Isso é ridículo, breguice, caô
05/06/2013 | 12h32

Mais,  é mordaça inculta, desconhece a Liberdade de Imprensa. "Caderninho" tinham os carrascos da ditadura, demais pra mim.lp

A REFORMA ADMINISTRATIVA EM CAMPOS

 
Começou a reforma administrativa em Campos e a dança das cadeiras. Conta-se que na Lapa não existe ninguém que não esteja torcendo para que Linda Mara venha a sentar na cadeira de vereadora em Campos. A presença de Linda Mara na Câmara é a demonstração inequívoca da prefeita Rosinha Garotinho de dar o tom dos próximos meses de seu mandato. Tudo começa com as declarações do Deputado Federal Garotinho sobre a relação dele e a Folha. É claro, a Folha tinha duas entrevistas antigas e procedeu as publicações. Mas o que mais se fala na Lapa é que o Secretário que passar notinhas ou conceder entrevista a Folha da Manhã começa a ter o seu nome anotado em um caderninho, separado para aqueles acostumados a prática do 'adultério político'. Garotinho disse: "Quem der entrevista a Folha não precisa procurar ele para tomar café". Isso é um direito dele. A Folha tem mania de colocar as pessoas na geladeira, não divulgar fotos. Proíbe até a divulgação de fotografia de parentes e etc. A censura da Folha sempre foi braba. Agora ela está provando do seu próprio veneno. "Pelanca encontrou o cozinheiro". A briga com Garotinho, realmente não deve ser boa para a Folha. Sábado no programa Entrevista Coletiva, Garotinho deve dar o tom para a Folha da Manhã, ainda que por telefone. A Folha não perde por esperar...
 
 
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Vida Inteligente na FLIP
24/05/2013 | 04h17
[caption id="attachment_6346" align="alignleft" width="300" caption="divulgação"][/caption] Flip — Festa Literária Internacional de Paraty — evento literário internacional de maior charme no Brasil, inaugura a segunda década do evento, no dia 3 de julho. A 11ª edição da festa traz Graciliano Ramos como o autor homenageado. Pelo profissionalismo do evento em anos anteriores, pode-se afirmar com antecedência que o escritor alagoano estará presente, de escrita e alma, nos temas das mesas, que serão abordados pelos convidados nacionais e internacionais. São cinco dias — entre 3 e 7 de julho — em que a literatura é falada nas mais variadas abordagens. Mais de 40 convidados, entre brasileiros e estrangeiros estarão no palco da Flip. Composta de uma conferência de abertura e 20 mesas que reúnem para uma conversa informal convidados dos mais variados horizontes (escritores, cineastas, quadrinistas, historiadores, jornalistas e artistas plásticos, entre outros), a programação principal da Flip é realizada na Tenda dos Autores que possui um auditório com 850 lugares. Todos os eventos contam com tradução simultânea e são transmitidos na Tenda do Telão, com capacidade para 1,4 mil pessoas, e ao vivo, pela internet. Na Flip 2013, o modo de criação mais livre se reafirma através dos escritores contemporâneos. A poesia está em meio à prosa, o ensaio mostra a sua cara como gênero literário e microrrelatos em obras de ficção assinalam o singular de cada autor. “Contra o dogmatismo que pretende estabelecer um modelo único de escrita, a Festa Literária Internacional de Paraty aposta numa multiplicação de escritas possíveis, pressupondo que a literatura estará sempre ligada ao próprio tempo, mas de maneiras tão diversas quanto as experiências de seus criadores”, afirma Miguel Conde, curador da Flip 2013. A conferência de abertura, às 19h, no dia 3 de julho, “Graciliano Ramos: aspereza do mundo e concisão da linguagem” será feita por Milton Hatoum. Filho de imigrantes libaneses, Milton Hatoum nasceu em Manaus, em 1952. Em seu romance “Cinzas do Norte” (2005), vencedor do prêmio Jabuti na categoria Livro do Ano, expõe sua visão íntima da geração que viveu sob a ditadura dos anos 1970. Com obras traduzidas em 12 idiomas, está entre os autores brasileiros mais lidos no exterior. Logo após, Gilberto Gil fará o show na noite de abertura do evento. O repertório do show pinça faixas representativas de 50 anos de palco. Acompanhado do filho Bem Gil (violão e guitarras) e do músico Gustavo Di Dalva (percussão), Gil relembra canções seminais compostas nas diversas fases de sua carreira. Pensando na multiplicidade de abordagens, entre outros, o curador trará nomes que vão do poeta TamimAlBarghouti, figura central na primavera árabe, ao romancista Michel Houellebecq. Narrador ácido e observador crítico do mundo contemporâneo e de suas relações, Houellebecq ganhou o Goncourt em 2010 com o romance “Partículas Elementares”, é considerado um dos grandes nomes da atual prosa francesa. Especialista em contos e narrativas concisas, a norte-americana Lydia Davis, finalista do Man Booker International Prize 2013, falará de obras de sua autoria que não raro transitam entre ficção, ensaio e poesia. Já a franco-iraniana Lila Azam Zanganeh trará para o palco da Flip sua leitura original da obra de Vladimir Nabokov, tido por ela como o “grande escritor da felicidade”. A venda de ingressos para a 11ª edição da Flip começa às 10h do dia 10 de junho. Para a tenda dos autores custarão R$ 46, para a tenda do telão, R$ 12, e para o show de abertura R$ 22 (pista) e R$ 46 (cadeira). Devida à imensa procura, há limite de dois ingressos por pessoa de acordo com o CPF do comprador. Luciana Portinho Folha Letras de hoje, 24/05.  
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Confissões da Leoa
09/11/2012 | 05h55
Confissões da Leoa Luciana Portinho Em um país de histórias contadas (são mais de 20 línguas faladas), ou seja, com acentuada oralidade, pertencendo a um continente em que a feitiçaria permeia a vida, o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto (como ele faz questão de se identificar), está no Brasil para lançar seu 12º livro, “A Confissão da Leoa”. O romance leva o selo da Companhia das Letras e traz pa-ra a ficção a terrível sucessão de mortes violentas que assistiu, enquanto trabalhava em estudos ambientais em uma aldeia no Norte de Moçambique. Do total de 26 vítimas fatais — foram literalmente devoradas  — só uma masculina. Todas causadas por ataques de leões, “Em pleno século XXI, isto me perturbou muito”, diz Couto. Em “A confissão da Leoa”, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. Um tarimbado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Ao chegar lá, ele se vê em uma teia de relações complexas e enigmáticas. Fatos, lendas e mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em discordância com a família e os vizinhos, desenvolve suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. O livro é narrado pelos dois, Arcanjo e Mariamar, sempre em primeira pessoa. No decorrer da história, o leitor saberá que eles já travaram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia. O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmo, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos. Na verdade, os moradores locais acreditavam que as mortes não foram provocadas por leões de carne e osso, mas por criaturas de um mundo invisível, onde a espingarda perde sua eficácia. Em recente entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Mia Couto, afirmou que a despeito de seu olhar cientifico, condição que a biologia lhe proporciona, é na poesia que encontra as explicações. Aliás, a poesia é o seu território, “Sou um contador de histórias, não me tomo muito a sério. A escrita para mim acontece, não é uma missão, posso perdê-la. Leitor pouco disciplinado, leio compulsivamente poesia. Há escritores brasileiros que me marcaram imensamente. Quase todos, do lado da po-esia. São eles: Drummond, João Cabral, Manoel de Barros, Adélia Prado, Hilda Hilst. E é claro, mais do que todos, João Guimarães Ro-sa, sobretudo pela poesia que mora na sua prosa”, destaca o escritor moçambicano. Homem simples, Mia Couto é de fala mansa, raciocínio ágil e gentil. Atribui essa última característica à cultura pátria, “Moçambicanos são muito gentis. Na retórica, do jornalista ao camponês, não dizem NÃO”. Ao falar da língua portuguesa, externa esse fino trato, “Não seria capaz de viver em um país que não fosse de língua portuguesa, é o meu edifício literário. A língua não está sozinha, há um afeto. Cada qual pertence a um tempo, um lugar. Tenho que ter raiz, tenho que ter asas”, observa. Segundo o escritor, Moçambique é um país sem tradição literária, no qual o livro circula pouco. Uma tiragem de cinco mil exemplares é extraordinária. Ele lembra de que na época da independência, ano de1975, 95% da população era analfabeta. Fato que justifica o ditado popular africano ‘um velho morre, uma biblioteca que arde’. Indagado sobre os males contemporâneos como tédio e amargura ele não vacilou, “O desgosto pede a sua contraparte. Este sentimento de perda e de desorientação será certamente temporário. Vão nascer o gosto, a esperança e novas utopias serão criadas. Faz parte de a condição humana criar essas narrativas carregadas de futuro”. Mesmo se mantendo em uma posição de estranhamento com relação a prêmios literários. Para  para ele, cada escritor carrega em si um universo único, não mensurável e incomparável-, Mia Couto é o vencedor do prêmio instituído pela Universidade de Évora (Portugal) Vergílio Ferreira, em 1999, pelo conjunto de sua obra e, em 2007, do prêmio União Latina de Literaturas Românicas. * Folha Letras, Folha da Manhã, sexta-feira, 09/11.
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