Hoje Na Curva... Ela sorri
08/09/2016 | 12h08
ela-sorri Minha crônica dessa quarta-feira na Folha.
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Na Curva: A melhor do Brasil
25/03/2014 | 10h44
Divido aqui com os leitores, o texto da semana passada, que não havia postado ainda. Quem já passou por isso, com essa ou outra operadora, vai entender.   - Boa noite, senhora. Em que posso ajudá-la? - Estou mudando e queria saber sobre a possibilidade de mudança de endereço. - Pode confirmar seu nome, telefone com DDD e data de nascimento? Ok. Vou verificar... Nossa operadora cobre sim o endereço. Com a mudança de plano solicitada, cancelo agora e os demais serviços vão para o novo endereço. - Mas se cancelar para tudo? Acho melhor, então, deixar para outro dia. - Sim, vou anotar aqui na sua ficha e quando a senhora ligar de novo fala da oferta feita e das anotações. Dois dias depois... - Boa noite, senhora. Em que posso ajudá-la? - Estou mudando e quero a transferência de endereço. Você pode olhar que já tem uma anotação aí na minha ficha. - Pode confirmar seu nome, telefone com DDD e data de nascimento? Sim, mas não pode cancelar. Tem que ir todos os serviços e lá a senhora pedir as alterações. - Mas não foi isso que a outra disse... - Mas o procedimento é esse. São cinco dias para a troca. - OK então. Fico aguardando. Dois dias depois... - Boa noite, quero agendar a visita do técnico para amanhã a tarde. A senhora, por favor, leve todos os aparelhos para o endereço novo. Dia seguinte final da tarde... - Boa tarde. Pedimos desculpas, mas, infelizmente, o técnico não pode ir e gostaria de saber se a senhora pode recebê-lo amanhã, só escolher o horário. Dia seguinte pela manhã. - Bom dia. Pedimos desculpas, mas, infelizmente, o técnico não pode ir ontem e gostaria de agendar um outro dia para ele ir. - Minha filha, eu recebi esse mesmo telefonema ontem. A pessoa disse que ele viria de manhã. Estou desde às 8h esperando. (“quem ligou???”) - Senhora, estou enviando um técnico agora para senhora. Uma hora depois... Técnico: “será que funciona aqui?”. “Tem caixinha de telefone?” “Tá difícil, hein”... - Senhora não dá para fazer o serviço porque o cabo da televisão não passa. - Mas não quero TV, instala só os outros serviços. - Não pode, porque se não minha ficha não fecha. (Telefona para o escritório) - Deixa eu falar com a menina. Querida, fala para ele instalar os outros serviços. - Boa tarde, a senhora pode me confirmar seu nome e data de nascimento? (Tudo explicado) (Conferência em viva-voz com escritório e, em seguida, também com o supervisor) 45 minutos depois... - Olha, vou ali almoçar e volto hoje para instalar. - Moço, você vai voltar hoje ainda? Eu preciso da internet. Trabalho com isso. Me mandaram tirar todos os equipamentos da casa antiga, eu poderia estar lá trabalhando. - Pode deixar. Volto hoje ainda. Final da tarde. - Querida, é sobre uma mudança de endereço... Tem uma pessoa a tarde toda lá em casa e vocês não chegam. - Senhora, estamos apenas aguardando a liberação. Se ele não for hoje, vai amanhã (sábado) pela manhã. Segunda-feira... - Bom dia, em que posso ajudar? - Quero cancelar meu plano. - Pode confirmar seu nome, telefone com DDD e data de nascimento? Por que a senhora deseja o cancelamento? (Tudo explicado, desabafado, criticado) - Senhora, isso não pode ocorrer. Vou verificar com a central aqui o que está havendo. Não houve a transferência de endereço porque não tiraram os aparelhos referentes à TV. - E não tiraram por que se eles estão dentro de uma bolsa desde que a outra menina mandou retirar da casa antiga? - Pois é. Houve um erro, mas vou pediu um crédito de confiança a senhora. Mandei um email para a central e eles garantiram a instalação em 24horas. Até amanhã às 10h. A tarde... - Boa tarde, gostaríamos de agendar a visita do técnico para a retirada dos aparelhos referentes à TV. - Menina, já liguei pela manhã e a outra já agendou. - Mas preciso agendar (e cita o endereço antigo) - Moça, NÃO TEM NADA NO ENDEREÇO ANTIGO PORQUE DESSE MESMO NÚMERO SEMANA PASSADA LIGARAM FALANDO PARA EU LEVAR TUDO PARA O ENDEREÇO NOVO. - Pode me passar o endereço novo? Terça-feira, 10h55 - Senhora, queremos saber se o técnico pode ir retirar os aparelhos. - Já me ligaram marcando ontem. Pode. EU NÃO QUERO TV NENHUMA. Na verdade, não quero nem a internet porque nunca vi uma coisa dessas. Os aparelhos estão dentro das bolsas para entregar. E a instalação da internet e telefone? As 24h já se passaram. - Acho que o técnico vai instalar. Ainda na parte da manhã, até meio dia.   Os diálogos acima podem não estar completos em todas as palavras porque são 13 h30 e ainda não há internet, nem telefone. Foi feito pedido de gravações que só chegarão em 10 dias e, de cancelamento. Como o contrato renovado (?) dia 10, haverá pagamento de multa e da conta de internet, TV e telefone até hoje (??)  
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Doodle do google homenageia... Suzy
11/09/2013 | 02h18
Não podia deixar de dividir essa com vcs. O doodle de hoje do Google (na minha página) está com desenho e mensagem de feliz aniversário. Amei! Olhem que fofo!  

   
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Hoje Na Curva: By plaquinha
01/05/2013 | 03h46
    Bye, plaquinha   Sobe plaquinha! Quem viveu os anos 2000 em frente a um computador, com certeza já pensou isso uma ou duas vezes. Ou esperava que o cinza se tornasse verde para alegrar seu dia. Daqui a uns anos, alguém que, por ventura, estiver lendo esse texto não saberá o que era o Messenger. Nesse mundo de mudanças tecnológicas à velocidade da luz, o MSN é um vovô de quase 14 anos e usado por milhões de pessoas em certa época, foi perdendo espaço para o Facebook. Essa é a justificativa da Microsoft , mas acredito que a imposição da migração para o Skype é para forçar a utilização dos serviços pagos.] É tipo um casamento (e quem não conhece histórias desse tipo?). O camarada casa, início sempre difícil. A esposa fica junto, cria os filhos, vai passando a vida. Mas, como o tempo é implacável e mesmo com plásticas e tratamentos a competição é desleal e implacável, um dia ela se descobre traída. O camarada, já estabilizado, agora quer aproveitar o que a vida tem de melhor. Não raro, o melhor é o novo e parte ele para um outro relacionamento, um casamento com uma mulher mais jovem e bonita, que todos almejam. É assim com pessoas, foi assim com o MSN. Depois de um longo casamento, veio o fim. Hoje, quando estiverem lendo, já terá acabado, apesar de protestos de uma minoria que ainda insistia na fidelidade. Fatalmente, o Skype (que parece aquela esposa nova e antipática) acabará um dia, como o próprio Face (a ilha de Caras, como dizem alguns), que já demonstra sinais de cansaço e desgaste. Afinal, ninguém é tão feliz como no Face ou tão ocupado como no MSN, diz a piada dos internautas. A questão é para onde caminhamos. A internet teve a função extraordinária de aproximar pessoas que, no mundo real, jamais se encontrariam. Mas também criou uma legião de solitários interligados. Não só os solitários impostos pela vida ou pela história, mas aqueles que, em uma roda de amigos, junto com o namorado, dentro de uma sala de cinema ou um show continuam teclando como se a realidade existisse não para ser vivida, mas para ser postada. No MSN foram criados amores, casamentos, amizades que transcenderam a tela do computador, fazendo o caminho contrário para chegar à realidade. Hoje, a plaquinha com os bonequinhos verde e azul já é quase uma lembrança, superada daqui a pouco. Mas vai deixar muita saudade.
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Hoje na Curva: Um adeus à infância
14/03/2013 | 01h20
    Um adeus à infância   Muito do que sou devo a minha infância. Sem dinheiro, com muito sacrifício, nunca senti falta de nada. Sem dúvidas era porque tinha tudo o que realmente precisava: uma família feliz, uma mãe capaz de rir – e nos fazer rir – dos infortúnios, uma vida plena de sentimentos que supriam qualquer falta material. Aquele tempo foi capaz de me sensibilizar e formar uma “almofada” acolchoada de lembranças, onde, até hoje, posso colocar a cabeça quando fico triste, desanimada ou decepcionada com alguém. Tenho sempre o calor de ontem para aquecer eventuais frios do hoje. Tenho um carinho todo especial pela parte de minha infância vivida entre a chácara de vovó Zizi, a estação, onde morava Tio Paulo, logo em frente e os verões em Atafona, entre a casa de vovó, de Titéia e Tia Neusa. Amava me sentir parte de uma grande família, cheia de brincadeiras e risadas, onde muito aprendi. Na chácara, descobri o sabor de quase todas as frutas. Era ali, só estender a mão. Uma profusão de cores e sabores infinitos, cercadas por mistérios do casarão e daquele terreno que, para uma criança, parecia não ter fim. Na estação aprendi a andar de bicicleta. Lembro, como se fosse hoje, o medo, a excitação, as cores... Se fechar os olhos posso ouvir os sons dos pássaros, a risadas das crianças, Soraya brigando e mamãe cheia de receio que eu caísse. “Se cair, levanta”, dizia, para virar o rosto aflita. Acho que o sentimento é igual para todas nós que dividimos aquele tempo. Fomos felizes e isso nos sustenta nesse tempo em que a felicidade parece ser só pose, fotos de uma página de rede social. Essa semana, mais um pouco de minha infância se foi junto com tia Stella, ou Titéia, como a chamávamos. Tia Stella era uma pessoa como poucas, faleceu aos 101 anos, absolutamente lúcida e linda. Sempre foi de um carinho, um acolhimento, uma ternura...  Sua vida valeu a pena por todo amor que semeou. Sua despedida, cercada dos filhos, netos, bisnetos, enfim, da família de sangue e da de coração, num domingo de sol, em que as nuvens insistiam em cobrir às vezes, mostrando que, se o céu estava feliz, nossa terra estava bem mais triste.  
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Hoje Na Curva: "Água para bimbinha"
20/02/2013 | 09h31
                                                   Água para bimbinha   Minha mãe era uma pessoa muito especial. Pode parecer coisa de filha falando de quem não está mais entre nós. Em geral, na opinião pública, morreu, virou santo. Mas não é isso não. Quem conheceu dona Maria Helena sabe bem do que estou falando. Não havia quem chegasse a minha casa e saísse com o coração ou barriga vazios. Alguém chegava e ia surgindo sabe-se Deus de onde, um bolo, um café, um suco, um prato de comida. Tudo devidamente adoçado com uma boa conversa. E não era só com visitantes não: Filhas ou netos que ousassem falar “Estou com vontade comer...” Era melhor estar mesmo, porque a comida aparecia “do nada”. E sempre uma delícia. Sempre inesquecível. Nunca mais comi um cozido como o de minha mãe ou um doce de carambola de estrelinha marrom. O sabor, sei lá, era mesmo especial. Talvez aquele seja o verdadeiro sabor do amor. O problema é que a gente só descobre certas coisas depois que elas passam e aquele gostinho de “quero mais” nunca mais é suprido.   Mas minha mãe era, também, de contradições. Dizia que não gostava de animais. Mas nossa casa sempre foi frequentada por gatos e cachorros e bem-te-vis. Certa vez, uma gata que fez morada no nosso quintal, teve filhotes e morreu. Mamãe cuidou de cada um deles, dando leite na seringa. Quando perguntada por que fazia isso, se não gostava de animais, respondia: “Vou deixar morrer” e ia sempre cuidando. Eles cresceram e foram ficando. E se multiplicando. Também a cadelinha Princesa e Pipoca, aquela que não parava nunca. Tinha síndrome de coelho, de tanto que pulava. As duas, em épocas diferentes, apareceram e ficaram. Debilitadas, carentes, mas nada que uma boa dose de paciência, carinho e ração não pudessem superar. Mas de todos os hábitos sanfranciscanos de minha mãe, talvez o mais estranho era por água para bimbinhas. Os pequenos marimbondos também escolheram, por anos, nosso quintal como residência. E eram tantos que, às vezes, eu ficava com medo de sair da casa. Mamãe resolveu deixar um copo com água em cima do tanque para as bimbinhas “Tadinhas, um calor danado. Elas ficam com sede”. E não era raro ver lá bimbinhas bebendo água no copo. São quase oito anos que minha mãe se foi. As bimbinhas nunca mais frequentaram aqui em casa e, ao invés de alívio, sinto falta daquele movimento. Também não sou muito chegada a animais – confesso, mesmo com o risco de enfrentar a ditadura dos politicamente corretos – mas meu quintal é abrigo de alguns gatos, pássaros. Cachorros ainda não, mas quem sabe... Pessoas desenvolvem bondade ou maldade por mais diversos estímulos. O tempo tem me feito bem mais benevolente, mais complacente com as características humanas. Bimbinhas picam ou não por instinto, não é por serem boas ou más. É de sua natureza. seja da minha, talvez um dia por água para bimbinhas.
 
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Hoje Na Curva: Você é feliz?
06/02/2013 | 01h50
  Você é feliz? A pergunta surgiu numa roda de amigos, já meio calibrada por muitas doses de cerveja. A resposta foi sincera: “Não” e começou a elencar o que gostaria ter sido diferente em sua vida. Fiquei ali, bebendo também, mas as palavras de ambos. “Você é feliz?” Uma pergunta tão simples, mas, ao mesmo tempo, tão complexa, que envolve milhões de outras questões. Afinal, o que é ser feliz? Pode ser conquistar o que quiser, o que sempre sonhou em bens materiais: Ter uma bela casa, vários carros, apartamentos aqui e ali, sorrir para as câmeras e nunca, mas nunca mesmo, deitar na cama pensando como pagar as contas no dia seguinte. Ter a vida dos sonhos, caminhar na rua como se um tapete vermelho estivesse sempre estendido para você.   Você é feliz? Talvez para outros, a felicidade seja casar e permanecer casada, ainda que com aquelas rusgas normais ou nem tanto. Para algumas pessoas ter ou aparentar ter sucesso na vida sentimental é ser feliz. Você é feliz? Para outros, a felicidade está em carregar o mundo na barriga e, depois, ser eterno. Ser feliz é ser pai ou mãe, olhar olhos que possuem traços dos seus, ver características suas em uma pessoa tão diferente. É vibrar no primeiro sorriso, nas primeiras palavras e comemorar cada pequena vitória, sabendo que valeu a pena. É ver tranças se soltarem tornando-se cabelos sedosos, ver músculos se formarem onde antes eram pequenos braços que te abraçavam. É aceitar que a vida passa. Você é feliz? Alguns podem classificar ser feliz apenas por estarem vivos. Sabe-se lá a estrada que caminharam, quantos obstáculos venceram, quantas montanhas foram ultrapassadas, quantos mapas rasgados. Ou quem sabe a felicidade esteja nisso: Vencer, escrever sua história de maneira diferente do que todos imaginavam que ela seria. Você é feliz? Mudar a vida de outras pessoas, melhorá-las, acalentá-las, dedicar sua própria vida a elas é ser feliz? Ser capaz de parar para admirar o sorriso de uma criança, ouvir uma bela música, apostar no sonho de um mundo melhor é ser feliz? Difícil saber. Porque a felicidade é muito própria, muito pessoal. O que é felicidade para um é o desespero de outro. Sorrir não é ser feliz. Viver em festas e ter vida de cinema não é ser feliz. Ter o cabelo mais lindo e o corpo escultural não é ser feliz. Ter aquela pessoa que você sempre quis e fez de tudo para consegui-la não é ser feliz. Pode até ser, mas não é garantia de felicidade. Ser filantrópico, altruísta pode ser o caminho da felicidade, mas não significa ser feliz por completo, até porque talvez isso nem exista. Sempre há alguma parte em nós que deseja mais ou ser diferente e é essa busca que nos impulsiona a seguir. “A felicidade é um problema individual. Aqui, nenhum conselho é válido. Cada um deve procurar, por si, tornar-se feliz”, Sigmund Freud.   E você? É feliz?
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Hoje na Curva: A culpa é de Adrielly
09/01/2013 | 09h28
  “Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panaceia, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue... Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra. Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário”.   Juramento de Hipócrates, com atualização hoje utilizada no Brasil A culpa é de Adrielly   Doutor Adão Orlando Crespo Gonçalves não se sente culpado pela morte de Adrielly Santos Vieira. Afinal, ele já havia faltado a todos os plantões em dezembro no hospital Salgado Filho. Afinal, o serviço público de saúde é uma droga mesmo. Afinal, ele é um neurocirurgião, merece mais do que trabalhar em um hospital sem estrutura, tentando salvar e toda sorte de pessoas que, às portas da morte, nunca é culpada. O doutor admite ao jornal O Globo (edição de ontem) que vinha faltando ao trabalho com o intuito de ser demitido. “É necessária a falta em 30 dias consecutivos para que se inicie o processo de demissão. Não se trata de radicalismo, e sim de lei trabalhista”, afirma. E acrescenta qual o procedimento normal: “você deve solicitar demissão, provar que não deve nada como servidor, provar que não tem processo administrativo e continuar trabalhando até a publicação no Diário Oficial do Município”. Mas isso, destaca o médico em seu terno impecável e seus óculos importados, leva meses por causa da burocracia. Então, melhor faltar. Avisou ao chefe, mesmo sabendo que não havia substitutos. Porém, quem haveria de prever uma tragédia. Aliás, tragédia, não. Mais uma pessoa atingida por bala perdida. Era criança, se lamenta, mas fazer o que? Nasceu pobre e no Brasil: Está sujeita a isso. Também não tem culpa pela morte de Adrielly o tal chefe do setor, que foi avisado da falta. Não substituiu, não gritou. O que poderia acontecer? E acontecer faz parte das emergências. É só olhar as estatísticas. E Adrielly é mais um número nas estatísticas. Culpada mesmo é Adrielly. Culpada por morar em Piedade, perto dos morros do Urubu e do Urubuzinho. Culpada por ganhar presente de Natal e ficar feliz. Culpada também por sair de casa para mostrar a boneca que ganhou, talvez tão esperada, talvez “aquela” boneca, sonho de tantas meninas. Culpados, também, são os pais. Quem mandou ter filhos e não poder pagar um neurocirurgião? Quem mandou não poder ir a um hospital particular? Aliás, quem mandou ter filhos? Sabe-se Deus onde estava Dr. Adão na Ceia de Natal, se dormindo aborrecido ou em alguma festa, entre espumantes e castanhas. Pouco importa. Não estava onde deveria estar. Sabe-se Deus onde estava o chefe, onde estava o serviço público. Não foram suficientes. Talvez Adrielly – pela gravidade do ferimento – tivesse morrido mesmo assim. Mas, pais e familiares não carregariam a culpa e a incerteza, além da dor imensa, pelo resto de suas vidas. E talvez, só talvez, Adrielly tivesse uma oportunidade de sobreviver, quem sabe agradecer ao médico que a salvou e, até por isso, tornar-se médica, salvando vidas e fazendo jus ao juramento escrito por um maluco, quatro séculos antes de Cristo, aquele nascido na noite em que ela deu seu último sorriso.
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Hoje Na Curva do Rio
14/11/2012 | 02h21
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Novo livro de Balbi
09/11/2012 | 12h52
Se o dia é de boas notícias para os jornalistas da Folha da Manhã, aqui vai mais uma: já está no forno o novo livro do colega de trabalho e amigo sempre, Aloysio Balbi, que fala sobre a história de São João da Barra. O lançamento está previsto para dezembro. O prefácio é de ninguém menos que George Vidor, editorialista e colunista de Economia do jornal O Globo. Não é para quem quer. É para quem pode!
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