Trilhões de animais são mortos por ano. Dia do Veganismo rola sexta, na Pelinca
30/10/2019 | 18h49
Por Thaís Tostes / Fotos: We Animals
Não dá pra ter uma contagem exata de quantos animais são assassinados pelos humanos, todos os anos, no planeta. A contagem supera os trilhões. É impossível contar, mas fala-se em mais de 70 bilhões de animais terrestres e trilhões de peixes, anualmente. Só o Brasil, por exemplo, exterminou, no ano passado, mais de 55,7 bilhões de alguns animais considerados "de consumo" (bois, porcos e frangos), segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE. Esse total não inclui peixes e outros animais. 
Por mais que, em muitas pessoas, o veganismo chegue como uma "dieta", sua base é o antiespecismo, a defesa de que não somos melhores por pertencermos à espécie humana, e que os animais não-humanos possuem direitos, como o direito à vida e o direito à felicidade, e os humanos não possuem o direito de interromper essas vidas e esses processos. Nesta sexta-feira (1 de novembro), Dia Mundial do Veganismo, Campos-RJ sediará uma noite vegana na Pelinca, no espaço Soma+Lab, que fica na Rua Amirante Greenhalgh, 36. Se liga no que vai rolar:
Vão rolar rangos veganíssimos e deliciosos com a galera do Vegetuba (comida vegana); o som das selectas com as vegs Maria Ninguém (brasilidades, latinidades e vozes femininas) e Thaís Tostes (rap); flash tattoo com HG Ink; sorteio de uma tatuagem no valor de R$200 e um boné com temática da causa animal (da loja Vegetuba); e uma roda de discussão sobre Direito Animal com a galera do Coletivo Vegano. A entrada é colaborativa - você paga o quanto achar que vale a sua experiência naquela noite.
Estima-se que quase 30 milhões de brasileiros são veganos ou vegetarianos. Vegetarianos ainda financiam a exploração animal, por consumirem leite, ovos e produtos testados em animais, bem como couro - mas possivelmente estão em processo de transição para o veganismo. A luta antiespecista é luta pelo Direito Animal e pelos Direitos Humanos, também, visto que ela é interseccional; e é a exploração animal, por meio dos ruralistas, que mantém o extermínio e exploração de indígenas, quilombolas, ecossistemas inteiros, e a exploração de pessoas em trabalho escravo.
Você discorda dessas informações? Acha que elas são fake news? Bora pro debate na sexta, então. 19h, no Soma+Lab. 
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Brumadinho: 9 meses do crime. Não esqueceremos! Veja fotos que fizemos lá
27/10/2019 | 21h05
Texto e fotos por: Thaís Tostes
Há 9 meses, completos na última sexta-feira (25), o Brasil viveu talvez o que tenha sido sua maior tragédia sócio-ambiental: o rompimento da Mina do Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho-MG. Nós do blog, midiativistas e ativistas de Direito Animal e Direitos Humanos, estivemos lá na semana do rompimento da barragem de minério de ferro (o Ibama demorou tanto que quase chegamos antes dele) e logo que pisamos na cidade a atmosfera que sentimos era uma atmosfera fúnebre. Milhares de vidas foram interrompidas: vidas de animais humanos e não-humanos. É impossível fechar essa conta. Pela cidade, muitas velas derretidas por todos os lados, flores, carros e mais carros dos Bombeiros, Defesa Civil e outros órgãos de resgate e segurança. E os moradores locais como que num estado meio de choque, meio paralisados, quase não conseguindo falar com a gente - e nem insistimos, também.
Estivemos lá para ajudar o máximo que conseguíssemos e, também, registrar algumas imagens, que você pode conferir abaixo. O cenário era totalmente desolador - batia uma tristeza tão profunda, porque envolveu a interrupção de tantas almas, que levamos algum tempo para nos recuperarmos psico-emocional-espiritualmente do período em que estivemos lá. Focamos nossas ações nos setores que menos estavam recebendo ajuda, tanto da Vale quanto de voluntários: os animais (que foram abandonados nas casas e pelas ruas), os índios Pataxó da aldeia Naô Xohã e os sem-terras do Acampamento Pátria Livre (que fica em São Joaquim de Bicas-MG, divisa com Brumadinho).
Na ocasião, já havia dias do rompimento da barragem e do impacto completo sobre o Rio Paraopeba, que virou não um mar de lama (porque não era lama, era minério!), e a Vale ainda não havia levado água para os índios e nem para os sem-terras. Muitos animais (como cavalos, galinhas, cachorros e gatos) estavam morrendo de sede e fome (muitos morreram, de fato) por várias regiões da cidade, a despeito de uma liminar expedida pela Justiça que obrigava a Vale a socorrer todos os animais vítimas do crime. A liminar, na verdade, serviu mais para impedir que os ativistas fizessem os resgates, porque após a liminar apenas a Vale poderia pegar esses animais, bloqueando a ação dos defensores de Direito Animal. A Vale chegou a colocar tapumes de madeira para impedir que ativistas chegassem com carros até os locais onde os animais estavam agonizando no minério de ferro.
Além disso, para quem não se lembra ou não acompanhou, vale recordar: a Vale foi responsável pelo assassinato de animais com tiros disparados por fuzil, de cima de helicópteros, como relatou, na época, um repórter do Estado de São Paulo, que estava fazendo a cobertura dentro de uma mata. Foi a Polícia Rodoviária Federal que sobrevoava o local com uma aeronave que tinha como meta executar, com tiros, animais ilhados, presos na lama ou feridos.
A Vale feriu tanto os Direitos Humanos quanto o Direito Animal, porque ela deveria ter um plano de emergência de resgate humano e animal, para caso a barragem viesse a se romper. Assim, imediatamente iniciariam as buscas por animais humanos e animais não-humanos, simultaneamente - a busca por vidas, e não a busca por algumas vidas, em detrimento de outras. Ela falhou em tudo.
Nós presenciamos patinhos nadando no minério de ferro (não sabemos quantos minutos de vida eles teriam pela frente, depois de mergulharem na contaminação), bagres (os últimos peixes sobreviventes) dando os últimos suspiros sob a água marrom-minério, micos no meio das matas morrendo de sede e recebendo como água apenas a água cheia de plástico de garrafas-pet, que foi levada até eles pela misericórdia dos índios. Durante todo o tempo em que estivemos na aldeia, presenciamos também a pontualidade dos trens de minério de ferro, que não pararam de passar por ali, a despeito das milhares de mortes. As crianças indígenas, que tomavam banho no rio, tomavam banho de tanque, com a pouca água que eles tinham, racionalizada. Os animais, muitos ficavam presos, para não mergulharem no rio contaminado.
Nove meses após o crime (falamos em crime porque a cidade não encarou o episódio como uma tragédia, um "acidente"), recebemos a informação de que muitos indígenas estão passando fome na aldeia, porque o "boom" do caso já diminuiu, assim como os holofotes, e então o voluntariado reduziu. Algumas famílias indígenas receberam suporte da Vale, depois de muita demora, mas muitos estariam com o suporte em atraso e outros ainda nem o teriam recebido.
A Polícia Civil disse que o inquérito que apura as causas e aponta os responsáveis pelo rompimento deva ser concluído em breve. A perícia necessária para identificar o que provocou o rompimento da barragem B1 já foi realizada e a equipe trabalha, agora, na elaboração dos laudos para a conclusão do inquérito, que já possui mais de 5 mil páginas impressas. Mais de 170 pessoas foram ouvidas. 
Pretendemos voltar em breve.
“A gente fez o que pôde, realmente fomos derrotados no rompimento dessa barragem que matou tanta gente. Nos dói muito, porque a gente se esforçou muito para que isso não acontecesse. Mas agora que aconteceu, não temos outra opção senão seguir lutando por justiça e para que isso não aconteça com mais ninguém.", disse, em entrevista, Carolina de Moura Campos, coordenadora-geral da Associação Comunitária Jangada e integrante da luta por justiça por Brumadinho. Carolina, na companhia do advogado Danilo Chammas (da organização Justiça nos Trilhos) e da vítima Marcela Rodrigues (do Movimento Águas e Serras de Brumadinho), está na Europa para pedir ajuda internacional neste caso. “Estamos preocupados com algumas práticas econômicas agressivas ao meio ambiente e às populações, como o agronegócio e a mineração.", disse Danilo.
LUTO POR BRUMADINHO
JUSTIÇA PARA BRUMADINHO
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Hoje nasceu uma facção! "Irmandade", sobre cadeia, com Seu Jorge, na Netflix
25/10/2019 | 23h29
Por Thaís Tostes
Estreou hoje (25) na Netflix, com o primeiro episódio aberto a qualquer internauta, a série "Irmandade", sobre sistema carcerário e criminal. Produzida em dois anos, e a pedido da própria Netflix, a série tem nada mais nada menos do que Racionais MCs como trilha sonora e o músico Seu Jorge interpretando o presidiário Edson, preso nos anos 1970 por posse de maconha. Pedro Morelli, criador da série, optou por narrá-la não sob o ponto de vista da Polícia ou de internos, e sim de uma mulher negra, irmã de detento (irmã de Edson), e advogada e integrante do Ministério Público. A personagem Cristina é feita pela atriz Naruna Costa. Assista gratuitamente, clicando aqui nesse link, ao primeiro episódio, intitulado "O certo é o certo".
Grande parte da série foi rodada em um setor desativado da Penitenciária Estadual de Piraquara, na Grande Curitiba, e ao lado desse setor há um pavilhão em funcionamento. Durante as gravações, os internos apoiavam a série, gritando inclusive para Seu Jorge: "Representa nóis aí!". Seu Jorge também relatou, em entrevista, que, para dar forma ao personagem que lidera a facção Irmandade, pegou várias dicas de gírias com o rapper Mano Brown, fundador dos Racionais.
O criador da série disse que, para criar Irmandade, fez uma profunda pesquisa com ex-detentos, policiais, promotores e advogados, e que embora muitos acreditem que Irmandade seja uma facção inspirada no PCC (Primeiro Comando da Capital), ele [o diretor] misturou tudo o que tinha como referências. 
O primeiro episódio da série, que já assistimos, começa com Edson (Seu Jorge) fugindo da polícia no meio dos barracos de uma favela, após ter sido denunciado, por posse de maconha, pelo próprio pai. Quando Edson já está há 20 anos cumprindo pena em regime fechado, sua irmã, Cristina, narradora da série, descobre que Edson é réu acusado de ser o mandante de vários homicídios dentro da cadeia e de liderar a facção criminosa existente num presídio de São Paulo.
Por conta de várias violações de direitos humanos dentro do sistema carcerário (qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência), incluindo tortura e com direito a carcereiros andarem com um bastão de madeira escrito "Direitos Humanos", e revoltado com a morosidade da Justiça, Edson cria a facção, em resposta à corrupção do Estado. No primeiro episódio, Cristina falsifica a assinatura de uma integrante do Ministério Público para pedir uma sindicância para apurar tortura na cadeia em que está seu irmão, e em negociação dela com o diretor do presídio, Edson é retirado da "tranca", uma espécie de solitária, onde ele era torturado pelos policiais e seria morto, e é reinserido junto aos outros internos. No entanto, Cristina é descoberta e presa, por falsidade ideológica e falsificação de documento público. Mas, policiais a retiram da cadeia e tentam chantageá-la pra obterem informações sobre seu irmão.
A fotografia da série é linda, desde os tons até os ângulos. Tem imagens aéreas dos barracos e do presídio. Os cenários são bastante legais, também, com destaque pra parte interna da cadeia e dos tribunais e repartições da Justiça, que simplesmente "pararam no tempo". A atuação do Seu Jorge está espetacular, assim como os figurinos dos personagens e a maquiagem. A trilha sonora, nem precisamos falar, não poderia ser melhor: os mestres em letras sobre a realidade do sistema carcerário, corrupção policial e mundo do crime - Racionais MCs. A música que abre o primeiro episódio é "Capítulo 4, Versículo 3".
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