A atual comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros na madrugada desta segunda-feira (23), em Vitória. O namorado dela, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, é apontado como o responsável pelo crime. Em seguida, ele tirou a própria vida. Diego era lotado na Delegacia da PRF de Campos e havia contra ele um processo administrativo disciplinar instaurado pela própria PRF em meados de 2025, após a denúncia de tentativa de estupro contra uma colega de corporação.
Segundo informações da Prefeitura de Vitória, o crime aconteceu por volta de 1h, na casa da vítima, no bairro Caratoíra. Dayse foi baleada cinco vezes na cabeça. De acordo com o delegado chefe do Departamento Especializado de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Fabrício Dutra, tudo indica que o caso se trate de um feminicídio.
Os celulares dos dois vão ser encaminhados para análise pericial para que possa ser descoberta a motivação para o crime.
De acordo com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, Diego usou uma escada para invadir a casa da namorada e quebrou a porta para entrar no quarto dela. O pai de Dayse estava no local e ouviu os disparos.
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda da capital. Ela deixa uma filha.
Reprodução/Rede social
Uma equipe da Polícia Científica esteve na casa da comandante para realizar a perícia e conversou com familiares. O caso vai ser investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória.
Em nota divulgada nas redes sociais, a PRF lamentou o falecimento de Dayse: "a Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifesta enorme pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa Matos, comandante da Guarda Civil Municipal de Viória (ES), em ocorrência de homicídio e autoextermínio que também resultou na morte do Policial Rodoviário Federeal Diego Oliveira de Sousa, lotado na Delegacia da PRF, em Campos dos Goytacazes", disse.
A PRF também ressaltou que os fatos estão sob apuração das autoridades competentes, além de lamentar as circunstâncias da ocorrência, "ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres".
Foto: Reprodução Gazeta
O pai de Dayse, Carlos Roberto Trindade Teixeira, conhecido como Carlinhos, relatou ao Jornal Gazeta que o relacionamento da filha com o suspeito durava cerca de quatro anos e era marcado por conflitos e episódios de violência. Segundo ele, a jovem havia decidido encerrar a relação pouco antes do crime, o que teria motivado a ação do agressor.
“Isso aconteceu porque ela terminou e disse: ‘Você precisa se tratar’. Já aconteceu de eu ter que tirar ele de cima dela, porque ele a estava segurando pelo pescoço”, relatou.
Carlinhos contou ainda que estava em um cômodo ao lado no momento dos disparos e descreveu o que ouviu e viu durante o crime. “Ontem (domingo) eu estava com esse pressentimento direto. Cheguei a ir ao quarto e perguntei: ‘Dayse, sua arma estava aí?’. Ela disse que sim, mas não deu tempo. Ele entrou atirando. No primeiro tiro, eu acordei. Ouvi três disparos. Abri a porta devagar, olhei e vi ele correndo com a arma engatilhada”, finalizou.
Após o conhecimento da denúncia contra Diego em Campos, a instituição adotou medidas administrativas para manter o distanciamento entre os dois agentes no ambiente de trabalho. "A apuração, que poderia resultar na demissão do servidor, está em fase final de conclusão", afirmou a PRF em nota.