Disse que Marielle era envolvida com o tráfico, agora vai tomar um processo =)
17/03/2018 | 03h08
O PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) vai entrar com uma representação oficial no CNJ (Conselho nacional de Justiça) e com uma ação criminal por calúnia e difamação contra a desembargadora do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), Marilia Castro Neves, pelas declarações de que a vereadora Marielle Franco, assassinada na última quarta-feira (14), "estava engajada com bandidos".

As informações foram confirmadas pelo vereador da legenda, Tarcísio Motta, ao UOL. A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Rio também está juntando informações sobre as declarações da desembargadora para se manifestar oficialmente sobre o caso, segundo apurou a reportagem.

Ontem, a coluna Monica Bergamo, do jornal "Folha de S.Paulo", revelou a postagem da juíza, que comentava uma postagem do advogado Paulo Nader no Facebook.

"A questão é que a tal Marielle não era apenas uma 'lutadora', ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu 'compromissos' assumidos com seus apoiadores. Ela, mais do que qualquer outra pessoa 'longe da favela' sabe como são cobradas as dívidas pelos grupos entre os quais ela transacionava", escreveu a juíza.

O texto da desembargadora Marilia Castro Neves segue: "Até nós sabemos disso. A verdade é que jamais saberemos ao certo o que determinou a morte da vereadora mas temos certeza de que seu comportamento, ditado por seu engajamento político, foi determinante para seu trágico fim. Qualquer outra coisa diversa é mimimi da esquerda tentando agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro".

À coluna da jornalista, a desembargadora declarou que não tinha ouvido falar de Marielle Franco até a sua morte. "Eu postei as informações que li no texto de uma amiga", afirmou. "A minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela. Outro dia uma médica morreu na Linha Amarela e não houve essa comoção. E ela também lutava, trabalhava, salvava vidas", finalizou.

"Mancharam o nome dela"

O PSOL vai mover uma ação criminal contra a juíza em decorrência das declarações.

"É um absurdo esse tipo de declaração. A desembargadora deveria ter o mínimo de responsabilidade sobre a vida de Marielle, inclusive pelo cargo que ela [a juíza] ocupa", declarou o vereador do PSOL à reportagem por telefone.

"Vamos entrar com uma representação no CNJ e com uma ação criminal por calúnia e difamação. Não vamos deixar que uma situação como essa sem consequência. Mancharam, absurdamente, o nome dela [Marielle]", prosseguiu.

Ele vê o comentário da desembargadora Marilia Castro Neves como uma "politização equivocada do processo".

"[O assassinato] é um crime politico, é um atentado contra a democracia. Negar isso é calar as bandeiras que Marielle defendia", afirmou o vereador.

Já o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalréo, confirmou à reportagem que a entidade está reunindo "esse material referente à desembargadora para tratarem sobre isso com o vice-presidente da Comissão a partir de segunda". 

"Na minha opinião, deve ser aberto um procedimento investigativo para apurar possível cometimento de crime pela desembargadora pela Corregedoria do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Nada impede, outrossim, que o Ministério Público do Estado requisite a instauração de um inquérito para apurar a conduta dessa senhora. São providências que não se confundem e podem caminhar em paralelo", declarou Chalréo.

Por: UOL

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"Tudo aponta para possível envolvimento de policiais", diz MPF sobre o Caso Marielle. Leia tudo:
16/03/2018 | 10h55
O coordenador criminal do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, o procurador José Maria Panoeiro, disse à BBC Brasil que uma análise inicial do assassinato da vereadora carioca do PSOL Marielle Franco aponta para o possível envolvimento de policiais ou agentes milicianos no crime.
 
'Tudo aponta para possível envolvimento de policiais', afirma coordenador criminal do MPF no Rio sobre Marielle
 
Milícias são formadas principalmente por policiais militares, mas também por policiais civis, bombeiros e mesmo integrantes das Forças Armadas, explicou.
 
Marielle foi morta ao ter seu carro alvejado por pelo menos nove tiros, no Centro do Rio, após ela deixar um evento no bairro da Lapa. O motorista Anderson Pedro Gomes também acabou atingido e morreu, enquanto uma assessora que estava no carro teve ferimentos leves e sobreviveu.
 
Para Panoeiro, as informações de que o carro foi perseguido por outro, de onde partiram os disparos, e o fato de ela ter morrido com quatro tiros na cabeça tornam pouco prováveis as hipóteses de uma ação de traficantes ou assaltantes.
 
"A forma de organização do crime, o fato de a assessora não ter sido alvejada diretamente e o fato de o motorista ter levado um tiro por trás denota um certo grau de planejamento (da ação) que leva a colocar policiais como suspeitos da prática do delito", afirmou.
 
Ele disse, porém, que outras hipóteses também precisam ser investigadas.
 
"Dentro de uma análise inicial soa pouco provável que, por exemplo, traficantes de drogas de uma determinada comunidade saíssem armados para seguir o carro de uma vereadora que sai de um evento à noite na Lapa. Mas não deve ser descartada essa hipótese porque, quando você investiga, você não descarta nenhuma possibilidade", ressaltou.
 
Juíza Patrícia
Na sua avaliação, o caso lembra o da juíza Patrícia Acioli, morta em 2011 com 21 tiros na porta de sua casa em Niterói (RJ). Ela era titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo e atuava em diversos processos em que os réus eram PMs do município, o que levou à prisão cerca de 60 policiais ligados a milícias e a grupos de extermínio. Onze policiais militares foram condenados pelo seu assassinato.
 
O procurador considera que "o ponto de partida" para as investigações do assassinato da vereadora é o fato de Marielle ter denunciado a violência policial. Quatro dias antes do assassinato, a vereadora denunciou supostos abusos de agentes do 41º Batalhão da Polícia Militar na favela de Acari, na zona norte do Rio.
 
"O que ela fez que é diferente e poderia incomodar as atuações expostas? É a questão da violência policial. Dos elementos que se apresentam, tudo aponta para possível envolvimento de policiais ou milicianos no crime", reforçou.
 
 
Apesar de ver indícios do envolvimento de policiais, Panoeiro manifestou confiança de que a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro tenham independência para investigar o caso, assim como foi feito no caso de Acioli. Embora a segurança do Rio de Janeiro esteja sob intervenção federal militar, as autoridades estaduais continuam responsáveis pelas investigações dos crimes.
 
"A gente não pode generalizar. Ainda que tenha policiais envolvidos, não significa que toda a polícia está envolvida", disse Panoeiro.
 
No início desta tarde, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também manifestou essa confiança por meio de nota, mas ao mesmo tempo instaurou procedimento para eventual "federalização" do caso. Ou seja, a PGR agora vai acompanhar o desenrolar das investigações para avaliar a possibilidade de pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que retire o caso das autoridades estaduais e passe a apuração para o Ministério Público Federal.
 
Esse procedimento costuma ser adotado em crimes contra os direitos humanos e quando as autoridades estaduais falham no seu papel de investigação. Recentemente, por exemplo, foi federalizada a investigação da chacina de dez trabalhadores rurais em Pau D'Arco, no Pará, devido a envolvimento de policiais no crime.
 
Temer
A nota da Procuradoria Geral da República (PGR) destaca que "a vereadora (Marielle) se notabilizou por ser defensora de direitos humanos e por dar voz às vítimas de violência no Estado". Informa ainda que "o Ministério Público está unido e mobilizado em torno do assunto" e que foram destacados três procuradores para se reunir com o procurador-geral de Justiça do Rio, Eduardo Gussen, e acompanhar o início das investigações. Entre eles está o secretário de Direitos Humanos da PGR, André de Carvalho Ramos.
 
 
Independentemente da federalização do caso, o presidente Michel Temer solicitou ao ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que coloque a Polícia Federal à disposição para ajudar na investigação.
 
A BBC Brasil procurou a Secretaria de Segurança do Rio para comentar as suspeitas de envolvimento de policiais no assassinato da vereadora. Em nota, o órgão afirmou que "o Secretário de Estado de Segurança, Richard Nunes, determinou à Divisão de Homicídios ampla investigação sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e Anderson Pedro Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora que a acompanhava".
 
Já a Polícia Civil disse em um comunicado que "a investigação está sob sigilo e não descarta nenhuma possibilidade sobre a motivação do crime".
 
O chefe de Polícia Civil, Rivaldo Barbosa, se reuniu, nesta manhã (15), com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), e os delegados Fábio Cardoso e Giniton Lages, que estão assumindo as titularidades da Divisão de Homicídios e da Delegacia de Homicídios da Capital (DH/Capital), respectivamente.
 
 
- via BBC -
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Quem matou Marielle Franco e seu motorista Anderson? O que se sabe sobre o crime
15/03/2018 | 05h41
O assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista Anderson Pedro Gomes na noite de quarta-feira no centro do Rio de Janeiro trouxe novamente à tona o temor da ação de milícias armadas na cidade. Defensora dos direitos humanos e crítica ferrenha da atuação de policiais que agem fora da lei, Marielle voltava de um evento na Lapa quando foi alvo dos disparos. Veja o que se sabe até agora sobre o crime.
Como ocorreu o assassinato
Por volta das 21h30 o veículo no qual Marielle, Anderson e uma assessora da vereadora trafegava pela rua Joaquin Palhares, no Estácio, região central do Rio. Neste momento um outro carro emparelhou e foram feitos ao menos nove disparos na direção do Chevrolet Agile branco. Os disparos foram feitos de trás para frente, no sentido do banco traseiro à direita (onde ela estava sentada) até o banco do motorista. Marielle Franco foi atingida por quatro tiros na região da cabeça e pescoço. Anderson foi alvo de três disparos nas costas. Uma assessora que estava no banco dos passageiros ficou ferida pelos estilhaços.
Qual a principal suspeita das autoridades
A Polícia Civil, que investiga o caso, trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido uma execução. Até o momento não existe informação de que algum pertence tenha sido roubado após o crime: os atiradores teriam disparado e fugido em seguida. Além disso, o fato de Marielle estar no banco traseiro do carro que tinha vidros escurecidos são um indicativo de que o grupo de assassinos acompanhou a vereadora por algum tempo, sabendo sua exata posição no veículo. Após o crime, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) afirmou que o assassinato tem "características nítidas" de execução. Parlamentares do PSOL, no entanto, afirmam que Marielle não havia informado ter recebido ameaças.
Quem são os suspeitos
Até o momento não foi divulgada nenhuma informação sobre os assassinos - não se sabe quantos participaram da ação. O modus operandi do crime, no entanto, lembrou o da emboscada que matou a juíza Patrícia Acioli em 2011, assassinada com 21 tiros por sua atuação contra grupos de milicianos. Posteriormente descobriu-se que o crime foi encomendado e executado por integrantes de uma milícia carioca. Como Marielle era critica ferrenha de abusos cometidos por policiais, em especial do 41º Batalhão de Acari, as autoridades não descartam que sua morte tenha sido encomendada por milicianos ou policiais militares corruptos. Além disso, Marielle havia assumido há duas semanas a relatoria de uma comissão na Câmara municipal criada para acompanhar os desdobramentos da intervenção federal no Rio.
No sábado, dia 10 de março, a vereadora usou a rede social Facebook para criticar a atuação dos policiais do 41º Batalhão do Acari. “Precisamos gritar para que todos saibam o está acontecendo em Acari nesse momento. O 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em um valão. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”, escreveu. No dia 13 de março, nova denúncia feita pela vereadora nas redes sociais: “Mais um homicídio de um jovem que pode estar entrando para a conta da PM. Matheus Melo estava saindo da igreja. Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”.
Que armas foram usadas
Foram encontradas nove cápsulas no local do crime. Até o momento não foram divulgadas informações sobre o calibre ou o tipo das armas utilizadas.
Quem são as testemunhas do caso
A assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque, já prestou depoimento à Polícia Civil do Rio. Por questões de segurança, ela não teve o nome divulgado. Além disso uma segunda testemunha, também desconhecida da imprensa, irá depor nesta quinta-feira. As autoridades irão analisar imagens das câmaras de vídeo do entorno para tentar identificar o veículo usado pelos assassinos.
Quem irá investigar os assassinatos
Até o momento o caso está com a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, conversou com o interventor do Estado, o general Braga Netto, para que a Polícia Federal auxiliasse nas investigações.
Por: El País
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O assassinato de Marielle Franco, num Rio sob intervenção, em 4 pontos centrais
15/03/2018 | 01h48
O assassinato de Marielle Franco, num Rio sob intervenção, em 4 pontos centrais
Matéria por: Nexo (www.nexojornal.com.br)
A vereadora Marielle Franco fazia do combate ao racismo e à violência policial contra moradores de comunidades do Rio suas bandeiras. Na noite de quarta-feira (14), ao voltar de um debate com jovens negras, a vereadora pelo PSOL foi morta a tiros, no Estácio, região central do Rio. Ela estava no carro quando um outro veículo se aproximou e seus ocupantes começaram a atirar. Nenhum pertence foi levado. O motorista da vereadora, Anderson Pedro Gomes, também morreu. A assessora de imprensa de Marielle, Fernanda Chaves, que estava ao seu lado, sobreviveu. Até o momento, a Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Rio trabalha com a hipótese de execução. Em nota, o PSOL pediu apuração “imediata e rigorosa” e afirmou que a hipótese de crime político não deve ser descartada. A Anistia Internacional Brasil e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Rio também cobraram rápida apuração.
O Palácio do Planalto ofereceu o apoio da Polícia Federal para as investigações. O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, também afirmou que acompanhará o caso pessoalmente. O ministério foi criado em fevereiro pelo presidente Michel Temer, logo após o anúncio da intervenção federal na segurança do Rio em razão da escalada dos registros de violência na capital e em cidades do estado. Nesta quinta-feira (15), Temer afirmou que a morte da vereadora foi ato de “extrema covardia” e que o “crime não ficará impune”.
Quem é Marielle Franco - Marielle exercia seu primeiro mandato na Câmara, para o qual foi eleita em 2016, com 46.502 votos, a quinta maior votação para o Legislativo municipal. Aos 38 anos e mãe de uma filha de 19 anos, ela teve uma trajetória dedicada aos direitos humanos. Marielle era socióloga, formada pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio e mestre em Administração Pública pela UFF (Universidade Federal Fluminense). Antes de assumir o mandato na Câmara, trabalhou em organizações como o Centro de Ações Solidárias da Maré, complexo de favelas no Rio, e a Brasil Foundation. Ao lado do deputado estadual Marcelo Freixo, em 2009, ela integrou a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio como assessora.
Polícia na cena do crime. Foto: Reuters
Na Câmara, a vereadora integrava o bloco de oposição ao governo de Marcelo Crivella (PRB). Era uma das sete mulheres entre os 51 parlamentares. Marielle defendeu projetos voltados à saúde da mulher e à educação, tendo como perspectiva a ampliação da rede de atendimento a mulheres pobres. Em setembro de 2017, a Câmara aprovou um projeto de autoria de Marielle que propôs a ampliação das Casas de Parto em áreas de vulnerabilidade social da capital, para a realização de acompanhamento das gestantes e partos normais.
Como ela atuava na questão policial - Como militante e vereadora Marielle dedicava-se também à questões da segurança pública, em especial a abordagem policial em comunidades. Sua dissertação de mestrado, “UPP: a redução da favela a três letras”, tratou da atuação das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio, projeto implantado pelo governo estadual a partir de 2008. A UPP teve por objetivo ocupar morros e comunidades como parte de uma estratégia de combate ao tráfico de drogas e à violência. Marielle acompanhou parte dessa política na Maré, complexo de 16 comunidades na zona norte do Rio, onde nasceu e foi criada. Experiências pessoais da vereadora pautaram seu posicionamento e as críticas à atuação policial, considerada abusiva por Marielle, em especial contra jovens negros. “Quantos jovens precisarão morrer para que essa guerra aos pobres acabe?”, escreveu a vereadora, na terça-feira (13), ao comentar a morte de um homem de 23 anos por policiais militares. No domingo (11), a vereadora usou suas redes sociais para denunciar a ação do 41° Batalhão da Polícia Militar do Rio na comunidade Acari, zona norte da capital. O batalhão está entre os recordistas de registros de mortes, de acordo com o ISP (Instituto de Segurança Pública).
Após a intervenção federal na segurança do Rio, Marielle foi escolhida como relatora da comissão da Câmara organizada para acompanhar as ações federais, que estão sob o comando do general do Exército Walter Braga Netto. Crítica da intervenção, a vereadora considerava a medida ineficaz e questionava a ausência de políticas consolidadas voltadas à educação, cultura e lazer.
Qual a linha de investigação - Ao menos nove tiros foram disparados contra o carro em que a vereadora estava. Integrantes do partido e familiares disseram desconhecer se a vereadora vinha sofrendo algum tipo de ameaça. “Ela incomodava pequenas e grandes máfias”, afirmou, sem entrar em detalhes, o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) à BBC Brasil. Das informações tornadas públicas até o momento, o que se sabe é: Ao menos quatro tiros atingiram Marielle. Os disparos foram na direção da vereadora, sentada no banco traseiro. O carro onde Marielle tinha os vidros escurecidos, o que indica que os autores sabiam previamente da posição dos passageiros, o que reforça a suspeita de execução. Os criminosos fugiram sem levar nenhum objeto das vítimas. A polícia solicitou imagens de câmeras de segurança do entorno onde o assassinato ocorreu. Além da assessora de imprensa de Marielle, que sobreviveu ao ataque, uma segunda testemunha, não identificada, prestou depoimento à Polícia Civil. O motorista morto durante a abordagem estava na linha de tiro, segundo policiais, e foi atingido na lateral das costas. Anderson Pedro Gomes estava fazendo “bico”, substituindo o motorista regular de Marielle, conforme relatou a esposa Ágatha Arnaus Reis.
O que diz o interventor federal - As polícias Civil e Militar estão sob o comando do interventor federal. Ou seja, quem comanda a segurança pública do Rio é o presidente Michel Temer via seus interventores militares. Por meio de nota, o general-interventor Braga Netto afirmou que “repudia” ações criminosas e que está em “contato permanente” com o secretário de Segurança. O governo federal colocou a Polícia Federal à disposição, mas até o momento as investigações seguem com a Divisão de Homicídios. Na manhã desta quinta-feira (15), o chefe da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa, se reuniu com Freixo e o titular da Divisão de Homicídios, delegado Fábio Cardoso. Prestes a completar um mês na função de interventor federal, Braga Netto tentará, até 31 de dezembro de 2018, dar uma resposta à escalada de violência no Rio. Nesse período, o general mudou postos de comando das políticas e oficiais do Exército têm feito ações de policiamento em comunidades e presídios. Nas poucas entrevistas que concedeu, o general afirmou que um dos propósitos da intervenção é combater o crime organizado e a corrupção nas polícias. Ao jornal Folha de S.Paulo, por escrito, ele afirmou que a ação policial será insuficiente se não vier acompanhada de projetos de inclusão social e melhora dos serviços públicos.
..................
NOTA DO PSOL: MARIELLE FRANCO, PRESENTE!
O Partido Socialismo e Liberdade vem a público manifestar seu pesar diante do assassinato da vereadora Marielle Franco e de Anderson Pedro Gomes, motorista que a acompanhava.
Estamos ao lado dos familiares, amigos, assessores e dirigentes partidários do PSOL/RJ nesse momento de dor e indignação. A atuação de Marielle como vereadora e ativista dos direitos humanos orgulha toda a militância do PSOL e será honrada na continuidade de sua luta. Não podemos descartar a hipótese de crime político, ou seja, uma execução. Marielle tinha acabado de denunciar a ação brutal e truculenta da PM na região do Irajá, na comunidade de Acari. Além disso, as características do crime com um carro emparelhando com o veículo onde estava a vereadora, efetuando muitos disparos e fugindo em seguida reforçam essa possibilidade. Por isso, exigimos apuração imediata e rigorosa desse crime hediondo. Não nos calaremos!
Marielle, presente!
Partido Socialismo e Liberdade
14 de março de 2018.
Foto: Mídia Ninja
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Votação da redução da maioridade penal é adiada! #ReduçãoNão!
27/09/2017 | 01h03
VITÓRIA! A votação da redução da maioridade penal, que estava programada para acontecer hoje (quarta, dia 27), na CCJ do Senado (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), foi adiada para acontecer daqui a 30 dias. O adiamento foi possível graças à pressão das ruas contra esse crime cometido contra a juventude. Não queremos falsas soluções pra violência, queremos educação, cultura, emprego e oportunidades para a juventude!
Pressione os senadores e receba os próximos passos da campanha "Amanhecer contra a redução", no site: www.reducaonaoesolucao.com.br
Temos 30 dias para dizer que #ReduçãoNãoÉSolução e impedir a aprovação dessa PEC que vai levar milhares de jovens para a cadeia. São 30 dias para fazemos protestos, caravanas para Brasília, pressionarmos por e-mail, redes sociais, telefone e ao vivo cada um dos senadores que têm a vida da juventude nas mãos. São 30 dias para colocar essa pauta no centro das mobilizações e para defender o futuro do Brasil. 30 dias para dizer que não queremos falsas soluções para a violência.
Nenhum país que reduziu a maioridade penal reduziu a violência!
“Seria o maior retrocesso nos direitos da criança e do adolescente no Brasil”, diz o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil. Segundo o órgão, a redução descumpre convenções internacionais assinadas pelo Brasil e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Reduzir a maioridade penal não resolverá o problema da segurança e dos altos índices de violência. No Brasil, os adolescentes são hoje mais vítimas do que autores de atos de violência. São eles que estão sendo mortos”, diz a Unicef.
O Brasil tem a 4° maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado com 500 mil presos. Só fica atrás em número de presos para os Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (740 mil).
O sistema penitenciário brasileiro NÃO tem cumprido sua função social de controle, reinserção e reeducação dos agentes da violência. Ao contrário, tem demonstrado ser uma “escola do crime”.
Portanto, nenhum tipo de experiência na cadeia pode contribuir com o processo de reeducação e reintegração dos jovens na sociedade.
#ContraARedução #ReduçãoNão #ReduçãoNãoÉSolução #ContraAReduçãoDaMaioridadePenal
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Sobre o autor

Thaís Tostes

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