Fantasmas pululam
18/08/2015 | 07h08
Em momentos de crise política, do simples aceno de um incerto vazio no poder, surgem as cassandras, não a verdadeira Cassandra que de fato profetizou a destruição de Tróia pelos gregos. São as velhas e ultrapassadas cassandras da política brasileira, falsas anunciações. Há quem defenda a volta do regime monárquico e tira proveito de um ajuntamento qualquer. Após rechaçar protestos de 2013, Casa Imperial conclamou seguidores a protestarem no último domingo. Há aqueles saudosistas de uma ditadura militar, douram o defunto do "Brasil ame-o ou deixe-o" de triste memória, querem mais é ver o circo pegar fogo. 3 E mais imagens da famigerada intolerância tupiniquim. fora-stf   manifestações impeachment dilma   Lula e Dilma enforcados Em entrevista à Agência Estado, o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da cadeira de Ética e Filosofia Política da USP, defendeu que a pregação da ditadura militar deveria ser criminalizada. “Estamos tendo no Brasil uma tolerância, que é grande, com condutas antidemocráticas que deveriam ser tipificadas como criminosas… Pregar a volta dos militares deveria ser crime, deveria levar a pessoa para a cadeia. Vários países da Europa criminalizaram a pregação nazista. Nós – que tivemos uma ditadura militar – deveríamos criminalizar a pregação da ditadura”, afirmou o filósofo.  
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É da Vida (e de morte). Não dá para calar
28/04/2015 | 12h32
Ontem, morreu Inês Etienne Romeu, aos 72 anos, de insuficiência respiratória. A ex-guerrilheira, única sobrevivente da Casa da Morte - espaço macabro clandestino de torturas, execução e desaparecimento montado pela ditadura militar, no início anos anos 1970, em Petrópolis -, morreu da morte desejada por todos: em casa dormindo. Inês foi a última presa política a ser libertada no Brasil. A única prisioneira a sair viva da Casa da Morte após atravessar 96 dias de tortura. Ela foi importante na construção do direito à memória e à verdade da nossa frágil democracia: só a partir de um depoimento escrito por ela no hospital, em 1971, e entregue à OAB em 1979, quando terminou de cumprir pena, foi possível localizar a casa e identificar parte dos agentes que atuavam no local — entre eles o colaborador dos torturadores, o médico Amílcar Lobo.
— Ela se foi em paz, com tranquilidade, disse um dos irmãos, o jornalista Paulo Romeu. Também ontem foi divulgada, justo ontem, a suspensão pelo STF, através da ministra Rosa Weber, do processo criminal contra o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Ustra foi chefe do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do II Exército, órgão utilizado para reprimir e torturar opositores do regime de exceção. Na ação suspensa, Ustra é acusado pelo MPF por suposto sequestro e cárcere privado de Edgar de Aquino Duarte, fuzileiro expulso das Forças Armadas e que desapareceu em 1974 após ser preso por outros militares. Há exatos três anos, em 2012, escrevi o post "Casa da Morte". Como na época afirmei, "De deixar qualquer ser normal enojado".  Para que permaneçamos alertas na resistência ao autoritarismo, à repressão e às violações aos direitos humanos, para que nunca mais aconteça, nesse espaço contei, ver aqui.  
[caption id="attachment_4152" align="aligncenter" width="550"] Casa da Morte[/caption] [caption id="" align="aligncenter" width="552"] Inês Etienne, presente![/caption]   “O Corpo dela (da cobra) ao se deslocar, arranhou o meu; chegou a sangrar. Mas o maior trauma foi o cheiro que ela exalava, um fedor que custei a esquecer”. Depoimento de Danton Godinho, jornalista mineiro torturado.
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"PRA FRENTE BRASIL"
02/09/2014 | 08h00
É o filme que apresento amanhã (quarta-feira - 3/09), às 19h, no Cine Clube Goitacá. O filme é um dos quatro que integram o ciclo intitulado 'Golpe'. Convido a todos, é bem interessante. O Cine Clube fica no  Ed. Medical Center - Rua 13 de Maio,286, sala 507. Nos encontramos por lá!

"Uma viagem desagradável a um passado bem conhecido. Assim foi novamente assistir ao filme “Pra Frente Brasil” de Roberto Farias, Prêmio do Festival de Gramado, em 1982. Com música de Egberto Gismonti e, Reginaldo Faria, Natália do Valle, Antônio Fagundes e Elizabeth Savalla, no elenco. Retornamos à realidade brasileira de 44 anos atrás. Era 1970, anos de chumbo e do milagre econômico. O Brasil eufórico com a Copa do Mundo sendo disputada no México, onde fomos Tricampeões. Tempo do infame bordão “Brasil, ame-o ou deixe-o”, do General Médici, dos 70 milhões em ação, salve a Seleção. Ainda que tenha sido lançado em 1982, ou seja, depois da Anistia, portanto, da “Abertura, Lenta e Gradual” do último milico no poder, o General Figueiredo; nem a volta dos exilados políticos, nem as eleições gerais, nem o fim do imposto bipartidarismo, foram capazes de impedir que no dia seguinte ao seu lançamento, o filme tenha sido proibido de circular em território nacional, curto e grosso: censurado. A trama começa simples. Jofre Godoi da Fonseca é um cidadão apolítico de classe média. É casado com Marta, tem dois filhos. Miguel, seu irmão, também um cidadão comum, apesar de amar Mariana, uma guerrilheira de esquerda. Quando Jofre divide um táxi com um militante de esquerda, é tido como "perigoso subversivo" pelos órgãos de repressão. É ilegalmente preso, desaparece para ser submetido a sucessivas sessões de tortura. Daí em diante, na tentativa de encontrá-lo, Miguel e Marta encaram todo tipo de intimidação; se surpreendem ao descobrir a relação entre a repressão política e empresários que a patrocinam. Para os órgãos de repressão do regime militar, os dois (e todos os que com eles se relacionam) passam a ser ‘colaboradores comunistas’. O final é dramático. Incomoda".  Luciana Portinho
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Golpe
01/04/2014 | 03h23

Nos 50 anos que nos separam do Golpe Militar, trago considerações para mera reflexão.

O balanço econômico e político do período militar - Luis Nassif

1 de abril de 2014 às 12:33
Luis Nassif - Coluna Econômica - 01/04/2014 Foi um equívoco o editorial da “Folha” sobre o regime militar. Nele, deplora-se a violência, mas considera-se a modernização tecnocrática proporcionada pelo regime.Diz que em vinte anos a economia cresceu 3,5 vezes. Isso equivale a 4,89% ao ano. Ora, nos dezesseis anos anteriores – de 1947 a 1964 – a economia cresceu a 6,7% ao ano, mais do que nos 20 anos seguintes.Era um ciclo ligado à urbanização disponibilizando mão de obra e às políticas de substituição de importações, que se mantiveram durante o período democrático e na ditadura.Em período democrático, o país conseguiu criar grandes estatais, como a Cemig, a Petrobras, a Eletrobrás -, assim como no regime ditatorial criaram a Telebras e outras. *** Vencido o impasse político do momento, nada do que foi construído no período militar não poderia tê-lo sido em regime democrático. Pelo contrário, em um sistema democrático provavelmente a grita da oposição não teria permitido exageros, como a Transamazônica, a Ferrovia do Aço; a Siderbras. *** A democracia imperfeita, de fato, valia-se do uso do Banco do Brasil para cooptar bancadas políticas. Mas a ditadura imperfeita distribuiu benesses a torto e a direito, sem nenhum critério.No período Delfim Netto, enormes extensões de terra na Amazônia foram entregues a grandes empresas, multinacionais e nacionais, sem nenhum compromisso com a colonização; escândalos financeiros de monta, como no Independência Decred ou nas “polonetas”.No período supostamente rigoroso de Ernesto Geisel, a criação pelo Ministro Mário Henrique Simonsen de sistemas de apoio a bancos quebrados permitiram enriquecer os controladores em detrimentos dos depositantes. Sem contar os superinvestimentos induzidos pelos Planos Nacionais de Desenvolvimento. *** Não significa que o regime militar era intrinsicamente corrupto, como não significa que o modelo democrático é intrinsicamente viciado.O grande problema da ditadura foi o enorme desequilíbrio no atendimento das demandas sociais e o enorme atraso provocado na organização da sociedade. *** Nos anos 60 emergiu uma nova geração, que pela primeira vez acordava para os aspectos mais anacrônicos do país, um meio rural onde sequer se pagavam salários, uma pobreza ampla a irrestrita que sequer era atendida. Descobria-se o interior, o nordeste, as favelas, os planos de desenvolvimento econômico (em JK) ou social (em Jango).Havia demagogia, é claro, as lideranças que tentavam se aproveitar desse idealismo, os populistas de ocasião, os pelegos, os radicais. Mas o amadurecimento era questão de tempo, dependia apenas do aprendizado democrático. *** A ditadura ceifou não apenas uma, mas as gerações seguintes, milhares de jovens que poderiam ter se especializado em questões sociais, que poderiam ter desenvolvido soluções para a miséria, somando-se à modernização que ocorreu no mercado de capitais, nas contas públicas, na Receita. Foi a falta de voz que permitiu a concentração desmedida de renda, a deterioração dos serviços públicos ante a urbanização que se acelerava, a sobrevida dos coronéis regionais, a demora em constituir um mercado interno robusto.Só agora, com as manifestações de agosto de 2013, percebe-se uma nova geração com o ímpeto juvenil da geração dos anos 60.
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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