Burrada infeliz
03/03/2016 | 01h23
De uns tempos pra cá, volta e meia, setores responsáveis pela Educação no Brasil, investem contra autores nacionais consagrados, questionam os mitos e lendas tradicionais, suprimem períodos da História Universal e se viram até mesmo contra a Língua Portuguesa. Passam a impressão de que ao invés de estarem debruçados em solucionar os reais e graves problemas educacionais do país, optam por mostrar serviço aos brasileiros.
Sob o título "Saci Pererê faz mal a cultura nacional" publiquei um post em 31-10-2010.  Há seis anos, o Conselho Nacional de Educação investiu contra a difusão do livro “Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, um de nossos maiores autores de literatura infantil, na rede pública de ensino do país.
A trapalhada pode ser lembrada aqui. Já para esse ano de 2016, o Ministério da Educação resolveu alterar, entre outros,  o currículo de história do ensino médio. História antiga, como Grécia e Roma, passou a ser vista como fruto de uma "visão europeia". História medieval idem. Distante da realidade brasileira, carecem de importância. Em seu lugar, história das Américas, da África e historia indígena. Sobre o assunto, o historiador Marco Antonio Villa assim se manifestou em um artigo publicado em janeiro no Globo: “É um crime de lesa-pátria. Vou comentar somente o currículo de História do ensino médio. Foi simplesmente suprimida a História Antiga. Seguindo a vontade dos comissários-educadores do PT, não teremos mais nenhuma aula que trata da Mesopotâmia ou do Egito. Da herança greco-latina os nossos alunos nada saberão. A filosofia grega para que serve? E a democracia ateniense? E a cultura grega? E a herança romana? E o nascimento do cristianismo? E o Império Romano?”. E tem mais: “Toda a expansão do cristianismo e seus reflexos na cultura ocidental, o mundo islâmico, as Cruzadas, as transformações econômico-políticas, especialmente a partir do século XI, são desprezadas. O Renascimento — em todas as suas variações — foi simplesmente ignorado. Parece mentira, mas, infelizmente, não é. Mas tem mais: a Revolução Industrial não é citada uma vez sequer, assim como a Revolução Francesa ou as revoluções inglesas do século XVII.”
Não por acaso, ou por gratuidade, as redes sociais estampam a caricatura abaixo.
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IRREFUTÁVEL
03/03/2016 | 10h49
Editorial do jornal O Globo, publicado ontem (02). Reproduzimos integralmente pela realidade que nos toca e pelo sensato que é, até bem ponderado.

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Era um desastre anunciado a debacle orçamentária que levou do céu da fartura de recursos ao atual inferno da penúria municípios cujas economias ficaram atreladas, sem diversificação de fontes de receita, ao recebimento de repasses de royalties do petróleo. Após uma década e meia de uma bonança que — desde 1999, com a abertura da participação dessas cidades nos dividendos da commodity — irrigou os cofres das prefeituras e do estado, o fechamento da torneira, consequência das seguidas desvalorizações do preço do barril no mercado internacional e da crise da Petrobras, teve como decorrência a inevitável apresentação da fatura. O duto do dinheiro fácil deu lugar à crise. Em lugar de pavimentar o desenvolvimento das regiões beneficiadas, o petróleo está lhes deixando um legado perverso. A crise, que no Estado do Rio como um todo tem dramática proporção, com atraso no pagamento de funcionários, fechamento de hospitais, escolas deterioradas, em níveis municipais também é assustadora. Claro, há também o efeito da recessão do país. Em cidades do Norte Fluminense, como mostrou reportagem do GLOBO no domingo, o quadro de abandono de projetos pelo meio, obras faraônicas degradadas pela falta de manutenção e outros aspectos administrativos deletérios decorrentes de gestões imprevidentes está diretamente ligado ao encolhimento dos royalties. O estado e as prefeituras nadaram na maré cheia e agora, na vazante, se afogam na própria inépcia. Os municípios desperdiçaram uma notável oportunidade de, com esse fluxo de recursos, pavimentar um crescimento ordenado. Em 1999, cidades fluminenses receberam R$ 222,7 milhões em royalties. Em 2014, os repasses já haviam sido turbinados em 2.000%. Era verba considerável para enfrentar demandas crônicas, principalmente em infraestrutura e outros setores estratégicos. No entanto, o que se viu foi uma gastança irresponsável em obras cosméticas. A prudência, por sua vez, também recomendava que as administrações se preparassem, na fartura, para esperadas quedas na arrecadação. Era uma contingência que não podia ser desprezada. Afinal, como toda commodity, o petróleo se valoriza ou se deprecia ao sabor do mercado. Não deu outra: o preço do barril, que no auge da valorização passou de cem dólares, hoje estagnou-se na faixa dos US$ 30. A crise da corrupção na Petrobras encarregou-se de agravar o quadro. E mais: além de a cotação ter despencado, negligenciou-se a particularidade que esse é um recurso natural não renovável. Mercado à parte, subordinar a economia de um ente público a uma riqueza finita é, no mínimo, gestão temerária. E nem se pode alegar que as administrações foram apanhadas de surpresa. Desde 2008, durante a crise financeira internacional, os sinais já eram preocupantes. A cotação do preço do barril não parou de cair, mas manteve-se a cegueira administrativa. A fatura, mais uma vez, ficará espetada na conta da sociedade.
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Um peso e muitas medidas
14/12/2015 | 11h13
A diretora é reincidente. Usa e abusa da diminuta autoridade que lhe confere o fato de ser nomeada diretora do Centro de Referência da Criança e Adolescente, situado na rua Barão de Miracema, perto da Av.Pelinca. Já em julho de 2014, tínhamos recebido denuncia de servidores que se sentiam discriminados, tratados desigualmente (ver aqui) pela diretora geral.
Ao fato recente
Um paciente estranha que constantemente seja permitido a venda do Plano de Saúde "Mais Saúde Card" dentro do prédio, ou seja, aos usuários do posto, e não permite que se venda guloseimas ainda que na calçada externa ao Centro de Referência. Este paciente surpreso ao ver a moça desmontar a mesinha, na qual vendia água, guaravita, fandango e balas, obteve como resposta: " A diretora não quer que eu venda, mandou eu desmontar e sair da frente daqui". Ainda não atino o que pode levar um ser humano a se julgar acima dos demais, exclusivamente por deter temporariamente uma nomeação para um carguinho qualquer na administração pública.  
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Impeachment X não impeachment
07/12/2015 | 06h46
[caption id="attachment_9470" align="aligncenter" width="548"]FullSizeRender(18) Publicada no jornal Folha de São Paulo, hoje (07).[/caption]
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A reforma que não veio
04/08/2015 | 07h12
Pensava sobre o tempo que o Brasil perdeu, e tempo não se recupera, desde que a redemocratização do país entrou em curso. Bom que se diga: nas duas décadas da ditadura, nenhuma reforma estrutural nem foi sequer esboçada. Ficaram todas para serem realizadas pelos governos eleitos. Talvez o muito pouco que se consegui avançar seja em parte "culpa" dos governos que se seguiram. A outra parte da "culpa" devemos ao perfil retrógrado da absoluta maioria dos nossos congressistas, em última análise defendem exclusivamente interesses dos seus umbigos. Deu no que deu. 60 anos se passaram. Um toma lá dá cá desavergonhado em todas as esferas da administração pública brasileira. Cedeu-se ao caminho aparentemente mais fácil: o da cooptação. Uma sociedade mercê de um desenvolvimento endógeno. O que mudou é porque inevitavelmente haveria de se modificar. Pouco. Uma das ditas reformas necessárias que não aconteceu, é a tributária. Sobre o assunto, trago o artigo abaixo. Vem do blog Balaio do Kotscho. Sugiro a leitura, continua atual.
receita1 Por que quem ganha mais paga menos imposto de renda? O Brasil não é um país pobre, como sabemos, mas é um país profundamente injusto. Os números das declarações de imposto de renda das pessoas físicas entre 2008 e 2014, divulgados pela Receita Federal, mostram porque somos uma das sociedades mais desiguais do mundo: apenas 71 mil contribuintes ficam com 14% da renda total e 22,7% de toda a riqueza produzida no país. Trata-se de uma elite de 0,3% dos declarantes ou 0,05% da população economicamente ativa. Com o título "Jabuticabas tributárias e a desigualdade no Brasil", o jornal Valor Econômico revelou neste final de semana dados impressionantes das distorções do nosso sistema tributário, em artigo assinado por Sergio Gobetti (agradeço ao amigo Thomas Ferreira Jensen por me ter enviado a matéria). Fica mais fácil entender porque quem ganha mais paga, proporcionalmente, menos imposto de renda. Aos números: * Os mais ricos são contemplados com elevadíssima proporção de rendimentos isentos de imposto de renda. Apenas 34,2% da renda são tributados e o restante é totalmente isento de impostos. Para os simples mortais, a imensa maioria, que ganha abaixo de cinco salários mínimos, esta isenção é de apenas 8,3%. * Sobre a renda total, o andar da cobertura paga 2,6% de imposto, enquanto quem ganha de 20 a 40 salários mínimos, a classe média alta, contribui com 10,2%. * A isenção de lucros e dividendos pagos a sócios e acionistas de empresas constitui o que Sergio Gobetti chama de jabuticaba tributária. "Dos 71.440 super ricos  que mencionamos, 51.419 receberam dividendos em 2013 e declararam uma renda média de R$ 4,5 milhões, pagando um imposto de apenas 1,8% sobre toda sua renda. A justificativa para esta isenção é evitar que o lucro, já tributado ao nível da empresa, seja novamente taxado quando se converte em renda pessoal, com a distribuição de dividendos". É por isso que os donos do poder político e econômico não podem nem ouvir falar em reforma tributária. Tão importante quanto a reforma política, que também ficou para as calendas, a tributária poderia taxar as grandes fortunas, cobrar mais imposto de quem ganha mais, a começar pelos lucros dos bancos, que continuam batendo recordes a cada trimestre. E é exatamente pelo mesmo motivo que o ajuste fiscal penaliza mais os trabalhadores do que o topo da pirâmide. Na França, a tributação total do lucro, integrando pessoa jurídica e pessoa física, chega a 64%; na Alemanha, a 48%; nos Estados Unidos, a 57%. "Em resumo, o Brasil possui uma carga tributária equivalente à média dos países da OCDE, por volta dos 35% do PIB, mas tributa muito pouco a renda, principalmente dos mais ricos, e sobretaxa a produção e o consumo", conclui a matéria do Valor. E vamos que vamos. Para onde?
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Casas da Mãe
15/07/2015 | 11h25
Existem casas e casas. Ontem o Brasil inteiro lembrou-se daquela famosa. A Casa da Dinda que é delle, não é dos brasileiros, volta ao noticiário 23 anos após figurar em toda mídia por conta do processo do impeachment do dono da casa, o ex-presidente, hoje senador Fernando Collor. Andava ausente do imaginário brasileiro. Pois está lá ela, de plaquinha nova, desenho de letras bem delicado. O espaço é como cartola de coelho, faz aparecer o impensável. Dela, ontem (14)  foram retirados três automóveis de bacana: um Porsche, uma Ferrari, além de um modelo quase exclusivo da Lamborghini. [caption id="" align="aligncenter" width="550"]Lamborghini de Collor é avaliado hoje em mais de R$ 3,2 milhões e é mais exclusivo que o modelo de Eike Batista por causa da cor e do teto removível Pedro Ladeira/Folhapress[/caption] Pelo olhar do dono, não esperava por essa. Aliás, os nobilíssimos congressistas que estavam no camarote assistindo a operação da Lava Jato surrar o governo e o partido do governo, como se só esses representassem a mixórdia da política nacional, desceram do camarote. FullSizeRender(14)      
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Gracinha com o chapéu dos outros
03/07/2015 | 09h22
Comprar o futuro político deles às  custas de um significativo endividamento para o campista é falta de humanidade. Eles  sabem que empobrecerão Campos ao sangrar o orçamento - receitas futuras - com juros exorbitantes da dívida que querem porque querem contrair. image        
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Retornando...
19/06/2015 | 10h38
Volto à casa, real e virtual. Por mais que tenha tentado me manter informada sobre os acontecimentos no país e em Campos, reconheço: distante do foco estive. Como da primeira vez que aqui cheguei, a chuva (água) me recebeu. É bom presságio, tanto para mim quanto para a região e, particularmente, para o sudeste. É interessante lembrar, do que pude acompanhar pela mídia, nada de substancial foi alterado no nível dos reservatórios de São Paulo e Rio de Janeiro. Continuamos estacionados no tétrico "nível morto". No "nível morto" também, se não me equivoco na avaliação, continua a prática política dos atuais detentores do poder público municipal. Como novidade na conjuntura política local é a cada vez mais arrojada movimentação e organização da sociedade civil campista agastada com o caduco, repetitivo e falso proselitismo oficial. Uma luz! Isso tudo e tudo o mais será assunto para futuras publicações. Faço o agradecimento aos leitores pela leitura do blog ainda que tenha ficado sem atualizações. Sigamos!      
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Opaco e catiço
26/05/2015 | 11h52
Tirar 0,9 em uma avaliação de 0 a 10, é algo bem constrangedor para qualquer um. Zero vírgula nove é nota escabrosa, indicadora de zero de esforço e décimos de enganação. Assim foi Campos, ou melhor, assim foi avaliado o governo municipal atual pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro. A análise, como informou o Blog do Bastos (aqui),  é feita com base na Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11), na Lei da Transparência (Lei Complementar nº 131/2009)  e no Decreto 7.185/10, que determinam a forma como deve ser a transparência administrativa do setor público. Englobou o governo do Estado do Rio de Janeiro e as 92 prefeituras. Ficamos mais uma vez com cara de tacho ao escorregar na 72ª colocação. Aliás, final de fila parece que é o destino final desta administração que não dialoga com a sociedade civil. E foi também assim que há mais de seis anos a atual prefeita Rosinha Garotinho se elegeu. Omitiu de cabeça pensada o nome do esposo Garotinho que na ocasião, com pesquisas eleitorais na mão, desaconselhava associar o sobrenome dele ao seu.  Transparência? Dizem que pau que nasce torto, cresce torto, morre torto. opaco Ps. só não venham com o discurso opaco e catiço de imputar os males que se abatem no campista à queda internacional do valor do petróleo.  
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Funesto
19/05/2015 | 08h02

Em manifestação com 50 pessoas na Paulista, Lobão ataca FHC e tucanos

Símbolo dos manifestantes anti-PT, o cantor Lobão atribuiu a posição contrária ao impeachment de Dilma Rousseff do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso a um "conluio histórico" de tucanos e petistas. [caption id="attachment_9006" align="alignleft" width="300"]Lobao foto. catracalivre.com.br[/caption] "Isso é típico do PSDB. O PSDB tem um conluio histórico com o PT. O social-democrata sempre foi uma escadinha para o socialista desde os mencheviques", disse Lobão, pouco depois de chegar ao vão do Masp, onde uma manifestação pró-impeachment reuniu cerca de 50 pessoas, neste domingo (17). O Partido Social-Democrata Russo, que iniciou a Revolução de 1917, era dividido nas correntes bolchevique e menchevique. A primeira, liderada por Lênin, era favorável à ditadura do proletariado e a segunda pregava a negociação com a burguesia. Todo social-democrata é um comunistinha lustroso. São mais bem letrados, mas não só toleram os comunistas como admiram mesmo os comunistas", completou. Lobão foi a estrela da manifestação. Assediado para tirar fotos em celulares, posou batendo uma panela e depois minimizou o fato da manifestação de hoje ter reunido apenas uns "poucos e barulhentos". "Se está diminuindo o povo, não interessa. Qualquer manifestação é saudável, legítima e necessária. O impeachment é uma questão de tempo. Essa massa surgiu espontaneamente, sem organização nenhuma e tem o intuito de reforçar a marcha que vai chegar em Brasília no dia 27". Vestidos de verde e amarelo, os manifestantes batiam panelas e gritavam slogans como "Lula cachaceiro, devolve o meu dinheiro" ou "O PT roubou", mimetizando o grito das arquibancadas "o campeão voltou".
 Publicado na Folha de São Paulo em 17/05/15
 
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