PF investiga se aliados de Sóstenes forjaram escritura de imóvel para justificar R$ 470 mil apreendidos
A Polícia Federal (PF) investiga, em operação deflagrada nesta quarta-feira (1º), se aliados do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) forjaram a escritura pública de compra e venda de um imóvel para tentar justificar a origem de dinheiro em espécie apreendido durante uma operação.
Ao autorizar a operação, o relator, ministro Flávio Dino, afirmou que a investigação indica que parte de R$ 15 milhões movimentados por empresas possam ter origem em recursos públicos ligados a Sóstenes.
Ao autorizar a operação, o relator, ministro Flávio Dino, afirmou que a investigação indica que parte de R$ 15 milhões movimentados por empresas possam ter origem em recursos públicos ligados a Sóstenes.
Sóstenes Cavalcante afirma não ter tomado conhecimento da decisão. "Assim que souber vou me manifestar como sempre fiz", disse a Globo News.
Em dezembro do ano passado, o líder do PL na Câmara foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga suspeitas de desvios de cotas parlamentares (relembre aqui).
Na ocasião, agentes encontraram R$ 470 mil em dinheiro vivo dentro de sacolas, em um flat usado por ele em Brasília. Horas depois, ele deu uma coletiva de imprensa na qual afirmou que o dinheiro tinha origem na venda de um imóvel, em Minas Gerais.
Em dezembro do ano passado, o líder do PL na Câmara foi alvo de mandados de busca e apreensão em uma operação que investiga suspeitas de desvios de cotas parlamentares (relembre aqui).
Na ocasião, agentes encontraram R$ 470 mil em dinheiro vivo dentro de sacolas, em um flat usado por ele em Brasília. Horas depois, ele deu uma coletiva de imprensa na qual afirmou que o dinheiro tinha origem na venda de um imóvel, em Minas Gerais.
No entanto, segundo a PF, o imóvel só foi transferido oficialmente cerca de um mês após a apreensão do dinheiro. A informação consta no relatório incluído na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a operação desta quarta (1º).
A escritura foi lavrada em 30 de dezembro de 2025, 11 dias após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, mas registra que o pagamento em espécie teria ocorrido em 24 de novembro do mesmo ano.
"A própria análise policial ressaltou, contudo, que a comunicação é datada de 30/12/2025, precisamente a mesma data em que a escritura foi formalizada em cartório. Esse aspecto cronológico assume especial relevo investigativo. Isso porque a escritura pública foi lavrada em 30/12/2025, isto é, após o cumprimento das medidas cautelares de 19/12/2025", diz a PF.
A escritura foi lavrada em 30 de dezembro de 2025, 11 dias após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, mas registra que o pagamento em espécie teria ocorrido em 24 de novembro do mesmo ano.
"A própria análise policial ressaltou, contudo, que a comunicação é datada de 30/12/2025, precisamente a mesma data em que a escritura foi formalizada em cartório. Esse aspecto cronológico assume especial relevo investigativo. Isso porque a escritura pública foi lavrada em 30/12/2025, isto é, após o cumprimento das medidas cautelares de 19/12/2025", diz a PF.
O documento informa que se trata de um ajuste para algo que teria acontecido antes. Para os investigadores, a diferença entre as datas reforça a suspeita de que o documento tenha sido produzido posteriormente para conferir aparência formal a uma transação alegadamente anterior.
"Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita (feita anteriormente)".
"Em outras palavras, os interessados somente levaram a registro cartorário, após a apreensão do numerário, uma narrativa documental destinada a conferir lastro formal a uma alegada transação pretérita (feita anteriormente)".
Outro ponto apontado pela investigação é que não foram encontrados indícios de movimentação bancária compatíveis com o pagamento declarado na escritura.
De acordo com a PF, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) “não identificou saque de valores contemporâneos à data da compra” por parte do comprador, apesar de o documento afirmar que a negociação foi quitada integralmente em dinheiro vivo.
De acordo com a PF, um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) “não identificou saque de valores contemporâneos à data da compra” por parte do comprador, apesar de o documento afirmar que a negociação foi quitada integralmente em dinheiro vivo.
Em dezembro do ano passado, Sóstenes e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) foram alvos de mandados de busca e apreensão sob suspeita de desviar recursos públicos vindos de cotas parlamentares. Eles negam qualquer irregularidade.
Segundo as investigações, eles teriam utilizado empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos, para justificar despesas custeadas com dinheiro público. A principal suspeita da PF é que contratos de aluguel de veículos eram usados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos da verba parlamentar.
Durante a operação, a PF apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço ligado a Sóstenes. O dinheiro estava dentro de um saco preto, encontrado em um armário no flat usado pelo deputado, na capital federal.
Segundo o relato da PF, foram apreendidos "R$ 468.700 em cédulas de R$ 100, bem como a existência de quatro pacotes 'embrulhados', contendo etiquetas indicativas de R$ 100.000 cada, com menção ao mês de março de 2025 e aos bancos SICREDI e Banco do Brasil".
A jornalistas, o deputado afirmou que o montante tem origem na venda de um imóvel e que ele é vítima de uma perseguição judicial. Ele também disse que teria recebido o valor recentemente e que não depositou a quantia em um banco em razão da "correria de trabalho" e que isso foi um "lapso".
Essa apreensão levou a PF a abrir uma nova frente de investigação.
A partir daí, os investigadores passaram a rastrear a movimentação financeira e patrimonial dos envolvidos e concluíram que não há registro de saques feitos por Thiago de Paula (identificado como comprador) próximos à data em que a escritura afirma que o imóvel teria sido pago integralmente em dinheiro vivo.
Segundo as investigações, eles teriam utilizado empresas de fachada, entre elas, uma locadora de veículos, para justificar despesas custeadas com dinheiro público. A principal suspeita da PF é que contratos de aluguel de veículos eram usados para dar aparência de legalidade ao desvio de recursos da verba parlamentar.
Durante a operação, a PF apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um endereço ligado a Sóstenes. O dinheiro estava dentro de um saco preto, encontrado em um armário no flat usado pelo deputado, na capital federal.
Segundo o relato da PF, foram apreendidos "R$ 468.700 em cédulas de R$ 100, bem como a existência de quatro pacotes 'embrulhados', contendo etiquetas indicativas de R$ 100.000 cada, com menção ao mês de março de 2025 e aos bancos SICREDI e Banco do Brasil".
A jornalistas, o deputado afirmou que o montante tem origem na venda de um imóvel e que ele é vítima de uma perseguição judicial. Ele também disse que teria recebido o valor recentemente e que não depositou a quantia em um banco em razão da "correria de trabalho" e que isso foi um "lapso".
Essa apreensão levou a PF a abrir uma nova frente de investigação.
A partir daí, os investigadores passaram a rastrear a movimentação financeira e patrimonial dos envolvidos e concluíram que não há registro de saques feitos por Thiago de Paula (identificado como comprador) próximos à data em que a escritura afirma que o imóvel teria sido pago integralmente em dinheiro vivo.
Fonte: G1