PAPITO
25/01/2013 | 08h18
PAPITO Luciana Portinho Meu pai quando sentia necessidade de sua intervenção, o fazia sem sofreguidão. Esperava o momento e local adequados. Passavamos, naquela época, muitos fins de semana no sítio. Naquele ambiente idílico do Cuiabá, eu o ouviria com atenção redobrada, ele sabia. A família instalada, cada um envolvido em particular distração. Sem mais nem menos, me convidava. "Luciana, vamos dar uma andada"? Nunca disse não ao convite. Ele, então, passava a mão em uma das bengalas e lá iamos os dois para a estrada, a cachorrada atrás. Propositalmente (creio, hoje) a passada era lenta; no ritmo de um passeio. Entre comentários sobre o clima, ou uma página do jornal, ele estancava, eu também. Aí, ele se virava para mim, pousava a sua mão direita no meu ombro direito e gravemente soltava..."Antes ser cabeça de formiga a rabo de elefante". Aos ouvidos de outros, poderia parecer sem nexo. Aos meus cravava certeiro.Quase sempre repetia, já de lado, após me oferecer seu braço de apoio. Andando de braços enlaçados, faziamos meia volta. Concordasse, ou não, com ele, no momento, era o de menos. Me recordaria por toda uma vida. [caption id="attachment_5679" align="aligncenter" width="600" caption="Fotografia de Antonio Cruz"][/caption]

 

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