Da Flip 2015, primeiras impressões
02/07/2015 | 11h16
Com 43 autores - 11 são poetas - e o escritor brasileiro modernista Mario de Andrade (1893 - 1945) como homenageado, ontem (01) teve início a 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A cidade histórica durante os cinco dias do evento, será aos poucos tomada por uma gente misturada que veio assistir aos debates, encontros e mostras. Ainda que a recessão econômica do presente afete toda e qualquer iniciativa no país, a Flip, logo na abertura, deu mostra da seriedade e qualidade com que é elaborada desde a primeira edição há mais de uma década. O evento cultural, segundo os organizadores (Associação Casa Azul) não é mais um evento “de fora” ao paratiense; está fincado nos quatro cantos do Centro Histórico, movimenta a economia do turismo local, já faz parte do território, mesmo que tenha tido seu orçamento diminuído. Se em 2014 a Flip contou com R$ 8.5 milhões este ano recebeu R$ 7,5 milhões. Não é nada, não é nada – outros talvez cancelassem a festa em total descompromisso com o cativo público -, pois aqui se observa que o fundamental do movimento cultural está assegurado, o supérfluo sofreu cortes e a Flip 2015 acontece firme apesar de. Intitulada “As margens de Mário” foi a mesa da sessão de abertura da Flip 2015. Dela, participaram a crítica literária argentina Beatriz Sarlo, a ensaísta paulista Eliane Robert Moraes e o carioca estudioso do modernismo brasileiro, Eduardo Jardim. Antes, um vídeo com o artista e músico pernambucano Antonio Nóbrega. A proposta é alargar o olhar como o fez Mario de Andrade em suas incursões inquietas pelo Brasil; nas palavras de Nóbrega “O dia que descobrirmos esse olhar seremos um país melhor”, ou como disse Beatriz Sarlo ao fazer paralelo entre os dois países sul-americanos - Argentina e Brasil – trata-se de pensar “carência e conflito” deste país não apenas multicultural, mas, “ricamente multicultural”. "Eu sou trezentos, sou trezentos- e-cinquenta, Mas um dia afinal me encontrarei comigo..." Mário de Andrade FullSizeRender(11) FullSizeRender(12) FullSizeRender(13)  
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Soffiati na ACL!
31/05/2013 | 02h05
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Uma Academia para os mortais
06/03/2013 | 06h52
[caption id="attachment_5881" align="aligncenter" width="550" caption="Ft. Edu Prudencio"][/caption]

 

Com um plenário cheio, a noite da última segunda-feira foi de encontros e reencontros festivos, na Academia Campista de Letras. Aliás, uma noite um pouco atípica, ainda que solene, com a posse daqueles que o acadêmico Vilmar Rangel, na posição de cerimonialista, assim nominou: “A posse dos novos três poderes da ACL, para o biênio 2013/2014”. Além dos aguardados discursos elegantes na escrita, pungentes ao falar, certa irreverência se fez presente na mesa principal dos trabalhos. Ao lado de autoridades municipais e personalidades da intelectualidade campista, cenouras de papel e um coelho de pelúcia além do humano, o professor Hélio Coelho de Freitas, que foi conduzido à presidência da academia, juntos com os outros 13 acadêmicos nos cargos de diretores, conselheiros e assessores culturais. O primeiro a falar foi o acadêmico e ex-presidente Elmar Martins ao ler o “Discurso de desposse”. Nas dez páginas digitadas, se despediu agradecendo o apoio no mandato que, por vontade alheia a sua, se estendeu por quatro anos, à frente da instituição. Com rara habilidade misturou os filósofos gregos, poetas modernos, as pinturas rupestres e o humor ao alinhavar o texto com um bordão, “Eu faço Versos?... E só aos poetas é possível expressar em uma só palavra o universo de agradecimentos a todos quanto os devo”. De comum, entre os acadêmicos que usaram da palavra e os acadêmicos no recinto, a esperança depositada no presidente empossado de saber conduzir o processo de revitalização da vida na Academia; de um novo passo coletivo na renovação de seus quadros, da sabedoria na conservação de sua história e legado. Ao citar (em epígrafe) o alemão, Johann Wolfgang Von Goethe, “A vida é a infância de nossa imortalidade!”, Hélio Coelho — na ACL, ocupa a cadeira do poeta Antonio Roberto Fernandes — assim abordou a imortalidade que aos acadêmicos lhe é conferida. — Ser jovem não é se drogar de juventude, ser maduro é saber envelhecer e trago Bernard Shaw para nos advertir: “Não tente viver para sempre: você não se sairá bem!”. Sou fiel ao entendimento de que a denominação de imortal é inadequada para o intelectual em vida. Depois, sim, na hora do inventário de sua vida e sua obra, quando ficar evidenciado que não enterraram ao mesmo tempo seu corpo e sua obra, aí então a imortalidade impõe-se como o coroamento de sua existência. Creio ser este o sentido da fala de Goethe, em epígrafe —, e prosseguiu, “Não se pode conceber o que fazer intelectual como expressão de narcisismos nem de be-letrismos em castelos nas nuvens ou torres inacessíveis aos homens e mulheres de carne osso, como se estes fossem mortais indignos de conviver com os supostos ‘imortais’. O ser ‘imortal’ só se justifica num ‘curriculum mortis’ que autorize a perpetuação de seu nome, da contribuição à cultura de sua Terra, da singularidade de sua obra e dos desdobramentos de sua visão de mundo, do homem e das coisas. Imortal só se justifica na dimensão do que se coloca como transcendência, não a transcendência como escape, refúgio nas torres de além-mundo, mas a transcendência que dá significação à vida enquanto práxis e que, como todos os engajamentos, “não basta ser vivida, é preciso ser sonhada”, como a vivenciou Quintana”. O incremento na inserção social da ACL esteve evidenciado em todas as conversas da noite. Para o professor de arte e acadêmico Renato Marion Aquino, “O momento é muito importante, representa uma renovação. Hélio Coelho detém dons e currículo, ainda que um jovem acadêmico. Muitos dos que assumem os cargos agora, o fazem pela primeira vez. Cada qual tem o que dizer, carrega conteúdo, sabe como fazer. Antevejo uma época profícua conjugada à preservação do passado”, frisou Renato Aquino. Ao final de seu discurso, Hélio Coelho fez questão de esclarecer a ausência do nome de Vilmar Rangel da chapa empossada, “Vilmar declinou de integrar nossa gestão por razões de ordem particulares que respeitamos. Todos sabem que é um intelectual de grande porte, um zeloso administrador, é uma peça fundamental na engrenagem da ACL, rendo aqui particular homenagem”, exclamou Hélio ao pedir uma salva de palmas da plateia. Esse foi o tom da Academia Campista de Letras, na noite de segunda-feira passada, que ainda contou com a apresentação do Coro Municipal/ Orquestrando a Vida e do Conjunto de Choro, Regra Três. Luciana Portinho Capa da Folha Dois de hoje, (06/03).
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Um novo tempo para a Academia
04/03/2013 | 02h55
[caption id="attachment_5860" align="aligncenter" width="450" caption="ft. Folha da Manhã"][/caption]

 

Nascimento é dia de comemoração assim como posse invariavelmente é festiva. Em se tratando da posse da nova diretoria, de a instituição mais emblemática da Cultura de Campos, a Academia Campista de Letras, o evento solene é de amplo congraçamento. A solenidade será hoje em sua sede, na Praça Dr. Nilo Peçanha (Jardim São Benedito), com início às 19h30. Uma nova diretoria toma posse, um novo conselho fiscal, uma nova assessoria cultural, para o biênio 2013/2014. Assumem: Hélio de Freitas Coelho, Presidente; Fernando da Silveira, 1º Vice-presidente; Gilda Wagner Coutinho, 2º Vice-presidente; Heloisa Helena Crespo Henriques, 1ª Secretária; Herbson da Rocha Freitas, 2º Secretário; Sylvia Márcia da Silva Paes, 1ª Tesoureira; Wellington Paes, 2º Tesoureiro e Aristides Arthur Soffiati Netto, Diretor de Patrimônio. O professor Hélio de Freitas Coelho foi, por unanimidade, eleito no final do ano passado o novo presidente, na Chapa Unidade e Amor à Academia. Para o acadêmico e professor Fernando da Silveira, é uma honra levar Hélio Coelho à presidência, “Sem dúvida alguma, Hélio é um dos maiores acadêmicos, embora jovem, com pouco tempo de academia. É um dos maiores professores no magistério universitário local, querido por alunos, respeitado por colegas. É um ensaísta, um compositor, um professor de história com embasamento sociológico. É mesmo um dia de festa, ele traz à academia a imagem da juventude, essa renovação. Ao elegê-lo a ACL mostrou que quer renovação”, frisa Fernando da Silveira. — Minha eleição vem em momento de grande maturidade intelectual e pessoal. Minha trajetória confirma o valor da democracia que trago, vamos conviver com a diversidade na certeza de que haverá um trabalho conjunto. Não será o presidente Hélio Coelho que fará isso ou aquilo. Faremos uma gestão para difusão do conhecimento. Queremos colaborar em despertar o jovem para o encantamento que é a poesia, a música. A ACL não pode se restringir a ser um espaço de puro beletrismo e sim um centro de produção, um espaço de sedução de novos valores e talentos -, afirma o novo presidente. Partindo desse entendimento, Hélio Coelho de pronto aceitou o convite de parceria com o jornal Folha da Manhã. A partir de agora, em toda terceira sexta do mês, a ACL ocupará a página da Folha Letras. “Nessa primeira página de março, farei o artigo de abertura reconstruindo um pouco o histórico da Academia, como a instituição se situa na seara cultural de Campos. Daí para frente, a cada mês, um acadêmico escreverá sobre teoria literária ou sobre assunto de relevância literária”, esclarece. Hélio Coelho compreende que uma casa com o perfil da Academia Campista de Letras não pode estabelecer hierarquização de saberes. “São diferentes os olhares, temos formas diversas e conteúdos que acrescentam ao mundo das letras. A diversidade é um desafio. No espaço das letras existem eventos artísticos que nos últimos anos a impulsionaram. A nós, cabe o reconhecimento das múltiplas manifestações”. Originariamente a ACL é composta de 40 membros. Na atualidade existem 10 vagas abertas, por motivo de falecimento do titular. Por isso, uma das primeiras tarefas que o novo presidente anunciou será o de abrir o Edital Público dando conhecimento à sociedade. Nele é divulgado o prazo aos interessados para que se apresentem, mostrem as credenciais, seu trabalho e ações na área cultural. Os pretendentes são então avaliados por comissão formada especialmente para esse fim, sendo então submetidos à eleição pelos acadêmicos. Para ser um acadêmico não é exigido ter uma obra publicada. Agora, é sim necessário que tenha uma atividade reconhecida na área cultural, nas letras, na arte, que seja portador do conhecimento e amor à cultura. Unidade de pensamento expressa também o acadêmico, professor e poeta Joel Ferreira Mello para quem, Hélio Coelho à frente da ACL significa uma fase nova. “É uma investida em retomar uma dinâmica própria. A entrevista dele à Folha, em 10 de dezembro passado, representa o nosso pensamento, o da admissão de novos membros, edição de livros; estamos de braços abertos à comunidade”, ressalta o acadêmico. Personalidades destacadas da intelectualidade campista, ainda que não integrem os quadros da academia como o teatrólogo e articulista da Folha, Fernando Rossi, falam com entusiasmo do novo cargo que o professor assume: “Ele foi meu professor, reconhecidamente ligado à Cultura, sensível, vai agregar sangue novo à academia”, diz Rossi. Consciente da “articulação dialética entre os livros e a vida”, com 45 anos de magistério e 65 anos de vida vivida, Hélio Coelho é pai de quatro filhos, evoca a sua vida com orgulho por ter servido à sua terra. Luciana Portinho

Capa da Folha Dois de hoje (04/03)

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Incentivo à leitura longe do ideal em Campos
01/02/2013 | 11h43
Para atingir a meta prescrita na Lei 12.244 de 2010, o Brasil precisa criar 130 mil bibliotecas até 2020. A mesma lei determina a existência de pelo menos um livro por aluno em cada instituição de ensino público e privado do país. Atualmente, da rede pública brasileira apenas 27,5% das escolas têm biblioteca. Nacionalmente, segundo levantamento do movimento “Todos pela Educação”, para equipar todas as unidades escolares, seria necessário, nada menos, do que construir 34 unidades por dia. Em Campos, se-gundo dados da secretaria Municipal de Educação, com cerca de 60 mil estudantes na rede pública municipal, das 165 escolas e 79 creches, existem bibliotecas aproximadamente 100 delas e o  total de livros disponíveis não foi quantificado. Além das bibliotecas, existem as salas de leitura nas unidades de ensino de Campos. São 38 salas de leitura; estas são espaços destinados a leitura, mas, não contam com a presença do bibliotecário e sim de professores denominados “incentivadores da leitura” que percorrem as escolas da rede municipal através do Programa Municipal de Incentivo à Leitura “Ler para Ser”. A coordenadora do programa Maria Auxiliadora Martins explica que são quatro profissionais no programa. “Às vezes há pouco espaço na escola para o funcionamento de uma biblioteca, o que não nos impede de trabalhar a leitura na escola. Nossa equipe é formada por quatro profissionais que percorrem as unidades escolares no ônibus do programa de incentivo à leitura”, disse Maria Auxiliadora. No país, como um todo, a justificativa corriqueira para o não cumprimento da lei é a falta de espaço físico. Campos não foge à regra. Se-gundo a secretária municipal de Educação, Joilza Rangel Abreu, “As novas escolas e creches já contemplam o espaço físico da biblioteca. Desde que assumi a secretaria, foram criadas 20. Recentemente inauguramos oito creches, nessas a biblioteca foi prevista. Nas escolas mais antigas, em algumas, nem há espaço disponível para tal. É prioridade da secretaria de Educação o investimento em aquisição de livros. Agora, para 2013, foi feita uma grande compra de livros. Cada aluno da 6ª série terá seu exemplar. Tem sido um investimento crescente. Desde cedo, o estímulo à leitura é parte do modelo pedagógico adotado por nós”, frisa a secretária. Pela Lei 12.244 até 2020, ou seja, daqui a sete anos, em se tratando unicamente do ensino público municipal, Campos por possuir 165 escolas, necessitará contar com mais 65 bibliotecas implantadas. Significa dizer que, por ano, terão que ser criadas, em média, 9  unidades. Para o cumprimento da lei, o acervo total de livros disponível (ao número de alunos  existentes na rede municipal hoje) deverá ser de 60 mil. Porém, não se sabe o total de livros disponíveis hoje na rede. A título de curiosidade, a maior biblioteca pública de Campos, a Biblioteca Nilo Peçanha (com sede no Palácio da Cultura), mesmo somando o acervo das Casas de Cultura em Conselheiro Josino, Goytacazes e  Farol de São Thomé — não atinge os 30 mil exemplares. Obra deixou biblioteca fechada por um ano O Centro Educacional 29 de Maio, uma das escolas tradicionais da área urbana de Campos, no bairro da Pecuária, desde o dia 2 de janeiro de 2012, entrou em ampla reforma. Segundo a diretora Heloisa Salomão, que assumiu a direção no início de 2011, a escola que está finalizando o processo de matrículas, conta com cerca de 900 alunos. “Como a reforma foi demorada o último ambiente ainda a ser mexido é o da biblioteca. Por necessidade da obra, a biblioteca que sempre foi atuante na vida dos alunos, não teve como funcionar no ano passado, serviu de depósito e não houve tempo hábil de concluir a obra. Na tentativa de suprir a sua falta, uma equipe pedagógica em projetos especiais trabalhou na sala de leitura com a literatura de Monteiro Lobato”, frisou a diretora que aguar da a liberação do espaço. Luciana Portinho * Publicado ontem (30/01) na capa da Folha Dois.
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Confissões da Leoa
09/11/2012 | 05h55
Confissões da Leoa Luciana Portinho Em um país de histórias contadas (são mais de 20 línguas faladas), ou seja, com acentuada oralidade, pertencendo a um continente em que a feitiçaria permeia a vida, o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto (como ele faz questão de se identificar), está no Brasil para lançar seu 12º livro, “A Confissão da Leoa”. O romance leva o selo da Companhia das Letras e traz pa-ra a ficção a terrível sucessão de mortes violentas que assistiu, enquanto trabalhava em estudos ambientais em uma aldeia no Norte de Moçambique. Do total de 26 vítimas fatais — foram literalmente devoradas  — só uma masculina. Todas causadas por ataques de leões, “Em pleno século XXI, isto me perturbou muito”, diz Couto. Em “A confissão da Leoa”, uma aldeia moçambicana é alvo de ataques mortais de leões provenientes da savana. Um tarimbado caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado à região. Ao chegar lá, ele se vê em uma teia de relações complexas e enigmáticas. Fatos, lendas e mitos se misturam. Uma habitante da aldeia, Mariamar, em discordância com a família e os vizinhos, desenvolve suas próprias teorias sobre a origem e a natureza dos ataques das feras. A irmã dela, Silência, foi a vítima mais recente. O livro é narrado pelos dois, Arcanjo e Mariamar, sempre em primeira pessoa. No decorrer da história, o leitor saberá que eles já travaram um primeiro encontro muitos anos atrás, quando Mariamar era adolescente e o caçador visitou a aldeia. O confronto com as feras leva os personagens a um enfrentamento consigo mesmo, com seus fantasmas e culpas. A situação de crise põe a nu as contradições da comunidade, suas relações de poder, bem como a força, por vezes libertadora, por vezes opressiva, de suas tradições e mitos. Na verdade, os moradores locais acreditavam que as mortes não foram provocadas por leões de carne e osso, mas por criaturas de um mundo invisível, onde a espingarda perde sua eficácia. Em recente entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Mia Couto, afirmou que a despeito de seu olhar cientifico, condição que a biologia lhe proporciona, é na poesia que encontra as explicações. Aliás, a poesia é o seu território, “Sou um contador de histórias, não me tomo muito a sério. A escrita para mim acontece, não é uma missão, posso perdê-la. Leitor pouco disciplinado, leio compulsivamente poesia. Há escritores brasileiros que me marcaram imensamente. Quase todos, do lado da po-esia. São eles: Drummond, João Cabral, Manoel de Barros, Adélia Prado, Hilda Hilst. E é claro, mais do que todos, João Guimarães Ro-sa, sobretudo pela poesia que mora na sua prosa”, destaca o escritor moçambicano. Homem simples, Mia Couto é de fala mansa, raciocínio ágil e gentil. Atribui essa última característica à cultura pátria, “Moçambicanos são muito gentis. Na retórica, do jornalista ao camponês, não dizem NÃO”. Ao falar da língua portuguesa, externa esse fino trato, “Não seria capaz de viver em um país que não fosse de língua portuguesa, é o meu edifício literário. A língua não está sozinha, há um afeto. Cada qual pertence a um tempo, um lugar. Tenho que ter raiz, tenho que ter asas”, observa. Segundo o escritor, Moçambique é um país sem tradição literária, no qual o livro circula pouco. Uma tiragem de cinco mil exemplares é extraordinária. Ele lembra de que na época da independência, ano de1975, 95% da população era analfabeta. Fato que justifica o ditado popular africano ‘um velho morre, uma biblioteca que arde’. Indagado sobre os males contemporâneos como tédio e amargura ele não vacilou, “O desgosto pede a sua contraparte. Este sentimento de perda e de desorientação será certamente temporário. Vão nascer o gosto, a esperança e novas utopias serão criadas. Faz parte de a condição humana criar essas narrativas carregadas de futuro”. Mesmo se mantendo em uma posição de estranhamento com relação a prêmios literários. Para  para ele, cada escritor carrega em si um universo único, não mensurável e incomparável-, Mia Couto é o vencedor do prêmio instituído pela Universidade de Évora (Portugal) Vergílio Ferreira, em 1999, pelo conjunto de sua obra e, em 2007, do prêmio União Latina de Literaturas Românicas. * Folha Letras, Folha da Manhã, sexta-feira, 09/11.
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Há o quê comemorar
29/10/2012 | 02h10
Hoje, 29 de outubro é o Dia Nacional do Livro, que foi instituído em 13 de dezembro de 1966, pela Lei nº 5.191. Em 29 de outubro de 1810, a Real Biblioteca Portuguesa foi transferida para o Brasil, sendo então fundada a Biblioteca Nacional. Escolheu-se comemorar o dia para coincidir com a data oficial da fundação da Biblioteca Nacional. Dono da maior biblioteca da América Latina, sendo a Biblioteca Nacional considerada pela Unesco uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo, o brasileiro ainda lê pouco. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada no mês de março pelo Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê em média quatro livros por ano e apenas metade da população pode ser considerada leitora. Colocando em números, o Brasil tem hoje 50% de leitores, ou seja, algo como 88,2 milhões de pessoas. O levantamento incluiu na categoria de leitor, aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses, inteiro ou em partes. As mulheres leem mais: 53% são leitoras. Índice maior do que o verificado entre os entrevistados do sexo masculino (43%). [caption id="attachment_5106" align="alignright" width="390" caption="Ft. Phillipe Moacyr"][/caption] A relação do brasileiro com o livro remonta a 1808, quando o Brasil passou a editar livros. Foi quando D.João VI fundou a Imprensa Régia. Se por um lado, apenas 50% da população brasileira é potencial consumidora, por outro 88,2 milhões de leitores não podem ser desprezados por nenhum mercado editorial de qualquer país. É o que aponta o levantamento “Produção e vendas do setor editorial brasileiro”, realizado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas realizado por encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel), no ano de 2011. O segmento cresceu 7,36% no ano passado, somando R$ 4,84 bilhões. O número de títulos editados aumentou 6,28%, totalizou 58.192. E, o total de exemplares vendidos e produzidos foi 7,2% e 1,47% maior (469,47 milhões e 499,79 milhões, respectivamente). Neste total de vendas o governo é o responsável pelo acréscimo de 21,2% nas vendas de livros para programas e órgãos governamentais. O livro em Campos Campos tem o privilégio de ter a livraria mais longeva do Brasil. Fundada em 1844, Ao Livro Verde é a mais antiga livraria do país. Localizada no Centro da cidade, funciona sem interrupção e, desde então, no mesmo endereço. Para Carlos Américo, responsável pela livraria, o movimento de vendas já foi maior no passado, “Havia menos livrarias em Campos, não existia a internet, porém houve aumento na procura por livros de literatura”, disse. Carlos Américo Machado Franco imputa à mudança ortográfica, um prejuízo real que aconteceu em 2012, “As editoras não pegaram nas sobras que foram perdidas”. Por outro lado, ele já percebe uma clientela nova de fora por conta das obras do Porto do Açu. “Isso, nos faz pensar sempre em crescimento, em fidelização desses que agora chegam e há dois meses implantamos a venda on-line, através da nossa livraria virtual, no sítio: aolivroverde.com.br”, frisou ele. Outra tradicional livraria na área central é a Livraria Noblesse, que tem no funcionário José Maria Neves de Gusmão, o pilar de todo fluxo de livros da casa. Ele é que decide que títulos comprar e acompanha venda por venda. “Trabalhar com livro é delicado. Literatura tem época de vender. Campos cresce, dá para se perceber um cliente recente com uma visão e gosto diferente, alguns autores que antes não vendiam agora vendem”, observa José Maria. No Centro, é onde se localiza a Livraria Diálogo e Cultura, que é um  sebo, faz troca e venda. Sua proprietária Hilda Carvalho, fala com entusiasmo. “Adoro meu trabalho, criei meus quatro filhos, todos doutores, tiro meu sustento e leio muito. Criamos a venda on-line, nela atingimos o Brasil inteiro. Uma venda, às vezes, significa de uma só vez 70 livros”, frisou Hilda. Criada há oito anos, na Pelinca, a livraria Honey-Book, através de sua proprietária Adriana Pereira da Silva aposta em um mercado crescente em Campos. “Contabilizamos 20% a mais nas vendas, ano a ano. Vamos nos mudar para outro lugar na Pelinca: sairemos de 80m² para uma loja de 250m²”, informou Adriana. Todos foram uníssonos ao afirmar a importância das bienais do livro na divulgação das livrarias, na difusão do livro, na formação de futuros leitores e no incremento das vendas. Também revelam o expressivo sucesso de vendas da trilogia ‘50 Tons de Cinza’, editado pela Intrínseca, cuja autora é uma ex-executiva de TV, E L James. Sua trilogia, comprada basicamente por mulheres, é  a campeã de vendas de 2012, sendo aguardado o lançamento nacional do terceiro volume, para o mês de novembro. Luciana Portinho *Publicado na capa da Folha Dois, Folha da Manhã, de hoje, 29/10.  
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Flip 2013 homenageará Graciliano Ramos
02/10/2012 | 09h55
Os grandes eventos são assim: respeitam calendário, planejados e divulgados com atencedência. A surpresa fica restrita ao futuro e de quem dele usufruir. Graciliano Ramos será o homenageado da 11ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), que será realizada entre os dias 3 e 7 de julho de 2013. No próximo dia 27 de outubro se completam 120 anos do nascimento do autor, natural de Quebrângulo, Alagoas. Escritor, jornalista e político, Graciliano Ramos teve uma vida em que a literatura e a política se entrelaçaram e, não raro, as convicções e atividades políticas inspiraram suas obras de forte conteúdo social. Memórias do Cárcere revela sua amarga experiência no período em que esteve preso durante a ditadura de Getúlio Vargas, em 1935, acusado de subversão. Vidas Secas, um de seus mais celebrados trabalhos, retrata, por meio de um relato indignado, as agruras dos retirantes nordestinos castigados e humilhados pela seca. [caption id="attachment_4917" align="alignleft" width="256" caption="Imagem:livroerrante.blogspot.com"][/caption] “A crítica da sociedade e a autocrítica do artista estão ligadas na obra de Graciliano Ramos. A reflexão sobre as implicações éticas da escrita resulta, em seus livros, numa constante avaliação e revisão dos próprios procedimentos. Em vez da prosa documental de tantos autores engajados do mesmo período, o que se vê então é uma obra em que o próprio compromisso político conduz à experimentação, pois está vinculado a um espírito crítico rigoroso e hostil ao dogmatismo”, assinala Miguel Conde, curador da 11ª Flip, ao explicar a escolha do homenageado. De acordo com Mauro Munhoz, diretor-geral da Flip, a escolha de Graciliano Ramos como homenageado se traduz não apenas nas atividades durante o evento mas, também, na estreita aproximação do autor e de sua produção literária com a comunidade local durante todo o ano. “Os alunos das escolas de Paraty vão estudar a vida e a obra do autor desde janeiro do ano que vem  e serão realizadas ações permanentes para que moradores e visitantes de Paraty possam ter uma proximidade ainda maior com esse importante escritor”, explica Munhoz, que também preside a Associação Casa Azul, entidade realizadora da Flip. * por e-mail da flip.org.br
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Pequenas iniciativas, grandes resultados
30/08/2012 | 05h38
É uma ação pontual de incentivo à leitura, de democratização do conhecimento. Merece destaque e reprodução. Recebi por e-mail da assessoria de imprensa da LLX.lp Biblioteca no Superporto do Açu leva conhecimento a operários Um galpão que antes servia apenas como depósito de objetos, hoje abriga uma biblioteca com mais de 400 exemplares. O local, instalado no Superporto do Açu, em construção pela LLX em São João da Barra, já é parte da rotina dos cerca de 6 mil trabalhadores que atuam no local. A biblioteca, que começou a funcionar em fevereiro deste ano, recebe atualmente uma média de 100 pessoas por dia. O objetivo do projeto, desenvolvido pela Milplan Engenharia, companhia terceirizada que atua na construção do Superporto do Açu, é estimular o crescimento profissional do colaborador e fortalecer o hábito da leitura. “Esse projeto logo contagiou a todos. Foram os próprios colaboradores que desocuparam o espaço, pintaram, fizeram as mesas e prateleiras. A biblioteca é a nossa menina dos olhos e desperta muita curiosidade das pessoas, já que o projeto é pioneiro na região. Hoje temos um volume grande de frequentadores”, conta Paula Siqueira, assistente social e coordenadora da biblioteca. O mecânico José Rubens Cavalcanti Nouche, 21 anos, é frequentador assíduo do local. “A leitura é realmente importante para nosso crescimento profissional. Por isso frequento a biblioteca quase todos os dias desde que ela foi inaugurada. Como no espaço temos acesso às mais importantes revistas e jornais do país, além dos livros, eu aproveito também para me atualizar sobre as principais notícias do Brasil e do mundo”, conta. Já o assistente de suprimentos Gil Nunes Anastácio, 49 anos, prefere ler os grandes nomes da literatura mundial, como Machado de Assis e Fernando Pessoa. “Há 20 anos trabalho em obras em vários lugares do Brasil e nunca ouvi falar de uma biblioteca dentro de uma obra. A gente nota que as pessoas que antes não tinham hábito de ler começaram a se interessar pela leitura. O acervo também é bastante diversificado”, pontuou Gil. Biblioteca A inauguração da “Biblioteca M – 360” aconteceu em fevereiro, mas a mobilização começou no ano passado. Desde dezembro de 2011, enquanto o espaço físico era montado, a Milplan realizou uma campanha de doação de livros, que contou com a adesão de funcionários das várias empresas que atuam na construção do Superporto do Açu e até de editoras. Além das principais revistas, jornais da região e do país, estão disponíveis na biblioteca computadores com acesso à Internet. Por meio do acervo, alguns colaboradores estão tendo seu primeiro contato com nomes da Literatura Brasileira, como Machado de Assis, Clarice Lispector e Jorge Amado. Também estão disponíveis livros de poesia e alguns exemplares de literatura estrangeira.
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