É da Vida (e de morte). Não dá para calar
28/04/2015 | 12h32
Ontem, morreu Inês Etienne Romeu, aos 72 anos, de insuficiência respiratória. A ex-guerrilheira, única sobrevivente da Casa da Morte - espaço macabro clandestino de torturas, execução e desaparecimento montado pela ditadura militar, no início anos anos 1970, em Petrópolis -, morreu da morte desejada por todos: em casa dormindo. Inês foi a última presa política a ser libertada no Brasil. A única prisioneira a sair viva da Casa da Morte após atravessar 96 dias de tortura. Ela foi importante na construção do direito à memória e à verdade da nossa frágil democracia: só a partir de um depoimento escrito por ela no hospital, em 1971, e entregue à OAB em 1979, quando terminou de cumprir pena, foi possível localizar a casa e identificar parte dos agentes que atuavam no local — entre eles o colaborador dos torturadores, o médico Amílcar Lobo.
— Ela se foi em paz, com tranquilidade, disse um dos irmãos, o jornalista Paulo Romeu. Também ontem foi divulgada, justo ontem, a suspensão pelo STF, através da ministra Rosa Weber, do processo criminal contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ustra foi chefe do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do II Exército, órgão utilizado para reprimir e torturar opositores do regime de exceção. Na ação suspensa, Ustra é acusado pelo MPF por suposto sequestro e cárcere privado de Edgar de Aquino Duarte, fuzileiro expulso das Forças Armadas e que desapareceu em 1974 após ser preso por outros militares. Há exatos três anos, em 2012, escrevi o post "Casa da Morte". Como na época afirmei, "De deixar qualquer ser normal enojado".  Para que permaneçamos alertas na resistência ao autoritarismo, à repressão e às violações aos direitos humanos, para que nunca mais aconteça, nesse espaço contei, ver aqui.  
[caption id="attachment_4152" align="aligncenter" width="550"] Casa da Morte[/caption] [caption id="" align="aligncenter" width="552"] Inês Etienne, presente![/caption]   “O Corpo dela (da cobra) ao se deslocar, arranhou o meu; chegou a sangrar. Mas o maior trauma foi o cheiro que ela exalava, um fedor que custei a esquecer”. Depoimento de Danton Godinho, jornalista mineiro torturado.
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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