Brasil mata 8 milhões de perus por Natal e governo Bolsonaro é contra animais
25/12/2018 | 03h33
A luta antiespecista (contra a exploração dos animais) vem tomando grandes proporções no país e no mundo. A Holanda, por exemplo, está se preparando para se tornar o primeiro país vegano da Terra. O Brasil, como sempre, gosta de colecionar péssimas imagens internacionais: ao mesmo tempo em que é um dos tops no encarceramento em massa de jovens negros pobres (política de extermínio), na violência e assassinato de LGBTs, em feminicídios e outras vergonhas, é também o país onde está o maior exterminador de animais terrestres do mundo - o grupo JBS-Friboi. JBS-Friboi só não mata mais que o China Shipping Group, que é o maior exterminador de animais aquáticos do planeta.
Esse país que ama passar uma vergonha é também o que tem uma das bancadas políticas mais fortes do mundo - a Bancada Ruralista, formada por dezenas e dezenas de deputados e senadores. A luta antiespecista fica ainda mais forte agora nos próximos mandatos, porque o presidente eleito, Jair Bolsonaro, anunciou a presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (Bancada Ruralista), a deputada Tereza Cristina (DEM), a "Musa do Veneno" (uma das principais articuladoras do projeto -PL 6299/02- que facilita a liberação do veneno nos nossos alimentos), como ministra da Agricultura e Pecuária. Isso quer dizer que os animais ficarão nas mãos dos seus próprios exterminadores e exploradores.
A luta dos ativistas antiespecistas/animalistas/veganos se intensificará nesse cenário. Se antes a luta contra o holocausto animal, contra o especismo, já era árdua, agora ela fica ainda mais pesada. No entanto, o número de ativistas antiespecistas vem aumentando no país. Prova disso são as quedas no comércio de carnes, e comentários de integrantes desse novo governo que debocham dos defensores da luta pela libertação animal.
O general Augusto Heleno, por exemplo, que vai assumir o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro, foi questionado, por jornalistas, sobre se o Ministério da Agricultura e Pecuária teria um papel diferente do que tem hoje com a chegada da presidente da Bancada Ruralista. E o general foi debochado, dizendo, sobre o Ministério da Agricultura e Pecuária:
“Rapaz, sabe que eu não sei. Não tenho a menor ideia. Vai ser vegano!”
 Outro nome deplorável do próximo governo é o de Ricardo Salles, advogado da extrema direita nomeado por Bolsonaro pra ser o futuro ministro do Meio Ambiente. O que Bolsonaro fez foi entregar de bandeja para os ruralistas o único Ministério que ainda fazia algo pela natureza e pelos animais. Ricardo é totalmente do agronegócio e a proposta é que ele lide com o meio ambiente da forma como os ruralistas sempre quiseram. Num vídeo em que apoia o Rodeio de Barretos, Bolsonaro fala aos ruralistas: "Gostaram do Ministro do Meio Ambiente, né?!" Recentemente, Ricardo Salles chegou a postar uma foto com porcos empalados, num churrasco, colocando a legenda: "Churrasco vegano". Ricardo Salles, que foi condenado nos últimos dias, pela Justiça de São Paulo, por improbidade administrativa, quando foi anunciado por Bolsonaro ele já era réu por fraudar documentos de licenciamento ambiental para favorecer empresários (quando pegou a pasta de Meio Ambiente no governo Alckmin (PSDB) no estado de SP). É esse o "combate à corrupção" que o presidente eleito falou tanto, em sua campanha, que ia fazer. Ricardo Salles, que tentou se eleger como deputado federal, também propôs, em sua campanha, o uso de arma de fogo contra ANIMAIS e pessoas.
O deboche desses nomes do novo governo mostra que a luta pela libertação animal vem tomando força, conseguindo mais adeptos e incomodando esses nomes e grupos que sempre se mantiveram com base na exploração e no extermínio dos animais. A pecuária não explora apenas animais, mas também pessoas, sendo a área, no Brasil, que mais concentra índices de trabalho escravo. Entra ano e sai ano e o setor é líder na escravização de pessoas. A agricultura também aparece em segundo lugar na escravização de pessoas, mas vale lembrar que agricultura, no país, é pra alimentar os animais explorados e exterminados pela pecuária e a pesca - sendo assim, continua sendo a pesca e a pecuária em segundo lugar no trabalho escravo. Coloca no Google que você acha muita informação sobre isso. Temos então uma área que viola tanto os direitos animais quanto os direitos humanos. E, agora, nas mãos de Ricardo Salles, a tendência é a violação também dos direitos da natureza (árvores, rios, etc). Durante as campanhas eleitorais e após as eleições, santuários de proteção animal, ativistas e grupos de defesa animal vêm recebendo ataques de grupos de caçadores (principalmente caçadores de javalis), que debocham dos ativistas dizendo que vão comer todos os animais na cerimônia de posse presidencial, em janeiro.
Esse post também foi feito pra deixar alguns dados sobre a luta pela libertação animal: essa época de Natal e Ano Novo é a pior época para os animais, porque o extermínio se intensifica por conta dos "banquetes" e "ceias" dessas festas. Só no Brasil, por exemplo, mata-se mais de 8 milhões de perus para o Natal, segundo dados divulgados pela página Vegano Periférico (instagram: @veganoperiferico). Nessa conta entra apenas o Brasil, em apenas uma data (Natal) e apenas um animal - o peru. Nessa data também tem uma matança generalizada de porcos e outros animais, e no mundo todo.
Para além disso, as estatísticas de ONGs de defesa animal apontam que o mundo mata, em média, 150 bilhões de animais anualmente apenas na pecuária e na pesca, somente para a produção de carne. Aqui não estamos falando de animais que são mortos para testes laboratoriais da indústria da beleza e estética, nem de animais mortos em práticas cruéis como Farra do Boi, vaquejadas, rodeios e caça, dentre outras. Segundo a ONG Human Society International, todos os anos o mundo mata 100 milhões de animais em laboratórios. 
O que acontece com os animais é um extermínio legitimado socialmente, mas que tem tudo para chegar ao fim, se depender da luta dos ativistas. O extermínio de animais é o maior extermínio da história do mundo. O maior número de vidas interrompidas, na história da humanidade. Mas o quadro vem sendo modificado, com muita luta. Só no Brasil existem mais de 16 milhões de veganos e vegetarianos, contabilizados. O país também vem contando com alguns nomes da política e da Justiça que estão na luta pela libertação animal, pelo reconhecimento dos animais como sujeitos de direitos (e não mais como coisas, objetos, propriedade, economia, ou como pastas de Ministérios), contra o embarque de animais nos portos do país, em defesa da criação do Código de Direito Animal, contra a exportação de jumentos para a China (após serem explorados por carroças), dentre outras frentes de luta. O caso da cachorra Manchinha, violentada por um funcionário do Carrefour de Osasco-SP, por exemplo, tomou grandes proporções e mostra que a sociedade já não está mais satisfeita com a forma como os animais vêm sendo tratados. É um grande e belo despertar, que infelizmente acontece aos poucos (e com base em muita luta e guerra de informação), mas que está acontecendo. As novas gerações já não querem a Peppa Pig em seus pratos - elas querem o Nemo nadando em paz e a Galinha Pintadinha livre do risco de ser frita e livre da exploração da indústria dos ovos. Essa geração já chegou.
Muita luta vem sendo travada nas ruas e nas redes, pelos animais. Talvez antes, em outros tempos, a indignação com a crueldade contra os animais fosse menor ou até mesmo não tivéssemos os meios necessários pra expressar essa luta, mas agora temos a Internet (que já vem tentando ser censurada) e os veículos alternativos de mídia. O mundo ficou sabendo da carne de papelão porque foi um escândalo que não tinha como ser escondido, e fica sabendo de uma ou outra coisa pequena sobre os malefícios de se ingerir animais, mas não podemos, por exemplo, esperar que a Rede Globo faça uma mega reportagem contra o consumo de animais. A falta de avanço na questão animal, mantida pela sociedade, é absurda, principalmente por parte do Estado. Nessa semana, por exemplo, a Polícia Militar de Santa Catarina exterminou, a tiros, um boi, após ser explorado pela Farra do Boi, uma prática perversa e cruel, um crime contra os animais. A Polícia Militar de Santa Catarina "legitimou" o extermínio do animal dizendo que este teria machucado uma pessoa, entrado numa casa e gerado danos patrimoniais, e atingido uma viatura. Quer dizer, o animal é explorado numa prática cruel e criminosa, que é a Farra do Boi, e desorientado pode chegar a entrar em casas, etc, e quem é responsável por isso é o animal? Primeiro que ele nem deveria estar sendo usado pra Farra do Boi - deveria estar vivendo em paz, livre, sujeito de direito à vida e à felicidade-, e quem deve assinar a responsabilidade por esses atos são simplesmente quem permite que a Farra do Boi aconteça, quem compra ingressos pra assistir a esse show de horror e quem apoia esse tipo de prática. E não bastasse culpabilizar o animal por ações que foram de autoria dos órgãos liberadores da Farra do Boi, ainda matam o animal a tiros, covardemente? Veja aqui o vídeo dessa crueldade e crime: http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/bom-dia-santa-catarina/videos/t/edicoes/v/animal-e-morto-pela-policia-apos-ser-usado-para-farra-do-boi/7253447/
E voltando ao próximo governo: A ligação de Jair Messias Bolsonaro com o extermínio animal já estava clara muito antes das eleições. Ele já tinha confessado que, durante a campanha eleitoral de 2014, ele recebeu da JBS-Friboi, pelo seu partido na época, o PP, a quantia de R$ 200 mil. Exploração dos animais gera muito dinheiro: a JBS teria pago R$1,4 bilhão em propinas a 28 partidos do país.
Bolsonaro fez uma campanha em defesa da caça de animais, chamando a caça de "esporte" e, ainda, "esporte saudável"", ganhando apoio de todos os grupos de caçadores ("Caçadores, estamos juntos!"); em defesa dos rodeios, vaquejadas e outras práticas; falando tranquilamente sobre zoofilia ("que naquela época não tinha mulher"); incentivando a Pesca; e propondo a fusão do Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura. 
Ele é o mesmo cara que diz que quilombola não faz nada, que mulher tem que ganhar menos e que índio não vai ter mais nenhum centímetro de terra. Ele também chegou a anunciar, nos últimos dias, o ruralista Nabhan Garcia (da Frente Democrática Ruralista) como o novo demarcador de terras indígenas, num episódio que mais parecia uma piada, mas acabou recuando e dizendo que "questões que envolvam conflitos de terras serão submetidas a um Conselho Interministerial", composto - adivinhem! - por Tereza Cristina (a Musa Ruralista), Ricardo Salles e os ministérios de Defesa, de Direitos Humanos, e o Gabinete de Segurança Institucional.
Comentar
Compartilhe
Atos antiespecistas e sobre veganismo periférico marcam semana dos Direitos Animais
21/12/2018 | 02h10
Texto por Thaís Tostes / Mídia NINJA
Nesse último dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, também foi o Dia Internacional dos Direitos Animais (conhecido pela sigla DIDA). A data é novíssima e foi criada pela ONG inglesa Uncaged, em 1998. O dia faz uma alusão à ratificação, na ONU, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948, e a proposta principal da data é chamar a atenção para a necessidade de que todos os animais sejam reconhecidos como sujeitos de direitos. Atualmente, a sociedade trata os animais como objetos, coisas, economia, propriedade e recursos da natureza. E além da Declaração Universal dos Direitos Animais ser contraditória, o Brasil não a assinou. Nesse período, vem ocorrendo várias ações, protestos e atos em várias cidades do país, organizados por defensores de animais da área independente e também por coletivos e ONGs. Em São Paulo-SP, por exemplo, aconteceu no último dia 9 o Veg Fest São Paulo, um evento vegano da cena underground, organizado pela mesma galera que promoveu a clássica Verdurada e que promove o Hardcore Contra o Fascismo (evento que surgiu após o aparecimento do inominável). A proposta principal do Veg Fest foi debater a ligação que existe entre os Direitos Animais e os Direitos Humanos, colocando na roda várias questões relacionadas ao especismo, racismo, sexismo e outras áreas. Além disso, Sampa sediou, nessa segunda-feira (17), o encontro “Bancada Ativista Escuta: Causa Animal”, quando a Bancada Ativista, eleita no Estado de São Paulo, recebeu ativistas da libertação animal para conversar sobre pecuária, consumo, veganismo, proteção animal, educação animalista, agroecologia, ecofeminismo (ou feminismo antiespecista), veganismo negro e outros temas.
Ato do coletivo antiespecista Vozes em Luto SP (foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja)
Ato do coletivo antiespecista Vozes em Luto SP (foto: Thaís Tostes/Mídia Ninja)
 
A LUTA PELA LIBERTAÇÃO ANIMAL
Na semana passada, São Paulo também foi palco para um ato da ONG Veddas, quando vários ativistas foram para as ruas segurando corpos de animais mortos. Esses animais usados no ato fazem parte do descarte das cruéis e gigantescas indústrias da carne, ovos e laticínios. Dezembro é o mês mais violento para os animais, por conta do avanço do extermínio animal para as festas de final de ano. E por isso São Paulo-SP também promoveu no último domingo, dia 16, no Vão Livre do MASP, a terceira edição do Natal Sem Sangue, um ato contra o holocausto animal, idealizado pelo movimento 269 Nordeste e articulado em Sampa pelo coletivo anti-especista Vozes em Luto SP.
O Brasil, país que mais mata animais no mundo (JBS-Friboi, perdendo apenas para a China Shiping Group, maior exterminadora de animais aquáticos), e que concentra na pecuária o maior índice de trabalho escravo, parou nos últimos dias com o caso da Manchinha, a cachorrinha que foi espancada por um segurança do Carrefour de Osasco-SP. O caso gerou uma repercussão gigante e atos, em várias cidades, de boicote à Rede Carrefour, e embora a maioria das pessoas envolvidas nos atos ainda comam os animais, é possível que, com esse caso, a causa antiespecista consiga alguns avanços. A luta antiespecista também acontece no campo jurídico, com vários profissionais da Justiça envolvidos na construção do Direito Animal, e uma das maiores lutas travadas no país é pelo fim do embarque de animais vivos nos portos brasileiros, e contra a bancada ruralista, que além de exterminar milhares de animais por segundo também assina a violação dos direitos dos quilombolas, sem-terras e indígenas. Na luta pela libertação animal e pela libertação humana, os inimigos são em comum.
FEMINISMO ANTI-ESPECISTA EM DIÁLOGO COM A BANCADA ATIVISTA
Na escuta da Bancada Ativista, que aconteceu no espaço Matilha Cultural, esteve presente o coletivo feminista anti-especista (ou ecofeminista) FeminiVegan. Elas falaram sobre a luta pelas fêmeas de outras espécies além da humana e, ainda, sobre o desafio de levar a conscientização sobre a exploração animal para as periferias.
“Uma das nossas principais ações é mostrar que o veganismo não é comida. Veganismo é um ato político. Então, tipo… ‘Ah, eu não gasto água porque eu fecho a torneira quando eu escovo os dentes.’. ‘Mas você come hambúrguer’. Então, são muitas questões que você tem que conscientizar as pessoas. E a luta é pra tirar essa capa de que veganismo é pra rico. E as pessoas que precisam do acesso ao veganismo não possuem esse acesso – esse acesso é negado, de forma violenta. Para fazer o veganismo de verdade nós temos que mexer onde está a população. Porque, querendo ou não, a partir do momento em que grande parte dos trabalhadores estão optando pelo veganismo, muito provavelmente eles não vão querer trabalhar na indústria da carne – eles não vão querer depenar um frango. E as pessoas que precisam desses trabalhadores vão sentir que não estão tendo os funcionários, e assim ficam sem os produtos.”, expuseram as integrantes do FeminiVegan. No evento, também marcaram presença integrantes da base ecossocialista do PSOL-SP, integrantes do Movimento Afro Vegano (MAV), além de Nina Rosa (idealizadora do documentário A Carne é Fraca, de 2004 e ativista fundadora do Instituto Nina Rosa, que promove conscientização sobre defesa animal, consumo sem crueldade e vegetarianismo); Ale Nahra (agroecologista vegana e escritora) e integrantes do Coletivo Vegano, que trabalha a proteção animal com os setores de base e do Santuário Salvando Vidas, um dos maiores santuários de animais da América Latina.
VEGANISMO PARA OS MANOS DA PERIFERIA E O FOCO NA LIBERDADE DOS ANIMAIS (AO INVÉS DO FOCO NO CONSUMO)
Uma das palestras do Veg Fest São Paulo foi “Deselitizando o veganismo – Para o desmonte de um sistema estrutural que escraviza animais humanos e não-humanos, e que faz o veganismo parecer algo inacessível para o povo periférico”. Quem falou sobre isso foi o Duh, da página Vegano Periférico, que tem mais de 60 mil seguidores no Instagram. A galera do @veganoperiferico é uma das bases mais atuantes na linha de frente da luta pela libertação animal. Nas redes você também encontra o @veganodequebrada
“‘É interessante começar de onde você tá. Começa da elite. Comecem vocês tirando essa capa de prepotência, de arrogância. Vocês, veganos, que estão olhando pro mundo com uma visão de consumo, comecem com vocês, tirando isso, popularizando. Vocês não sabe como que é? Vai na rua, meu! Vai na periferia! O veganismo vem sendo vinculado ao nicho de consumo, e eles estão fazendo um movimento pra quem tem dinheiro, pra quem tem possibilidades. Entendeu? E essas pessoas têm muito poder – essas que estão fazendo o movimento se manter elitista. Esse é o problema. Então, quando a gente da base começa a falar que o movimento não é elitista, a gente enfraquece e faz com que as pessoas não se importem com a deselitização. Porque a questão é o animal. Quando você tá preocupado com o animal, você quer fazer algo pra mudar. E quando você mostra que é elitista, a tendência é que essas pessoas mudem”, comentou Duh.
Na edição anterior do Veg Fest, quem marcou presença foi o DJ dos Racionais, KL Jay, que é ativista dos direitos animais e fala principalmente para a população negra e periférica. Na página Vegano Periférico, seus desenvolvedores não expõem suas imagens, ao contrário da maioria das páginas veganas, que são elitistas, onde o foco se torna a própria pessoa (curtindo praias, restaurantes caros, hotéis) e pratos com ingredientes totalmente inacessíveis para a população pobre. O que era pra ser, então, uma avalanche de pessoas na luta pela liberdade dos animais (e da população oprimida) se torna um mutirão de glutões consumistas alimentadores do ego e do poder de compra.
“Nos eventos veganos, por exemplo, as pessoas não estão preocupadas em quanto elas vão cobrar nos produtos. Porque é um movimento voltado para a classe burguesa. E quando chamam a gente pra estar em locais assim eles chamam porque é bonito ver um pobre falando. Sobre a página, eles ficam perguntando se não vamos postar fotos nossas. Não, não vamos. Porque o foco não somos nós, e sim o conteúdo, os textos. Quem pesquisa sobre veganismo hoje na internet vai ver que a parada não é pra gente. Mas é preciso lutar contra isso. O movimento é pra uma minoria privilegiada. Eu ‘tava conversando com um camarada e ele me perguntou: Você usa que tipo de açúcar? Eu disse: açúcar – açúcar normal. Ele me perguntou se eu comia arroz, eu disse três vezes que eu comia.”, contou Duh. Então, o que a galera do veganismo de base tenta fazer? “A gente tenta popularizar a forma de falar, popularizar como o movimento é visto. O ponto principal pra você conseguir alguma coisa na periferia, em favela, com pessoas que foram extremamente sabotadas pelo ensino público, é por meio da comunicação. E outra: tem que conhecer, tem que saber como fala, tem que entender. Porque você não consegue olhar por trás dos muros do condomínio fechado, tá ligado?”
VEGANISMO NEGRO E O SISTEMA QUE MATA OS NEGROS PELA BOCA
Outra palestra que integrou o evento foi com a ativista vegana Márcia Cris, jornalista e integrante do Movimento Afro Vegano (MAV). Márcia falou sobre “Nutricídio: Por que os piores alimentos são distribuídos entre a população preta e periférica?”.
Márcia falou sobre o esquema das indústrias de alimentos (que inclui as indústrias da carne, laticínios e ovos), que mata os negros aos poucos. A ativista explicou que essas indústrias partem de dois processos – um deles é produzir os alimentos de baixa qualidade, que são os que vão para a periferia, para a população pobre e preta; e o outro é a distribuição dos produtos de alta qualidade (que também são ruins, industrializados), que vão pra população dos centros e bairros mais ricos.
“O que chega nas populações pobres e periféricas são os refrigerantes com mais açúcar, os biscoitos com mais gorduras; e os produtos com menos açúcar, integrais, produtos melhores, vão para os centros, que é onde as pessoas podem escolher o que elas querem comer. Elas têm esse poder de escolha, que a população periférica não tem – o que é colocado pra periferia, a periferia compra, porque não pode escolher. A periferia, quando come, come errado! É um plano muito bem arquitetado pra dizimar a população preta e periférica por meio da alimentação.”, explicou Márcia, falando também sobre a exclusão da população negra e periférica, feita pelos chamados “veganos de elite”, e sobre a importância dos negros retomarem um tipo de alimentação, sem matança de animais, que sempre fez parte da ancestralidade, da África:
“Também tem a questão do veganismo de elite; que vegano come castanha. Eu como amendoim e me sinto bem. É bem baratinho e eu não preciso comprar macadâmia que custa cem reais na zona cerealista, que é o lugar mais barato. E é isso que tem que ser passado pras pessoas. Dá pra você fazer pratos legais; dá pra fazer muita coisa gastando muito pouco. Quando dizem que veganismo é para a elite é porque não querem que a periferia participe de uma coisa que é bacana e que vai fazer bem para a população negra e periférica. A questão do diabetes, por exemplo, surgiu quando os negros, escravizados, foram colocados pra trabalharem nas plantações de cana-de-açúcar. Então, junto com a colonização eles também trouxeram como presente as doenças oriundas da Europa. Nossos ancestrais negros, na África, berço da humanidade, comiam vegetais e legumes, frutas, eram extremamente saudáveis, trabalhavam na terra. E do mesmo modo que o trabalho foi imposto aos negros, a alimentação também foi, e é imposta até hoje.”
Márcia também destacou iniciativas que vêm promovendo a libertação animal e a libertação humana, como, por exemplo, as hortas urbanas, construídas em ocupações e nas periferias. “Porque aí os negros e a população pobre retomam o poder contra o nutricídio. Os médicos nunca vão dizer, por exemplo, que a raça negra tem uma intolerância à lactose. Eles não vão falar que se o negro parar de tomar leite ele não vai mais problemas de saúde. A gente infelizmente não pode esperar isso da classe médica, porque eles estão envolvidos em lobbys, em esquemas com a indústria farmacêutica. Então, por meio da informação, nós negros temos que voltar a colocar a mão na terra, temos que retomar esse poder de alimentação, retomar o que é nosso – o veganismo preto!
Comentar
Compartilhe
Coronel que estava no Massacre do Carandiru vai coordenar cadeias de SP
12/12/2018 | 00h38
Por UOL
Vinte e seis anos depois de estar presente na ação que ficou conhecida como o Massacre do Carandiru, quando 111 presos foram mortos por policiais militares em uma operação dentro da Casa de Detenção, o coronel da PM (Polícia Militar) Nivaldo César Restivo, 53, foi anunciado pelo governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), como futuro secretário da Administração Penitenciária de seu governo, que terá início em janeiro de 2019. Restivo não foi formalmente acusado de nenhum assassinato no massacre, mas, sim, de não ter impedido que policiais sob seu comando praticassem atos de violência contra detentos sobreviventes. O crime pelo qual o coronel era acusado prescreveu antes que fosse julgado.
Quando anunciado como comandante-geral da PM, em 2017, Restivo defendeu a ação da polícia no Carandiru, afirmando a considerar "legítima e necessária". No entanto, disse que era apenas o tenente responsável pelo suprimento do material logístico da tropa em que estava atuando, ou seja, que não tinha o poder de comandar policiais (leia mais abaixo). Até março de 2018, o coronel era o comandante-geral da PM. Sob sua tutela, as polícias de São Paulo atingiram o recorde de letalidade policial em 2017, com 939 pessoas mortas. Em contraponto, no mesmo ano, morreram 60 policiais no estado (80% durante a folga) --o número foi o menor da série histórica.
Nomeado a comandante-geral pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), em fevereiro de 2017, Restivo tinha o perfil considerado "linha dura". Quando Alckmin deixou o governo para disputar a Presidência da República, em abril, o governador Márcio França trocou o Nivaldo Restivo por Marcelo Vieira Salles, considerado como “conciliador” e defensor dos direitos humanos. Salles continuará como comandante da corporação no ano que vem. Além do comando da corporação, Restivo também já comandou a Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), considerada pela PM como sua “tropa de elite”. Atualmente, o coronel exerce a função de chefe de gabinete do secretário da Segurança, Mágino Alves Barbosa Filho. A partir do ano que vem, o secretário será o general do Exército João Camilo Pires de Campos. O anúncio do novo secretário da Administração Penitenciária ocorre dois dias depois de a polícia ter apreendido em Presidente Venceslau cartas codificadas em que o MP (Ministério Público) afirma que o promotor Lincoln Gakyia e o coordenador dos presídios na região oeste do estado, Roberto Medina, estariam sendo ameaçados de morte pela facção. Em coletiva de imprensa, Restivo não se posicionou a respeito das transferências de integrantes da cúpula do PCC para presídios federais. Questionado via assessoria de imprensa, Doria também não se manifestou --enquanto candidato, o governador eleito defendia a transferência.
O Massacre do Carandiru
O massacre aconteceu em 2 outubro de 1992, quando 111 presos foram mortos por PMs após uma rebelião na penitenciária, que ficava localizada na zona norte da capital. O coronel Restivo foi denunciado à Justiça por omissão durante o espancamento de 87 presos na operação de rescaldo, ocorrida após a invasão. Segundo o MP (Ministério Público), os oficiais do 2º Batalhão de Choque, ao qual pertencia Restivo, tinham o dever de impedir a violência dos soldados, o que não teriam feito. Ele era primeiro-tenente no batalhão e foi acusado de lesão corporal grave. Segundo as investigações, foram usados golpes de cassetetes, canos de ferro, coronhadas de revólver e pontapés. Alguns detentos foram feridos por facas, estiletes e baionetas.
 Como os oficiais, de acordo com o MP, foram omissos, eles foram denunciados. Os promotores disseram ainda que os oficiais tiraram as insígnias e a identificação dos uniformes, demonstrando "a prévia intenção criminosa". Restivo não chegou a ser julgado pois o crime prescreveu.
Na foto, João Doria, e ao seu lado, Nivaldo Restivo.
Na foto, João Doria, e ao seu lado, Nivaldo Restivo.
Comentar
Compartilhe
Sobre o autor

Thaís Tostes

[email protected]