IRREFUTÁVEL
03/03/2016 | 10h49
Editorial do jornal O Globo, publicado ontem (02). Reproduzimos integralmente pela realidade que nos toca e pelo sensato que é, até bem ponderado.

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Era um desastre anunciado a debacle orçamentária que levou do céu da fartura de recursos ao atual inferno da penúria municípios cujas economias ficaram atreladas, sem diversificação de fontes de receita, ao recebimento de repasses de royalties do petróleo. Após uma década e meia de uma bonança que — desde 1999, com a abertura da participação dessas cidades nos dividendos da commodity — irrigou os cofres das prefeituras e do estado, o fechamento da torneira, consequência das seguidas desvalorizações do preço do barril no mercado internacional e da crise da Petrobras, teve como decorrência a inevitável apresentação da fatura. O duto do dinheiro fácil deu lugar à crise. Em lugar de pavimentar o desenvolvimento das regiões beneficiadas, o petróleo está lhes deixando um legado perverso. A crise, que no Estado do Rio como um todo tem dramática proporção, com atraso no pagamento de funcionários, fechamento de hospitais, escolas deterioradas, em níveis municipais também é assustadora. Claro, há também o efeito da recessão do país. Em cidades do Norte Fluminense, como mostrou reportagem do GLOBO no domingo, o quadro de abandono de projetos pelo meio, obras faraônicas degradadas pela falta de manutenção e outros aspectos administrativos deletérios decorrentes de gestões imprevidentes está diretamente ligado ao encolhimento dos royalties. O estado e as prefeituras nadaram na maré cheia e agora, na vazante, se afogam na própria inépcia. Os municípios desperdiçaram uma notável oportunidade de, com esse fluxo de recursos, pavimentar um crescimento ordenado. Em 1999, cidades fluminenses receberam R$ 222,7 milhões em royalties. Em 2014, os repasses já haviam sido turbinados em 2.000%. Era verba considerável para enfrentar demandas crônicas, principalmente em infraestrutura e outros setores estratégicos. No entanto, o que se viu foi uma gastança irresponsável em obras cosméticas. A prudência, por sua vez, também recomendava que as administrações se preparassem, na fartura, para esperadas quedas na arrecadação. Era uma contingência que não podia ser desprezada. Afinal, como toda commodity, o petróleo se valoriza ou se deprecia ao sabor do mercado. Não deu outra: o preço do barril, que no auge da valorização passou de cem dólares, hoje estagnou-se na faixa dos US$ 30. A crise da corrupção na Petrobras encarregou-se de agravar o quadro. E mais: além de a cotação ter despencado, negligenciou-se a particularidade que esse é um recurso natural não renovável. Mercado à parte, subordinar a economia de um ente público a uma riqueza finita é, no mínimo, gestão temerária. E nem se pode alegar que as administrações foram apanhadas de surpresa. Desde 2008, durante a crise financeira internacional, os sinais já eram preocupantes. A cotação do preço do barril não parou de cair, mas manteve-se a cegueira administrativa. A fatura, mais uma vez, ficará espetada na conta da sociedade.
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Justiça exige 100% dos ônibus climatizados
24/02/2016 | 11h21
No dia de ontem (23) um juiz da 8ª Vara de Fazenda Pública do Rio, Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, atendeu ao pedido do Ministério Público do Rio e expediu liminar que obriga a prefeitura a substituir toda a frota de coletivos atuais por ônibus dotados de ar-condicionado até o fim deste ano. Caso a decisão seja descumprida, multa de R$ 5 milhões. Logo que soube da notícia, me ocorreu que também aqui em Campos, a medida deveria ser adotada em benefício da população que sustenta, direta ou indiretamente, o transporte público municipal. Aliás, por aqui a medida deveria se estender às vans que circulam em péssimo estado de conservação. [caption id="" align="alignright" width="327"]https://misterfreitas.files.wordpress.com/2013/06/rosinha-na-reunic3a3o-do-cheque.jpg foto. misterfreitas.wordpress.com[/caption] Tantas foram as promessas...  
Fonte. O Globo
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FALTA UMA
08/02/2016 | 10h44
  [caption id="" align="alignleft" width="303"] FOTO www.pragmatismopolitico.com.br[/caption] Ao falar que o Brasil está “perdendo feio” a guerra contra a dengue, o ministro Marcelo Castro prestou um serviço, embora incompleto, porque essa não é nossa única “derrota feia”. Perdemos a guerra contra a violência: o clima de guerra já se apossou tanto da sociedade, que nos acostumamos a fugir das ruas, trancafiarmo-nos em nossas casas, condomínios fechados, carros e shoppings. A tal ponto, que já não nos perguntamos como viver em paz, apenas como conseguir segurança prendendo menores e liberando porte de armas aos cidadãos. Perdemos a guerra da educação. Com mais de 50 milhões de brasileiros adultos sem o ensino fundamental, ainda que um governo sério decida fazer a revolução na educação de base, as crianças já nascidas chegarão à idade adulta despreparadas para enfrentar o desafio da era do conhecimento; não serão capazes de levar o Brasil ao desenvolvimento que precisamos. Perdemos feio a guerra contra a desigualdade social. Mesmo depois de 15 anos de Bolsa Escola/Família, continuamos campeões de desigualdade, e os resultados na luta contra a fome estão regredindo por causa da inflação. Perdemos feio a guerra do desenvolvimento científico e tecnológico, da inovação e da competitividade. Em muitos setores, estamos atrás até mesmo de países pequenos e sem tradição de desenvolvidos. E nossa educação, nossas empresas, nossas universidades não estão preparadas para enfrentar este desafio. Perdemos a guerra da saúde. Não a tratamos como uma questão sistêmica que cuide da água potável, do saneamento, do trânsito, da saúde primária e de hospitais eficientes servindo ao interesse do doente, e não de empresários, sindicatos ou políticos. Perdemos momentaneamente a guerra contra a inflação, e há sério risco de que não seremos capazes de vencer esta guerra por não querermos tomar as decisões necessárias. Perdemos feio a guerra contra a dívida pública; além de perdemos também a guerra do endividamento das famílias e empresas. Perdemos a guerra das cidades, transformadas em “monstrópoles”; violentas, feias, com trânsito atravancado, ruas inundadas e casas sem água. Perdemos também a batalha do transporte público. Perdemos feio a batalha da gestão pública, com um Estado ineficiente, dependente dos vícios dos partidos por aparelhamento, dos empresários por subsídios e desonerações fiscais; entregue à voracidade corporativa dos sindicatos, desprezando-se eficiência e mérito. Perdemos a guerra contra a corrupção. Apesar da Lava-Jato, a prática, continua generalizada e o crime impune. Perdemos feio a guerra da credibilidade na política e nos políticos, e nada será feito se esta guerra não for vencida. Estamos próximos de perder a batalha da democracia: com um debate centrado no impeachment de uma presidente com mandato ou na conformação a um governo eleito com notória incompetência para vencer as guerras e conduzir o Brasil para o futuro. Felizmente, ainda não perdemos a guerra da esperança. Cristovam Buarque é senador pelo PDT-DF e  professor emérito na UNB. Artigo retirado das redes sociais.
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Brasil despenca
02/12/2015 | 03h21
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola
Economia brasileira deve andar para trás até 2018, diz ex-presidente do BC
A economia brasileira está num círculo vicioso: a baixa expectativa de empresários e consumidores resulta em queda da atividade econômica. A retração do PIB, por sua vez, piora mais a confiança, que volta a afetar a atividade. Para interromper esse processo, o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, diz que é preciso criar um ambiente favorável no país, o que lhe parece improvável diante do tamanho da crise política. Para Loyola, que estima uma queda de quase 4% no PIB deste ano, a economia deve encolher mais 3% em 2016 e pode ter uma recuperação "tipicamente cíclica" em 2017, com um PIB perto de 1%, sem estímulo de demanda. "Parece que a perspectiva com a presidente Dilma é chegarmos até 2018 com a economia nesse andar para trás". Folha - O que lhe chamou mais atenção no PIB do 3º tri? Gustavo Loyola - Sob ótica da oferta, a grande mudança que observamos é o enfraquecimento forte do setor de serviços, que vem aumentando trimestre a trimestre. Do lado da demanda, o que vinha dando um tom de crescimento ao PIB depois de 2004 é o consumo das famílias, que também está negativo. Os investimentos flutuavam um pouco mais, mas já são dois anos de números negativos. Podemos dizer então que a recessão é generalizada? Sim. Até a agropecuária, que vinha dando resultados positivos, neste trimestre teve queda. Podemos até dizer que alguns desses fatores vão se reverter, mas isso não vai ser suficiente para ter impacto no PIB. A única coisa que está favorecendo é o setor externo, que reduz seu deficit. Mas boa parte disso se deve à queda das importações, também devido à recessão. Sim, devido à recessão e ao câmbio. Não é mérito, mas mostra que a economia está se ajustando com a ajuda do setor externo. Mas, como a economia brasileira é muito fechada, essa contribuição é relativamente modesta para o PIB. Não consegue gerar um número mais significativo para a economia como um todo. O que o sr. espera para o 4º tri e para o acumulado deste ano? Mesmo considerando que você pode ter no último trimestre uma queda menor, de 1,3%, o PIB anual já ficaria perto de -3,8%, quase 4% negativos. Em 2016, teríamos uma queda em torno de 3%, ou acima disso um pouco.
[caption id="" align="aligncenter" width="546"] Maja Susli - 19.out.15/reuters Dilma Rousseff durante coletiva na Suécia[/caption]
 
Quando virá a recuperação? A nossa expectativa básica é de uma recuperação muito lenta, como se a economia tivesse batido no chão, a partir de meados de 2017. Só que, a cada dia que passa, parece que isso está mais longe, porque os números estão vindo muito piores. De todo modo, a gente ainda mantém uma estimativa de um crescimento muito baixo, em torno de 1%, para 2017. Mas seria uma recuperação tipicamente cíclica, sem muita atração. É uma recuperação baseada em fatores cíclicos, como a capacidade ociosa que cresceu no período de recessão. Não é baseada em uma fonte de crescimento de demanda. Essa estimativa para 2017 não considera um novo aumento na taxa de juros, correto? Sim, é verdade. Mas temos fatores que continuam ameaçando a inflação e, na última reunião do Copom, não houve consenso em relação à taxa de juros. É possível que uma mudança na política monetária ameace essa pequena recuperação em 2017? Os números estão mostrando que a atividade econômica está muito deprimida. Se o BC subir os juros de forma muito forte, ele só vai agravar isso. Pode ter resultados na inflação, mas o custo é muito alto, e também teria um custo para o governo das taxas de juros. Então o sr. acha que a atividade econômica também vai influenciar as decisões do BC? O BC deu a indicação de que vai ser um pouco mais duro com a inflação. Mas eu tenho a sensação de que a estratégia é deixar que a inflação vá caindo nos próximos anos, não necessariamente buscando 4,5% no ano que vem. Por outro lado, o BC também não pode afrouxar. Uma parte do problema do Brasil hoje é a inflação, e uma boa notícia para o Brasil em 2016 seria uma inflação menor. Então o BC não pode descuidar. Ele vai tentar de alguma forma assegurar que a inflação caia. Só que não vai, a meu ver, ter uma postura mais radical de querer uma convergência mais rápida [para a meta] em função dos custos da politica monetária. Acredito que eles buscam a inflação numa certa trajetória e, se ela não der sinais de cair, o BC pode aumentar os juros -e aí é mais lenha nessa fogueira da recessão. É difícil ver retomada na economia com o nível atual de investimento? Sim, muito difícil. A economia brasileira entrou numa espiral: as expectativas não melhoram, e com isso o PIB não melhora. Se o PIB não melhora, as expectativas não melhoram, e forma um círculo vicioso. E você não está oferecendo nenhum tipo de perspectiva para a retomada da atividade. Como não há perspectiva, os empresários não investem e as pessoas não consomem. O que poderia quebrar esse círculo vicioso? A retomada da confiança. Criar um clima mais favorável. Para que isso ocorra, você precisa começar a gerar notícias positivas, e não ter todo dia no jornal crise política, o governo com dificuldade para gerir suas contas, a inflação subindo... A sociedade precisa acreditar que as pessoas que dirigem a economia estão de fato ao volante, estão conseguindo fazer as coisas. E não essa confusão que a gente vê em Brasília. Você não consegue votar nada, a situação fiscal só se deteriora. Então só uma melhora na situação política pode quebrar esse ambiente? O Congresso ainda não julgou a extensão da complicação dessa crise. De um lado, o governo se defende do impeachment. Do outro, tem os que querem fazer o impeachment, e tem ainda os que querem salvar sua pele. São várias agendas e não existe uma agenda para o país. É preciso construir essa agenda, mas a gente não vê essa iniciativa nem por parte do governo nem da oposição. O PT faz oposição ao Joaquim Levy, e a oposição vota na Câmara contra aquilo que foi sempre defendido pelo PSDB. A presidente não tem liderança política, fica aquela confusão e o país não sai do lugar. O impeachment seria uma saída para melhorar a confiança? Eu acho que, quando você não consegue ver uma saída para essa situação de deterioração econômica -que a gente sabe que vai continuar no ano que vem- fica evidentemente atrás de uma solução. E uma solução seria criar a expectativa de um novo governo que poderia chegar e, quem sabe, conseguir apoio do Congresso, fazer um novo tipo de administração e, de certa forma, conseguir gerar uma onda de otimismo. Parece que a perspectiva com a presidente Dilma é chegarmos até 2018 com a economia nesse andar para trás, e no máximo ter alguma recuperação em 2017 e 2018, mesmo assim muito incipiente. Mas, dito isso, eu acho que o fato de ter um governo incompetente não é motivo suficiente para fazer impeachment. Não estamos no parlamentarismo, não é uma solução que você adota toda hora porque o governo se tornou impopular ou não consegue resolver os problemas. Seria uma ameaça ao sistema democrático? O impeachment é parte das regras do jogo dentro de certas circunstâncias. Se elas acontecerem, tudo bem. O que não pode é ter como motivador principal do impeachment a situação econômica. Se a gente der vez a esse tipo de ideia, vai ser muito mais fácil fazer impeachment no futuro. É só ter um Congresso trabalhando totalmente contra o governo, levar a economia a uma situação insustentável e propor um impeachment. Eu acho que é preciso analisar com muito cuidado os casos de crime de responsabilidade e de financiamento de campanha, mas aí é uma análise mais jurídica. O sr. mencionou, no início da entrevista, que os números só pioram. Por quê? Como o sr. poderia resumir a situação econômica do país? Eu diria que o primeiro mandato da presidente Dilma foi ruim do ponto de vista das diretrizes de política econômica. Aquela nova matriz econômica do ministro [Guido] Mantega destruiu a economia brasileira. Com o Joaquim Levy, a presidente corrigiu isso e conseguiu alguém para fazer essa política de ajuste. Mas o governo está muito fraco. De um governo que vinha fazendo a coisa errada passou para um governo que na economia tenta fazer ajustes e que não consegue ter credibilidade para isso, ter efetividade em termos de ação legislativa. A presidente também está sem credibilidade para passar para a sociedade essa ideia de que as coisas vão melhorar. Tem um hiato, um buraco entre o governo e a sociedade. Os empresários não sabem como vai estar a economia em um mês. O consumidor não sabe se gasta, se junta, se vai estar empregado amanhã... A crise tem um aspecto psicológico? Tem uma coisa psicológica também, mas as coisas reais estão acontecendo. A inflação está alta, o desemprego está aumentando.. E isso está atingindo muitos segmentos da sociedade que se beneficiaram mais do crescimento nos últimos anos, a chamada classe C. Esse grupo de brasileiros não teve ascensão social por causa das políticas de transferência, mas basicamente foram beneficiados pelo aumento do emprego formal. E agora você está tendo uma reversão. Nossos estudos na Tendências mostram que a renda está relativamente estável nas classes D e E, porque houve manutenção dos programas sociais, aposentadorias, pensões... Mas o desemprego aumenta e, quando as pessoas conseguem se reempregar, normalmente o salário será mais baixo que o anterior, e você tem uma queda na renda. Chegou-se a cogitar que uma alternativa para essa crise seria trocar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por alguém com mais habilidade política e mais próximo do presidente Lula. O sr. acha que isso poderia ajudar? Duas coisas poderiam acontecer com essa mudança: uma delas seria o novo ministro manter a política econômica. Nesse caso, para que mudar o ministro? Só porque o outro é um pouco mais político? Eu não acho que seria o caso. Na verdade, quem teria de fazer a articulação política são as lideranças políticas do governo, não o ministro da Fazenda. Ele não pode ser o culpado pela falta de articulação política do governo. O outro desdobramento seria mudar a política econômica, e aí que o desastre vem mesmo. Você abandona o ajuste fiscal e voltamos à politica do Guido Mantega? Uma política que deu errado e que trouxe o Brasil para essa confusão toda? Então é melhor deixar o Joaquim Levy lá e apoiá-lo. E não estou fazendo nenhuma crítica ao [Henrique] Meirelles, pelo contrário. GUSTAVO LOYOLA, economista. Foi Presidente do Banco Central entre 1992 e 1993 (governo Itamar Franco) e de 1995 a 1997 (Fernando Henrique Cardoso). Entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, publicada hoje (02).
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Cultura pede socorro
18/08/2015 | 08h52
Que situação! Mais uma vez recebo apelo pela sobrevivência da ONG Orquestrando a Vida. É um pedido para o qual é impossível silenciar. Conhecemos o trabalho sociocultural com os jovens campistas pela e na música erudita. É esforço gigantesco da ONG. É quase que uma miragem na árida paisagem  da política cultural de Campos.
Transcrevo o e-mail recebido, sem saber ao certo como ajudar, mas, calar seria um desserviço.
Caso o leitor, vislumbre ao menos um sopro, sugiro que estenda sua mão.
DESESPERO !!
" QUERIDOS AMIGOS, BOA TARDE!
A ORQUESTRANDO A VIDA SE ENCONTRA EM UMA SITUAÇÃO DESESPERADORA. ESTAMOS PARA FECHAR NOSSAS PORTAS E INTERROMPER NOSSO ATENDIMENTO A CENTENAS DE CRIANÇAS E JOVENS  QUE ATRAVÉS DA MUSICA RECEBEM A ESPERANÇA DE VER SEU FUTURO TRANSFORMADO.
PARA MIM É TRÁGICO !! PARA MIM É MUITO DIFÍCIL,POIS TRABALHAMOS A CERCA DE 19 ANOS NESTE PROJETO.
POR FAVOR,NOS APOIE!! EU NÃO SEI MAIS O QUE FAZER AMIGOS!! ME SINTO IMPOTENTE!!
SE PODE NOS AJUDAR ,POR FAVOR FAÇA CONTATO COMIGO .
QUE DEUS NOS AJUDE."
JONY WILLIAM
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Parente é
16/08/2015 | 12h43
Se é mãe não afirmo, mas, que é parente em primeiro grau isso é!  
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Em meio à crise política: uma análise das causas primeiras
10/08/2015 | 11h45
    [caption id="" align="alignleft" width="314"] Frei Beto[/caption] Folha - Estão convocando mais uma manifestação contra Dilma para o dia 16. A principal pauta, ou uma das principais, é o impeachment de Dilma. O que acha? Frei Betto - Eu acho que manifestação é sinal da democracia. Pena que a esquerda aprenda com a direita algumas coisas ruins que a direita faz. Deveria aprender as coisas boas –as poucas coisas boas– que a direita faz. Como convocar manifestações para domingo, não para o dia de semana, o que a esquerda tem feito [uma outra manifestação, com apoio do PT, deve ocorrer no dia 20, uma quinta]. Dia de semana? Uma burrice. Atrapalhando o trânsito, como naquela música do Chico Buarque. Não tem sentido, né? Faz no domingo, não tem escola, as pessoas podem sair de casa, estão disponíveis. Pena que a esquerda não aprenda com a direita as coisas boas. E o impeachment? Olha, a minha pergunta íntima hoje não é o impeachment. Eu acho que democracia brasileira está consolidada, não há motivo para impeachment. A minha pergunta é outra. É se a Dilma, pessoalmente, aguenta três anos pela frente. Eu temo que ela renuncie. O senhor tem algum sinal disso? Não. É puramente subjetivo. Mas temo que ela renuncie. Ou ela tem uma mudança de rota ou eu me pergunto se ela vai aguentar o baque psicológico de três anos e meio [pela frente] com menos de 10% de aprovação, com 71% dizendo que o governo é ruim ou péssimo. Isso é um sinal de que você não está agradando nada. Não adianta fazer cara de paisagem. Alguma coisa tem de ser feita. Ou ela dá uma mudança de rota, muda a receita do ajuste etc., ou ela pega a caneta e fala "vou pra casa, não dou conta". Eu tenho esse temor. Há um relato, publicado anos atrás pelo jornal "Valor", de que no auge da crise do mensalão, em 2005, a Dilma, ministra da Casa Civil, teria sugerido ao Lula que renunciasse. Eu não acredito nisso. Até porque o Lula saiu com 87% de aprovação. Depois, né? Naquele instante, quando Duda Mendonça foi à CPI dizer que tinha sido remunerado no exterior com dinheiro de caixa dois do PT, ninguém imaginava que o Lula iria recuperar a popularidade do jeito que recuperou. É... Se isso é verdade [a sugestão de Dilma para Lula renunciar], reforça o meu receio. No cenário atual, que combina crise política com estagnação econômica, denúncias de corrupção e baixa popularidade de Dilma, o que mais atormenta o senhor? O Brasil está vivendo uma notória insatisfação, não só com o governo. Insatisfação com a falta de utopias, de perspectivas históricas, de ideologias libertárias. Desde 2013, quando houve aquela grande manifestação atípica. Porque não houve nenhum partido, nenhuma liderança, nenhum discurso [em junho de 2013]. E foi uma enorme manifestação em que as pessoas protestavam, havia protesto, mas não havia proposta. Isso chamou muito a minha atenção. E quando –isso é até terapêutico– a gente entra em amargura e não vê solução, não vê saída, a gente não consegue equacionar racionalmente o que está vivendo. Não consegue buscar as causas e as perspectivas. Fica tudo no emocional. Eu tenho dito a amigos que a minha geração viveu grandes divergências políticas na ditadura, mesmo entre a esquerda, divisão se siglas de A a Z. Mas o debate era racional. Debatia-se em cima de projetos, programas, perspectivas históricas. Hoje, o debate é emocional. É como briga de casal em que o amor acabou. Equivale a acelerar o carro no atoleiro de lama: quanto mais acelera, mais se afunda na lama. Estamos vivendo isso. E o governo? O governo, que eu considero o melhor de nossa história republicana –os dois do Lula e o primeiro da Dilma– teve grandes méritos, como a inclusão econômica de 45 milhões de brasileiros; e teve grandes equívocos, como a não inclusão política. Ao contrário do que a Europa fez no começo do século 20, o governo do PT propiciou, ao conjunto da população brasileira, acesso aos bens pessoais, quando deveria ter iniciado pelo acesso aos bens sociais. A metáfora que utilizo é o barraco da favela. Ali dentro a família tem computador, celular, toda a linha branca, fogão, geladeira, micro-ondas, e, no pé do morro, tem um carrinho, devido à facilidade do crédito. Mas a família está na favela. Não tem saneamento, não tem moradia, não tem transporte, não tem saúde, não tem educação, não tem segurança. Resultado: criou-se uma nação de consumistas, não de cidadãos. O senhor falou em melhor governo da história republicana e mencionou os dois mandatos do Lula e o primeiro da Dilma. E o segundo da Dilma? Esse segundo, até agora, eu não tenho nenhuma notícia boa para dar. Eu não sei o que de positivo a Dilma fez de janeiro para cá. Gostaria que alguém dissesse. O ajuste é necessário? É necessário. Mas o ônus é só sobre o trabalhador. E fica a dúvida se vai dar certo. É um país com um mercado interno fantástico, mas que mantém a síndrome colonial de que a gente tem de ser exportador de matéria prima, que deram o nome agora de commodities. Equívocos. E o governo terceirizou a política para a troica do PMDB –Temer, Cunha e Renan– e terceirizou a economia nas mãos de um economista, o Joaquim Levy, notoriamente um eleitor do Aécio Neves. Realmente fica difícil de acreditar que esse é um projeto do PT. Nunca fui militante do partido, devo dizer isso. Também não sou fundador, como alguns dizem por aí. Sempre fui eleitor. Mas nas últimas eleições eu tenho dividido meu voto entre PT e PSOL. O governo Lula foi um dos mais populares da história, e Dilma foi reeleita há menos de um ano. Por que o humor mudou? Agora as pessoas estão com muita raiva porque não podem mais viajar de avião como estavam viajando; comprar ou alugar um melhor domicílio, como estavam fazendo; adquirir crédito sem juros altos; ir à feira com R$ 20 e voltar com a sacola cheia. Então a falha foi de quem? Na minha opinião, a falha foi do governo que tinha a faca e o queijo na mão para poder realizar aquele projeto mais original do PT, que era organizar a classe trabalhadora. Leia-se: dar uma consistência política à nação brasileira, principalmente às novas gerações. Isso não aconteceu. Por que, na sua interpretação, as coisas sob o PT se desenvolveram dessa forma, a opção pela promoção do consumo, e não da outra? Porque o PT perdeu o horizonte histórico. O horizonte que ele tinha nos seus documentos originários. De transformação, de realizar as reformas relevantes. Mas em que instante isso se perdeu? Ah, no momento em que chegou ao poder. Foi quando ele trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Manter-se no poder passou a ser mais importante do que realizar as reformas importantes e necessárias para o país. Como a reforma agrária, a tributária, a educacional, a sanitária etc. Em 12 anos, a única reforma que nós temos é a anti-reforma política do Eduardo Cunha (atual presidente da Câmara). Por quê o PT não fez essas reformas? É porque tinha medo de perder aliados, não soube assegurar a governabilidade pelo andar de baixo. Procurou assegurar pelo andar de cima. Se tivesse seguido o exemplo do Evo Morales (presidente da Bolívia), que hoje tem 80% de aprovação, é o segundo presidente mais aprovado da América Latina, depois do presidente da República Dominicana. No início ele não tinha apoio nem do mercado nem do Congresso; buscou assegurar a governabilidade por meio dos movimentos sociais. Hoje ele tem apoio dos três. Teve medo de adotar esse caminho? Foi uma estratégia equivocada de se manter no poder. "Vamos fazer aliança com quem tem poder, nós estamos no governo". Uma coisa é estar no governo, outra é estar no poder. Isso deu certo por um tempo. Só que há uma questão aí de classe que é arraigada na estrutura social brasileira. E de repente os setores conservadores, vendo que não há proposta, vendo que não há perspectiva histórica, resolveram avançar. É este instante. Até o Lula foi vítima agora. Não de um atentado político. Mas de um atentado terrorista. Isso [uma bomba lançada no Instituto Lula dias atrás] é um atentado terrorista. Jogar uma bomba em cima de um domicílio que está carregado de simbolismo político é um atentado terrorista. Se isso estivesse acontecido na sede do partido Democrata dos Estados Unidos –ou no escritório do Bill Clinton (ex-presidente dos EUA), uma boa comparação– no dia seguinte o mundo inteiro estaria dizendo: "Bill Clinton sofre atentado terrorista". Evidente que a imprensa brasileira não quis dar destaque, uma certa imprensa. Por um lado alguns chegaram a insinuar que o próprio PT teria feito essa bomba para tentar vitimizar o Lula e o partido. O mais grave é isso. Não se deu o devido destaque talvez porque não interessa. Só interessa que o Lula venha a aparecer como o acusado da Lava Jato, não como vítima de um atentado terrorista. O senhor é amigo do Lula, tem essa relação histórica. Virou alvo de hostilidades? Uma coincidência. Eu fiz dois lançamento de livro na última semana, um no Rio, na segunda, e outro em Belo Horizonte, na terça. Nos dois o pessoal da direita foi lá para perturbar. O que fizeram? No Rio foi um oficial de corveta da Marinha, segundo ele, dizer que estava me levando um abraço do Olavo de Carvalho. Eu disse: "Abraço de urso, pode devolver". Olavo de Carvalho considera a Rede Globo comunista; o papa Francisco, então, não é nem comunista para ele, é a encarnação do diabo. E no fim o cara já estava dizendo "ah, você é um frade de araque". Aí eu falei que não admitia, falei "ponha-se para fora daqui". Então os amigos, as amigas principalmente, enxotaram o cara. Em Belo Horizonte foi o pessoal do movimento patriota, com cartazes anti-comunistas e um livro pesadão chamado "O livro negro do comunismo". Foram para aprontar, mas ali também a turma, meus amigos de lá, intervieram e eles não conseguiram fazer. Ex-ministros foram xingados em restaurantes também... Exatamente. Estamos vivendo uma onda raivosa. É por falta de consciência política da nação, de conscientização. Os partidos viraram partidos de aluguel, a política se mediocrizou e a Lava Jato está expondo os poderes de como se move o poder no Brasil, entre as benesses políticas e as conquistas econômicas. O senhor disse que o PT, ao chegar ao poder, não seguiu o que diziam seus textos originais. O senhor classifica isso como uma traição? Não. Não é traição. Não? Não. Eu considero isso um desvio de rota. O senhor disse que não aplicou os textos originais. Sim, é isso que eu falei. Mas traição, para mim, é outra coisa, é uma palavra que tem um peso muito grande, não se adequa ao que estou dizendo, ao meu discurso. O que considero é que houve um desvio de rota. Trocou-se o projeto de Brasil, uma mudança de estrutura. Trocou-se a reforma agrária e outras, que eram consideradas prioritárias, por um projeto de preservação no poder. Aquilo que o próprio Lula chegou a dizer na reunião com religiosos. Eu não estava nesse reunião. Ele disse: "o PT só pensa em cargos". Ele disse a mesma coisa, mas em outras palavras. Isso eu analisei em dois livros, "A mosca azul" e "O calendário do poder". Foi o meu balanço. E o que seria uma traição? Eu não sei porque você está falando em traição. Ué, o senhor disse que não considera uma traição. No seu entender, o que configuraria uma traição? Traição seria se o PT tivesse... chamado o FMI para administrar o Brasil. Sei lá. Se tivesse priorizado as relações com os Estados Unidos. Se tivesse deixado de fazer a Comissão da Verdade. Eu li recentemente que o senhor teve uma conversa longa com o Lula... Sou amigo do Lula, sou amigo da Dilma. Sim, mas o senhor colocou para eles desse jeito? Claro, desse jeito. Eu coloco publicamente. Eu fui lá conversar com a Dilma em 26 de novembro, com Leonardo Boff e outros. Entregamos um texto nas mãos dela. Ficamos 1 hora e 10 minutos. Estava ela e [Aloizio] Mercadante (ministro da Casa Civil). E como eles reagem a esse tipo de crítica? Eles aceitam. Agradecem: "obrigado por vocês terem vindo aqui, vamos ver se podem voltar em seis meses para conversar". Mas fica nisso. E depois fazem tudo diferente. Sabe? O que você quer que eu faça? Deite e chore? Foi uma conversa ótima. Aí ela aceitou tudo aquilo, a gente falando da importância de reforma agrária, de quilombos, de povos indígenas, o papel da mulher, programas sociais, não poder fazer cortes em setores como educação e saúde. Aí respondem tudo: "é, é isso mesmo, também estou pensando..." E está lá. O texto está lá, tenho decorado na minha cabeça. Eu tenho uma boa relação com os dois [Dilma e Lula]. Eu falo tudo. Eles aceitam. O Lula também. Às vezes fala que a culpa de não é dele, a culpa é não seu de quem, é do partido, é da Dilma, é da conjuntura; e aí também fala "mas a gente também fez...". E continua tudo igual? Eu tenho uma vantagem que é seguinte: eu sou um um sujeito que tem poucas vaidades. Uma delas é ambição zero. Aliás eu lembrei isso pro Lula. Eu falei: "Lula, você me conheceu em 1979, o padrão de vida que eu tinha é o padrão de vida que eu tenho. Eu moro no mesmo quartinho no convento, se você quiser eu te mostro, moro no mesmo lugar, tenho o mesmo carro Volkswagem, enfim, não mudei nada. Agora, eu fico espantado com companheiros que a gente conheceu lá atrás e que hoje tem um... sabe?". Então teve um descolamento da base. O PT perdeu os três grandes capitais que ele tinha. Que eram ser o partido dos pobres organizados –porque hoje ele tem eleitores, não tem militantes, ele tem de pagar rapazes e moças desocupadas para segurar bandeirinha na esquina, quando tinha uma militância aguerrida voluntária. Perdeu esse capital. O segundo capital que ele perdeu é o de ser o partido da ética. Não é? A ideia do "não seremos como os demais". E o terceiro capital era o de ser o partido da mudança da estrutura do Brasil. Não fez nenhuma mudança estrutural. Fez muita coisa? Fez. Programas sociais; Bolsa Família, embora eu discorde –o Fome Zero era emancipatório, foi trocado pelo Bolsa Família, compensatório–; programas da educação; cota; Fies; uma série de coisas excelentes. Política externa nota 10, na minha opinião, mas sem sustentabilidade. E meio ambiente? Ah, aí faltou muito. Aí eu dou nota... seis. Defesa da Amazônia, não trabalhou suficientemente na questão do meio ambiente. O senhor falou desse espanto da mudança dos ex-companheiros. Como vê, especificamente, o caso do ex-ministro José Dirceu? Eu acho um abuso você prender um preso. O cara estava preso, mandaram prender novamente. Não precisava. Aquela coisa: transfere, Polícia Federal, televisão. Eu acho isso um abuso de autoridade. Embora eu ache a Lava Jato extremamente positiva –era preciso vir uma apuração da corrupção no Brasil séria como tem sido feita–, tem coisas que me desagradam. O partido mais envolvido é o PP. Mas parece, na opinião pública, que é só o PT. Segundo: por que é que vazam todos os conteúdos em relação ao PT e porque é que vazam exclusivamente para a revista "Veja"? É chamar a gente de idiota. Ou seja: há uma operação política por trás, de abuso desse processo. Que é um processo sério de apuração da corrupção no Brasil. Mas e o caso específico do José Dirceu? Eu nunca me pronunciei, você não vai encontrar uma palavra minha em entrevistas, nos artigos, dizendo se houve ou se não houve mensalão. Eu estou esperando o PT se posicionar. Se houve ou se não houve. E fico indignado pelo fato de o partido não se posicionar. E não se posicionar diante de uma figura tão importante do partido como ele [Dirceu]. Então não tenho meios de julgamento. Que eu sei que há corrupção na política brasileira, sei. Mas eu não tenho provas. Eu saí do governo sem perceber se havia mensalão. Saí em dezembro de 2004, o mensalão apareceu em maio de 2005. Várias pessoas me perguntaram: "você tinha algum indício?" Nenhum. Não vi nenhum indício. Um aspecto que chamou a atenção é que o José Dirceu faturou R$ 39 milhões com a sua consultoria, parte disso no instante em que estava preso, foi um argumento para essa nova prisão, mas coincide também com aquela vaquinha para pagar a multa do mensalão. Pois é. Eu fico indignado. Se é verdade que ele tem tantos milhões na conta, eu não posso entender como é que ele promoveu a vaquinha. Aliás, tenho amigos que contribuíram com a vaquinha. Estão sumamente indignados. Eles se sentem lesados. O ex-presidente Lula já falou criticamente sobre o afastamento entre o PT e os movimentos sociais. Por que ocorreu isso? Ocorre no momento em que o PT faz a opção da "Carta ao Povo Brasileiro", no primeiro governo do Lula. Era uma carta aos banqueiros e empresários. Ali ficou sinalizado: "queremos assegurar a governabilidade via elite, não via a nossas origens, que são os movimentos sociais". Aí cria-se o Conselhão, para o qual são chamados líderes dos movimentos sociais. Acontece que só o empresariado tinha voz e vez ali dentro. E aos poucos esses líderes [dos movimento sociais] foram todos deixando. E depois o Conselhão, que era um conselho de consulta e debate, passou a ser um mero auditório de anuência dos anúncios da Presidência. E hoje ele sequer existe. Ou seja, esse diálogo mínimo com a sociedade civil... É o que a Dilma deveria fazer. Ela deveria criar um conselho político. Porque isso não é um gesto de extrapolação. Está previsto na Constituição de 1988, está normalizado isso. O Lula fez. Não como deveria. Deveria ter sido mais democrático, o pessoal dos movimentos sociais deveria ter mais espaço, mas ele fez. Nessa crise, não adianta a Dilma passar a mão na cabeça do Temer. Ela tinha que ouvir a sociedade. Tem de sair do palácio, sair da toca. Perde contato com a realidade? Outro dia eu fui para Irati, no Paraná, 14º encontro de agroecologia. Eram 4.000 pequenos agricultores do Brasil. A Dilma ia. A Dilma não foi. Ela não tem ideia do que ela perdeu ali. Lá, quando eu cheguei, dizia-se que era o mau tempo. Não é verdade porque o Patrus (Ananias) foi. Então se o jatinho da FAB do ministro desceu, o jatão da presidenta poderia descer. Mas não importa. Não foi. Então ela tem de sair da toca, dar a volta por cima. Ela está acuada. Não encara a nação, não vai nos movimentos sociais. Medo de ser vaiada? Não pode ter medo. Uma figura pública, medo de nada. Tem de ir, se expor. Não tem como. Você é uma pessoa pública. O Lula promoveu não sei quantos daqueles conselhos nacionais de saúde, de educação. Era hora da Dilma fazer isso. Está aí o PNE, o Plano Nacional de Educação. Era para ter um debate sobre a implantação do PNE. No entanto, a notícia que a gente recebe é de cortes na educação. Ainda mais usando o lema que ela achou, "pátria educadora". Isso tudo explica porque é tão baixa a aprovação dela. O senhor é religioso. Que avaliação faz do avanço eleitoral e, principalmente, do comportamento da bancada evangélica no Congresso? Penso que está sendo chocado o ovo da serpente. Uma das conquistas da modernidade, importantíssima, é a laicização do Estado e dos partidos. Essa bancada está querendo confessionalizar a política. Explico: eu sou padre ou pastor de uma igreja que considera pecado o cigarro e a bebida alcoólica; e tenho a veleidade que toda a população nem tome bebida alcoólica nem fume. Eu só tenho dois caminhos. O primeiro é converter toda a população à minha igreja; isso é impossível. Mas o segundo é possível: eu chegar ao poder e transformar o preceito da minha igreja em lei civil. Como aconteceu nos EUA nos anos 20. E eu temo que o projeto deles seja esse, de confessionalização da política. Uma forma de fundamentalismo tupiniquim, altamente perigoso. Exemplo? Isso vai se manifestar agora no debate sobre ensino religioso. Minha postura é simples: colégio religioso tem de ensinar religião da entidade mantenedora, se é católico, judeu ou protestante. Bom, tem muito colégio religioso que é mera empresa escolar. Aliás, os políticos mais corruptos do Brasil saíram todos de colégios religiosos. É de se pensar: que diabo andaram fazendo, que evangelização era essa? Mas, voltando, no ensino público ou no particular laico, tem de ter o ensino das religiões. Ou você pega o professor de história, que é qualificado para isso, ou você chama o padre para falar do catolicismo, o pastor para falar do protestantismo, o médium para falar do espiritismo, o pai de santo para falar do candomblé. Mas não dá para pedir para o padre contar o que é o espiritismo, porque aí vai ter preconceito. O que eles estão propondo aí é transformar os colégios em caixa de ressonância de pregações fundamentalistas, tipo criacionismo contra o evolucionismo. Isso é danoso à nossa cultura, à nossa história, à nossa religiosidade. E, na sua avaliação, porque os evangélicos cresceram eleitoralmente? Para entender isso é preciso recorrer a um livro do início da modernidade, fim da Idade Média, chamado "Discurso da Servidão Voluntária" (Etienne de la Boëtie, 1530-1536). Mostra como é que a cabeça de associação de pessoas é feita, de maneira que elas perdem totalmente a consciência, o livre arbítrio, e se tornam cordeirinhos de qualquer um que queira manipulá-las. É isso. Muitas igrejas transformam seus fieis em cordeirinhos que, ameaçados pela teologia do medo, acabam seguindo a voz do pastor naquilo que ele dita. Nas últimas décadas, igrejas evangélicas tiraram, efetivamente, muitos seguidores da Igreja Católica. Basta ver o Censo. É notável também que, de maneira geral, o evangélico parece hoje bem mais militante que o católico. É praticante. Qual é a sua explicação para esse fenômeno? Aí são dois fatores. Estudos estão mostrando isso: quando havia Comunidades Eclesiais de Base havia menos evasão para as igrejas evangélicas. Acontece que o papa João Paulo 2º e depois o papa Bento 16 fragilizaram as CEBs. Então hoje, o porteiro do prédio daqui da esquina, a cozinheira da vizinha, a faxineira, elas não se sentem bem na Igreja Católica. Se sentiriam nas Comunidades Eclesiais de Base, mas elas foram desmobilizadas pela própria igreja, com medo se ser Teologia da Libertação, influência marxista, progressista. Agora, com o papa Francisco, elas estão renascendo. Estão mesmo? Há sinais disso? Estão. Teve um sinal bom em 2014, em janeiro, quando teve o 14º encontro das CEBs em Juazeiro do Norte, eu estava lá, e o papa mandou um documento saudando, foi muito importante. E apareceram 73 bispos. Há muito tempo não apareciam tantos. Porque aí elas estavam no sinal amarelo –elas nunca foram condenadas–, mas estavam no sinal amarelo e agora passou para o verde. Agora, ainda você não tem o corpo, como tinha nos anos 70 e 80, de bispos que invistam nisso. Ainda não tem. Os bispos que temos aí ainda são todos os pontificado anterior: 36 anos de João Paulo 2º e Ratzinger. A segunda razão é aquilo que o papa Francisco denunciou na Jornada Mundial da Juventude. Houve uma burocratização da fé. Uso a seguinte imagem: Se você for às 3h da madrugada numa igreja evangélica, você é acolhido, tem alguém lá para te atender. Se você for às 3h da tarde numa católica, está fechada, tem uma grade, o padre não se encontra e não tem nenhum leigo autorizado, como tem nas evangélicas, para te orientar e te acolher. Não dá para competir. Eles sabem fazer um trabalho personalizado. Olha os cinemas que se transformam em templos. Sabe como eu chamo isso? A boca canibal de Deus. Né? Está ali na calçada; é só passar e ser sugado (risos). Na igreja Católica, não. São distantes. Como é que uma igreja evangélica começa? O pastor vai lá e aluga uma salinha de escritório. Põe lá uma dúzia de cadeiras, uma mesa e pronto, vira um mini-templo. E aí vai crescendo, porque o dinheiro entra. A igreja Católica deveria aprender muita coisa boa com as evangélicas.
Entrevista publicada na Folha de São Paulo, hoje (10).
Por RICARDO MENDONÇA EDITOR-ADJUNTO DE "PODER"
 
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Uma sobrevivente
17/05/2015 | 05h47
Nascida em área nobre da ventilada Orla de Guarus, vizinha do Rio Paraíba do Sul, no Jardim Carioca. A coitada faz de tudo para resistir à praga que a sufoca,mas, está difícil! IMG_5396 Brincadeirinha à parte, esta é apenas uma, de tantas, das escassas árvores da cidade de Campos. Em outras partes do planeta o poder público já acordou para a necessidade de preservá-las para o bem do Homem como, por exemplo, em Berlim (Alemanha) onde cada pé de árvore é identificado. Cada uma tem um plaquinha afixada, como se fosse um registro geral com espécie, data de plantio e intervenções fitossanitárias praticadas.  Esses dados são digitalizados em programa específico de controle. E assim a cidade é verde.
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Crise do Petróleo em Campos é história pra boi dormir
08/03/2015 | 08h22
Querem saber? Não passa disto. Basta um só exemplo na área da Cultura municipal. Na semana que se encerrou, o jornal Folha da Manhã, trouxe na capa da Folha Dois, no dia 05/03, matéria sobre a "suspensão do atendimento ao público por tempo indeterminado" no Arquivo Público Municipal Waldir Pinto de Carvalho, sediado no Solar do Colégio. Notório é que há exatos 6 anos o Arquivo Público Municipal (APM) não recebe dos cofres municipais qualquer investimento que assim possa ser chamado. Pelo contrário, no afã de mostrar à opinião pública campista do grande interesse com a Cultura, terminaram (fizeram o projeto pelo meio, mas, reconheço, pelo menos terminaram o principal) as obras de restauração da antiga sede da Biblioteca Municipal - que também fora a sede da prefeitura e ainda a sede dos Bombeiros -, e instalaram o Museu Histórico de Campos, na Praça São Salvador. Por debaixo dos panos (aí é que foi evidenciado o desprezo com a cultura local), esvaziaram todos os demais órgãos que compunham o aparato cultural municipal. Para abrir de qualquer jeito o Museu Histórico, a prefeitura de Campos canibalizou todos os demais. De cada um transferiu o seu acervo, esvaziando-os em suas finalidades. Me refiro ao mobiliário da Biblioteca Municipal Nilo Peçanha, às obras de artes plásticas que constam (ao menos constavam) do patrimônio restaurado e devidamente arrolado da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, às tantas outras peças do Museu Olavo Cardoso (como, por exemplo, o conjunto do Museu da Ferrovia),  à equipe de servidores e técnicos do Arquivo Público Municipal. Abriram o Museu Histórico e fecharam o Museu Olavo Cardoso ( que por falta de funcionalidade e abandono está lá escorado, desmoronando). Abriram o Museu Histórico e deixaram de mão o órgão mais técnico, menos político, do setor cultural local: o Arquivo Público Municipal. Agora, querem vir com esse discurso Ctrl c Ctrl v de que a queda na arrecadação dos royalties é a vilã. Ora, como, se rolaram (e rolam) por anos os royalties bilionários sem que a população pudesse perceber o seu investimento em bem estar social? Senti sincero constrangimento ao ler na matéria, a explicação do respeitável museólogo e diretor Carlos Freitas: "Tem que combinar comigo. Se uma pessoa vem de emergência, a gente atende. As pessoas têm que combinar para fazer a pesquisa porque, em alguns documentos, apenas eu mexo, senão pode complicar a arrumação", explicou Freitas. ???? Para uma instituição voltada à memória e à pesquisa que já contou com dois museólogos, um arquivista, alguns historiadores, quase duas dezenas de estagiários em convênio com a UENF, Fenorte e Uniflu, pessoal de apoio, segurança, jardinagem e limpeza, é der dar dó. Inclusive dó do próprio diretor, jogado às feras ao ter que se espremer neste tipo de esclarecimento. Inventem outra desculpa de ocasião; quem sabe cola?! [caption id="attachment_8796" align="aligncenter" width="410"]museu olavo ft folha Foto Folha da Manhã[/caption]   [caption id="attachment_8798" align="aligncenter" width="410"]apm genilson pessanha Ft. Genilson Pessanha[/caption]        
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QUEM É QUE AGUENTA?
05/03/2015 | 08h12
Quem anda pelo centro da cidade, encontra muita poeira, obras que há 6 anos se arrastam, postes na faixa dos deficientes visuais, um emaranhado - sem fim de fios - pendurado e o comércio visivelmente prejudicado. É isso, sem tirar nem pôr. Assim fiz, ontem, meus registros em necessária circulação pela área central de Campos, conhecida como Centro Histórico. De cara, me assustou a quase totalidade de lojas comerciais que fecharam as portas nos últimos meses. Me refiro ao trecho da Rua João Pessoa, entre as ruas Sete de Setembro e Andradas. Chocante! Seguindo pela mesma Rua João Pessoa, depois de ultrapassar esse cemitério de estabelecimentos comerciais, é um canteiro de obra por mais três quadras, até a Rua Treze de Maio. Apesar de tumultuar a vida de todos transeuntes e lojistas não dá pinta de em breve terminar. São 6 anos que o Centro assim se encontra. A retirada da fiação, um dos objetivos anunciados pela PMCG, quando do início da intervenção naquela área, não aconteceu, continua lá, do mesmo jeito, mesmo em logradouros por onde as obras findaram há mais de 2 anos. A sensação que fica é de que os atuais ocupantes da prefeitura devem estar fazendo contas de mais um mandato eletivo (seriam então 12 anos), para finalmente entregar à população aquilo que, se tivessem vontade política, poderia ter sido feito no primeiro mandato, ou seja, em 4 anos. Obra pública suada em conta gotas, cara, responsável pela quebradeira de muitos comerciantes, mas, o que isso importa para quem não tem que correr atrás do pão nosso de cada dia?! Uma vergonha. Ou melhor, mais uma. obra centro 1                                                                      obra centro 5                 obra centro 3                                                                       obra centro 4               centro quebra 1                                  obra centro 8                   IMG_4983(1)
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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