Eleição de Italva sem brincadeira
Suzy Monteiro 14/10/2017 15:38 - Atualizado em 20/10/2017 17:55
Três dias antes da eleição de outubro, uma busca e apreensão da Justiça Eleitoral na casa da então candidata e hoje prefeita de Italva, Margareth de Souza Rodrigues Soares, a Margareth do Joelson (PP), descobriu mais de duas centenas de bonecas. Segundo denúncias, longe de parecer uma brincadeira, elas seriam distribuídas em troca de voto. Também foram encontrados títulos de eleitor e até contas de luz. Isso gerou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) movida por Leonardo Orato Rangel, o Léo Pelanca (PSC), que concorreu a prefeito e perdeu com uma diferença de 141 votos. De acordo com o advogado Carlos Eduardo Ferraz, que representa Léo, é uma questão de tempo para que a Justiça Eleitoral condene a prefeita e determine novas eleições. Já o advogado Igor Garcia Marinho Ferreira, que atua na defesa da prefeita Margareth do Joelson, preferiu não se manifestar antes da sentença.
No último dia 19 de setembro, o Fórum de Italva recebeu audiência eleitoral do processo de cassação de Margareth do Joelson. A Aije foi movida pelo segundo colocado nas eleições, Léo Pelanca. Mas a denúncia que originou a ação de investigação tomou por base elementos descobertos pela própria Justiça Eleitoral, durante uma busca e apreensão feita na casa da então candidata três dias antes da eleição.
A diligência da Justiça Eleitoral apreendeu 204 bonecas de brinquedo, que, segundo a denúncia, seriam utilizadas para distribuição em troca de votos, além de anotações de pagamentos, contas de luz e diversas cópias de título de eleitor.
O processo que pede a cassação de Margareth tramita na Zona Eleitoral de Italva. Na audiência do dia 19, foram ouvidas cinco de seis testemunhas. Quatro delas afirmaram que receberam benefícios e promessas de emprego para votarem na prefeita eleita, sendo que ainda era exigido uma extensão - que fosse conquistado o voto dos familiares e amigos.
Uma das testemunhas, de nome Renata Mendes, chegou a chorar durante o depoimento, ao afirmar que somente aceitou trocar seu voto pelo pagamento de um exame porque seu marido estava desempregado. Uma outra testemunha, Elaine Salles, afirmou que somente teria votado em Margareth porque a então candidata teria ido a sua casa e lhe prometido um cargo comissionado, mas disse que depois foi enganada, pois trabalhou num projeto social da prefeitura e nunca recebeu por isso.
Ainda está sendo investigada a origem do dinheiro utilizado para comprar as bonecas.
— Não tenho dúvidas da cassação da prefeita Margareth do Joelson, diante do fabuloso acervo de provas dos abusos e crimes eleitorais praticados pela candidata na eleição de 2016. É uma questão de tempo — afirmou o advogado Carlos Eduardo.
Contactado, o advogado de Margareth, Igor Garcia Ferreira, enviou o seguinte posicionamento ao jornal: “Em relação ao processo da prefeita D. Margareth, não poderei manifestar, tendo em vista o mesmo não ter sido julgado em definitivo, logo, não há que se falar em suposições ou eventualidades.
Qualquer pronunciamento feito antes de uma sentença (mesmo que em primeira instância), são meros posicionamentos políticos, e como advogado, me posiciono tão somente quanto a área jurídica”, afirmou na manhã de ontem, através de WhatsApp.
Em 2016 - Margareth do Joelson foi a candidata eleita em Italva, com 41,26% dos votos. Ela é esposa de Joelson “Disco”, ex-prefeito da cidade que não pôde concorrer por estar inelegível à época.
Em segundo lugar, ficou o candidato Léo Pelanca, com 39,68%. O então prefeito, Leozinho do Banco, obteve 15,58%, em terceiro. E um quarto colocado, João Matos, 3,48%. O município possui 11.205 eleitores.
Nome de marido também é problema
Margareth de Souza Rodrigues Soares adotou o nome político de Margareth do Joelson, em referência ao marido e ex-prefeito do município de Itava Joelson Soares.
O político foi considerado inelegível por oito anos, em 2014, por abuso de poder político. A decisão foi tomada pelo plenário do Tribunal Regional (TRE). Candidato derrotado à reeleição em 2012, o então prefeito, segundo a acusação, autorizou cirurgias de cesariana pelo SUS, exigindo que as gestantes tivessem domicílio eleitoral no município. Ano passado, sem que pudesse concorrer, o grupo político do ex-prefeito lançou o nome de Margareth, que venceu.
Mas, além do caso do uso polítco de distribuição de bonecas, outra questão também ameaças prefeitas que foram eleitas utilizando os nomes do marido. Em março, Lívia de Chiquinho (PDT), prefeita de Araruama, teve o mandato cassado pela juíza Alessandra de Souza Araújo por fraude no processo eleitoral. No entendimento da magistrada, o “de Chiquinho” é uma referência ao marido de Lívia, o ex-prefeito Chiquinho do Atacadão, que não pode concorrer a prefeito em 2016 devido a uma condenação por improbidade administrativa. Mas o slogan da candidata a prefeita na campanha deixava uma pista sobre o papel de Chiquinho no processo eleitoral: “Vota nela que ele volta”. Lívia venceu

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