LULA JÁ SAIU! ESTÁ NAS RUAS, EM LIBERDADE!
08/11/2019 | 17h54
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Vigília "Justiça para Cícero", no Fórum, durante julgamento do assassinato de Cícero Guedes (MST)
07/11/2019 | 16h10
Por Thaís Tostes / Fotos: Coletivo de Comunicação do MST-RJ
Nesta quinta-feira (7), acontece no Fórum Luiza Maria Tereza Gusmão, em Campos-RJ, a vigília "Justiça para Cícero", diante do julgamento do assassinato de Cícero Guedes, liderança sem-terra. O réu, José Renato Gomes de Abreu, foi a Júri Popular.
O crime ocorreu em janeiro de 2013, próximo à Usina de Cambaíba, em Campos-RJ. Cícero era uma grande liderança do movimento de luta pela terra, e era um dos coordenadores do Assentamento Zumbi dos Palmares.
O Brasil é o país que mais mata ativistas de Direitos Humanos no mundo, deixando para trás países líderes em assassinatos desses ativistas, como Filipinas, México e Colômbia. 
As fotos são do Coletivo de Comunicação do MST-RJ.
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Bolsonaro: 300 dias de (des)governo e a maior crise ambiental. Salles, curtindo litoral
07/11/2019 | 02h51
Por Thaís Tostes // Artes: Mídia Ninja e Design Ativista / Fotos de Brumadinho: Thaís Tostes
 O seu presidente parece se superar na arte do (des)governo. Com popularidade baixíssima (até entre os militares kkkkkk), Jair Bolsonaro chega aos 300 dias de mandato num cenário de um Brasil com sua maior crise ambiental. Como divulgou a Mídia Ninja, nesta quarta-feira (6), o óleo que atravessou a costa do Nordeste chegou a cidade de Mucuri (BA), que faz a divisa entre a Bahia e o Espírito Santo. Até agora mais de 2,5 mil toneladas de petróleo foram despejadas nas praias brasileiras. Enquanto isso, o seu ministro, o antiambientalista Ricardo Salles, curte o litoral de São Paulo! Os voluntários que lutem! :)
Sobre Brumadinho-MG, que deixou milhares de animais mortos, e 250 pessoas, além de 20 humanos desaparecidos, a Agência Nacional de Mineração divulgou que a Vale omitiu informações sobre a Barragem do Córrego do Feijão. Brumadinho é considerado o maior crime ambiental da história do país.
Também foi durante o (des)governo Bolsonaro que o Brasil vivenciou sua maior queimada já registrada: mais de 1 milhão de hectares foram queimados.
(   )Simples coincidência?
(   ) A culpa é do PT?
(   ) Espécie de maldição que caiu sobre o Brasil depois das eleições de 2018? 
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Trilhões de animais são mortos por ano. Dia do Veganismo rola sexta, na Pelinca
30/10/2019 | 22h18
Por Thaís Tostes / Fotos: We Animals
Não dá pra ter uma contagem exata de quantos animais são assassinados pelos humanos, todos os anos, no planeta. A contagem supera os trilhões. É impossível contar, mas fala-se em mais de 70 bilhões de animais terrestres e trilhões de peixes, anualmente. Só o Brasil, por exemplo, exterminou, no ano passado, mais de 55,7 bilhões de alguns animais considerados "de consumo" (bois, porcos e frangos), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Esse total não inclui peixes e outros animais. 
Por mais que, em muitas pessoas, o veganismo chegue como uma "dieta", sua base é o antiespecismo, a defesa de que não somos melhores por pertencermos à espécie humana, e que os animais não-humanos possuem direitos, como o direito à vida e o direito à felicidade, e os humanos não possuem o direito de interromper essas vidas e esses processos. Nesta sexta-feira (1 de novembro), Dia Mundial do Veganismo, Campos-RJ sediará uma noite vegana na Pelinca, no espaço Soma+Lab, que fica na Rua Amirante Greenhalgh, 36. Se liga no que vai rolar:
Vão rolar rangos veganíssimos e deliciosos com a galera do Vegetuba (comida vegana); o som das selectas com as vegs Maria Ninguém (brasilidades, latinidades e vozes femininas) e Thaís Tostes (rap); flash tattoo com HG Ink; sorteio de uma tatuagem no valor de R$200 e um boné com temática da causa animal (da loja Vegetuba); e uma roda de discussão sobre Direito Animal com a galera do Coletivo Vegano. A entrada é colaborativa - você paga o quanto achar que vale a sua experiência naquela noite.
Estima-se que quase 30 milhões de brasileiros são veganos ou vegetarianos. Vegetarianos ainda financiam a exploração animal, por consumirem leite, ovos e produtos testados em animais, bem como couro - mas possivelmente estão em processo de transição para o veganismo. A luta antiespecista é luta pelo Direito Animal e pelos Direitos Humanos, também, visto que ela é interseccional; e é a exploração animal, por meio dos ruralistas, que mantém o extermínio e exploração de indígenas, quilombolas, ecossistemas inteiros, e a exploração de pessoas em trabalho escravo.
Você discorda dessas informações? Acha que elas são fake news? Bora pro debate na sexta, então. 19h, no Soma+Lab. 
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Brumadinho: 9 meses do crime. Não esqueceremos! Veja fotos que fizemos lá
27/10/2019 | 22h20
Texto e fotos por: Thaís Tostes
Há 9 meses, completos na última sexta-feira (25), o Brasil viveu talvez o que tenha sido sua maior tragédia sócio-ambiental: o rompimento da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho-MG. Nós do blog, midiativistas e ativistas de Direito Animal e Direitos Humanos, estivemos lá na semana do rompimento da barragem de minério de ferro (o Ibama demorou tanto que quase chegamos antes dele) e logo que pisamos na cidade a atmosfera que sentimos era uma atmosfera fúnebre. Milhares de vidas foram interrompidas: vidas de animais humanos e não-humanos. É impossível fechar essa conta. Pela cidade, muitas velas derretidas por todos os lados, flores, carros e mais carros dos Bombeiros, Defesa Civil e outros órgãos de resgate e segurança. E os moradores locais como que num estado meio de choque, meio paralisados, quase não conseguindo falar com a gente - e nem insistimos, também.
Estivemos lá para ajudar o máximo que conseguíssemos e, também, registrar algumas imagens, que você pode conferir abaixo. O cenário era totalmente desolador - batia uma tristeza tão profunda, porque envolveu a interrupção de tantas almas, que levamos algum tempo para nos recuperarmos psico-emocional-espiritualmente do período em que estivemos lá. Focamos nossas ações nos setores que menos estavam recebendo ajuda, tanto da Vale quanto de voluntários: os animais (que foram abandonados nas casas e pelas ruas), os índios Pataxó da aldeia Naô Xohã e os sem-terras do Acampamento Pátria Livre (que fica em São Joaquim de Bicas-MG, divisa com Brumadinho).
Na ocasião, já havia dias do rompimento da barragem e do impacto completo sobre o Rio Paraopeba, que virou não um mar de lama (porque não era lama, era minério!), e a Vale ainda não havia levado água para os índios e nem para os sem-terras. Muitos animais (como cavalos, galinhas, cachorros e gatos) estavam morrendo de sede e fome (muitos morreram, de fato) por várias regiões da cidade, a despeito de uma liminar expedida pela Justiça que obrigava a Vale a socorrer todos os animais vítimas do crime. A liminar, na verdade, serviu mais para impedir que os ativistas fizessem os resgates, porque após a liminar apenas a Vale poderia pegar esses animais, bloqueando a ação dos defensores de Direito Animal. A Vale chegou a colocar tapumes de madeira para impedir que ativistas chegassem com carros até os locais onde os animais estavam agonizando no minério de ferro.
Além disso, para quem não se lembra ou não acompanhou, vale recordar: a Vale foi responsável pelo assassinato de animais com tiros disparados por fuzil, de cima de helicópteros, como relatou, na época, um repórter do Estado de São Paulo, que estava fazendo a cobertura dentro de uma mata. Foi a Polícia Rodoviária Federal que sobrevoava o local com uma aeronave que tinha como meta executar, com tiros, animais ilhados, presos na lama ou feridos.
A Vale feriu tanto os Direitos Humanos quanto o Direito Animal, porque ela deveria ter um plano de emergência de resgate humano e animal, para caso a barragem viesse a se romper. Assim, imediatamente iniciariam as buscas por animais humanos e animais não-humanos, simultaneamente - a busca por vidas, e não a busca por algumas vidas, em detrimento de outras. Ela falhou em tudo.
Nós presenciamos patinhos nadando no minério de ferro (não sabemos quantos minutos de vida eles teriam pela frente, depois de mergulharem na contaminação), bagres (os últimos peixes sobreviventes) dando os últimos suspiros sob a água marrom-minério, micos no meio das matas morrendo de sede e recebendo como água apenas a água cheia de plástico de garrafas-pet, que foi levada até eles pela misericórdia dos índios. Durante todo o tempo em que estivemos na aldeia, presenciamos também a pontualidade dos trens de minério de ferro, que não pararam de passar por ali, a despeito das milhares de mortes. As crianças indígenas, que tomavam banho no rio, tomavam banho de tanque, com a pouca água que eles tinham, racionalizada. Os animais, muitos ficavam presos, para não mergulharem no rio contaminado.
Nove meses após o crime (falamos em crime porque a cidade não encarou o episódio como uma tragédia, um "acidente"), recebemos a informação de que muitos indígenas estão passando fome na aldeia, porque o "boom" do caso já diminuiu, assim como os holofotes, e então o voluntariado reduziu. Algumas famílias indígenas receberam suporte da Vale, depois de muita demora, mas muitos estariam com o suporte em atraso e outros ainda nem o teriam recebido.
A Polícia Civil disse que o inquérito que apura as causas e aponta os responsáveis pelo rompimento deva ser concluído em breve. A perícia necessária para identificar o que provocou o rompimento da barragem B1 já foi realizada e a equipe trabalha, agora, na elaboração dos laudos para a conclusão do inquérito, que já possui mais de 5 mil páginas impressas. Mais de 170 pessoas foram ouvidas. 
Pretendemos voltar em breve.
“A gente fez o que pôde, realmente fomos derrotados no rompimento dessa barragem que matou tanta gente. Nos dói muito, porque a gente se esforçou muito para que isso não acontecesse. Mas agora que aconteceu, não temos outra opção senão seguir lutando por justiça e para que isso não aconteça com mais ninguém.", disse, em entrevista, Carolina de Moura Campos, coordenadora-geral da Associação Comunitária Jangada e integrante da luta por justiça por Brumadinho. Carolina, na companhia do advogado Danilo Chammas (da organização Justiça nos Trilhos) e da vítima Marcela Rodrigues (do Movimento Águas e Serras de Brumadinho), está na Europa para pedir ajuda internacional neste caso. “Estamos preocupados com algumas práticas econômicas agressivas ao meio ambiente e às populações, como o agronegócio e a mineração.", disse Danilo.
LUTO POR BRUMADINHO
JUSTIÇA PARA BRUMADINHO
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Hoje nasceu uma facção! "Irmandade", sobre cadeia, com Seu Jorge, na Netflix
25/10/2019 | 23h30
Por Thaís Tostes
Estreou hoje (25) na Netflix, com o primeiro episódio aberto a qualquer internauta, a série "Irmandade", sobre sistema carcerário e criminal. Produzida em dois anos, e a pedido da própria Netflix, a série tem nada mais nada menos do que Racionais MCs como trilha sonora e o músico Seu Jorge interpretando o presidiário Edson, preso nos anos 1970 por posse de maconha. Pedro Morelli, criador da série, optou por narrá-la não sob o ponto de vista da Polícia ou de internos, e sim de uma mulher negra, irmã de detento (irmã de Edson), e advogada e integrante do Ministério Público. A personagem Cristina é feita pela atriz Naruna Costa. Assista gratuitamente, clicando aqui nesse link, ao primeiro episódio, intitulado "O certo é o certo".
Grande parte da série foi rodada em um setor desativado da Penitenciária Estadual de Piraquara, na Grande Curitiba, e ao lado desse setor há um pavilhão em funcionamento. Durante as gravações, os internos apoiavam a série, gritando inclusive para Seu Jorge: "Representa nóis aí!". Seu Jorge também relatou, em entrevista, que, para dar forma ao personagem que lidera a facção Irmandade, pegou várias dicas de gírias com o rapper Mano Brown, fundador dos Racionais.
O criador da série disse que, para criar Irmandade, fez uma profunda pesquisa com ex-detentos, policiais, promotores e advogados, e que embora muitos acreditem que Irmandade seja uma facção inspirada no PCC (Primeiro Comando da Capital), ele [o diretor] misturou tudo o que tinha como referências. 
O primeiro episódio da série, que já assistimos, começa com Edson (Seu Jorge) fugindo da polícia no meio dos barracos de uma favela, após ter sido denunciado, por posse de maconha, pelo próprio pai. Quando Edson já está há 20 anos cumprindo pena em regime fechado, sua irmã, Cristina, narradora da série, descobre que Edson é réu acusado de ser o mandante de vários homicídios dentro da cadeia e de liderar a facção criminosa existente num presídio de São Paulo.
Por conta de várias violações de direitos humanos dentro do sistema carcerário (qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência), incluindo tortura e com direito a carcereiros andarem com um bastão de madeira escrito "Direitos Humanos", e revoltado com a morosidade da Justiça, Edson cria a facção, em resposta à corrupção do Estado. No primeiro episódio, Cristina falsifica a assinatura de uma integrante do Ministério Público para pedir uma sindicância para apurar tortura na cadeia em que está seu irmão, e em negociação dela com o diretor do presídio, Edson é retirado da "tranca", uma espécie de solitária, onde ele era torturado pelos policiais e seria morto, e é reinserido junto aos outros internos. No entanto, Cristina é descoberta e presa, por falsidade ideológica e falsificação de documento público. Mas, policiais a retiram da cadeia e tentam chantageá-la pra obterem informações sobre seu irmão.
A fotografia da série é linda, desde os tons até os ângulos. Tem imagens aéreas dos barracos e do presídio. Os cenários são bastante legais, também, com destaque pra parte interna da cadeia e dos tribunais e repartições da Justiça, que simplesmente "pararam no tempo". A atuação do Seu Jorge está espetacular, assim como os figurinos dos personagens e a maquiagem. A trilha sonora, nem precisamos falar, não poderia ser melhor: os mestres em letras sobre a realidade do sistema carcerário, corrupção policial e mundo do crime - Racionais MCs. A música que abre o primeiro episódio é "Capítulo 4, Versículo 3".
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Faça o workshop do Método Wim Hof (Homem-Gelo) e hackeie sua saúde, entrando no gelo
19/08/2019 | 20h40
Você já imaginou "hackear" o seu sistema imunológico, melhorando muito sua saúde, simplesmente fazendo técnicas respiratórias e entrando numa piscina com gelo? Pela terceira vez, o Brasil sedia um workshop de instrução no método Wim Hof (do Homem-Gelo), com o instrutor holandês certificado Tim Van der Vliet. Dessa vez, o workshop acontecerá em setembro e vai contemplar cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Porto Alegre e Belo Horizonte. Em São Paulo-SP, será em dois momentos: nos dias 3 e 4 de setembro e, depois, nos dias 19 e 20 do mesmo mês. O curso poderá ser feito por módulos ou até por dia, e em cada encontro haverá um equilíbrio entre teoria e prática, com imersão na banheira de gelo (segundo dia de cada encontro) e, também, o desenvolvimento de diferentes técnicas de respiração. O método Wim Hof revolucionou os livros de ciência nos Estados Unidos porque é capaz de hackear o sistema imunológico do ser humano e otimizar a saúde completamente de maneira natural.
Em setembro, os participantes aprenderão os três pilares do método que lotou e encantou a Universidade AvatArt (em Jabaquara, São Paulo-SP) nas outras duas vezes que Tim veio ao Brasil: técnica de respiração; exposição ao frio; e comprometimento. Você vai se surpreender. Este método é indicado para as pessoas que querem melhorar seu desempenho mental e físico. Tim vai te instruir nessa técnica super moderna que, dentre tantos benefícios: influencia seu sistema auto-imune; te dá mais energia durante o dia; te dá mais nitidez e foco para um melhor desempenho nas suas atividades; te capacita a lidar com o estresse sob controle; dá ao indivíduo a facilidade de lidar com desafios e medo; melhora a saúde e fortalece a resiliência (alcaliniza o sangue); melhora o desempenho esportivo; e melhora a recuperação pós-exercício físico e treinamento intensivo.
Em Sampa, o workshop vai rolar em um lugar super bacana, que é a nova sede da Universidade AvatArt: na Rua Viaza, 1008, em Campo Belo. As datas nas outras capitais são: 7 e 8 de setembro, no Rio de Janeiro; 10 e 11, em Floripa; 13, 14 e 15, em Porto Alegre; e 17 e 18, em Belo Horizonte. Não perca essa oportunidade de dar um upgrade na sua saúde física e mental. Participe! Entre em contato com a gente, para não ficar de fora dessa experiência que é novíssima no Brasil e na maior parte do mundo!
Os ingressos para cada data em Sampa (3 e 4 de setembro ou 19 e 20 de setembro) e para Florianópolis e Belo Horizonte saem por: R$500 (adquirindo durante o mês de agosto); e R$700 (comprando no mês de setembro). Se a pessoa quiser fazer apenas o primeiro dia de atividade (ou seja, um dia de cada encontro), o ingresso sai por R$350. No Rio, os valores são: R$1 mil (comprando em agosto) e R$1200 (comprando em setembro); e se a pessoa quiser apenas um dia do encontro, o ingresso sai por R$600. 
Curta no Facebook a página do Método Wim Hof no Brasil, clicando aqui.
E confirme presença no evento de Sampa, clicando aqui.
Todas as informações e os detalhes podem ser obtidos com um dos organizadores dos encontros, Thyagi Das, pelo telefone (35) 99220-7909, ou pelo e-mail [email protected]
 O site do instrutor do método, Tim Van der Vliet, pode ser acessado aqui, e lá estão vários depoimentos de pessoas que vivenciaram essa prática.
Você também pode pegar todos os detalhes dessa ciência na página oficial do Homem-Gelo, clicando aqui.
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Texto e fotos por: Thaís Tostes / Assessoria de Imprensa // Método Wim Hof no Brasil
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Bolsonaro fere liberdade de imprensa, diz relator da OEA + Ato pela imprensa, no Rio
29/07/2019 | 00h17
Antes do texto abaixo, da BBC News Brasil, convidamos a todos (jornalistas ou não) para o ATO em apoio a Glenn Greenwald, à liberdade de imprensa, à democracia e contra a censura, que acontecerá nesta terça-feira (30), às 18h30, no Centro do Rio de Janeiro, na Rua Araújo Porto Alegre, nº 71. O ato é apenas um de vários que acontecerão simultaneamente em todo o Brasil e é realizado pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) com o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Bolsonaro fere liberdade de imprensa, diz relator da OEA
Ricardo Senra
LONDRES | BBC NEWS BRASIL
"Ele (Glenn Greenwald) é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desses, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não."
As declarações que o presidente Jair Bolsonaro fez neste sábado, no Rio de Janeiro, ao comentar rumores sobre a expulsão do jornalista americano Glenn Greenwald, chamaram a atenção da principal autoridade da Organização dos Estados Americanos (OEA) ligada a liberdade de expressão.
Para o advogado uruguaio Edson Lanza, relator especial para a liberdade de expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, "o presidente do Brasil lamentavelmente parece ter se esquecido da Constituição e de tratados internacionais sobre liberdade de expressão dos quais o Brasil é signatário".
 
 
"Vejo com absoluta preocupação", disse Lanza, de Washington (EUA), em entrevista à BBC News Brasil por telefone.
Segundo Lanza, ao fazer referências irônicas à orientação sexual do jornalista responsável pela série de reportagens sobre supostos diálogos entre o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro e procuradores da República, Bolsonaro faz "um ataque discriminatório" e incita "um comportamento de perseguição" ao jornalista e à imprensa.
"O trabalho do presidente é prevenir riscos, e não aumentá-los", diz Lanza. "Este é um discurso realmente perigoso, que desagrada e gera novas expressões de ódio. O direito à liberdade de expressão não permite que se desobedeça a direitos fundamentais para se extremar a polarização, especialmente à custa de um grupo que historicamente é discriminado (os homossexuais)", avalia.
 
 
BOLSONARO DESOBEDECERIA PELO MENOS DOIS TRATADOS INTERNACIONAIS
Segundo o relator da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, Bolsonaro desobedece pelo menos dois tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.
O artigo 19 do Pacto de Direitos Civis e Políticos da ONU, que entro em vigor em 23 de Março de 1976, diz que "toda a pessoa tem direito à liberdade de expressão; este direito compreende a liberdade de procurar, receber e divulgar informações e ideias de toda a índole sem consideração de fronteiras, seja oralmente, por escrito, de forma impressa ou artística, ou por qualquer outro processo que escolher".Como ressalva, o artigo aponta que, para tal, é preciso "assegurar o respeito pelos direitos e a reputação de outrem e a proteção da segurança nacional, a ordem pública ou a saúde ou a moral públicas".
O relator lembra que a proteção de fontes jornalísticas é um princípio que faz parte do direito à liberdade de expressão, já que sem essa proteção, informações de interesse público envolvendo poderosos "dificilmente se tornariam públicas".
O tema também é regulado pelo Princípio 8 da Declaração de Princípios sobre Liberdade de Expressão da CIDH, que estabelece que "todos os comunicadores sociais têm o direito de reservar suas fontes de informação, anotações e arquivos pessoais e profissionais".
"Há uma ignorância aí sobre como funciona justamente a liberdade de expressão. Isso não é novo. Imagine se os papéis do Pentágono da década de 1970 sobre a guerra de Vietnam não tivessem se tornado conhecidos, se os jornalistas que os divulgaram não tivessem recebido a proteção da suprema corte dos EUA. Isso é protegido por leis e acordos internacionais. Um jornalista publicar algo obtido ilegalmente, mas que tenha interesse público, como este é o caso, não pode ser criminalizado e não ameaça a segurança nacional", avalia o relator.
Ele se refere aos "Pentagon Papers", um extenso documento secreto páginas do departamento de Defesa americano que mostrava que os EUA não cumpriram acordos na Guerra do Vietnã e expandiram seus ataques, enquanto informavam à opinião pública justamente o contrário. Os papéis haviam sido furtados por um ex-funcionário do Pentágono e o então presidente Richard Nixon tentou impor censura prévia aos jornais New York Times e Washington Post, que receberam os documentos. Por 6 votos a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, em 1971, que a restrição era inconstitucional. "Somente uma imprensa livre e sem restrições pode efetivamente expor enganos no governo", disse então o juiz da suprema corte Hugo Black.
Lanza continua: "No caso Wikileaks, dezenas de jornais em todo o mundo publicaram informações conseguidas por informantes. O público tinha direito de saber. Deve se proteger o direito de que, se a fonte obteve ilegalmente, isso não se estende ao jornalista. Isso está estabelecido há mais de 50 anos", diz.
"Me parece que a imprensa deve pedir esclarecimentos sobre os conteúdos divulgados, e não apenas sobre quem trouxe as mensagens", continua. "Ao que parece, houve abuso de poder pelo juiz Moro, que ultrapassou suas funções. Esse é o ponto-chave, já que ninguém desmentiu as mensagens."
"BOLSONARO SEMPRE USA ESSE TIPO DE DISCURSO"
Já o artigo 13 da Convenção Americana de Direitos Humanos aponta que "não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa", nem por "quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de ideias e opiniões".
O texto diz ainda que a lei deve proibir "toda apologia ao ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade, ao crime ou à violência".
A referência ao casamento de Greenwald com o deputado David Miranda (PSOL-RJ) e aos filhos adotados pelo casal feriria o último ponto.
Segundo o relator especial, os últimos comentários de Bolsonaro não representam "uma coisa isolada".
"O presidente Bolsonaro sempre usa esse tipo de discurso", diz a autoridade à BBC News Brasil.
"Há uma série de declarações estigmatizantes e totalmente contrárias à ordem jornalística vindo dele, de deputados do partido do governo, do filho do presidente. E obviamente há ameaças de morte contra o jornalista vindo de supostos fanáticos. A situação de risco e vulnerabilidade contra o jornalista é muito grande e, ao mesmo tempo, o presidente o chama de malandro, algo que soa como 'bandido'. Também há, como dito, uma forma de discurso discriminatório, que obviamente o expõe ainda mais."
Lanza lembra que suas posições não representam apenas a comissão da OEA, mas são compartilhadas pela ONU.
Em 1º de julho, Lanza e o Relator Especial das Nações Unidas para a Promoção e Proteção do Direito à Liberdade de Opinião e Expressão, David Kaye, lançaram comunicado conjunto expressando "preocupação com as ameaças, desqualificações por parte das autoridades e as intimidações recebidas pelo jornalista Glenn Greenwald da agência de notícias The Intercept Brasil, bem como com seus parentes, após a divulgação de informações e denúncias de interesse público."
No texto, os dois relatores pedem que o Brasil "conduza uma investigação completa, efetiva e imparcial das ameaças recebidas pelo jornalista e sua família".
"Também lembra as autoridades brasileiras de suas obrigações de prevenir e proteger os jornalistas em risco e garantir a confidencialidade das fontes de informação" e que "os jornalistas que investigam casos de corrupção ou ações impróprias por autoridades públicas não devem estar sujeitos a assédio judicial ou outro tipo de assédio em retaliação por seu trabalho".
"O jornalismo deve ser exercido livre de ameaças, abuso físico ou psicológico ou outro assédio", diz o texto.
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Bolsonaro se supera: "Só aos veganos é importante a questão ambiental"
27/07/2019 | 21h22
O presidente Jair Bolsonaro parece uma ficção. Sentimos que a qualquer momento vamos acordar, cair da cama, e tudo isso não terá passado de um pesadelo. As coisas que ele diz e faz são tão absurdas que deixam qualquer escritor de surrealismo de queixo caído. Não parecem vida real - parecem um simulacro, uma viagem alucinógena sem pé nem cabeça. E hoje, sábado, ele ousou a citar nós, veganos, em seus comentários ridículos. Num evento do Exército que aconteceu hoje na Zona Oeste do Rio ele reafirmou que quer transformar a Baía de Angra dos Reis em uma "Cancún Brasileira", e que apenas "veganos que comem só vegetais" se importam com a questão ambiental.
Sabe-se que Bolsonaro tem uma casa na Vila Histórica de Mambucaba, que fica na Estação Ecológica (Esec) de Angra, cujo status ele quer alterar. No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu pela inconstitucionalidade da redução de Unidades de Conservação (UCs) por medida provisória. "Me ajudem a fazer a Baía de Angra a Cancún Brasileira".
Bolsonaro também falou que não quer "sujar a imagem" da "sua pátria", divulgando dados. "No Brasil, parece que os chefes de Estado e alguns fazem campanha contra a sua pátria. Lula em 2002 disse que o Brasil tinha 30 milhões de crianças nas ruas. É uma péssima propaganda contra o Brasil, essa questão ambiental é a mesma coisa."
E voltou a citar os veganos (estamos até achando que tem uma perseguição no ar... dele e do Ricardo Salles, óbvio), num comentário nada a ver, totalmente ridículo, como se nós veganos fôssemos homens das cavernas. "Quando acabarem os commodities do Brasil, nós vamos viver do que? Do que a gente vai viver? Vamos virar veganos? Viver do meio ambiente? Não podemos tratar o meio ambiente como uma psicose ambiental", vomitou.
ESPECISMO, RACISMO E PRECONCEITO CONTRA ÍNDIOS
E não bastasse toda essa besteira proferida, ainda afirmou que esteve recentemente com índios e que índios não querem viver isolados em reservas, "como em um zoológico"."O índio é um ser humano igual a nós. Não é pra ficar isolado em uma reserva como se fosse um zoológico".
Nós ativistas anti-especistas gostaríamos de lembrar que essa coisa de equiparar homens (animais humanos) a animais não-humanos é que é uma coisa da era das cavernas. Nós ativistas anti-especistas já deixamos claro que índios não são animais, e animais não são índios, e nenhum é melhor do que o outro, assim como animais e não-índios não são. Essa é a base da defesa anti-especista, o não-antropocentrismo. Bolsonaro dizer que reservas são como zoológicos é uma tentativa discursiva de diminuir os índios e, ao mesmo tempo, colocar os animais como inferiores ao ser humano (discurso especista). A mesma tentativa foi feita quando Bolsonaro disse dos negros, falando que "lá o afrodescendente mais leve pesava sete arrobas". Senhor presidente, não diminua as reservas indígenas e não envolva os animais em seus comentários desconexos. Ao invés disso, Bolsonaro deveria tratar das demarcações de terras indígenas e fechar os zoológicos que ainda existem no país. A boca deste homem é um esgoto a céu aberto.
Bolsonaro ainda disse, neste sábado, que na próxima semana nós teremos uma surpresa nos dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Dados preliminares de satélites do Instituto já mostram que mais de 1.000 km2 de floresta amazônica foram derrubados na primeira quinzena deste mês, aumento de 68% em relação a julho de 2018.
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Juíza Alessandra, de Araruama, age brilhantemente e impede rodeio na cidade
27/07/2019 | 01h28
A sensacional senhora Juíza de Direito da 1ª Vara Cível de Araruama, Alessandra de Souza Araujo, juíza titular, impediu, até a publicação deste texto (1h11 da madrugada de sexta para sábado), a realização de um rodeio que seria promovido pela Prefeitura Municipal de Araruama, que tem na ponta da administração a prefeita Lívia Bello. Nós jornalistas anti-especistas damos os parabéns à doutora juíza por essa excelente ação em prol dos direitos dos animais. Durante a última noite, policiais davam suporte na porta do espaço onde aconteceria o evento, para garantir que o rodeio não fosse realizado.
A juíza Alessandra concedeu, há alguns dias, uma liminar suspendendo o rodeio. Essa liminar foi derrubada. E a juíza determinou, novamente, o impedimento do rodeio, numa ação coordenada junto com a Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ e com a OAB de Araruama. Arrasaram!
O documento acessado por nosso blog diz o seguinte:
Expeçam-se mandados de intimação à PGM, Chefe do Executivo Municipal, todos os ocupantes do espaço "Rodovia Amaral Peixoto, km 75, bairro Ponte dos Leites" e, se necessário, lacre do evento, com as providências que se fizerem necessárias ao fiel e cabal cumprimento de fls. 1152/1161, evitando-se a realização de todo o evento intitulado "Rodeio de Araruama", inclusive apoio policial. A ser cumprido por 4 oficiais de justiça (...). (...) Araruama, 26/07/2019. Alessandra de Souza Araujo - Juiz Titular
LUTA JURÍDICA E POLÍTICA
A Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ também está movendo outras medidas jurídicas junto à justiça federal. O presidente da Comissão, que também preside a Comissão em nível nacional, Reynaldo Velloso, comentou nesta noite: "Queremos deixar bem claro que nós não vamos sossegar até usarmos todos os recursos. Vamos lutar até o final. Respeitamos a empresa e o poder público, mas nossa luta é pelos animais, e ela continua!"
O rodeio, assim como outras práticas de exploração animal (como festa do laço e vaquejadas, por exemplo), ainda é "comum" no país. No Estado do Rio, por exemplo, outra cidade que promove essa prática de violação de Direito Animal é São Francisco do Itabapoana-RJ.
Na política, a luta continua: contra rodeios, vaquejadas, provas de laço e práticas afins. Um dos nomes mais deploráveis da história da política brasileira, Jair Bolsonaro, é um dos políticos que claramente se posicionou e se posiciona a favor dessas práticas cruéis. Na foto abaixo, ele acena para o público no Rodeio de Barretos.
NÃO EXISTE RODEIO SEM CRUELDADE
Quando confrontados por ativistas de Direito Animal, realizadores desta prática costumam dizer que não há tortura nem maus-tratos nos rodeios, e que os animais “gostam” de pular e que não haveria dor envolvida no processo. Mas os bois não pulam porque gostam ou querem: eles pulam porque amarra-se um instrumento conhecido como "sedém" (flank strap, em inglês) na cintura do animal e até mesmo nos testículos. Antes de entrar na arena, o sedém é puxado e apertado pelo "assistente do rodeio", gerando dor e desconforto no animal, e provocando, inclusive, feridas no corpo. O aperto do sedém é tão forte que por muitas vezes os animais continuam pulando mesmo o sedém afrouxar e o peão descer das costas do animal. Este processo não é feito apenas com bois, mas também com cavalos e éguas.
Num laudo técnico em Santos-SP, a veterinária e zootecnista Julia Maria Matera afirmou:
“A utilização de sedém, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas gera estímulos que produzem dor física nos animais em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais uma vez que eles têm capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade” (MATERA, Julia Maria. Laudo Técnico – autos nº. 8.961/97 da Segunda Vara da Fazenda Pública de Santos/SP).
Em Limeira-SP, em 2014 os organizadores do "Rodeio de Limeira" cancelaram o evento porque a justiça proibiu o uso do sedém. Sem sedém o boi não pula. Sem sedém não tem rodeio.
RODEIO É TORTURA! RODEIO NÃO! #ODEIORODEIO #LIBERTAÇÃOANIMAL 
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Thaís Tostes

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