STF mantém prisão do ex-deputado Thiago Rangel
22/06/2026 19:23 - Atualizado em 22/06/2026 19:36
Deputado Thiago Rangel
Deputado Thiago Rangel / Foto: Divulgação/ Alerj
Preso desde o início de maio, o ex-deputado estadual Thiago Rangel teve um pedido de liberdade negado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a Polícia Federal identificar indícios de intimidação contra a nova secretária de Educação do Estado. 
Ao se manifestar sobre o pedido de liberdade, a Procuradoria-Geral da República sustentou que a gravidade dos crimes investigados, o risco de continuidade das condutas ilícitas e a possibilidade de interferência na instrução processual justificam a manutenção da prisão preventiva.

Thiago é suspeito de chefiar um esquema de fraudes em obras em escolas da rede estadual de Educação. Ele foi detido pela Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

De acordo com a PF, obras em escolas localizadas nas regiões sob influência política do deputado eram direcionadas para empresas ligadas ao grupo investigado.

O esquema de reformas, sob suspeita de superfaturamento, teria consumido mais de R$ 1 bilhão em contratos marcados pela falta de transparência. O caso veio à tona no início do ano e, após sua repercussão, o governo do estado promoveu mudanças no comando da Secretaria de Educação.

Segundo a Polícia Federal, na véspera de sua prisão, o então deputado enviou mensagens à nova gestora da pasta com cobranças em tom de ameaça, após uma série de demissões na secretaria.

“Boa tarde, secretária. A indicação do Noroeste partiu do deputado Jair Bittencourt. Só estou passando para lhe dizer que, além da falta de respeito, isso não vai ficar assim. Desculpe o desabafo, mas quem fez errou muito”, escreveu Thiago em mensagem divulgada pelos agentes da PF.

Ele se referia à perda de cargos nas diretorias regionais de Educação do Norte e Noroeste Fluminense. As mudanças foram mantidas pela nova secretária, que também prestou depoimento à Polícia Federal para esclarecer o conteúdo das mensagens.

Em áudios obtidos durante a investigação, Thiago Rangel dava ordens à então diretora regional do Noroeste, Júscia Gomes de Souza Figueiredo, que também está presa.

“Tudo o que acontecer dentro da regional eu quero saber. E eu não tenho que dar satisfação a ninguém, porque o deputado sou eu, a indicação é minha e quem manda sou eu”, afirma um dos áudios.

Rangel e outros seis suspeitos são investigados por suposta participação em um esquema criminoso que envolve fraudes na compra de materiais e na execução de obras da Secretaria Estadual de Educação, além de suspeitas de corrupção relacionadas à indicação de cargos políticos e à fiscalização de postos de combustíveis.

Ele perdeu o mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), sendo substituído por Wellington José, primeiro suplente do Podemos.
Defesa reafirma "absoluta inocência"
Em nota divulgada na rede social, a defesa de Rangel comenta a decisão. "Nada há na mensagem além de seu caráter exclusivamente político: o deputado manifestou inconformismo por não ter sido previamente consultado sobre uma nomeação em sua própria área de atuação parlamentar. Foi um desabafo, e foi assim que ele próprio o qualificou. É, portanto, absurdo pretender extrair de tal mensagem qualquer ameaça a alguém. Trata-se de uma leitura que distorce o sentido evidente das palavras para lhe emprestar uma gravidade que manifestamente não possuem", diz trecho da nota. 



Com informações Tempo Real e g1.

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