Veja fotos e saiba como foi o Seminário dos Policiais Antifascismo, no Rio
02/10/2017 | 17h34
Texto e fotos por Thaís Tostes, especial para a Ponte Jornalismo (Matéria publicada originalmente em: https://ponte.org/policiais-e-especialistas-se-reunem-para-falar-de-desmilitarizacao-e-legalizacao-de-drogas/
Na semana marcada pela tentativa do Senado de votar a redução da maioridade penal (barrada pela pressão das ruas) e pela entrada de centenas de homens das polícias e das Forças Armadas na Favela da Rocinha, policiais e outros profissionais da Justiça e Segurança Pública, que acreditam numa nova segurança pública possível, se reuniram no Rio de Janeiro. A primeira edição do Seminário Nacional dos Policiais Antifascismo aconteceu nos dias 28 e 29 de setembro, no prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Centro. “O que vemos hoje, no Brasil, não é uma política de segurança pública, mas um massacre”, pontuou Anderson Duarte, tenente da Polícia Militar do Ceará e criador do site “Policial Pensador”, que, no seminário, integrou a mesa sobre “Desmilitarização das políticas de segurança”.
“Entendemos que o policial e outros agentes da lei devem ser defensores dos direitos humanos. Existe a possibilidade de fazermos uma política de segurança pública desmilitarizada – uma política de segurança dos direitos, que seria o equivalente a uma política sem derramamento de sangue. Hoje, no Brasil, nós temos uma polícia que morre muito e que mata muito, em contextos de violência e de militarização da segurança pública. Precisamos de uma nova polícia, uma nova política e uma política de segurança pública mais democrática. Não somos um exército; não queremos ser um exército!”, expôs Anderson.
O policial Anderson Duarte, criador do site Policial Pensador
O policial Anderson Duarte, criador do site Policial Pensador / Foto: Thaís Tostes
No primeiro dia, o encontro focou no debate sobre a construção dos policiais como trabalhadores, e quem falou sobre isso foi o inspetor de polícia e diretor da Associação dos Policiais Civis da Bahia, Denilson Campos; o cabo da Polícia Militar de Santa Catarina e presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), Elisandro Lotin; o inspetor de polícia e diretor da Coligação dos Policiais Civis do Rio de Janeiro, Hildebrando Saraiva; e a perito criminal e membro do Movimento Unificado dos Servidores Públicos, Janaína Matos.
“Já fomos para atos onde apanhamos dos próprios colegas! É horrível passarmos por situações dessas, mas, por outro lado, esses momentos também são uma grande oportunidade para construirmos consciência de classe. Quando a polícia recebe de volta o seu próprio discurso, ela abre os olhos para o quão perverso é o sistema”, comentou Janaína.
A perito criminal Janaína Matos
A perito criminal Janaína Matos / Foto: Thaís Tostes
Polícia como massa de manobra e contenção de massas
Para Lotin, o modelo de segurança pública vigente no país é o modelo em que os policiais são idealizados para o controle de classes: “Fomos feitos para manter as favelas sob controle; para manter as periferias nos guetos e, a partir disso, dar toda liberdade de atuação e vivência para as elites. Isso a gente faz desde 1808 ou antes. Nós somos massa de manobra e muro de contenção da massa”.
Nesse debate, Denilson destacou a existência de registros de policiais que se rebelam dentro de quartéis ou em ações sociais coletivas e progressistas: “Mas não existe política que trate esse policial como sujeito e atuante direto da modificação dessa realidade em que ele está inserido. O policial deve se perceber como um ser que sofre todas as contradições sociais que os demais trabalhadores do país sofrem. Por que esse policial não consegue se identificar com a causa trabalhadora? Por que é difícil para a sociedade vê-lo como classe trabalhadora?”.
Ocupação da Rocinha é um processo que começa em 1991
O delegado Orlando Zaccone
O delegado Orlando Zaccone / Foto: Thaís Tostes
O seminário também contou com a presença dos professores doutores Nilo Batista e Vera Malaguti, do Instituto Carioca de Criminologia; o delegado Orlando Zaccone, da Polícia Civil do Rio; o coronel da Polícia Militar do Rio, Ibis da Silva; e o membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalreo, que participaram do debate “Políticas de segurança sem derramamento de sangue”.
“A militarização da segurança pública cresce, tem o hiper-encarceramento, vivemos um quadro de terror, e eles continuam dizendo que o remédio é a militarização da segurança. Como podemos acreditar que esse remédio que não está funcionando vai resolver? Temos que apresentar mudança. Foi na perda do debate político, da construção do modelo democrático de segurança, que a situação chegou onde está hoje. Essa ocupação militar da Rocinha, que também se reproduz no Alemão e na Maré, é um processo que começa em 1991, na Operação Rio. Tem o artigo 142, que permite que as Forças Armadas, para a garantia da ordem, façam intervenção, visando à garantia dos Poderes. Não cabe às Forças garantirem os Poderes: os Poderes é que têm que garantir as Forças Armadas”, desenvolveu Zaccone.
Foto: Thaís Tostes
Segurança Pública para o gerenciamento da exclusão
Os debates também citaram estatísticas da Segurança Pública no Brasil. Na mesa sobre políticas de segurança sem derramamento de sangue, Ibis afirmou que apenas em 2015 a polícia brasileira matou 3.320 pessoas, e que os sete primeiros meses de 2017 contabilizam 600 pessoas mortas pela polícia e mais de 100 policiais mortos.
O coronel da Polícia Militar do Rio, Ibis da Silva
O coronel da Polícia Militar do Rio, Ibis da Silva / Foto: Thaís Tostes
“São duas faces da mesma moeda, que é a tragédia da segurança pública no Brasil. Segurança pública, no Brasil, tem sido uma forma de se gerenciar a exclusão. De 60 mil brasileiros mortos em 2015, 78% deles são jovens, pobres e moradores de periferia. Isso não é por acaso. E não é de hoje que esse Estado vem funcionando assim. Nós ainda somos esse triste moinho de espremer e triturar brasileiros. Estava vendo, na TV, um programa policial e tive vontade de chorar de raiva, por causa da polícia que podíamos ter e não temos”, desabafou.
O sistema penal, que coloca o Brasil como a quarta maior população carcerária do mundo (500 mil presos), ficando atrás apenas de Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (740 mil), também foi um tema bastante debatido no Seminário. Para Nilo Batista, a pena é a pior forma de violência.
O professor doutor Nilo Batista, do Instituto Carioca de Criminologia
O professor doutor Nilo Batista, do Instituto Carioca de Criminologia / Foto: Thaís Tostes
“O sistema penal não é só ruim na ponta da polícia – é ruim completamente. Como, por exemplo, um juiz pode dar um mandado de busca e apreensão genérico? Ele está expondo milhares de pessoas a um vexame, e não acontece nada. E o Datena, o Bonner, vão dizer que tudo isso está muito bom. A mídia hegemônica brasileira queria que as Forças Armadas viessem. Um seminário como este deve se reproduzir. E mais: não precisamos só de policiais antifascistas – mas de juízes antifascistas, e de advogados antifascistas”, Nilo ressaltou.
A relação da mídia com a Segurança Pública
A relação da mídia hegemônica com as políticas de segurança pública brasileiras também foi um ponto debatido no encontro, como no segundo dia (sexta, 29, Dia do Policial Civil), na mesa intitulada “Legalização das drogas: uma pauta policial”, composta por Fabrício Rosa, da Polícia Rodoviária Federal de Goiás; Kleber Rosa, da Polícia Civil da Bahia; Zaccone; e Bruno de Freitas, inspetor da Polícia Civil do Rio.
O inspetor da Polícia Civil do Rio, Bruno de Freitas
O inspetor da Polícia Civil do Rio, Bruno de Freitas
Bruno relatou que, por muitas vezes, se atribui ao tráfico de drogas todos os crimes que acontecem, e que quando um delegado assume uma delegacia ele é pressionado a dar respostas sobre os índices criminais daquela região, sendo cobrado não só pelo governador, pelo chefe de polícia e pelo chefe de segurança, mas também pela mídia.
“E existem algumas palavras mágicas que deixam a mídia satisfeita, como ‘Sim, isso veio do tráfico e estamos investigando’. Aí o delegado é avaliado se fez um bom serviço ou não; se conseguiu fazer uma grande operação que saísse nos jornais e que se pudesse dizer: ‘Ah, cumprimos 20, 50 mandados de prisão, entramos, prendemos, e tem mais pessoas sendo procuradas’. Se essas justificativas forem dadas, a mídia se acalma, porque parece que isso é o que é trabalhar. O chefe do tráfico se torna o responsável por todo o crime da região. É assim que a mídia vende. E o Ministério Público gosta quando acontecem essas prisões, para mostrar que está trabalhando para a criminalidade ser combatida”, comentou Bruno.
Proibicionismo como racismo de Estado
Na mesa sobre legalização, Kleber Rosa citou uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que aponta que 62% dos usuários (declarados) de entorpecentes pertencem à classe A, que corresponde a 5,8% da população do país. Kleber destacou que o mesmo estudo revela que 85% dos usuários são brancos.
“E aí temos, na outra ponta: quem produz a droga? O cara mais poderoso é o dono das fazendas onde essa droga é plantada. Se não é na favela onde está a produção e o consumo, o que há, então, na favela, quando o Estado foca seu olhar no combate às drogas? Não vemos o Estado fazendo busca e apreensão em fazendas e aeroportos. E os brancos que estão no comércio de drogas não são vistos, pela imprensa, como traficantes. E aí concluímos que não há combate a drogas. O que há é o combate a pessoas. É um racismo de Estado. Aqui no Rio a gente vive um momento em que a Polícia Militar ocupa a Rocinha. É fundamental que a gente paute um contraponto a esse tipo de política de segurança pública. Política de segurança pública precisa ser pensada de uma forma universal, junto com outras políticas públicas do Estado”, defendeu.
Kleber Rosa
Kleber Rosa / Foto: Thaís Tostes
"Se o Estado quisesse proteger a saúde, ele estaria cuidando do SUS"
Nesse debate sobre legalização das drogas, Zaccone afirmou que uma das maiores falácias é a de que as drogas são proibidas para que a saúde pública seja mantida. “Se o Estado quisesse proteger a saúde, ele estaria cuidando do SUS [Sistema Único de Saúde]. E sabemos que o povo morre muito mais pela omissão do Estado na promoção da saúde do que pelo uso de drogas”, comentou o delegado, adicionando: “E não adianta regulamentar somente uma das substâncias, porque o proibicionismo nunca proibiu todas as drogas. As farmácias são chamadas de drogarias e inúmeros remédios são usados para efeitos recreativos, como a Ritalina, o Lexotan e o Viagra. Mas a repressão é para a maconha, a coca e a papoula, que são plantas. Os sintéticos não sofrem repressão militar, porque não são plantas. Existe um controle geopolítico aí, também”.
Orlando Zaccone e Bruno de Freitas
Orlando Zaccone e Bruno de Freitas / Foto: Thaís Tostes
Desmilitarização e sociedade sem classes
Finalizando o seminário, a última mesa, intitulada “Desmilitarização das políticas de segurança”, foi composta por Anderson, do “Policial Pensador”; pelo comandante Ibis; pelo subtenente Misael Souza, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia; por Monica Lopes, da Guarda Municipal de Fortaleza; e por Bruno de Freitas, da Polícia Civil do Rio.
Foto: Thaís Tostes
Em sua análise, Ibis entende que a ideia de desmilitarização é indissociável da luta anti-capitalista. Ele comentou que a proteção à propriedade é garantida, mas o direito à propriedade não é, e que nesse jogo o indivíduo tem valor de acordo com sua bancária. Assim, ele concluiu: “E esse ‘direito ao ‘ser’’ não é garantido a todo mundo. Quem está fora está condenado a continuar fora, e como lidar com os ‘fracassados’ dessa sociedade de consumo? É guerra! Portanto, militarização. Não adianta transformar a PM em Civil. Se o modelo continuar esse daí, não temos escapatória”.
Após os debates, os policiais se reuniram para a elaboração do Manifesto dos Policiais Antifascismo, que será divulgado em breve. A página do grupo, no Facebook, é www.facebook.com/groups/policiaisantifascismo
Foto: Policiais Antifascismo
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Termina hoje o Seminário Nacional dos Policiais Antifascismo, no Rio
29/09/2017 | 13h42
Texto e foto por: Thaís Tostes
Acontece nesta sexta-feira (29), na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, capital, o 1* Seminário Nacional dos Policiais Antifascismo, que teve início ontem e que reúne dezenas de policiais e demais profissionais de Justiça e Segurança Pública para debater questões urgentes do país, como, por exemplo, a desmilitarização das políticas de segurança e a legalização das drogas. Esses dois temas, em específico, estiveram em debate nas mesas de hoje, e ontem o seminário debateu "a construção dos policiais como trabalhadores" e "políticas de segurança sem derramamento de sangue". Agora à tarde, às 15h, acontecerá uma plenária para a elaboração do Manifesto dos Policiais Antifascismo.
"Pesquisando sobre qual é o público que usa drogas ilícitas, encontrei uma pesquisa da FGV que diz que 62% dos consumidores declarados pertencem à classe A, que representam 5,8% da população. 85% dos usuários de drogas são brancos. E, na outra ponta: quem produz a droga? O cara mais poderoso é o dono das fazendas onde se planta a droga. Se não é na favela onde há a produção, e não é na favela onde está o consumo, o que há então na favela quando o Estado foca seu olhar para o combate às drogas? E aí concluímos: não há combate a drogas. O que há é o combate a pessoas. É um racismo de Estado, porque não é uma escolha aleatória – tem embasamento na história. O Estado brasileiro sempre marginalizou e criminalizou a população negra com objetivo nítido de controle , de criminalização e extermínio. Não vemos o Estado fazendo buscas nas fazendas, nos aeroportos. E os brancos que estão no comércio de drogas não são vistos pela imprensa, nem pela sociedade, como traficantes. A imagem do traficante é a do cara que 'tá na favela, que é negro, pobre.", analisou o policial civil da Bahia, Kleber Rosa, na mesa "Legalização das drogas - uma pauta policial", que ocorreu hoje de amanhã.
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Seminário Nacional dos Policiais Anti-Fascismo, hoje e amanhã, na OAB do Rio
28/09/2017 | 11h30
Acontece hoje e amanhã (sexta, dia 29), na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Rio, capital, o 1° Seminário Nacional dos Policiais Antifascismo, um encontro que reunirá policiais (militares, civis, federais), inspetores, delegados, advogados, juízes, promotores, defensores e demais profissionais da Justiça e Segurança Pública do país para debates sobre questões urgentes e importantíssimas. Hoje, com play às 16h, os debates serão sobre "A construção dos policiais como trabalhadores" e "Política de segurança sem derramamento de sangue". 
Quem vai expôr e debater sobre "A construção dos policiais como trabalhadores" serão: o inspetor de polícia e diretor da Associação dos Policiais Civis da Bahia, Denison Campos Neves; o cabo da Polícia Militar de Santa Catarina e presidente da Associação Nacional de Praças (Anaspra), Elisandro Lotin; o inspetor de polícia e diretor da Coligação dos Policiais Civis do Rio de Janeiro, Hildebrando Saraiva; e a perito criminal e membro do Movimento Unificado dos Servidores Públicos, Janaína Matos.
A mesa seguinte, sobre "Política de segurança sem derramamento de sangue", será composta pelo professor doutor Nilo Batista, do Instituto Carioca de Criminologia (ICC); a professora doutora Vera Malaguti, também do ICC; o delegado Orlando Zaccone, da Polícia Civil do Rio (caso Amarildo); o coronel da Polícia Militar do Rio, Ibis da Silva; e o membro da Comissão dos Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalreo.
Já amanhã, sexta, os debates serão sobre "Legalização das drogas - uma pauta policial" e "Desmilitarização das políticas de segurança". O primeiro destes será feito por: Thiago Luiz, da Polícia Civil do Rio; Fabrício Rosa, da Polícia Rodoviária Federal de Goiás; Sandra Ornelas, também da PC do Rio; e Kleber Rosa, da Polícia Civil da Bahia. O último debate do seminário, sobre "Desmilitarização das políticas de segurança", será feito pelo tenente da Polícia Militar do Ceará, Anderson Duarte; pelo subtenente Misael Souza, do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia; Monica Lopes, da Guarda Municipal de Fortaleza; e por Bruno Vieira de Freitas, da Polícia Civil do Rio.
Após os debates, finalizando o encontro nacional, acontecerá uma plenária para a elaboração e aprovação do Manifesto dos Policiais Antifascismo. 
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Votação da redução da maioridade penal é adiada! #ReduçãoNão!
27/09/2017 | 13h03
VITÓRIA! A votação da redução da maioridade penal, que estava programada para acontecer hoje (quarta, dia 27), na CCJ do Senado (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania), foi adiada para acontecer daqui a 30 dias. O adiamento foi possível graças à pressão das ruas contra esse crime cometido contra a juventude. Não queremos falsas soluções pra violência, queremos educação, cultura, emprego e oportunidades para a juventude!
Pressione os senadores e receba os próximos passos da campanha "Amanhecer contra a redução", no site: www.reducaonaoesolucao.com.br
Temos 30 dias para dizer que #ReduçãoNãoÉSolução e impedir a aprovação dessa PEC que vai levar milhares de jovens para a cadeia. São 30 dias para fazemos protestos, caravanas para Brasília, pressionarmos por e-mail, redes sociais, telefone e ao vivo cada um dos senadores que têm a vida da juventude nas mãos. São 30 dias para colocar essa pauta no centro das mobilizações e para defender o futuro do Brasil. 30 dias para dizer que não queremos falsas soluções para a violência.
Nenhum país que reduziu a maioridade penal reduziu a violência!
“Seria o maior retrocesso nos direitos da criança e do adolescente no Brasil”, diz o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil. Segundo o órgão, a redução descumpre convenções internacionais assinadas pelo Brasil e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“Reduzir a maioridade penal não resolverá o problema da segurança e dos altos índices de violência. No Brasil, os adolescentes são hoje mais vítimas do que autores de atos de violência. São eles que estão sendo mortos”, diz a Unicef.
O Brasil tem a 4° maior população carcerária do mundo e um sistema prisional superlotado com 500 mil presos. Só fica atrás em número de presos para os Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhões) e Rússia (740 mil).
O sistema penitenciário brasileiro NÃO tem cumprido sua função social de controle, reinserção e reeducação dos agentes da violência. Ao contrário, tem demonstrado ser uma “escola do crime”.
Portanto, nenhum tipo de experiência na cadeia pode contribuir com o processo de reeducação e reintegração dos jovens na sociedade.
#ContraARedução #ReduçãoNão #ReduçãoNãoÉSolução #ContraAReduçãoDaMaioridadePenal
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Atafona sedia o festival Nova Terra, de espiritualidade, ciência e arte, neste fds
21/09/2017 | 18h10

Atafona, local místico onde o Rio Paraíba do Sul encontra com o Oceano Atlântico; local onde Chico Xavier esteve e se inspirou para escrever o seu livro "Portal de Luz", no qual fala que Atafona possui muita energia e que há, acima dela, uma cidade espiritual muito desenvolvida; localização geográfica a qual Pietro Ubaldi, outro nome do espiritismo, disse ter um link forte com o mundo espiritual; esse lugar que possui o terceiro clima medicinal do mundo e é o segundo maior delta do Brasil sediará neste final de semana (de amanhã - sexta, às 16h20- até domingo à noite - às 20h20) o encontro Nova Terra, que vai mixar espiritualidade, arte e ciência na Casa Duna, centro de arte, pesquisa e memória de Atafona (www.casaduna.org) - Rua Julio Souza Vale Junior, número 157, Atafona (perto da loja Constrular). O Nova Terra abre junto com o Equinócio da Primavera (22 de setembro) e acontece debaixo de um alinhamento planetário - que rola no sábado, dia 23. 

O encontro é mais um dos vários realizados pelo Movimento Nova Terra, movimento global que promove vários festivais que são verdadeiros laboratórios de novos paradigmas e novas formas de relacionamento do indivíduo consigo próprio e com a comunidade planetária e o Universo! O festival Nova Terra que acontecerá em Atafona certamente te desplugará da Matrix, como diz a própria descrição do evento na página do Facebook: www.facebook.com/events/2003702566572411/

Um dos integrantes do Movimento Nova Terra e da organização do festival, Marcelo Shama, comentou sobre o festival:

"Apesar de todos os desafios que estamos vivendo no mundo físico e astral, estamos entrando num momento único do planeta, no qual a humanidade poderá experienciar outro nível de consciência; um momento para transcender toda a dualidade e vivenciar cada vez mais uma vida em harmonia, unidade e amor no coração! E essa Nova Terra é isso - um estado de consciência! Nesses encontros, a gente apenas cria um campo de energia para que cada participante vivencie essa nova dimensão, esse Novo Mundo na prática, e possa entrar em contato consigo mesmx, com a pureza de sua criança interior e com pessoas que estão nessa mesma busca pela evolução aqui nessa escola chamada Gaia! E ao conhecer outros buscadores, isso gera um pertencimento, cria uma comum unidade e nos sentimos parte de uma família - planetária! Muitas pessoas estão adoecendo por não se sentirem parte de uma comunidade, de pessoas que cuidam e trocam amor. O meio transforma o indivíduo, e em cada encontro desse entramos dele de um jeito e saímos totalmente transformados. Então fica o chamado: venha se transformar, venha aprender e ensinar…. vem pra rodaaa!"

O QUE VAI ROLAR?

Yoga, Tai-Chi, meditação, dança circular, prática de dança-desenho, atividades permaculturais e agroecológicas, palestras, workshops e vivências xamânicas, práticas de reprogramação dos nossos padrões comportamentais (PNL e auto-hipnose), celebração com apresentações musicais (incluindo uma roda de mantras tocados com instrumentos musicais védicos), DJs e VJ, apresentação circense, círculos de conversas e debates, mostra de filmes, show de talentos, fogueira, passeio na praia, passeio de barco e o que mais fluir! 

Existe uma contribuição $ugerida - são 3 valores diferentes, e você pode escolher qual pode pagar:

Solidário > R$90 antecipado e R$140 na hora

Sustentável > R$130 antecipado e R$180 na hora

Ideal > R$180 antecipado e R$230 na hora

O encontro dá 30% de desconto para quem for ficar em uma casa ou pousada que não sejam na Casa Duna. O valor da diária > R$50 antecipado e R$80 na hora.

O festival também diz, em sua página: "Se o dinheiro for um impedimento, entre em contato conosco para pensarmos juntos em outra forma de troca."

Os valores incluem água potável, camping e um passeio de barco para conhecer a beleza e os mistérios da região. Por R$15/dia, a pessoa pode dormir dentro de uma suíte da casa, compartilhando o quarto com outra pessoa e trazendo o seu próprio colchonete. A alimentação não está inclusa, será vegana e vegetariana e custará > R$10 (café); R$15 (almoço) e R$15 (jantar). Menores de 12 anos não pagam ingresso e apenas metade da alimentação.

Para garantir o seu ingresso antecipado, basta depositar o valor na conta abaixo. Quem puder, já pode pagar adiantada a alimentação (somente pelos dias que vai se alimentar no evento), e no festival a organização dará fichas de consumação. Para isso, a pessoa deve levar o comprovante do depósito.

Caixa Econômica Federal

Agência 1927

Conta POUPANÇA 2843-0

Operação 13

CPF 055883807-38

Marcelo Fernandes

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Quando usar batom, use o VEGANO da Contém 1g! #6milhõesVeganos
03/08/2017 | 13h44
O universo vegano não para de crescer globalmente! Só no Brasil, são 6 milhões de pessoas que não compactuam com a crueldade com os animais, segundo dados recentes divulgados pela rede EBC. Esta crueldade é assinada descaradamente pelas indústrias de carnes (por nomes como a mafiosa JBS, que além de assinar um holocausto mundial de animais, pagou propina de R$5 milhões pro assessor de Temer, Rodrigo Rocha Loures - NÃO ESQUECEREMOS!), indústrias de leites, ovos, vestuário e, também, pelos grupos de cosméticos (incluindo a assassina Mary Kay), produtos de higiene e limpeza (que vergonha, hein, Unilever?!) e milhares de produtos alimentícios e do ramo de bebidas (Nestlé, Coca-Cola e afins)!
Quem curte batons e não encontra opções sem crueldade com os animais pode adquirir (sem medo!) os batons da linha C1G [foto], do grupo Contém 1G! Ao contrário de grupos exterminadores de animais (como Avon, a já citada Mary Kay, Estee Lauder e Revlon, dentre tantos outros), que vão contra o bom-senso, ética e amor mundiais, a Contém 1G NÃO REALIZA TESTES EM ANIMAIS, e desenvolveu essa linha de batons (a linha C1G) veganíssima!
Batom da linha vegana C1G, da Contém 1G!
Batom da linha vegana C1G, da Contém 1G! / Foto: Blog Na Lata
 
A linha C1G tem várias cores maravilhosas, preço super acessível (cada batom sai a apenas R$19), altíssima qualidade, aroma e textura muito bons! O blog Na Lata usou e aprovou!
ONDE DESCOLAR?
Em Campos-RJ, você pode adquirir os batons veganos da Contém 1G com Cíntia Curty e Edimar Curty, entrando em contato pelos telefones (22) 99991-8159 // (22) 99864-9527. O grupo também desenvolve (às terças-feiras, às 19h) reuniões no espaço Bloco, que fica localizado na Avenida Tenente Coronel Cardoso (antiga Formosa), logo depois da Igreja Santa Efigênia.
ESTÉTICA COM CRUELDADE COM OS ANIMAIS É OVER! - MAIOR CLOSE ERRADO!
BOICOTE EMPRESAS QUE TESTAM EM ANIMAIS!
#GoVegan #AnimaisLivres #EstéticaSemCrueldade #BeloÉAmar #Contém1GCrueltyFree #VeganLipsticks
 
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Julgamento do habeas corpus de Rafael Braga é adiado! LIBERDADE TEM COR E CLASSE SOCIAL
01/08/2017 | 16h19
Hoje (1º de agosto), seria julgado o habeas corpus de Rafael Braga, vítima do Estado! O julgamento foi adiado e a nova data da audiência ainda não foi definida. Hoje, na audiência que ocorreu no Tribunal de Justiça do Rio, dois desembargadores votaram pela manutenção da prisão de Rafael, enquanto um pediu vistas. Se nada mudar até a próxima audiência, Rafael poderá ficar preso até o julgamento. 
Acesse aqui, neste link, um texto sensacional da Suzane Jardim, da BuzzFeed, sobre o caso Rafael Braga. Se você ainda não sabe quem é Rafael Braga e qual a importância de saber sobre, veja os 30 motivos, listados por Suzane, pelos quais você deveria prestar mais atenção nessa discussão!
O da esquerda, Rafael Braga, negro, pobre, morador de periferia, preso desde Junho de 2013 por portar Pinho Sol e água sanitária. Querem mantê-lo preso por mais de 11 anos. O da direita, Breno Borges, playboy, rico, filho de desembargadora, solto mesmo portando 130 kg de maconha e 199 munições de fuzil. 
#LIBERDADE TEM COR E CLASSE SOCIAL!
#LibertemRafaelBraga
LIBERDADE TEM COR!
LIBERDADE TEM COR! / Foto: Divulgação
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Só faltava essa: proposta no Senado quer colocar o funk como crime! NÃO VAI PASSAR!
31/07/2017 | 14h51
Quando você pensa que já viu de tudo, acaba se surpreendendo! Parece piada (de mau gosto), mas é real: tem um cara chamado Marcelo Alonso que, chamando o funk de "falsa cultura" e administrando uma página no Facebook chamada "Funk é lixo", colheu mais de 20 mil assinaturas pra colocar o funk como CRIME! Mas, podem chorar, porque esse absurdo não vai passar! A tentativa de criminalizar o funk é MAIS UMA tentativa de criminalizar os negros, pobres e moradores de favelas! O tal do Marcelo foi convocado pra uma audiência e disse que vai, "pra colocar os funkeiros no lugar deles!". Acredita nisso? Entenda o caso, lendo essa matéria da BBC Brasil:
O sambista João da Baiana tinha problemas com a polícia quando andava com seu pandeiro pelas ruas do Rio de Janeiro. No início do século 20, ele foi preso várias vezes com o instrumento musical na mão. Na época, sambista era sinônimo de criminoso.
Quase cem anos depois, o Senado analisa uma proposta que pode criminalizar outro ritmo musical brasileiro: o funk. A proposta foi enviada em janeiro por Marcelo Alonso, um webdesigner de 47 anos, morador de um bairro da zona norte de São Paulo. Teve 21.985 assinaturas de apoio.
A relatoria da proposta ficou com o senador Romário Faria (PSB-RJ) - o Congresso permite que ideias de cidadãos possam virar projeto de lei se conseguirem 20 mil assinaturas de apoio em quatro meses. Agora, audiências públicas para debater o tema devem ocorrer no Senado. 
Por enquanto, o projeto não detalha o que exatamente seria proibido, quem seria punido ou como seria a punição.
A proposta diz apenas: "É fato e de conhecimento dos brasileiros, difundido inclusive por diversos veículos de comunicação de mídia e internet com conteúdos podre (sic) alertando a população o poder público do crime contra a criança, o menor adolescente e a família. Crime de saúde pública desta 'falsa cultura' denominada funk".
Depois do parecer de Romário, o texto deve passar por comissões no Congresso e pode ir à votação na Câmara e em seguida no Senado.
A possível criminalização do funk vem causando polêmica. Adeptos da música dizem que, apesar de o ritmo ser um dos mais tocados no país, ainda sofre repressão e preconceito. Especialistas afirmam que a proposta legislativa lembra perseguições sofridas por ritmos e manifestações surgidos dentro da comunidade negra, como o samba, a capoeira e o rap.
"Esse retrato do funk como coisa de vagabundo e criminoso é arbitrário", explica Danilo Cymrot, doutor em criminologia pela USP. "Existem outras manifestações que foram perseguidas por serem ligadas a negros, pobres e moradores do subúrbio. Sambistas eram associados à vadiagem, eram chamados de vagabundos. Muitos foram presos."
A respeito da polêmica, a cantora Anitta, que começou sua carreira nos bailes funk, afirmou à BBC Brasil: "Acho que primeiro as pessoas precisam buscar entender o país onde vivem para depois criticar o funk". Para ela, proibir o funk é como punir o mensageiro pelo teor da mensagem.
"Se você quer mudar o funk ou o que está sendo falado ou a forma que ele entra na sociedade, você então deve mudar a raiz, as questões educacionais, as questões que fazem a criação do funk."
Furacão 2000 ocupa a orla de Copacabana, no Rio, contra o Golpe de 2016.
Furacão 2000 ocupa a orla de Copacabana, no Rio, contra o Golpe de 2016. / Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
Reinaldo Santos de Almeida, professor de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem opinião parecida. "A criminalização do funk é a forma pós-moderna de repressão penal da cultura popular marginal nos morros cariocas", diz.
Segundo Almeida, cuja tese de doutorado foi sobre a criminalização do samba, a perseguição ao ritmo símbolo do país era essencialmente racista. "Era tão racista quanto o sistema de Justiça criminal brasileiro, cujo critério determinante é a posição de classe do autor, ao lado da cor de pele e outros indicadores sociais negativos, tais como pobreza, desemprego e falta de moradia", diz.
O samba
No século passado, o sambista João da Baiana (1887-1974), por exemplo, precisou de ajuda de um congressista para não ser mais preso nas ruas. O senador José Gomes Pinheiro da Fonseca (1851-1915), fã de samba e um dos políticos mais importantes da época, escreveu uma dedicatória no pandeiro de João. Quando era parado pela polícia, o músico mostrava o instrumento com a assinatura. Funcionava como um salvo-conduto.
A criminalização durou até a Presidência de Getúlio Vargas, que passou a valorizar elementos da cultura brasileira para reforçar o nacionalismo, uma de suas bandeiras. Porém, alguns sambistas ainda sofreram com a censura. Músicas que ironizavam o trabalhismo, um dos pilares do Estado Novo, sofreram intervenção.
A letra de Bonde de São Januário, de Ataúlfo Alves e Wilson Batista, por exemplo, teve um trecho alterado por ordem do governo. A letra ironizava: "O bonde São Januário/ leva mais um otário/ sou eu que vou trabalhar". A palavra "otário" foi trocada por "operário".
Capoeira e rap
Assim como o samba, a capoeira é hoje um dos símbolos da cultura brasileira. Nos séculos 19 e 20, no entanto, ela também era crime. Antes da Lei Áurea, de 1888, o medo dos governantes era de que a dança, misturada à luta, pudesse levar a uma revolta de escravos.
"Dessa forma, as autoridades, buscando conter a evolução da prática da capoeira, pelo medo de uma rebelião escravista e visando punir os praticantes, entenderam, de forma implícita, que a prática da capoeira podia ser tratada como vadiagem", escreveram as pesquisadoras Janine de Carvalho Ferreira Braga e Bianca de Souza Saldanha em estudo sobre a criminalização da modalidade.
Mesmo depois da Lei Áurea, a luta continuou proibida. O Código Penal de 1890 avisava da possível punição: "Fazer nas ruas e praças públicas exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação de capoeiragem: pena de prisão celular por dois a seis meses".
A capoeira só deixou de ser crime também durante o governo Vargas, que enxergou na modalidade uma forma de valorizar a cultura brasileira.
Mais tarde, e em menor proporção, o rap também teve problemas com a Justiça. Em novembro de 1997, os integrantes da banda Planet Hemp foram presos em Brasília por "apologia às drogas", em virtude de suas letras sobre consumo de maconha.
No ano 2000, a polícia do Rio "investigou" o clipe Soldado do Morro, do rapper MV Bill, antes mesmo de ele ser lançado. Segundo a polícia, o vídeo fazia "apologia ao crime".
E o funk?
Para o pesquisador Cymrot, o funk começou a ser visto com maus olhos em 1992, depois de um suposto arrastão nas praias de Ipanema, Copacabana e Arpoador, no Rio. Jovens de dois morros se encontraram e realizaram uma espécie de "coreografia da violência". "Foi algo parecido com um bate-cabeça de shows punk. A intenção não era assaltar ninguém, mas foi a imagem que ficou", diz o pesquisador.
"No Brasil, as pessoas ficam tensas quando um grupo de jovens negros chega na praia, ou quando se reúne em qualquer lugar. As pessoas se assustaram com essa imagem", explica Cymrot, sobre o motivo de aglomerações como os bailes serem mal-vistas.
Depois, ainda nos anos 1990, houve duas CPIs no Rio para investigar o tráfico de drogas e a suposta exploração sexual de crianças em bailes funk nos morros cariocas.
As festas também foram proibidas com a chegada das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) em morros.
Em outro caso, a Justiça proibiu apresentações do funkeiro MC Pedrinho, quando ele tinha 13 anos. O garoto começou a carreira com 11 anos, cantando músicas com palavrões e pornografia. Para a Justiça, o adolescente não tinha idade para ser exposto ao conteúdo de suas músicas - a empresa que cuidava de sua carreira poderia ser até multada.
O DEBATE É MAIS PROFUNDO
Fabio Luis de Jesus, 37, conhecido como MC Koringa, foi um dos funkeiros que mais criticaram a proposta. "Você não pode criminalizar um ritmo por causa de uma única vertente", diz. "O proibidão nada mais é do que uma realidade que se vê nas ruas. Se você não quer que as pessoas cantem sobre crimes, dê condições de vida melhor para elas", diz.
O cantor carioca tem 21 anos de carreira e suas músicas já foram trilha de novelas da Globo. "Se o funk fosse esse monstro, não haveria tanto espaço para ele na televisão", diz.
O funkeiro e o webdesigner Marcelo foram convidados pelo senador Romário para uma audiência pública que vai debater o tema. Outros cantores conhecidos, como Bochecha e Valesca Popuzuda, também foram chamados. 
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Novo doc mostra o extermínio de jovens, na guerra às drogas, nas Filipinas!
30/07/2017 | 19h31
POR ALEX EMMONS, DO INTERCEPT 
O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS, Donald Trump, foi criticado por democratas e republicanos em abril por seu apoio entusiasmado a uma das violações de direitos humanos mais descaradas do mundo atual: a campanha assassina do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, contra as drogas em seu país. Desde que Duterte assumiu o governo, em junho de 2016, esquadrões da morte compostos por policiais e justiceiros mataram mais de 7,000 pessoas, arrasando comunidades pobres em todo o país.
O documentário O Inferno de Duterte (Duterte’s Hell, no original em inglês), dirigido por Aaron Goodman e Luis Liwanag e produzido pela Field of Vision, mostra imagens fortes da ação da polícia filipina examinando e transportando cadáveres – e o sofrimento de familiares e amigos frente aos assassinatos patrocinados pelo governo.
Na campanha para a eleição presidencial de 2016, Duterte pregou o extermínio em massa de todos os envolvidos no negócio das drogas – não apenas dos traficantes mas também dos usuários. “Hitler massacrou três milhões de judeus”, disse Duterte em setembro. “Agora existem três milhões de viciados em drogas. Eu trucidaria todos eles com prazer”, acrescentou.
Em abril, Donald Trump chocou os observadores da crise filipina ao ligar para Duterte, convidando-o a visitar a Casa Branca – uma conversa descrita pelos assessores de Trump como “muito amistosa”. Algumas semanas depois, o Intercept, em parceria com o portal de notícias filipino Rappler, obteve e publicou uma transcrição da ligação, revelando os louvores do presidente americano à política antidrogas filipina. “Fiquei sabendo do incrível trabalho de vocês na questão das drogas”, elogiou.
Grupos de defesa dos direitos humanos relatam a ação de pequenos grupos de policiais à paisana ou justiceiros que executam pessoas nas ruas e invadem casas nas comunidades mais pobres. Policiais uniformizados costumam chegar na cena do crime para plantar armas ou drogas, de forma a justificar as mortes.
“Juro pela minha família que meu filho não era traficante. Ele estava desarmado”, lamenta uma mãe para as câmeras, aos prantos. “Por favor, contem ao mundo inteiro. Por favor, me ajudem!", diz.
Filmado em Manila, capital das Filipinas, o documentário da Field of Vision mostra o impacto nas favelas da política antidrogas, cuja brutalidade desproporcional levou a Anistia Internacional a caracterizá-la como “uma guerra assassina contra os pobres”. O Inferno de Duterte mostra de perto a reação dos moradores e a dor das mães das vítimas, enquanto a polícia recolhe os corpos para dentro de carros funerários.
Por que Duterte concentra sua campanha sanguinária nas favelas das cidades, e não nos usuários de drogas mais abastados? Segundo a revista The New Yorker, quando questionado por grupos de combate à pobreza, o presidente filipino explicou que os usuários ricos se deslocam jatinhos particulares, e o governo “não tem dinheiro para aviões de caça”.
Duterte já era famoso por assassinatos extrajudiciais muito antes de se tornar presidente. Em 1996, como prefeito de Davao, uma cidade portuária no sul da ilha de Mindanao – seu reduto eleitoral – Duterte empregava um esquadrão da morte com centenas de membros para matar criminosos e reprimir opositores. Diversos ex-membros do grupo disseram que a ordem para matar vinha pessoalmente de Duterte, e o próprio presidente chegou a se gabar de haver matado pessoas da garupa de uma motocicleta.
Rodrigo Duterte não deixa de ser um produto do ambiente político em que foi criado. Ele é o primeiro presidente das Filipinas oriundo da ilha de Mindanao, um lugar com uma longa e conturbada história colonial. Durante séculos, a comunidade muçulmana do sul da ilha resistiu aos espanhóis, que já haviam conquistado o norte e tentavam difundir a religião católica no país. Depois da Guerra Hispano-Americana, milhares de pessoas morreram durante a campanha de “pacificação” promovida pelos EUA em Mindanao.
O legado desse passado foi fazer de Mindanao um berço para diversos grupos armados, terroristas e organizações criminosas ao longo dos anos, e a brutalidade da luta de Duterte contra essas organizações lhe valeu um apelido do qual ele se orgulha até hoje: “o prefeito do esquadrão da morte”.
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Três pessoas presas no Açu! MST repudia Polícia e empresa Sunset! LUTAR NÃO É CRIME!
27/07/2017 | 13h04
Em nota pública, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST-RJ) repudia a ação da Polícia Militar de São João da Barra e da empresa privada de segurança Sunset (contratada pela Codin - Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro) que culminou na prisão de três pessoas, ontem (26), durante a reintegração de posse que colocou as terras de pequenos produtores rurais de São João da Barra nas mãos da Codin, da GSA [Grussaí Siderúrgica do Açu Ltda.] e da Porto do Açu Operações S.A. 
"Queremos denunciar o abuso da Polícia Militar em coluio com a empresa privada Sunset que, hoje [ontem, quarta], durante o processo de reintegração de posse ocorrida nas terras do Porto do Açu, prendeu de forma duvidosa três companheiros. O conflito que se arrasta desde 2009 culminou num despejo arbitrário e injusto dos agricultores da região. Todo o processo fora acompanhado pelos seguranças privados do porto do Açu, de empresa terceirizada (Sunset), com objetivo de intimidar e constranger as famílias, que já estavam sofrendo um processo violento pelo Estado", disse o MST.
Já há algum tempo os pequenos produtores, que recebem o apoio do MST e outros grupos (como, por exemplo, a Comissão Pastoral da Terra-CPT, a Universidade Federal Fluminense-UFF e outras universidades), vêm afirmando que sofrem perseguições por parte da polícia e da empresa de segurança privada. Em entrevista à Mídia NINJA (veja aqui nesse vídeo: www.facebook.com/MidiaNINJA/videos/873541549470658), concedida no último mês de abril, um dos camponeses chegou a comentar que passou a tomar remédios para conseguir dormir e amenizar sua mente, porque, diante de tanta vigilância, passou a "ver e ouvir" viaturas e carros de segurança privada. "Eu estava ficando louco, por causa deles", comentou o camponês.
Cena da retirada das estruturas da ocupação no Açu.
Cena da retirada das estruturas da ocupação no Açu. / Foto: MST
O MST deixa claro que a prisão dos três integrantes da ocupação trata-se de uma prisão política que revela as relações imorais das empresas privadas e o Estado, em especial com os órgãos de segurança, que hoje vêm sendo usados para criminalizar os movimentos sociais. 
"Não aceitaremos nenhum processo penal cujo objetivo é intimidar e silenciar a luta dessas famílias por seus direitos!", comentou o MST-RJ.
A JUSTIÇA BRASILEIRA - Na manhã de ontem (26), policiais fortemente armados, acompanhados de oficial de justiça, retiraram pequenos produtores rurais de suas terras, no distrito industrial do Açu, em São João da Barra, Norte Fluminense (RJ). Três integrantes da ocupação – incluindo integrantes do MST e da Asprim [Associação dos Produtores Rurais de São João da Barra] – foram presos e levados para a delegacia, e a polícia fechou todos os acessos à ocupação, para impedir que a população entrasse para ajudar os pequenos produtores.
O pedido de habeas corpus dos ocupantes detidos já foi feito. Essa retirada dos camponeses aconteceu em cumprimento de mandado judicial de reintegração de posse que favorece a Codin, a GSA [Grussaí Siderúrgica do Açu Ltda.] e a Porto do Açu Operações S.A. Os camponeses ocupavam suas terras desde o último mês de abril, oito anos após Eike Batista e Sérgio Cabral desapropriarem, por meio de um esquema, 500 famílias de pequenos produtores, violando direitos humanos, para a construção do Superporto do Açu, um empreendimento de US$2,4 bilhões, projetado como o maior superporto das Américas, e de impacto ambiental incalculável.
"Nessa reintegração de posse, três pessoas foram presas. É um descaso! O Poder Judiciário não cumpre seu papel e, não bastasse isso, ainda prende trabalhadores que estão lutando por direitos!", comentou um dos integrantes da ocupação, que preferiu não se identificar.
Na quarta-feira da semana passada, dia 19, os camponeses fecharam duas rodovias – a BR 356 e a RJ 240 -, em protesto contra a reintegração de posse expedida em 14 de julho pelo juiz Paulo Maurício Simão Filho, que coloca as terras dos pequenos produtores nas mãos da Codin, GSA e Superporto do Açu e ainda autoriza o uso de força policial caso houvesse resistência por parte dos camponeses. Há oito anos, o então governador do Estado do Rio, Sérgio Cabral, promulgou os decretos 41.195/2009, 42.675/2010 e 42.676/2010, que desapropriou as terras, mesmo contra a vontade de pequenos produtores, que sempre viveram naquelas terras, onde mantinham suas plantações – na época, alguns receberam indenizações [todas em valores irrisórios] e outros chegaram a ser detidos por “resistência à desapropriação”.
No mesmo ano em que Cabral promulgou os decretos de desapropriação, Eike Batista pagou propina. A Operação Eficiência, fase da Lava Jato no Rio, investigou o pagamento de US$16,5 milhões a Cabral, feito por Eike. De acordo com os procuradores, esse dinheiro foi solicitado por Cabral em 2010, e um ano depois, para dar aparência de legalidade à operação, foi feito um contrato de fachada entre a empresa Centennial, holding de Eike, e a empresa Arcadia, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma suposta mina de ouro. O Superporto do Açu foi idealizado por Eike (LLX) e foi repassado ao fundo norte-americano EIG, que, para desvincular a imagem do Superporto da imagem de Eike, renomeou a empresa que controla o porto como Prumo.
Atualmente, nas terras tomadas por Eike e Cabral, só há mato, e elas não cumprem função social, como preveem os artigos 5º., XXIII, 170, III da Constituição Brasileira. Assim, desapropriar área rural, retirando dela seus legítimos possuidores que viviam de pequenas culturas, para deixar a área parada e à venda (situação atual das terras) configura-se ato ilícito. Os camponeses lutam pela derrubada dos decretos. Eles afirmam que, com a prisão de Eike e Cabral, em Bangu, vieram à tona negociatas que lançam por terra qualquer base legal para que tais decretos continuem vigorando.
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Thaís Tostes

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