Rafael Khenaifes
01/04/2026 08:05 - Atualizado em 01/04/2026 08:04
Obra de demolição do Edifício Itu quase no fim
/
Rafael Khenaifes
A demolição do Edifício Itu, localizado na rua Treze de Maio, em Campos, foi suspensa pela Justiça nesse domingo (29) após pedidos da Prefeitura e do Ministério Público. No entanto, mesmo após a decisão judicial, na manhã dessa terça-feira (31) era possível observar que o trabalho seguia normalmente.
Nesta semana, a obra de demolição do edifício Itu, localizado na rua Treze de Maio no Centro de Campos, entrou na fase final, faltando menos de um andar e apenas poucas paredes no entorno do prédio. A previsão de conclusão da obra é para este mês de abril. O Ministério Público pediu para que a obra fosse interrompida no último dia 17, sendo concedido pela Justiça no último domingo (29) após, também, pedidos da Prefeitura. A decisão foi da juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, da 3ª Vara Cível de Campos.
"Sendo assim, suspendo os trabalhos de demolição para, acaso compreendam os técnicos não haver riscos, franquear acesso ao interior do prédio pelos técnicos sugeridos pelo COPPAM para que, no prazo de 60 dias, apresentem projeto de manutenção/restauração do prédio para ulterior análise deste Juízo", escreveu Helenice Rangel Gonzaga Martins.
A demolição está sendo custeada pela Enel, que herdou a questão do Itu da antiga Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj). O prédio está sob proteção de interesse patrimonial histórico, a partir da Resolução 002/2025, do Coppam.
O Itu, um marco da década de 60, é de interesse histórico na cidade. Esse imóvel tem seu valor cultural por ser um projeto do arquiteto Joffre Maia, que tem todos os seus projetos tombados pelo Coppam. Procurada pela equipe de reportagem, a Enel afirmou que ainda não foi formalmente comunicada da decisão que suspendeu a demolição do Edifício Itu.
Renato explicou que o avanço da demolição foi possibilitado pelo longo prazo até esta decisão judicial e também comentou sobre questões técnicas.
Obra de demolição do Edifício Itu quase no fim
/
Rafael Khenaifes
"O seu efetivo cumprimento, sem dúvidas é um significativo caso de perda histórica e cultural. Contudo, no remanescente, se houver, a se confirmar a viabilidade, segurança e conjunto de elementos deste patrimônio histórico, sob tutela da Resolução 002/2025 do COPPAM, se justifica o interesse na sua recuperação conforme as possibilidades. É importante considerar que, o estágio atual é o resultado das pancadas mecânicas, estimadas entre 11 e 22 toneladas, que não confirmaram o suposto risco de desabamento iminente cogitado deste 2005, portanto, há 21 anos. Fora isso, o edifício antes do início da demolição tinha 68 anos, sem qualquer registro de ocorrência de abalo estrutural. Isso precisa ser melhor apurado para esclarecer de fato o que motivou a demolição do Edifício Itu. Logo, não se justificaria a demolição, pela suposição do iminente desabamento, que, mesmo sob fortes pancadas de até 22 toneladas, não fez o Edifício Itu desabar. Outro detalhe técnico relevante, é que, se verdadeiro fosse o risco de desabamento iminente, o entorno do edifício deveria ter elementos robustos de isolamento que garantisse segurança à população no caso de desabar. Porém, o que se viu, foram veis de poliéster e cones de plástico, além da permanência do trânsito como se nenhum risco concreto de desabamento houvesse", argumentou Renato.
Renato ainda avaliou ao dizer sobre os danos na cultura da região.
"A partir da decisão judicial para suspenção da demolição, sem que isso efetivamente se cumpra, observado a continuidade da demolição, como a execução é mecanizada com impacto entre 11 e 22 toneladas, fica seriamente comprometido salvar o que resta deste imóvel histórico sob tutela de proteção. Caso se confirme a insegurança, instabilidade e risco de colapso estrutural, não restará alternativa, senão a conclusão da demolição. Isso representará uma condenação adicional à história e cultura do município e região, dado o significado e primeiro edifício de grande porte no âmbito local e regional, em estilo modernista, projetado pelo mais expressivo arquiteto modernista, o Joffre Maia", finalizou o profissional em Arquitetura e Urbanismo.
Já em nota, a Enel afirmou que está cumprindo decisão judicial que determinou a demolição e não foi formalmente comunicada sobre a suspensão."A Enel Distribuição Rio informa que está cumprindo a decisão judicial que determinou a demolição do prédio da Rua Treze de Maio, 150, em Campos dos Goytacazes, e que não foi formalmente comunicada sobre nenhuma nova decisão no processo judicial", diz o comunicado.