Ministério Público denuncia seis policiais penais e outras seis pessoas por entrada de drogas e celulares em presídios de Campos
07/05/2026 09:18 - Atualizado em 07/05/2026 10:47
Presídio Carlos Tinoco da Fonseca
Presídio Carlos Tinoco da Fonseca / Foto: Folha da Manhã

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou e obteve a prisão preventiva de seis policiais penais e outras seis pessoas por tráfico de drogas e por facilitarem a entrada de celulares em dois presídios de Campos dos Goytacazes, no Norte fluminense. A Polícia Civil cumpre, nesta quinta-feira (7), os 12 mandados de prisão e de busca e apreensão nas unidades prisionais Dalton Crespo de Castro e Carlos Tinoco da Fonseca e em endereços pessoais dos investigados em Campos, na capital, Rio das Ostras, Casimiro de Abreu, Duque de Caxias e Cabo Frio. Até o momento, 12 pessoas foram presas.
As investigações do GAECO/MPRJ e da Polícia Civil tiveram início após o ex-policial penal Marcelo Aparecido de Lima ser morto a tiros em abril de 2025, no bairro Parque Santa Clara, em Campos. A partir da análise dos dados de aparelhos celulares da vítima, ficou demonstrada a existência de um grupo criminoso que, atuando com estrutura hierárquica definida e divisão funcional de tarefas, se associou para traficar drogas e permitir a entrada e a venda ilegal de celulares nos dois presídios.
De acordo com o GAECO/MPRJ, os seis policiais penais denunciados, valendo-se de suas prerrogativas funcionais, atuavam para viabilizar o ingresso dos entorpecentes e aparelhos celulares nas unidades prisionais, recebendo vantagens financeiras e lucros das vendas realizadas dentro dos presídios. Ainda segundo as investigações, quatro pessoas, uma delas atualmente presa, eram responsáveis pelo abastecimento da rede criminosa, enquanto outros dois custodiados atuavam no fracionamento e na comercialização interna das substâncias e dos celulares.
Além da prisão preventiva, o Juízo da 3ª Vara Criminal de Campos determinou o afastamento dos policiais penais das suas funções e a suspensão do porte de armas de fogo. 
A ação, realizada pelos agentes da 146ª DP de Guarus, com apoio do Gaeco, faz parte da segunda fase da “Operação Clausura”. As investigações tiveram início após o homicídio do ex-policial penal Marcelo Aparecido de Lima, em abril de 2025, em Campos. No momento do crime, o homem já havia sido expulso da corporação, após uma investigação apontar o envolvimento dele em crimes dentro do sistema prisional.

Após o fato, agentes iniciaram trabalhos de inteligência para apurar a autoria do homicídio e, em dezembro do mesmo ano, deflagraram a primeira fase da operação, capturando três homens envolvidos na emboscada.

No decorrer das diligências e dando continuidade às investigações, policiais civis da unidade identificaram um complexo esquema de corrupção e tráfico de drogas envolvendo agentes públicos, custodiados e traficantes locais. Conforme o apurado, Marcelo Aparecido utilizava a confiança da profissão e era o elo para a entrada de drogas e outras irregularidades em dois presídios. Segundo os agentes, esta seria uma das motivações para o seu homicídio.

Ainda conforme apurado, a organização criminosa possuía três diferentes núcleos que atuavam no tráfico de drogas e em outros crimes dentro dos presídios. Além disso, também haviam negociações para a comercialização de aparelhos telefônicos e outros benefícios, com indicação de quantidade, qualidade, logística de entrega e distribuição interna, bem como a comprovação do lucro através de transações bancárias realizadas pelos envolvidos. A operação desta quinta, portanto, visa desmantelar esse esquema criminoso.
Com informações da Assessoria GAECO/MPRJ e PCERJ

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