"PRA FRENTE BRASIL"
02/09/2014 | 08h00
É o filme que apresento amanhã (quarta-feira - 3/09), às 19h, no Cine Clube Goitacá. O filme é um dos quatro que integram o ciclo intitulado 'Golpe'. Convido a todos, é bem interessante. O Cine Clube fica no  Ed. Medical Center - Rua 13 de Maio,286, sala 507. Nos encontramos por lá!

"Uma viagem desagradável a um passado bem conhecido. Assim foi novamente assistir ao filme “Pra Frente Brasil” de Roberto Farias, Prêmio do Festival de Gramado, em 1982. Com música de Egberto Gismonti e, Reginaldo Faria, Natália do Valle, Antônio Fagundes e Elizabeth Savalla, no elenco. Retornamos à realidade brasileira de 44 anos atrás. Era 1970, anos de chumbo e do milagre econômico. O Brasil eufórico com a Copa do Mundo sendo disputada no México, onde fomos Tricampeões. Tempo do infame bordão “Brasil, ame-o ou deixe-o”, do General Médici, dos 70 milhões em ação, salve a Seleção. Ainda que tenha sido lançado em 1982, ou seja, depois da Anistia, portanto, da “Abertura, Lenta e Gradual” do último milico no poder, o General Figueiredo; nem a volta dos exilados políticos, nem as eleições gerais, nem o fim do imposto bipartidarismo, foram capazes de impedir que no dia seguinte ao seu lançamento, o filme tenha sido proibido de circular em território nacional, curto e grosso: censurado. A trama começa simples. Jofre Godoi da Fonseca é um cidadão apolítico de classe média. É casado com Marta, tem dois filhos. Miguel, seu irmão, também um cidadão comum, apesar de amar Mariana, uma guerrilheira de esquerda. Quando Jofre divide um táxi com um militante de esquerda, é tido como "perigoso subversivo" pelos órgãos de repressão. É ilegalmente preso, desaparece para ser submetido a sucessivas sessões de tortura. Daí em diante, na tentativa de encontrá-lo, Miguel e Marta encaram todo tipo de intimidação; se surpreendem ao descobrir a relação entre a repressão política e empresários que a patrocinam. Para os órgãos de repressão do regime militar, os dois (e todos os que com eles se relacionam) passam a ser ‘colaboradores comunistas’. O final é dramático. Incomoda".  Luciana Portinho
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Qual a sua opinião?
16/05/2014 | 07h32
Reproduzo post recente do jornalista Nino Bellieny. Dele, transparece seu desconcerto face às manifestações violentas que novamente sacodem o Brasil. Das perguntas que ele nos lança, uma respondo sucintamente. Não existem condições (objetivas e subjetivas), NENHUMA,  de movimento revolucionário no horizonte brasileiro. Tampouco enxergo a possibilidade de Golpe. O que aqui aconteceu em 64 teve o todo apoio dos Estados Unidos da América do Norte, era outro momento histórico, existiam dois blocos econômicos com interesses antagônicos no mundo. Sou esperançosa, não otimista. Apesar de nossa característica cultural conciliadora, carecemos de um mínimo de educação e cultura no país. Soma-se a isso o quadro de uma estúpida desigualdade social. Não existe um Brasil, sim ao menos dois: um menor, dos que vivem com relativo conforto e conhecimento e outro - gigante  - dos que são apartados do conhecimento e das condições dignas de vida. A estes só o consumo de bens e de informação lhes é permitido. E isso não basta para criar nação. Para turvar ainda mais o quadro há uma crise de confiança nas instituições e ainda maior nos representantes destas. A política nacional, modo em que se operam as demandas sociais, caiu em completo descrédito para esse gigante que se sente atordoado. Não enxergo no curto prazo uma guerra civil, no entanto, vejo grandes conflitos sociais possíveis de nos levar a uma crise ainda mais profunda. O futuro nos dirá. É a minha opinião. [caption id="attachment_8119" align="aligncenter" width="540" caption="Imagem do blog do Nino Bellieny"][/caption]

 

A VIOLENTA VOLTA DAS MANIFESTAÇÕES

NinoBellieny 
De novo a Terra de Santa Cruz é sacudida pelos protestos sociais. E o blog em busca de uma melhor definição, busca saber:
11 PERGUNTAS SOBRE AS MANIFESTAÇÕES POPULARES
(Você leitor, responde  nos comentários ou mentalmente. A reflexão ajuda no crescimento)
1- A quem interessa o movimento: ao povo ou aos políticos em campanha?
2- Há uma orquestração com um comando central ou é espontânea por osmose?
3- Qual o motivo de tanta festa quando a Copa foi oficialmente anunciada e agora,  perto da realização, ser alvo de  tantos ataques?
4- A onda vai espraiar-se ou virar tsunami e varrer o país inteiro?
5- Itaperuna, centro regional, foi palco de passeatas no ano passado. Começaram tímidas, cresceram, depois, diminuíram sensivelmente. Voltarão com pressão total?
6- Existe  uma convergência de propósitos e novos líderes, ou o movimento é imprevisível , dependendo de uma faísca para imediata combustão?
7- A oposição política é organizada e unida com propostas definidas?
8- Existe oposição?
9- Como canalizar as insatisfações locais com as nacionais? 10- Justifica-se o uso da violência?
11- Corremos o risco de revoluções, golpes, guerra civil?
A OPINIÃO DO BLOG
Esperando pela sua...
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Golpe
01/04/2014 | 03h23

Nos 50 anos que nos separam do Golpe Militar, trago considerações para mera reflexão.

O balanço econômico e político do período militar - Luis Nassif

1 de abril de 2014 às 12:33
Luis Nassif - Coluna Econômica - 01/04/2014 Foi um equívoco o editorial da “Folha” sobre o regime militar. Nele, deplora-se a violência, mas considera-se a modernização tecnocrática proporcionada pelo regime.Diz que em vinte anos a economia cresceu 3,5 vezes. Isso equivale a 4,89% ao ano. Ora, nos dezesseis anos anteriores – de 1947 a 1964 – a economia cresceu a 6,7% ao ano, mais do que nos 20 anos seguintes.Era um ciclo ligado à urbanização disponibilizando mão de obra e às políticas de substituição de importações, que se mantiveram durante o período democrático e na ditadura.Em período democrático, o país conseguiu criar grandes estatais, como a Cemig, a Petrobras, a Eletrobrás -, assim como no regime ditatorial criaram a Telebras e outras. *** Vencido o impasse político do momento, nada do que foi construído no período militar não poderia tê-lo sido em regime democrático. Pelo contrário, em um sistema democrático provavelmente a grita da oposição não teria permitido exageros, como a Transamazônica, a Ferrovia do Aço; a Siderbras. *** A democracia imperfeita, de fato, valia-se do uso do Banco do Brasil para cooptar bancadas políticas. Mas a ditadura imperfeita distribuiu benesses a torto e a direito, sem nenhum critério.No período Delfim Netto, enormes extensões de terra na Amazônia foram entregues a grandes empresas, multinacionais e nacionais, sem nenhum compromisso com a colonização; escândalos financeiros de monta, como no Independência Decred ou nas “polonetas”.No período supostamente rigoroso de Ernesto Geisel, a criação pelo Ministro Mário Henrique Simonsen de sistemas de apoio a bancos quebrados permitiram enriquecer os controladores em detrimentos dos depositantes. Sem contar os superinvestimentos induzidos pelos Planos Nacionais de Desenvolvimento. *** Não significa que o regime militar era intrinsicamente corrupto, como não significa que o modelo democrático é intrinsicamente viciado.O grande problema da ditadura foi o enorme desequilíbrio no atendimento das demandas sociais e o enorme atraso provocado na organização da sociedade. *** Nos anos 60 emergiu uma nova geração, que pela primeira vez acordava para os aspectos mais anacrônicos do país, um meio rural onde sequer se pagavam salários, uma pobreza ampla a irrestrita que sequer era atendida. Descobria-se o interior, o nordeste, as favelas, os planos de desenvolvimento econômico (em JK) ou social (em Jango).Havia demagogia, é claro, as lideranças que tentavam se aproveitar desse idealismo, os populistas de ocasião, os pelegos, os radicais. Mas o amadurecimento era questão de tempo, dependia apenas do aprendizado democrático. *** A ditadura ceifou não apenas uma, mas as gerações seguintes, milhares de jovens que poderiam ter se especializado em questões sociais, que poderiam ter desenvolvido soluções para a miséria, somando-se à modernização que ocorreu no mercado de capitais, nas contas públicas, na Receita. Foi a falta de voz que permitiu a concentração desmedida de renda, a deterioração dos serviços públicos ante a urbanização que se acelerava, a sobrevida dos coronéis regionais, a demora em constituir um mercado interno robusto.Só agora, com as manifestações de agosto de 2013, percebe-se uma nova geração com o ímpeto juvenil da geração dos anos 60.
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