Gabriel Torres
16/06/2026 18:58 - Atualizado em 16/06/2026 19:02
Folha da Manhã | Divulgação
A primeira audiência de instrução e julgamento do caso Greicy Kelly aconteceu nesta terça-feira (16), no Fórum Maria Tereza Gusmão, em Campos. Mas, devido à falta de testemunhas, uma nova audiência foi marcada com data ainda a ser divulgada pela Justiça. A vítima, de 31 anos, tinha cinco filhos e estava grávida de cinco meses quando foi brutalmente assassinada em novembro do ano passado. Um casal foi acusado da morte de Greicy, no entanto, apenas o homem confessou o crime e passará pela audiência. O advogado assistente de acusação afirmou que será pedida a condenação do réu por homicídio qualificado e a prima da vítima cobrou o resultado do exame de DNA da ossada que seria de Greicy Kelly.
A motivação do crime seria uma dívida de R$ 3.600 que Greicy tinha com esse homem, além de uma ação trabalhista ajuizada contra a mulher dele, segundo informou a Polícia Civil. A delegada Carla Tavares, que era a titular da 134ª Delegacia de Polícia do Centro e responsável pela investigação na época, disse que a ação trabalhista se tratava do período em que Greicy trabalhou como cuidadora do pai da acusada e que resultou numa quantia de R$ 52 mil.
Família pede justiça em frente ao Fórum de Campos
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Foto: Rodrigo Silveira
Larissa Costa do Nascimento, prima de Greicy Kelly, disse ter esperança na condenação do acusado e também cobrou o resultado do exame de DNA, necessário à identificação da ossada que seria da prima.
“É um sentimento de justiça. É a primeira etapa até o julgamento final da condenação de todos os condenados. Eu quero que tudo seja esclarecido. Porque nós, como família, temos muitas perguntas sem respostas. Minha prima tem uma certidão de nascimento e até hoje ela não tem uma certidão de óbito. É como se ela só existisse para a minha família. Ela não foi sepultada. A gente não teve esse direito. Foi arrancado da gente, dos filhos dela. Eu acredito que a Justiça vai ser feita para que a gente possa ter paz”, disse Larissa antes da audiência ser remarcada.
O advogado Márcio Marques, assistente de acusação, afirmou que a família ainda não recebeu o resultado de DNA para saber se a ossada encontrada era a de Greicy Kelly. Segundo ele, a audiência desta terça-feira precisou ser remarcada porque três testemunhas imprescindíveis não compareceram. A acusação vai pedir a condenação do réu por homicídio qualificado.
Márcio Marques, advogado de acusação
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Foto: Rodrigo Silveira
"A família, como já é de se esperar, espera que a justiça seja feita. A família ainda está lutando para sair o resultado do DNA para confirmar que aquela ossada encontrada seja de fato a da Greicy Kelly. Embora tenha a confissão do réu, que realmente cometeu, mas temos que ter certeza que aquela ossada encontrada seja da Greicy Kelly, para que a família possa ter certidão de óbito e um velório inteiro digno", falou Márcio.
Greicy Kelly Gomes do Nascimento havia desaparecido no dia 17 de novembro e, desde então, a família não teve mais notícias dela. As redes sociais não foram acessadas, assim como não houve movimentação bancária, o que teria levantado a suspeita de homicídio. Em março deste ano, o casal acusado de matar Greicy foi preso no Parque Califórnia e, na delegacia, o homem contou como foi o crime.
Prisão do casal suspeito de assassinar Greicy Kelly
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Reprodução
Desdobramentos do caso
Durante coletiva de imprensa realizada no início deste ano para esclarecer o crime, a delegada passou mais informações:
"Segundo o autor, que foi o executor, ele vinha já premeditando este crime. A partir do momento que eles receberam a notificação dessa ação trabalhista, ele falou para a mulher que acabaria com a vida de Greicy. E veio pensando em como ia fazer isso. Então, na manhã do crime, ele se dirigiu até a residência da vítima, com um galão de gasolina dentro do veículo e foi até a residência da vítima. Chegando lá, ele encontrou com a vítima e ela, por conhecê-lo, prontamente se dirigiu a ele, cumprimentando de forma cordial. Ela pediu mais uma vez dinheiro emprestado a ele, que aproveitou essa oportunidade e falou para a vítima que não tinha dinheiro, mas que tinha uma pessoa que estava devendo, e teria dito 'vamos lá para a gente pegar o dinheiro'", explicou.
O acusado relatou ainda que levou Greicy até o Parque Califórnia, nas proximidades da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), e a estrangulou depois de saírem do veículo. Em seguida, ele colocou fogo no corpo dela. Carla informou também que até então o crime não era visto como duplo homicídio pois não havia confirmação de que os autores tinham planejado matar também o feto. O casal afirmou que não sabia da gravidez.
Ainda segundo a delegada, a mulher do executor sabia de todo o planejamento do assassinato e ainda ajudou no álibi do acusado, além de corroborar com a narrativa contada por ele. O homem chegou a ligar para a companheira para contar que havia realizado o crime logo depois. No entanto, em sede policial, a mulher disse que não participou do crime e que não autorizou o fato.
No dia 30 de novembro, foi encontrado um corpo carbonizado no mesmo bairro. Um exame de DNA seria realizado para saber se o cadáver era da vítima.