Mano Brown: "O governo Lula deu uma condição ao povo. Se na época do Lula era difícil, imagina agora!?" ENTREVISTA
24/04/2018 | 11h40
"O governo Lula deu uma condição ao povo de ter as coisas, e depois desse governo o povo quer polícia para defender essas coisas. Então ele se torna um cara de direita - um cara que defende aqueles valores velhos que fuderam ele! Isso refletiu com o preto. Você vê Fortaleza, Maceió, campeões de homicídios no Brasil - morre preto pra caralho! Se na época do Lula era difícil, imagina agora, parceiro! Você acha que esses caras [políticos] vão estar ligando pro que acontece no interior do Nordeste lá? Aí os moleque vira facção, mesmo, pra se proteger, proteger o outro. Aí o crime organizado vai ganhar força, mesmo. Porque o crime organizado já está atuando há muito tempo - em Brasília! Então as facções vão se organizar no Brasil todo, pra se proteger e pra sobreviver! Mas as facções precisam da paz pra ganhar; já o sistema precisa da guerra, pra vender bala, vender arma, pra empregar mais gente na polícia, pra fazer mais cadeia. Bezerra da Silva, antes de morrer, fiz um show com ele e ele me falou assim: 'Brown, cadeia é que nem show: tem que estar lotado pra dar dinheiro!'."
VEJA, CLICANDO AQUI NESSE LINK, A ENTREVISTA COMPLETA DE MANO BROWN AO DIPLOMATIQUE BRASIL. ELE FALA DOS RACIONAIS, PERIFERIA, FACÇÕES, POLÍTICA, SUA TRAJETÓRIA MUSICAL E MUITO MAIS COISAS.
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MST ocupou fazenda em Rio das Ostras, nessa madrugada
22/04/2018 | 19h45
Na madrugada deste sábado (21), cerca de 200 famílias que compõem o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam a fazenda Rancho Sagitário, no município de Rio das Ostras, no interior do Rio de Janeiro. A ação faz parte da histórica Jornada de Lutas que relembra a impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, que aconteceu em 1996, no Pará, quando 21 sem terras foram assassinados pela Polícia Militar. Além disso, integra os protestos pela democracia e a liberdade do ex-presidente Lula.
“Essa ocupação faz parte das ações de luta do Abril Vermelho, em memória de Eldorado dos Carajás. Esse ano também estamos relembrando os dois anos de golpe, a prisão a arbitrária de Lula, portanto, é uma ação que visa a retomada da democracia no Brasil, que foi violentamente atacada com o golpe, a intervenção militar e a assassinato da vereadora Marielle Franco”, explica Luana Carvalho, da coordenação nacional do MST.
A fazenda ocupada se situa no entorno da Reserva Biológica União. A área, que possui uma grande biodiversidade, está sendo degradada pelo atual proprietário Renato Barbosa Salgado, segundo informações apuradas pelo MST. Por ter despejado dejetos no leito do rio que chegaram a atingir a reserva biológica, o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra o proprietário em 2007.
Reforma agrária - As famílias que constroem a ocupação são das periferias de Rio das Ostras e Macaé. Elas exigem que as terras improdutivas da fazenda Rancho Sagitário sejam destinadas à reforma agrária. Após o golpe de estado instaurado no país em 2016, a reforma agrária passa por período de desmonte. No último ano, nenhum assentamento foi realizado no Brasil. Essa realidade se ampliou com a aprovação da lei 13.465/17, conhecida como lei da antirreforma agrária, como lembra Luana.
“Essa lei incentiva a grilagem, a mercantilização dos nossos patrimônios naturais, incluindo a possibilidade de venda para grupos estrangeiros. Isso aponta para aumento da concentração de terra e, portanto, acirramento dos conflitos no campo. O último ano foi marcado por um número expressivo de assassinatos de lideranças e retorno das práticas dos massacres que haviam sido reduzidos com políticas de reforma agrária”, explica.
Além disso, os municípios de Rio das Ostras e Macaé estão localizados em uma região economicamente atrelada à indústria do petróleo, que sofre com um cenário de demissões generalizadas, o que torna mais grave a situação de pobreza e miséria nas suas periferias. A ocupação também se constrói em resposta a essa realidade e a enorme concentração de terras improdutivas da região nas mãos de poucos.
“O desemprego e a precarização impõem a degradação dos trabalhadores na área urbana o que gera uma urgência ainda maior por uma reforma agrária popular na região. Por isso estamos aqui organizados e em luta”, conclui.
Texto: Brasil de Fato // Foto: Pablo Vergara (MST)
Foto: Pablo Vergara (MST)
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Denúncia contra Aécio é julgada hoje:propina de R$2mi da exterminadora de animais JBS
17/04/2018 | 14h01
Por: Coletivo Vegano (publicado originalmente aqui, no Medium do Coletivo Vegano)
O Supremo Tribunal Federal (STF) julga nesta terça-feira (17), com início às 14h, uma denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que é acusado de corrupção e obstrução da Justiça, em investigação derivada da delação da JBS. Se a denúncia for aceita nesta terça-feira, Aécio se tornará réu no STF pela primeira vez e responderá a processo pelos crimes nos quais é investigado. Aécio é acusado de receber, no mínimo, R$2 milhões em propina, de Joesley Batista, da JBS (empresa que é a maior exterminadora de animais do mundo!), em troca de favorecer a JBS politicamente e defender interesses do grupo. Aécio afirma que essa grana era para pagamento de advogado, mas a Polícia Federal afirma que esses R$2 milhões não chegaram ao advogado do tucano.
Além de Aécio, são investigados: sua irmã, Andréa Neves; seu primo Frederico Pacheco; e o assessor de Zezé Perrella (senador dono do helicóptero com meia tonelada de pasta-base de cocaína – “Helicoca”).
Nesse processo de investigação da JBS, executivos do grupo disseram ao Ministério Público que, em 2014, pagaram, no mínimo, R$60 milhões em propina para Aécio. De acordo com informações relacionadas às denúncias, Aécio teria ajudado na liberação de créditos de R$12,6 milhões de ICMS da JBS Couros e dos créditos de R$11,5 milhões de ICMS da empresa “Da Grança”, adquirida pela JBS na compra da Seara. Também existem informações de que a JBS ajudou na compra de partidos para entrarem na coligação de chapa candidata à presidência, encabeçada pelo PSDB (chapa derrotada por Dilma Rousseff).
A colaboração dos funcionários do frigorífico foi confirmada pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF. De acordo com relatos aos procuradores, nesse histórico de escândalos, a JBS emitiu uma série de notas fiscais frias a diversas empresas indicadas pelo senador; e um primo de Aécio, Frederico Medeiros, teria sido indicado para receber valores em espécie.
A sujeira envolvendo o grupo que assina o maior extermínio de animais do mundo parece não ter fim. Além desse valor de no mínimo R$60 milhões pagos em propina, a JBS também chegou a afirmar que, após a campanha de Aécio para a presidência, em 2014, o frigorífico "vendeu um imóvel superfaturado por R$ 17 milhões a pessoa indicada por Aécio, com o fim de fazer chegar a Aécio o dinheiro". O pagamento, segundo a delação, por meio de transferência bancária.
Os executivos da empresa relataram também que em 2016 o senador pediu mais um valor de R$ 5 milhões.
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Rafael Diniz pode ser cassado.É investigado por abuso de poder econômico e outros crimes
16/04/2018 | 11h23
O futuro de Campos pode ser decidido nesta segunda-feira (16). No Tribunal Regional Eleitoral (TRE) haverá o julgamento, com início às 17h, de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que pede a cassação do prefeito de Campos, Rafael Diniz, e a vice-prefeita, Conceição Sant’Anna. O processo nº 72644/2016 apura o uso de instituto de pesquisa, hospital e jornais que teriam favorecido a candidatura de Rafael Diniz nas eleições de 2016.
O julgamento estava marcado para o último dia 5, mas foi adiado a pedido dos réus. A AIJE pede a cassação da chapa e a inelegibilidade de todos os réus por abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação social, captação ilícita de sufrágio e outros crimes. A Procuradoria Regional Eleitoral já chegou a dar parecer contrário a cassação.
Texto: Fabrício Lírio (www.facebook.com/liriofabricio) Foto: Thaís Tostes (Rafael em carreata em Guarus, 2016)
Foto: Thaís Tostes
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Tiros à Caravana de Lula vieram de fazenda de homem anti-MST e investigado por ameaça de homicídio
12/04/2018 | 10h46
Reportagem por: Carta Capital
Os tiros disparados contra os ônibus da caravana de Lula no último dia 27 de março no interior do Paraná vieram de uma fazenda pertencente a um homem com histórico de enfrentamento com o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, investigado por ameaça de homicídio a lideranças políticas locais e que declara abertamente seus sentimentos de raiva e rancor tanto por Lula quanto pelo MST.
Seu nome é Leandro Langwinski Bonotto. Ele é fazendeiro, tem 45 anos e mora na cidade de Quedas do Iguaçu. A delegacia de Laranjeiras do Sul investiga denúncias recebidas contra ele e disse que solicitará ao chefe de polícia do município vizinho os autos referentes ao suspeito. Bonotto nega qualquer envolvimento com os disparos e afirma que, quando efetuados, não estava na propriedade.
Dias antes do juiz Sérgio Moro expedir o mandado de prisão de Lula e confiná-lo em Curitiba, o ex-presidente fazia um périplo pela região Sul do País, uma das etapas da “Caravana pelo Brasil”, o quarto ciclo nacional de viagens para encontrar eleitores.
Além dos milhares de habitantes que foram ao encontro de Lula em cada um dos municípios por onde passou, nesta caravana assistiu-se pela primeira vez a um movimento pequeno, organizado majoritariamente por apoiadores do deputado Jair Bolsonaro, de confronto violento com o ex-presidente e sua comitiva.
O "tratoraço" convocado por ruralistas no município de Bagé, logo no início da caravana, com a leniência da polícia estadual, seguidos de pedradas e ameaças com barras de aço, seria padrão em praticamente toda caravana, Em São Borja foram socos, chutes e até chicotadas. Houve bloqueio de estrada em Passo Fundo, dezenas de ovos atirados em Chapecó, ovos e pedradas a caminho do Paraná.
A escalada, denunciada diariamente às autoridades de segurança e ao público pelas lideranças do PT, chegou ao ápice entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no oeste paranaense.
Na rodovia PR-473, no trecho entre as duas cidades, um agressor acertou dois tiros num dos ônibus da caravana que levava jornalistas escalados para a cobertura da viagem. Uma das balas, disparada a menos de 20 metros do veículo movimento, atingiu e perfurou a fuselagem lateral. O segundo projétil ricocheteou num dos vidros das poltronas dos passageiros, sem quebrá-lo.
Desde o ocorrido, em 27 de março, a Polícia Civil do Paraná investiga a autoria dos disparos. Até agora, apenas um nome chegou às autoridades, que trabalha com depoimentos de quem estava no ônibus, laudo pericial das balas e do possível local dos disparos e testemunhos de quem vive e conhece a região em que o crime ocorreu.
Que foi um crime, não se discute. Dano, disparo de arma fogo e tentativa de homicídio são os tipos penais possíveis. A descoberta da autoria e sua motivação definirão todos os elementos do caso. Por ora, o que existe é um conjunto de indícios que afunila essa investigação, ainda longe de ser encerrada.
O local dos disparos
O jornalista Antonio Alonso Junior, um dos autores desta reportagem, estava no ônibus alvejado. Tem vivo na memória o momento do ocorrido. Colocou à disposição da polícia todos as informações que registrou. Os dados da perícia corroboram sua lembrança e anotações.
O local de onde partiram os tiros fica na altura do quilômetro 29 da rodovia PR-473, um gramado verde e rasteiro que se estende por cerca de 100 metros ao longo do lado direito da estrada para quem segue de Quedas do Iguaçu para Laranjeiras. A pequena clareira contrasta com a vegetação fechada, as grandes plantações e as pastagens que preenchem os arredores.
Conhecido o local, com base no horário das imagens feitas em diferentes pontos do caminho, é possível afirmar que o ataque aconteceu entre 16h51 e 17h14 de 27 de março.
No ônibus, não se escutou os estampidos da arma. Ouviu-se o impacto dos projéteis contra a lataria e o vidro do carro. De início, ninguém sabia tratar-se de um atentado armado. Era o oitavo dia de caravana e o ônibus havia sido alvo de diversos outros ataques. Mas aquele som era diferente, seco, mais rápido, um pouco mais agudo.
Segundos se passaram e não aconteceu a esperada chuva de pedras. Veio então o segundo tiro. Desta vez, uma marca no vidro e um zumbido no ouvido da jornalista ao lado da janela atingida. Não se viu ninguém na área de grama baixa. Mais alguns metros e o ônibus seguiu em frente em um trajeto ladeado por mata fechada.
Só 30 minutos após os disparos o ônibus parou, quando o motorista avisou que os pneus tinham sido furados por “miguelitos”, pregos retorcidos atirados na rodovia para sabotar a caravana. Só ali, alguns quilômetros distante dos disparos, foi possível constatar a segunda marca de bala, na lataria.
A perícia da Polícia Civil do Paraná confirma que os tiros foram dados de uma altura elevada em relação ao ônibus, possivelmente de cima de um barranco ou árvore. O local exato do ataque fica em um barranco com árvores. O primeiro tiro foi disparado logo depois de o ônibus ter passado, a uma distância de 19 metros. O segundo foi dado a uma distância bem maior, provavelmente mais de 50 metros, e de um ângulo muito mais fechado. Por isso, a bala não teve força para quebrar o vidro.
O dono da área
Não se sabe se o agressor invadiu a fazenda ou se estava lá, o que se sabe é que a região dos disparos (identificação feita por mais de uma testemunha que estava no ônibus) é parte de uma propriedade situada nos limites do pequeno município de Espigão do Alto do Iguaçu, entre Quedas e Laranjeiras.
Ela pertence a Leandro Bonotto, morador de Quedas do Iguaçu. No local, mora seu pai, o fazendeiro Jocemino Bonotto. Em conversa com a reportagem, ambos negaram envolvimento com os disparos.
“Não sei, não ouvi nada, que eu saiba esses tiros foram a uns 15 ou 20 quilômetros daqui”, afirmou Jocemino em entrevista a poucos metros do local identificado.
“Não sei de nada disso. Eu estava em casa na hora dos tiros”, disse Leandro, sem abrir o portão para receber a reportagem. Sobre sua relação com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que mantém acampamentos e assentamentos na região, e sobre o que achava de Lula e da caravana, disse não ter opinião formada nem nada contra o movimento rural ou o ex-presidente.
Processos judiciais em andamento, boletins de ocorrência, denúncias de ameaça de homicídio e testemunhos dos cidadãos do município de Quedas do Iguaçu contradizem, porém, o fazendeiro.
A família Bonotto disputa desde a década de 1990 a posse e a propriedade de terras da região destinadas pelo Incra à reforma agrária. Um assentamento do MST prosperou durante 11 anos, até que os Bonotto, em 1999, obtiveram na Justiça uma ordem precária (provisória) de reintegração de posse, e mais de 300 famílias foram removidas da propriedade.
Os tratores destruíram as casas, plantações e instalações de animais. Em 2003, no primeiro ano do governo Lula, o MST voltou a ocupar o terreno, beneficiado por uma decisão judicial em favor do Incra, que voltou a destinar a terra à reforma agrária.
Ao todo, de acordo com dados de processos públicos protocolados no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, as ações judiciais nas quais figura o patriarca Jocemino Bonotto em disputas de terra com o Incra e o MST somam 15,49 milhões de reais. São 49 processos judiciais administrativos e dois criminais, estes em segredo de Justiça. Leandro Bonotto é parte de 53 ações e o montante envolvido chega a 15,36 milhões.
Leandro é descrito como um homem enérgico, sempre armado e que não leva desaforo para casa. “Aqui neste bar mesmo ele disse que passou duas vezes em frente ao hotel onde estavam estacionados os ônibus do Lula, mas que não fez nada ali porque tinha muita gente”, afirma um morador da cidade que pede anonimato.
Em janeiro do ano passado, a Ouvidoria Agrária do Incra na região, por meio do ouvidor Raul Cezar Bergold, recebeu a denúncia de que Bonotto e um grupo de fazendeiros preparavam o assassinato de três lideranças do MST, incluído um advogado e ex-vereador de Quedas do Iguaçu. Lavrou-se um Boletim de Ocorrência na delegacia local. O ouvidor do Incra foi além: fez um relatório sobre o caso e enviou ao Ministério Público do Paraná, à Secretaria de Segurança estadual e à Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O relatório, de 16 de janeiro de 2017, solicita:
“Diante da denúncia e das informações que apresentamos, pedimos que as ações de sua competência sejam adotadas, sobretudo para a prevenção do conflito e para a proteção da vida e da integridade das pessoas indicadas, bem como de outras que estariam envolvidas no considerado conflito, colocando-nos à disposição para esclarecimentos e providências conjuntas que se façam necessárias.”
O BO foi registrado na delegacia de Quedas do Iguaçu sob o número 2017/95984, em 24 de janeiro do ano passado, às 15h36, com a descrição de “AMEAÇA CONSTATADA - CRIMES CONTRA A PESSOA”.
O delegado Elder Lauria, responsável pela investigação sobre os tiros na caravana de Lula, informou à reportagem que vai solicitar à delegacia de Quedas do Iguaçu uma cópia do boletim de ocorrência, bem como relatos dos desdobramentos. Informou ainda que a polícia investiga as denúncias que chegaram e “levará autos da investigação com as informações sobre este caso”.
De acordo com o delegado, Leandro Bonotto e seu pai serão chamados a depor.
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Sobre o autor

Thaís Tostes

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