Palavras Cantadas
09/12/2012 | 12h41
Luciana Portinho Sábado, (8/12), às 20h, no Palácio Cultural de São João de Barra, o jornalista Aloysio Balbi lança o seu novo livro, “São João da Barra — Do Porto ao Pontal”. É o terceiro de uma série de sete que ao todo será lançada nos próximos anos. A proposta é cobrir os municípios do Norte Fluminense por onde os Sete Capitães deixaram sua marca. Os anteriores foram “São Fidélis — História Consagrada” (2009) e “Quissamã — A Raiz de uma História” (2011). O livro, apesar de se referenciar a São João de Barra, não é um livro de história, mas, conta a história. Não daquele modo acadêmico, restrito à racionalidade. O livro não é político, mas, como um jornalista escritor, não enxergaria a política nas circunstâncias da vida vivida ou a viver. [caption id="attachment_5371" align="aligncenter" width="500" caption="Capa do Livro de Aloysio Balbi"][/caption]

 

Com o selo das Ongs Sete Capitães e IRLA, a edição foi integralmente produzida pelo Grupo MPE, assim como as demais. Finalmente acabado, já na capa uma foto deslumbrante, do ilustre fotógrafo campista Dudu Linhares. Nela, os elementos da natureza do Pontal e do homem nativo em integrado desafio marítimo. No prefácio ninguém menos do que o colega de profissão, o jornalista afamado da Globonews e editorialista do Jornal O Globo, George Vidor. Com o título, o autor fez uma paródia. Afinal foi no século XVIII que São João da Barra deu seu primeiro toque de modernidade na construção de um importante porto. “Tudo começou em Atafona, cuja origem árabe significa “moinho de vento”. No início se chamou São João da Praia, lindo nome dado pelo navegador Lourenço do Espírito Santo. Ele que chegou em 1624, vindo de Cabo Frio, ao ver o Delta do Paraíba se encantou. No entanto, sua mulher foi tragada pelas mesmas águas e morreu (a lenda diz que ganhou forma de bela sereia). Pelo infortúnio da perda foi movido Lourenço; deu as costas para o mar, avançou pelo rio e fundou o porto de São João da Barra que veio a impulsionar o progresso, inclusive o de Campos”, relata Balbi. Talvez, inspirado pelo o vento no moinho de sua afetividade, o livro ganhou forma de prosódia, segue cantado em palavras e parágrafos corridos. No princípio não foi intencional, mas, ele reparando o ter iniciado assim seguiu motivado a buscar sons afins, não rimas, como ele adverte por não se considerar poeta. “Sempre veraneei em Atafona, sou hoje um atafonense de inverno. Aquilo lá é para mim sinônimo de poesia e serenata, me faz pensar em Hervê e meu pai. Aborda fatos reais como o porre de Raul Seixas, com cachaça Praianinha que o impediu de cantar, em meados de 80. Faço uma história arejada, uma história pop. É um passeio sobre a orla da história, sem se preocupar com a velocidade do vento... abri as velas simplesmente. É uma história recontada, cantada e não requentada”, frisa ele. Aloysio Balbi quando jovem sonhou em ser músico. Participou, ganhando, em festivais, tem até música sua rodando no Youtube. Embora ainda seja instrumentista e seus amigos apostassem de que seria mesmo compositor, abandonou tudo, menos o ouvido para a musicalidade. Ele exerce a profissão de jornalista há 35 anos. É repórter do Jornal O Globo em Campos há 30 anos. Está no Jornal Folha da Manhã, desde 1981, de forma ininterrupta e, nos dias atuais, tem o orgulho de ser o mais antigo da redação. Não por acaso, “herdou” a mesa de trabalho no meio da redação da Folha que pertenceu ao fundador do jornal, o jornalista Aluysio Cardoso Barbosa. — Ao escrever, fugi do personalismo. O resultado é um livro de editora, de custo alto, íntegro. Sem o apoio da MPE, sem um grupo econômico por trás, o livro não teria a qualidade estética final. O livro São João da Barra, Do Porto ao Pontal, é dedicado à memória de dois mestres queridos: a meu pai, o também jornalista e escritor Luiz de Gonzaga Balbi e ao jornalista por excelência Aluysio Cardoso Barbosa. Com sua morte me senti inseguro, Aluysio me dava boa parte das respostas que eu queria. Ele tinha o poder de solucionar os problemas de quem ele gostava. Senti-me meio órfão, assim como quando perdi meu pai — disse Balbi. Nas palavras do próprio autor, “Este livro tenta ser um pouco colante, um pouco sexy que, ao ser lido, permite um relax, um calmante, como quem tenta parar um instante, pedindo ajuda ao senhor do tempo, dono de todos os momentos, de todos os segundos, dono da permanência de cada um neste mundo”.
Matéria publicada na edição da Folha da Manhã, sábado (8/12), na Capa da Folha Dois.
 
   
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