O perigo que ronda o Shopping Estrada são os textos criminalizadores e o especismo
26/04/2017 | 17h43
No universo cyber, que inclui as redes e os blogs, há quem tenha dito que os cães que vivem nos arredores do Shopping Estrada, rodoviária de Campos-RJ, são um "perigo" - ou seja, que oferecem perigo aos humanos que passam por ali. Com títulos como "O perigo ronda o Shopping Estrada" (leia aqui esse absurdo)", publica-se narrativas criminalizadoras de seres que já não precisam de mais criminalização assinada pelo ser humano. Os animais de Campos-RJ e do mundo já são vítimas de especismo. Não sabe o que é especismo? Nós vamos explicar: é quando estes seres, que estão em corpos de animais, são julgados inferiores por estarem em um corpo diferente do corpo humano. Essa é a maldita cultura antropocêntrica global. Mas, acontece que o Universo nunca faz essa distinção - ele trata os seres como seres, iguais em essência.
O perigo que ronda o Shopping Estrada e o mundo inteiro é o especismo e as narrativas criminalizadoras!
Divulgação
ENTITY_sharp_ENTITYAnimalRights / Divulgação
É, de fato, um perigo que os cães estejam ali nos arredores do Shopping Estrada - abandonados, passando despercebidos e, além de tudo isso, criminalizados em textos midiáticos! Podem adoecer por causa da chuva que tomam; podem morrer de fome porque não sabe se encontrarão lixo (!!!) pra comer; podem ficar com sede no calor insuportável que faz nessa cidade; podem ser atropelados por seres humanos que pilotam as centenas de ônibus e outros veículos que circulam ali ou por motoristas de caminhões e carros na rodovia que cruza o país; e - vejam que perigo! - podem ser atacados (chutados, apedrejados, envenenados) por humanos que circulam naquela área! É um perigo que estes seres estejam tão vulneráveis a isso tudo!
Não bastasse isso, ainda são vítimas de UM MUNICÍPIO QUE SIMPLESMENTE LIGOU O FODA-SE, há décadas, pros direitos dos animais. Quem se lembra das denúncias na imprensa (com câmera escondida e tudo) sobre os maus-tratos assinados pelo CCZ-Campos? Quem se lembra da campanha "Pelo fim das mortes no CCZ-Campos", contra o extermínio em massa? Quem se lembra (ou, ao menos, sabe) que há dezenas de protetores de animais no município, que sobrevivem aos trancos e barrancos sem nenhuma ajuda do poder público? Nem uma raçãozinha! Quem se lembra, também, de que [muito antes da muito mal-feita lei estadual do Pezão que põe um fim às carroças e charretes] veio a Campos um cara lá do Sul pra apresentar o projeto de um carrinho [Cavalo de Lata] que substitui as malditas carroças, e que a Câmara dos nossos ilustríssimos vereadores [que poderiam, por exemplo, destinar uma porcentagem do seu salário aos animais] - simplesmente ignorou a questão, além de ter enfiado não sei onde a indicação legislativa do então vereador Fred Machado (PPS), que previa a proibição de veículos de tração animal, a condução de animais com carga e o trânsito montado em Campos?
ENTITY_sharp_ENTITYAnimalRights
ENTITY_sharp_ENTITYAnimalLiberation / ENTITY_sharp_ENTITYAnimalRights
O perigo que ronda Campos inteira definitivamente é essa mentalidade de que os animais são "um perigo"! São as manchetes que dizem que os animais "causam acidentes"! É sempre o animal "o autor", o criminoso, o culpado condenado há séculos ao extermínio em massa - milhares por segundo - em matadouros da demoníaca indústria da carne com papelão mantida para o ego do paladar, em testes de laboratórios, na indústria da moda e dos cosméticos da vaidade, zoológicos, jaulinhas em petshops, rinhas e outras competições, "pesquisa e extensão" nas universidades, parques aquáticos, indústria ovolacto, dentre outros locais. É muito esculacho! Essa marginalização consciente coletiva [que, ainda bem, já vem perdendo espaço, porque somos muitos os que seguimos na contramão dessa marginalização] é um CRIME e é um CRIME DUAS VEZES - cometido contra quem não tem nem o poder de voz! O perigo que ronda todos nós, humanos, é estarmos submetidos a narrativas criminalizadoras assim, e à insensibilidade que põe em xeque nosso sentido de existência. Não precisamos dessas narrativas.
Legitimaremos as administrações públicas que colocarem os animais na pauta - DIREITOS DOS ANIMAIS, ok?, e não essa disputa simbólica do imaginário que coloca sempre o animal como "um problema", e vai tratar a pauta animal sempre tendo como foco o homem. Essa visão antropocêntrica é o que já gerou e vem gerando a própria destruição do planeta. Animais não são um perigo. Não são objetos, não são engraçadinhos em vaquejadas e rodeios ridículos e criminosos. Animais nunca são AGENDA POLÍTICA, também, infelizmente. Sempre existem "outras prioridades" - tudo na frente deles. "Eles podem esperar". Eles estão esperando a História inteira! Suas vidas inteiras, que já são curtas! Incluindo os cães do Shopping Estrada.
ENTITY_sharp_ENTITYAnimalRights
ENTITY_sharp_ENTITYAnimalLiberation / ENTITY_sharp_ENTITYAnimalRights
Nas últimas eleições em Campos, o candidato a vereador Gustavo Matheus, então presidente do Partido Verde (PV) no município e atual Superintendente de Trabalho e Renda, firmou uma parceria com o então candidato a prefeito Rafael Diniz. Essa parceria previa o seguinte: caso Rafael ganhasse (o que aconteceu), seria criada a SUBSECRETARIA DE PROTEÇÃO DE ANIMAL, por meio da qual: os animais das ruas seriam recolhidos, microchipados, castrados e enviados para feiras de adoção; haveria uma unidade de saúde móvel (com UTI) para os animais, para emergências e encaminhamento para clínicas (essa unidade móvel também faria castrações); haveria projetos de leis de incentivo à adoção de animais; rolaria descontos de IPTU, por exemplo, para protetores de animais, que prestam um serviço PÚBLICO; haveria mais firmeza e seriedade em relação aos casos de maus-tratos com os animais; os veículos de tração animal acabariam por completo, definitivamente; Campos teria dois centros de atendimento: um para animais de pequeno porte, e outro para animais de grande porte; seria articulado um convênio entre a administração municipal e o Hospital Veterinário da Uenf, para que os casos de emergências fossem levados para o Hospital, bem como os animais que estariam sob cuidados da Prefeitura (os animais recolhidos); rolaria Segunda Sem Carne nas escolas; dentre outras iniciativas.
Rafael Diniz ganhou as eleições. Agora, queremos ver a Subsecretaria de Proteção animal fora do campo das ideias e das promessas. Em contato com o blog Na Lata, Gustavo Matheus afirmou que a Subsecretaria está prevista para ser criada na metade de 2018, pois até lá seria o tempo hábil para a criação do órgão. Esperamos ansiosamente que ela se torne realidade, pois sua criação é em caráter de urgência! Os animais não podem esperar. São alvos de maus-tratos, de abandono absoluto e textos midiáticos criminalizadores que nem precisavam ser escritos!
A luta contra o especismo é antiga e segue forte, com cada vez mais ativistas, a nível global - nas ruas, plenárias e redes! Vai além e permeia o mundo simbólico das narrativas! Seguimos contra as tentativas incessantes, feitas pela imprensa corporativa por meio das narrativas, de criação de "inimigos públicos" - o moleque negro morador de favela, os LGBTs, os indígenas, a população em situação de rua, os presidiários, os usuários de drogas, as prostitutas, os pixadores, os sem-terras e sem-teto, e OS ANIMAIS!
Compartilhamos da ideia de Abraham Lincoln, que disse: "Eu sou a favor dos direitos animais bem como dos direitos humanos. Essa é a proposta de um ser humano integral", e entendemos que é direito do animal não ser marginalizado em textos - principalmente, porque ele não consegue escrever um texto de volta pra se defender. Marginalizado por apenas existir e sem o poder de voz. A luta também segue no campo jurídico, para que o Brasil e o mundo tenham uma legislação (que funcione) que reconheça os animais não como objetos, mas sim como sujeitos de direitos - que é quem eles são! 
#AnimaisLivresDaCrueldade #AnimaisLivreDasNarrativasEspecistas
Comentar
Compartilhe
Saiu resultado do pedido de reintegração, feito pelo Superporto: a ocupação fica! #AçuResiste! Entenda
25/04/2017 | 19h00
Saiu na tarde desta terça-feira (25) o resultado do pedido, feito pela Codin [Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro], GSA [Grussaí Siderúrgica do Açu Ltda.] e Porto do Açu Operações S.A.] de reintegração de posse das terras do Açu, após ocupação iniciada na última quarta-feira (19) por pequenos agricultores que tiveram suas terras tomadas, em 2009, por Eike Batista e Sérgio Cabral. A OCUPAÇÃO FICA! Nos decretos que desapropriaram cerca de 500 pequenos agricultores, a LLX alegou utilidade pública para tomar as terras do Açu. Após o pedido de reintegração de posse, feito na última semana, a Defensoria Pública pediu o indeferimento da liminar. O Ministério Público se posicionou, também pedindo o indeferimento.
Nas terras tomada por Eike e Cabral, atualmente só há mato, e elas não cumprem função social, como prevê os artigos 5o., XXIII, 170, III da Constituição Brasileira. Assim, desapropriar área rural, retirando dela seus legítimos possuidores que viviam de pequenas culturas, e sem em muitos casos nada receber, para deixar a área parada e à venda (situação atual das terras) é ATO ILÍCITO. Assim, o promotor de Justiça afirmou:
"(...) Nem o Estado nem os seus cessionários efetivamente as ocuparam [as terras], (...) limitando-se a cercar a terra, o que, por si só, não parece evidência de posse efetiva."
No próximo dia 12 de maio, os pequenos agricultores terão uma audiência com o juiz. Os autores do pedido de reintegração de posse [Codin, GSA e Superporto] são convidados a comprovarem que estão fazendo alguma benfeitoria nas terras e que as estão usando para o empreendimento [Superporto do Açu, empreendimento de US$2,4 bilhões].
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Senhor Wagner, 90 anos, símbolo da resistência no Açu! ENTITY_sharp_ENTITYReocupaAçu / Foto: Pablo VergaraMST-RJ
Comentar
Compartilhe
#AçuResiste! Agricultores seguem reocupando as terras do Açu. Veja vídeo e fotos da reocupação
25/04/2017 | 12h34
Por Thaís Tostes/Mídia NINJA/Blasting News/ Na Lata
Publicado originalmente aqui no portal da Mídia NINJA
Dezenas de camponeses e ativistas sem-terras seguem acampados no distrito Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense, na ação de reocupação das terras que pertencem a pequenos agricultores e que foram tomadas à força, em 2009, pelo magnata Eike Batista e pelo então governador do Estado Sérgio Cabral. A reocupação, que acontece oito anos depois da tomada das terras por Eike, é dos pequenos agricultores e conta com o apoio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terras (MST). O ato teve início na madrugada da última quarta-feira (19) e marca, também, a agenda de ações que estão sendo feitas no Brasil durante o mês da Luta Internacional pela Reforma Agrária. A desapropriação das terras foi feita por Eike para a construção de um distrito industrial nos arredores do complexo portuário que é considerado o maior das Américas, o Superporto do Açu, um empreendimento de US$2,4 bilhões e de impacto ambiental incalculável. Em nota emitida nesse sábado (22), o MST estadual afirmou: "As famílias ocupantes vêm sofrendo pressão e hostilidade pela empresa privada de segurança do Superporto, a 'Sunset', e da Polícia Militar, que está submetida aos interesses do empreendimento privado". Está prevista para hoje (terça-feira, dia 25) uma liminar de reintegração de posse (ou não) favorecendo o grupo do Superporto, mas até a publicação deste post aqui no blog Na Lata a liminar não havia saído.
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
 
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA / Foto: Thaís TostesMídia NINJA
Os pequenos agricultores contaram que veículos, motocicletas e qualquer infraestrutura (como banheiro químico e mesa) estão sendo impedidos, por policiais, de entrarem na área ocupada, numa tentativa de desgastar e inviabilizar a permanência das famílias. "As famílias seguem em resistência e na busca de apoios da sociedade civil para continuarem na luta de retomada de seus territórios de origem", disse a Comunicação do MST-RJ. Além do MST, as famílias também contam com o apoio da Associação dos Produtores Rurais de São João da Barra (Asprim), da Comissão Pastoral da Terra (CPT), do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA), de escolas, universidades e sindicatos. As famílias exigem a anulação dos decretos que desapropriaram as terras (41.195/2009, 42.675/2010 e 42.676/2010). Os agricultores afirmam que, com as prisões de Eike e Cabral [os dois estão em Bangu], vieram à tona negociatas relacionadas a esse processo de tomada das terras - negociatas que já eram denunciadas pelos camponeses e sem-terras -, eliminando de uma vez por todas qualquer base legal para que os decretos continuem em vigor.
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA / Foto: Thaís TostesMídia NINJA
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA / Foto: Thaís TostesMídia NINJA
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Um dos pequenos agricultores que tiveram suas terras tomadas por Eike e Cabral é Reynaldo Toledo, de 82 anos, que tem as escrituras das terras (em seu nome) há cerca de 60 anos e todos os impostos pagos (inclusive, os impostos que vieram após a desapropriação de Eike). Nessas terras, era onde os nove filhos de Reynaldo plantavam e colhiam. Desde o esquema de Eike e Cabral, eles não plantam naquele solo, que hoje está vazio (sem nenhuma construção, como sugeria o decreto) e altamente impactado, salinizado.
"Eles pegaram as terras e eu venho pagando os impostos. Eu não vendi a terra. Eles pegaram a terra. Apenas. Roubaram, porque colocaram a placa sem eu saber [em 2009]. Eu fui lá e tirei a placa. Eles foram e voltaram a placa pro mesmo lugar. Arrancaram as cercas e carregaram tudo", contou Reynaldo, em entrevista à Mídia NINJA.
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA / Foto: Thaís TostesMídia NINJA
 
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
A SITUAÇÃO - Na época, cerca de 500 pequenos camponeses tiveram suas terras desapropriadas, e alguns chegaram a ser detidos por "resistência à desapropriação". Uma pequena parte deles recebeu indenizações, todas em valores irrisórios. O complexo portuário que estava sob a propriedade da LLX foi passado para o fundo norte-americano EIG, que, para desvincular a imagem do superporto da imagem de Eike, renomeou a empresa que controla o porto como Prumo.
Eike Batista pagou propina quando Cabral desapropriou as terras do Açu. A Operação Eficiência, fase da Lava Jato no Rio, teve como foco de investigação o pagamento de US$ 16,5 milhões a Cabral, feito por Eike. Segundo os procuradores, o dinheiro foi solicitado pelo ex-governador em 2010, e, para dar aparência de legalidade à operação, foi feito em 2011 um contrato de fachada entre a empresa Centennial, holding de Batista, e a empresa Arcadia, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma suposta mina de ouro. A operação aconteceu no mesmo ano em que Cabral promulgou os decretos 42.675 e 42.676 (os dois do dia 28 de outubro de 2010), que desapropriaram as terras dos pequenos camponeses do Açu.
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA
Foto: Thaís Tostes/Mídia NINJA / Foto: Thaís TostesMídia NINJA
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Foto: Pablo Vergara/MST-RJ
Comentar
Compartilhe
"Fomos roubados por ladrões", dizem proprietários rurais do Açu, após reocupação de terras que foram tomadas à força por Eike e Cabral em 2009. Entenda
20/04/2017 | 14h34
Por Thaís Tostes/ Mídia NINJA/ Blasting News/ Na Lata
Eike Batista sempre foi frio e insensível, e em 2009 ele não foi diferente quando tomou bruscamente as terras de dezenas de pequenos camponeses em São João da Barra-RJ, no Norte Fluminense, para a construção de um distrito nos arredores do complexo portuário que é considerado o maior das Américas, o Superporto do Açu, um empreendimento de US$ 2,4 bilhões e com inestimável impacto ambiental. Isso foi feito por meio de um decreto estadual (decreto n. 41.195, de 19 de junho de 2009), emitido pelo então governador Sérgio Cabral, para beneficiar Eike. Oito anos depois desse absurdo assinado pelo empresário, na madrugada desta quarta-feira (19), por volta das 5h, os camponeses de São João da Barra, junto a integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), reocuparam as terras que são suas por direito.
“Estamos voltando para o que nunca deixou de ser nosso. Voltaremos a produzir e exigimos que nos devolvam as escrituras de nossas propriedades. Fomos roubados por ladrões, que estão presos, e nada justifica que não possamos voltar para nossas terras e à produção”, comentou o representante da Asprim [Associação dos Proprietários Rurais e de Imóveis de São João da Barra] , Rodrigo Santos.
 
As prisões de Eike e Cabral fizeram vir à tona negociatas relacionadas a esse processo de tomada das terras - negociatas que já eram denunciadas pelos camponeses e sem-terras -, eliminando de uma vez por todas qualquer base legal para que o decreto de 2009 continue em vigor.
 
“Por meio de um termo precário em 2009, a Codin [Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro] autorizou a LLX, empresa do Eike, a entrar e tomar posse destas terras”, disse, em nota, o MST.
Na época, cerca de 500 pequenos camponeses tiveram suas terras desapropriadas, e alguns chegaram a ser detidos por "resistência à desapropriação". Uma pequena parte deles recebeu indenizações em valores irrisórios. O complexo portuário que estava sob a propriedade da LLX foi passado para o fundo norte-americano EIG, que, para desvincular a imagem do superporto da imagem de Eike, renomeou a empresa que controla o porto como Prumo.
 
“A retomada dessas terras representa não apenas o apoio aos pequenos agricultores do Açu e a denúncia a todas as violações de direitos humanos vivenciadas, mas também o enfrentamento ao processo de concentração de terras do Brasil aos estrangeiros, o enfrentamento à criminalização dos movimentos sociais, e a defesa intransigente do direito à terra como garantia à alimentação adequada e à preservação do modo de vida camponês da contemporaneidade. A animação e disposição dos agricultores ao voltarem às suas terras é emocionante. Eles contam com o apoio de toda a população contra as injustiças que sofreram, exigem a devolução de suas terras e a anulação do decreto”, comentou o dirigente estadual do MST, Marcelo Durão, que também fala sobre a reocupação desta quarta-feira aqui neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Mfv2KzGtfQk
Eike Batista pagou propina quando Cabral desapropriou as terras do Açu. A Operação Eficiência, fase da Lava Jato no Rio, teve como foco de investigação o pagamento de US$ 16,5 milhões a Cabral, feito por Eike. Segundo os procuradores, o dinheiro foi solicitado pelo ex-governador em 2010, e, para dar aparência de legalidade à operação, foi feito em 2011 um contrato de fachada entre a empresa Centennial, holding de Batista, e a empresa Arcadia, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma suposta mina de ouro. A operação aconteceu no mesmo ano em que Cabral promulgou os decretos 42.675 e 42.676 (os dois do dia 28 de outubro de 2010), que desapropriaram as terras dos pequenos camponeses do Açu.
 
Para assistir: o documentário “Narradores do Açu”, que conta um pouco sobre a tristeza vivenciada pelos camponeses, quando Eike tomou as terras à força: https://www.youtube.com/watch?v=RA9h2AKGlSc
Para ouvir: o som "O encontro de Lampião com Eike Batista", da banda El Efecto, que tem um trecho que diz: "Uns hômi tudo de preto/ Peste vinda do futuro/ Que pra não olhar no olho/ Veste óculos escuro/ Um se aprochegou do bando/ Grande pinta de artista/ Disse com ar de desprezo/ Muito seco e elitista: '-Calangada, arreda o pé, que agora isso é de Eike Batista!'"  >> Ouça aqui >> https://www.youtube.com/watch?v=2F-ZYs2NlYU
Comentar
Compartilhe
Banda Contragolpe (hardcore) faz especial Planet Hemp hoje, no Lord Pub. Entrada só R$10. Mulheres grátis até 23h
02/02/2017 | 16h37
   A banda de hardcore Contragolpe, formada em Campos em 2016, fará o "Especial Planet Hemp", hoje (2), com play às 0h, no Lord Pub, no centro de Campos-RJ. A entrada custa R$10 e mulheres não pagam até as 23h. Também vai rolar uma promoção de Brahma Extra: duas unidades de Brahma por R$12, até as 0h. 
Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja
Banda Contragolpe, em show realizado em 2016, em Campos-RJ / Foto: Thaís TostesMídia Ninja
   — Estamos super na pilha de fazer esse especial do Planet Hemp, tanto pela atitude e coragem que são características do Planet, quanto por eles serem uma referência para o nosso som e também para o nosso cotidiano. O repertório do show de hoje está alucinante. Não dá pra perder. Com o show de hoje, vamos propulsionar nossa participação na coletânea Underground Voices, da Fusa Records, de São Paulo, na faixa "Espero por você, nossa música que retrata um relacionamento amoroso — contou, em entrevista ao blog, o vocalista da Contragolpe, Japona.
   A Contragolpe toca hardcore. Tem músicas próprias e é influenciada por nomes do punk e do hardcore — como Dead Fish (S2), Bad Religion, Offspring, Sugar Kane e Zander. Eles também curtem Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Guns e Rage Against the Machine. Os meninos estão com vários sons para serem gravados ainda em 2017, com início da produção programado para março.
   Criada em 2016, a Contragolpe surgiu quando Japona e Scooby (guitarrista), que formavam a Comando Delta HC, se juntaram a Glayconn Dantas (baixista) e Yuri Cabral (baterista), dividindo a mesma linha de pensamento. A Contragolpe tem como proposta fazer letras político-sociais.
   — Isso coincidiu com a crise política que culminou com o golpe à Dilma Rousseff. Nossas letras são, em maioria, críticas à própria sociedade. — comentou Scooby, falando também de como a Contragolpe visualiza o momento político pelo o qual passa o Brasil. — O momento político do país acompanha uma tendência mundial, que é a crescente do conservadorismo e a aplicação de velhas políticas neoliberais. Estamos no pós-golpe. Achamos que era isso o que eles esperavam e que até as próximas eleições não vai mudar nada.
   
Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja
/ Foto: Thaís TostesMídia Ninja
Comentar
Compartilhe
Primeiro post de 2017: veja as fotos do melhor show da história de Campos - Racionais MCs-, que rolou no finalzinho de 2016, pela Excess
21/01/2017 | 20h28
No mês de novembro de 2016, Campos-RJ recebeu a maior referência do rap brasileiro e uma das maiores do rap mundial - Racionais MCs. O grupo fez um mega show no Parque de Exposições da Pecuária, dentro do Campos Cult Festival, produzido pela Excess Produções. O público foi ao delírio quando Mano Brown, Edi Rock e companhia subiram ao palco. Confira alguns clicks: [caption id="attachment_706" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_707" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_708" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_709" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_710" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_705" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_711" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_712" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_713" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption] [caption id="attachment_714" align="alignnone" width="986"]Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News Foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja/Blasting News[/caption]
Comentar
Compartilhe
Ibope, de dezembro: 64% dos entrevistados reprovam o (des)governo Temer. Acesse aqui a pesquisa completa. ~Contra dados, não há argumentos!~
21/01/2017 | 20h27
[Texto por Thaís Tostes, da Blasting News] A pesquisa do Ibope [Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística] sobre a Avaliação do Governo, referente a este mês de dezembro, entrevistou 2.002 pessoas em 141 cidades do país. Dos entrevistados, 64% desaprovam o governo de Michel Temer, um percentual maior do que o de setembro deste ano (55% de desaprovação) e junho (53%). IBOPE-PRINT Os dados também mostram que a insatisfação com o governo aumentou: agora em dezembro, 46% dos entrevistados etiquetaram o governo Temer como "ruim" ou "péssimo", diante de 39% em setembro e 39% em junho. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Já o nível de confiança no governo Temer... Dos entrevistados, 72% não confiam no presidente que ocupou o lugar de Dilma Rousseff; em setembro, esse percentual foi de 68% e em junho foi de 66%. IBOPE03 IBOPE02 O levantamento também revela a desaprovação com o governo em relação a cada área de atuação de Temer. Por exemplo: em Taxa de Juros, a desaprovação, nesta pesquisa de dezembro, foi de 79%. As outras áreas e seu percentual de desaprovação ficaram assim: combate ao desemprego (76%); segurança pública (76%); combate à inflação (70%); combate à fome e à pobreza (70%); impostos (80%); meio ambiente (61%); saúde (80%); e educação (71%).
O Ibope também revela os principais temas, relacionados ao governo, que as pessoas absorveram pelos meios de comunicação. Nas principais colocações dos assuntos mais citados estão: PEC 55 (antiga PEC 241), que congela (por duas décadas) os investimentos em Educação, Saúde, Previdência Social e outros setores; protestos contra a corrupção; protestos contra a PEC 55; protestos contra Temer; operação Lava Jato; e escândalo de tráfico de influência envolvendo Temer e o ex-ministro Geddel Vieira Lima. A pesquisa completa do Ibope pode ser acessada e baixada gratuitamente aqui. IBOPE04 IBOPE05
Comentar
Compartilhe
Ministro do STF diz estar pronto pra tratar impeachment de Temer, que foi proposto em dezembro do ano passado. Leia mais!
21/01/2017 | 20h27
[Por Eduardo S, da Blasting News] Marco Aurélio Mello, ministro do Supremo Tribunal Federal (#STF), deixou nas mãos da presidente da Corte, Carmem Lúcia, a decisão de prosseguir com o pedido de #Impeachment do presidente Michel Temer, que está parado desde maio. Mello enviou um ofício à presidente do STF na última terça-feira para informar que está pronto para relatar a ação que abriria comissão especial do processo de impedimento de Temer. A inserção da ação do possível novo impeachment na pauta do plenário do Supremo compete à ministra Carmem Lúcia. Mello, em seu despacho, lembrou que está pronto para relatar a matéria em plenário desde maio. O pedido de impeachment contra Temer foi efetuado em dezembro de 2015, quando Dilma Rousseff ainda era a presidente do Brasil. Feita por um advogado mineiro, a demanda argumentava que o peemedebista tinha cometido crimes de responsabilidade contra a ordem orçamentária do país. Eduardo Cunha, presidente da Câmara na época, não acatou. Mello, na semana passada, cobrou do atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, agilidade na instalação da comissão do impeachment. Em comunicado, Maia disse que conta com o apoio do ministro para levar a matéria ao plenário do STF "o mais rápido possível". Como o Supremo entra em recesso no dia 20, a tendência é que a pauta fique para o ano que vem. caetanocms-image-000512341
Comentar
Compartilhe
Advogados denunciam ação arbitrária da PM nesse dia 13 e criticam tentativa de enquadrar ativistas na Lei de Segurança Nacional (lei da época da ditadura!)
21/01/2017 | 20h27

[Por Mídia Ninja]

Nota das advogadas e dos advogados que acompanharam a manifestação do dia 13/12 em Brasília.

O grupo de Advogadas e Advogados que acompanharam as manifestações do dia 13 de dezembro em Brasília vem a público repudiar a violência praticada pelas forças policiais para impedir que a manifestação se realizasse. A manifestação teve a participação dos movimentos sociais, mulheres, negros e negras, LGBTS, estudantes universitários e universitárias, secundaristas, professores e professoras, trabalhadores e trabalhadoras, pessoas idosas, com necessidades especiais, entre vários setores da sociedade, que participavam do ato de forma pacífica e democrática contra a PEC 55 que foi aprovada no Senado.

A polícia atuou de forma desproporcional com bombas de efeito moral, gás de pimenta, balas de borracha e cavalaria para intimidar e dispersar os manifestantes e assim inviabilizar o direito de livre reunião, livre locomoção e livre manifestação da opinião política.

Foram cerca de 88 manifestantes detidos levados para a 5ª Delegacia de Polícia (DP), Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) e Delegacia de Polícia Especializada (DPE) de Brasília. Dos manifestantes levados para a DPE, cerca de 60 seriam enquadrados na lei de Segurança Nacional (Lei n. 7170 de 1983). Pretender esse enquadramento é uma afronta à consciência de uma sociedade livre e justa. Essa lei é anacrônica e incompatível com a sociedade democrática que temos hoje, pós Constituição Federal de 1988.

Ela jamais poderia ser utilizada para enquadrar manifestantes. Já temos leis adequadas para lidar com esses tipos de questões (Código Penal e Código de Processo Penal), se houvesse a prática de qualquer ato, o que não foi o caso dos e das manifestantes detidos, pois não praticaram qualquer ato criminoso. A Lei de Segurança Nacional foi elaborada durante o regime militar. É uma lei de inspiração autoritária, incompatível com o Estado Democrático de Direito e tem objetivo claro de coibir manifestações políticas.

[caption id="attachment_686" align="alignnone" width="900"]Foto: Mídia Ninja Brasília, no dia 13 de dezembro - Foto: Mídia Ninja[/caption]

A partir da atuação das Advogadas e dos Advogados Populares, que reportaram o abuso de autoridade dos Delegados de Polícia da DPE, foi possível a mobilização de parlamentares sensíveis à gravidade da aplicação desta lei para o Estado Democrático de Direito, dentre eles Ricardo Vale, Erika Kokay, Paulo Pimenta, Padre João, Ana Perugini, João Daniel, Leonardo Monteiro, Adelmo Leão, Carlos Zarattini, Glauber Braga, Afonso Florence. Desse modo, ante a intervenção jurídica e política prevaleceu o melhor entendimento para que esta lei não fosse aplicada aos manifestantes.

O que se promoveu na Esplanada foi uma verdadeira caçada ao redor, detendo manifestantes que já estavam indo embora do ato. A Lei de Segurança Nacional é uma violência contra a democracia brasileira e, portanto, não foi recepcionada por nossa atual ordem jurídica. Pretender aplicá-la é declarar que a democracia foi rompida e que uma ditadura se instala em seu lugar. Entendemos que esse processo de endurecimento penal e repressivo que leva à criminalização dos/das manifestantes e dos movimentos sociais na luta por direitos é uma afronta à Constituição e aos Direitos Humanos.

Essa política estatal está intimamente ligada com o encarceramento em massa de jovens, a maioria negros e LGBTs, e com a deslegitimação das lutas sociais. Representa verdadeira ação intencional em enfraquecer a luta pelos direitos humanos e revogar as legislações tanto nacionais e internacionais de garantia de direitos e liberdades fundamentais até agora adotados pelo Estado brasileiro. Esse conjunto de iniciativas visa neutralizar as reivindicações populares legítimas em uma sociedade democrática.

As Advogadas e Advogados que acompanharam a manifestação e atuaram diretamente na defesa dos direitos dos manifestantes denunciam o uso arbitrário do poder por parte das instâncias policiais, seja militar e civil, que têm promovido o uso indiscriminado de armas químicas de forma desproporcional e generalizada contra manifestantes, bem como se opõe veementemente ao uso da Lei de Segurança Nacional como forma de intimidar e anular as ações dos movimentos sociais e de qualquer pessoa na luta por direitos e contra as políticas econômicas e sociais incompatíveis com a Constituição Federal de 1988.

Por fim, alertamos que a utilização de legislação penal específica para manifestações e organizações políticas é medida de exceção e enfraquece a democracia.

LUTAR NÃO É CRIME! ADVOGADAS E ADVOGADOS EM LUTA

| DENÚNCIA DE VIOLAÇÃO DE DIREITOS | Nós advogadas e advogados que acompanharam a manifestação do dia 13/12, iremos tomar as devidas medidas judiciais quanto às violações de direitos ocorridas na manifestação. Estamos recolhendo depoimentos, relatos, vídeos e imagens referentes às violações de direitos, abusos de poder de polícia, arbitrariedade da atuação policial, etc., que acorreram na manifestação do dia 13/12 contra a PEC 55. Envie-nos, com urgência, para o e-mail [email protected]

NOTA ADVOGADXS MANIFESTAC?A?O DO DIA 13-12.pdf.pdf

Comentar
Compartilhe
Conselho de Direitos Humanos da ONU: "PEC 55 é uma medida radical e sem compaixão; e faz o Brasil violar suas obrigações no Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1992."
21/01/2017 | 20h27
[Texto: Organização das Nações Unidas] Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55 foi considerada pelo relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alston, uma medida radical e sem compaixão, que vai atar as mãos dos futuros governantes e que terá impactos severos sobre os brasileiros mais vulneráveis, além de constituir uma violação de obrigações internacionais do Brasil. Para especialista independente, debate sobre a PEC no Congresso Nacional foi conduzido apressadamente pelo novo governo e não contemplou de forma adequada os que serão mais afetados pelo congelamento dos gastos públicos. Alston lembrou que a medida vem de um governo que chegou ao poder após um impeachment e que, portanto, jamais apresentou seu programa a um eleitorado. Os planos do governo de congelar o gasto social no Brasil por 20 anos são inteiramente incompatíveis com as obrigações de direitos humanos do Brasil, disse na última sexta-feira (9) o relator especial da ONU para extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alston. Segundo o especialista independente, o efeito principal e inevitável da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 55, elaborada para forçar um congelamento orçamentário como demonstração de prudência fiscal, será o prejuízo aos mais pobres pelas próximas décadas. A emenda foi aprovada pelo Senado no dia 13 de dezembro. “Essa emenda bloqueará gastos em níveis inadequados e rapidamente decrescentes na saúde, educação e segurança social, colocando, portanto, toda uma geração futura em risco de receber uma proteção social muito abaixo dos níveis atuais”, afirmou Alston. O relator especial nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas recomendou ao governo brasileiro que garanta um debate público apropriado sobre a PEC 55; que estime seu impacto sobre os segmentos mais pobres da sociedade; e que identifique outras alternativas para atingir os objetivos de austeridade. “Uma coisa é certa”, acrescentou o especialista independente. “É completamente inapropriado congelar somente o gasto social e atar as mãos de todos os próximos governos por outras duas décadas. Se essa emenda for adotada, colocará o Brasil em uma categoria única em matéria de retrocesso social.”, disse Alston, antes da aprovação da PEC. "O plano de mudar a Constituição para os próximos 20 anos vem de um governo que chegou ao poder depois de um impeachment e que, portanto, jamais apresentou seu programa a um eleitorado. Isso levanta preocupações ainda maiores sobre a proposta de amarrar as mãos de futuros governantes", afirmou Alston. [caption id="attachment_682" align="aligncenter" width="615"]Brasília - Plenário do Congresso Nacional - Foto: Agência Brasil Brasília - Plenário do Congresso Nacional - Foto: Agência Brasil[/caption] O Brasil é a maior economia da América Latina e sofre sua mais grave recessão em décadas, com níveis de desemprego que quase dobraram desde o início de 2015. "O governo alega que um congelamento de gastos estabelecido na Constituição deverá aumentar a confiança de investidores, reduzindo a dívida pública e a taxa de juros, e que isso, consequentemente, ajudará a tirar o país da recessão. A medida, porém, terá um impacto severo sobre os mais pobres", alerta o relator especial. “Essa é uma medida radical, desprovida de toda nuance e compaixão”, disse. “Vai atingir com mais força os brasileiros mais pobres e mais vulneráveis, aumentando os níveis de desigualdade em uma sociedade já extremamente desigual e, definitivamente, assinala que para o Brasil os direitos sociais terão uma prioridade muito baixa nos próximos vinte anos.” Alston lembrou que “isso evidentemente viola as obrigações do Brasil de acordo com o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que o país ratificou em 1992 e que veda a adoção de 'medidas deliberadamente regressivas' a não ser que não exista nenhuma outra alternativa e que uma profunda consideração tenha sido feita dada de modo a garantir que as medidas adotadas sejam necessárias e proporcionais”. O especialista independente apontou que, ao longo das últimas décadas, o Brasil estabeleceu um impressionante sistema de proteção social voltado para a erradicação da pobreza e o reconhecimento dos direitos à educação, saúde, trabalho e segurança social. “Essas políticas contribuíram substancialmente para reduzir os níveis de pobreza e desigualdade no país. Seria um erro histórico atrasar o relógio nesse momento,” disse. O Plano Nacional de Educação no Brasil exige um aumento anual de 37 bilhões de reais para prover uma educação de qualidade para todos os estudantes, ao passo que a PEC reduzirá o gasto planejado em 47 bilhões de reais nos próximos oito anos. "Com mais de 3,8 milhões de crianças fora da escola, o Brasil não pode ignorar o direito deles de ir à escola, nem o direito de todas as crianças a uma educação de qualidade", afirmou o relator. O especialista afirmou que o debate sobre a PEC 55 foi conduzido apressadamente no Congresso Nacional pelo novo governo com a limitada participação dos grupos afetados e sem considerar seu impacto sobre os direitos humanos. Um estudo recente sugere que 43% dos brasileiros não conhecem a emenda e, entre aqueles que conhecem, a maioria se opõe a ela. O relator especial, que está em contato com o governo brasileiro para entender melhor o processo e o conteúdo da emenda proposta, ressaltou ainda que “mostrar prudência econômica e fiscal e respeitar as normas internacionais de direitos humanos não são objetivos mutuamente excludentes, já que ambos focam na importância de medidas cuidadosamente concebidas para evitar ao máximo consequências negativas para as pessoas”. “Efeitos diretamente negativos têm que ser equilibrados com potenciais ganhos a longo prazo, assim como esforços para proteger os mais vulneráveis, especialmente os mais pobres, na sociedade”, afirmou Alston. “Estudos econômicos internacionais, incluindo pesquisas do Fundo Monetário internacional (FMI), mostram que a consolidação fiscal tipicamente tem efeitos de curto prazo como redução da renda, aumento do desemprego e da desigualdade de renda. E a longo prazo, não existe evidência empírica que sugira que essas medidas alcançarão os objetivos sugeridos pelo governo”, salientou o especialista independente. O apelo do relator especial às autoridades brasileiras foi endossado também pela relatora especial sobre o Direito à Educação, Koumbou Boly Barry. Os Relatores Especiais são parte do que é conhecido como Procedimentos Especiais do Conselho de Direitos Humanos. Procedimentos Especiais, o maior corpo de peritos independentes do sistema ONU para Direitos Humanos, é o nome dado aos mecanismos independentes para monitoramento do Conselho. Relatores especiais são especialistas em direitos humanos apontados pelo Conselho de Direitos Humanos para tratar de questões específicas de país ou temáticas em todo o mundo. Eles não são funcionários da ONU e são independentes de qualquer governo ou organização. Eles servem em capacidade individual e não recebem salário por seu trabalho. Para mais informações, clique aqui.
Comentar
Compartilhe

BLOGS - MAIS LIDAS