e divulgar nota não cabe mais. É necessário que se tenha resposta firme. Punir de alguma forma. Chamar os pais (onde estão que não acompanham o que ocorre com os filhos? Ou os adolescentes estão reproduzindo o que vivem em casa?). Tentar recuperar o que for possível. Lógico que, mais uma vez infelizmente, não é possível mudar a cabeça das pessoas, a não ser que elas queiram, mas é preciso que entendam, seja com 10, com 15, 20 ou 60 anos (como no caso do jornalista William Waack), que racismo é crime e passível de punição. O respeito ao outro tem que haver. Não é favor. É obrigação.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

    Sobre o autor

    Suzy Monteiro

    [email protected]