Rodrigo Bacellar aparece com codinome 'Barba' em planilhas de bicheiro e recebeu quase R$ 4 milhões
O ex-presidente a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União Brasil), recebeu quase R$ 4 milhões em pagamentos do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, segundo apurou o blog Blog do Octavio Guedes, no G1.
O codinome "Barba" aparece em planilhas do grupo criminoso e seria usado para identificar os pagamentos ao ex-presidente da Alerj. Como informado pelo blog, o nome do ex-governador Cláudio Castro (PL) aparece na lista de Adilsinho.
Há registros de três pagamentos feitos por depósitos "em espécie", conforme consta nos registros. Foram feitos três pagamentos, sem detalhar o ano: R$ 2 milhões, em julho; R$ 925 mil, em agosto; e R$ 1 milhão, em setembro.
A investigação identificou que o bicheiro chamava os políticos corruptos como "clientes" e que detalhava tanto de pagamentos em espécie como por transferências ou depósitos bancários em seus registros. O "Barba" teria recebido valores sempre em espécie.
Em nota, a defesa de Bacellar nega que o ex-presidente da Alerj "tenha atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes" (Confira abaixo a nota na íntegra)
A defesa do contraventor nega as acusações.
Operação da PF
A PF deflagrou nesta quinta-feira (2) a 5ª fase da Operação Unha e Carne, em que prendeu o pastor Márcio Poncio. Também há mandados contra Adilsinho Bacellar. Adilsinho e Bacellar já estavam encarcerados, e o ex-deputado será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal.
Adilsinho está na cadeia desde fevereiro. O contraventor, apontado como “capo da Máfia do Cigarro” no RJ, já tinha escapado de ao menos duas ofensivas da PF.
Na Operação Smoke Free, de novembro de 2022, a PF encontrou as listas de políticos em um dos endereços de Adilsinho — a TV Globo apurou que são pelo menos 25. Os documentos estavam dentro de uma mala de couro na cabeceira da cama do bicheiro.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), expediu os três mandados de prisão e outros de 14 de busca e apreensão — o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, também foi um dos alvos.
Moraes também determinou o sequestro de bens e valores até R$ 22 milhões.
Nota da defesa de Rodrigo Bacellar
"A defesa de Rodrigo da Silva Bacellar, em razão da deflagração da 5ª fase da Operação Unha e Carne, nega que seu constituído tenha atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes.
Reitera-se que, conforme extensa documentação acostada aos autos próprios, está cabalmente demonstrado que Rodrigo da Silva Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados, sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado.
Por fim, coloque-se que Rodrigo da Silva Bacellar pautou e pauta sua atividade política e atuação como agente público na legalidade, na impessoalidade e, principalmente, no firme combate à criminalidade organizada no Estado do Rio de Janeiro, de modo que qualquer acusação em sentido contrário se trata da mais absoluta inverdade."
Fonte: G1