OBRA IOIÔ
19/07/2012 | 10h47
[caption id="attachment_4339" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Na quarta passada, fui à rua novamente fazer a cobertura eleitoral para a Folha da Manhã. Desta vez, acompanhei o candidato oposicionista a prefeito Erik Schunk (PSOL) em visita à obra da Av.Sete de Setembro. Essa importante via de acesso como outras demais periféricas permanecem interditadas, desde o término do carnaval, é um martírio. De lá pra cá, tumultua a vida dos moradores, arruína os pequenos comerciantes do bairro, azucrina a rotina dos motoristas que mofam em engarrafamentos provocados pela interrupção da avenida. [caption id="attachment_4340" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

A obra recebeu o apelido “ioiô”, pela quantidade de vezes em que é feito/refeito/desfeito o serviço da passagem da tubulação de rede de esgoto.Segundo as ‘boas línguas da vizinhança’, já houve troca de projeto, de engenheiro e de empresa contratada pela PMCG. Cada uma dessas mudanças acarretou em desmanchar o já feito, algo desanimador para uma população perplexa que há seis meses é obrigada a conviver com o arrastado compasso da engenharia biruta. [caption id="attachment_4341" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

É espantosa a inexistência de administração da obra. Em nenhum momento, desde fevereiro, moradores e comerciantes, receberam qualquer comunicação sequer esclarecimento como é de se esperar por parte de uma administração pública, um mínimo gesto de consideração com sua gente. O direito de ir e vir foi sumariamente retirado do cotidiano dessas pessoas. O pequeno comércio resiste para não falir - o sapateiro e o borracheiro não aguentaram e saíram -, outros recorrem às suas reservas para sobreviver. Moradores idosos ou em cadeira de rodas estão isolados em suas residências. [caption id="attachment_4342" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

Tem de tudo um pouco, inclusive do muito pó de pedra suspenso em nuvens para qualquer um ver ou aspirar. Autoridades do governo categoricamente, ontem, afirmaram que tudo acabará em agosto. Moro nas adjacências.Torço...sinceramente, muito! [caption id="attachment_4343" align="aligncenter" width="500" caption="Ft.Luciana Portinho"][/caption]

 

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PINA DE WIM WENDERS
09/04/2012 | 06h21
Assisti maravilhada ao filme Pina do cineasta alemão Wim Wenders. Sem exagero somos levados ao êxtase, aquela superação que só a arte é capaz de em nós provocar. O filme é o máximo. Trata-se de um documentário sobre a coreógrafa e bailarina alemã, Pina Bausch (falecida em 2009). Só que não é um documentário padrão. Não, é um filme de arte: dança, balé e teatro. Somados à música e às paisagens desfilarão integrados em uma estética de vanguarda. Wim Wenders consegui criar a arte dele na arte dela, somou as duas. A cidade onde se passam as cenas externas é Wuppertal, na região do Ruhr, Alemanha. Uma cidade um pouco menor do que Campos, mas que também tem um rio, o rio Wupper. É a cidade da revolucionária Pina Bausch e de seu corpo de dança. Com cerca de 360 mil habitantes, é um brinco de limpeza e assepsia. Wuppertal que foi 40% destruída na segunda guerra,  é conhecida pelo extraordinário teatro-dança de Pina Bausch e também por seu genial monotrilho, criado em 1901. Moderníssimo, desliza silencioso e suspenso a uma altura de 8m por toda a cidade. Falar das tomadas do filme em que são encenados algumas de suas peças como "Café Müller" e "Sagração da Primavera" é fazer você pensar em espaços amplos integrados aos elementos da natureza. São movimentos fortes que se cruzam calados. O limite é testado o tempo todo. Destaco toda a companhia de dança. Os sentimentos transparecem, brotam das faces sem nenhum disfarce, descolados que são do padrão consumista de beleza ocidental. Deixo aqui o trailer oficial. Um aperitivo. Você se tiver oportunidade de vê-lo no Rio de Janeiro, vá, nem pense duas vezes. E constatará que não cometi exagero algum. [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=QWq6BbFm4nE[/youtube]  
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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