Aniversário
05/04/2014 | 01h35
Em dia de aniversário da que vos escreve, deixo um presente a você leitor que todos os dias me acena com leitura e comentários. Mais um ano se passa ou eu passo por mais um ano e, a cada um percorrido me certifico que pouco quero além da troca de afeto com a família, da estreita convivência com os amigos e da sensibilidade para as coisas bonitas que a natureza e o ser humano me proporcionam.  Se poder tivesse extirparia o mal e o mau da Terra, seríamos assim mais dignos e irmanados. Como nada sou, procuro fazer a minha minúscula parte nessa grande confusão que é a sociedade que soubemos erigir.  Curtam a fotografia perfeita do campista Dudu Linhares e a pequenina poesia do também campista Artur Gomes. [caption id="attachment_7805" align="alignright" width="465" caption="Ft. Dudu Linhares"][/caption] Poética para Dudu Linhares pássaro pluma voa leve pluma voa sobre o barco/pássaro flutuando na lagoa Artur Gomes  
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QUANDO PARTIMOS
02/01/2014 | 11h07
De narrativa um tanto lenta, a história de Umay (Sibel Kekilli), do início ao fim, é a do desacerto dramático entre moral e ética na qual a mulher - se quiser fazer prevalecer os seus sonhos – haverá de enfrentar em certos contextos culturais. Uma trajetória simples: uma mulher/mãe que não aceita os maus tratos do marido. Seu desejo? Criar o pequenino filho Cem, estudar, ser independente e, quem sabe de sobra, serem felizes. Para isso retorna à família, na esperança do acolhimento à sua decisão de romper com o casamento. [caption id="attachment_7391" align="alignleft" width="350" caption="ft. Divulgação"][/caption] Não sendo aceita, por desonrar a moral rígida dos valores dominantes masculinos, é vista como mais uma prostituta. Umay parte novamente e novamente. Mais do que não ser protegida pelos pais e irmãos, é por eles rejeitada, vira saco de pancadas, é perseguida.  Ainda que ame a mãe e a ela recorra por abrigo, a mãe é a síntese do que Umay não quer para sua vida: dependência e submissão. Com tom baixo e poucos diálogos, o filme se desenrola nas expressões faciais. Estas revelam o quanto de sofrimento no impasse entre sentimentos que reprimidos sucumbem à necessidade externa de aceitação social; geram a desgraça. Assisti “Quando Partimos”(Die Fremde), sem maior pretensão. Colada fiquei ao dilema da jovem mulher Umay, na ingenuidade de supor que conseguiria se afirmar em ambiente sociocultural hostil. Há nela uma teimosa esperança, a de que pela sinceridade do seu tão genuíno propósito, vitoriosa seria. Não foi. A mesma família que a criou a destrói. Do laço da fraternidade sonhada veio a lâmina que mata seu amor incondicional, o menino Cem, aconchegado em seu colo. Li depois a crítica, cobra do personagem um maior desligamento de seu núcleo familiar, poderia tê-la poupado. Discordo da análise racional. A história de Umay é poética. Nela, a poesia da vida que nos move ou que nos detém. Remete-nos à angustia provocada pelo choque cultural entre uma estúpida moral e os legítimos anseios individuais, nada imorais, e que ao cabo é fonte da infelicidade humana nos desencontros absurdos que a vida social estabelece. Candidato da Alemanha a uma vaga no Oscar 2011, Die Fremde (Quando Partimos) estreou no Festival de Berlim em fevereiro de 2010. Depois, o filme passou por outros sete festivais, incluindo o de São Paulo. Direção da atriz austríaca Feo Aladag. Um bom longa, desperta reflexões. O desfecho me causou silencioso choro. Triste. Recomendo.  
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"Um cheiro podre no AR"
01/03/2013 | 01h10

Um pouco da poética do campista Artur Gomes no Blog.

 

Aqui, redes em pânico pescam esqueletos no mar esquadras – descobrimento espinhas de peixe convento cabrálias esperas relento escamas secas no prato e um cheiro podre no AR caranguejos explodem mangues em pólvora Ovo de Colombo quebrado areia branca inferno livre Rimbaud - África virgem – carne na cruz dos escombros trapos balançam varais telhados bóiam nas ondas tijolos afundando náufragos último suspiro da bomba na boca incerta da barra esgoto fétido do mundo grafando lentes na marra imagens daqui saqueadas Jerusalém pagã visitada Atafona.Pontal.Grussaí as crianças são testemunhas: Jesus Cristo não passou por aqui Miles Davis fisgou na agulha Oscar no foco de palha cobra de vidro sangue na fagulha carne de peixe maracangalha que mar eu bebo na telha que a minha língua não tralha? penúltima dose de pólvora palmeira subindo a maralha punhal trincheira na trilha cortando o pano a navalha fatal daqui Pernambuco Atafona.Pontal.Grussaí as crianças são testemunhas: Mallarmè passou por aqui bebo teu fato em fogo punhal na ova do bar palhoças ao sol fevereiro aluga-se teu brejo no mar o preço nem Deus nem sabre sementes de bagre no porto a porca no sujo quintal plástico de lixo nos mangues que mar eu bebo afinal? Artur Gomes Publicado na Antologia Internacional - Eco Arte Para Re-Encantamento do Mundo, organizada pela Bióloga Michelle Sato e editada pela Universidade Federal do Mato Grosso – 2011 – Publicado na Antologia Poesia do Brasil Vol. 15 – 2012 – Proyecto Cultural Sur Brasil – Editora Grafiti - Faixa do CD Fulinaíma Rock Blues Poesia – a sair [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=UkQUxkLh9TA&feature=player_detailpage&list=UU3d8xoVqrdTDFZ2dKIfRanQ[/youtube]
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Dudu em um olhar eterno
05/12/2012 | 02h59
Luciana Portinho Conversar com Dudu Linhares é aceitar ser encaminhado ao seu universo sensível. Quando a troca acontece em seu ambiente final de criação, um atelier claro e integrado ao jardim, a viagem é completa. O jornalista e fotógrafo, que não vive sem música, e campista — pai, avô e bisavô — é um homem feliz por suas conquistas, inquieto em realizar seus futuros projetos. Seu livro-arte, “Caminhos do Vento” mostra um pouco de sua obra e da visão artística que tem do que lhe cerca. Com noite de autógrafos, o livro foi lançado ontem junto à exposição “Vintage” de fotografias impressas em telas de pintura. — Esse livro é um pouco da minha trajetória, de como vim ao mundo e do ângulo do meu olhar. É um ato de loucura sã e a sua feitura, tomou-me alguns anos. Até aqui são mais de 30 mil fotografias que tenho arquivadas. E apesar de minha formação ter sido no preto e branco, que tanto valoriza a forma, as cores da natureza chamam a atenção. Minha matéria prima — diz ele se referindo aos insetos e as cenas da natureza que fotografa — é captada ao vivo, não se repete. Uma borboleta não espera. Todas as minhas fotos são finalizadas no computador, é um corte, uma correção de cor ou a retirada de um defeito. Mais do que um registro ao usar a máquina é a visão e a técnica — diz. Antes de se dedicar em definitivo à fotografia, Dudu — formado posteriormente em jornalismo na primeira turma da Fafic — foi estudar psicologia no Rio de Janeiro. Não se adaptando a morar na capital, retornou a Campos para concluir seus estudos e trabalhou com jornalismo junto a Hervê Salgado. Já formado, deu aula de fotografia na faculdade local. Remonta a essa época a convivência com o pessoal do teatro em Campos como Wiston Churchill Rangel e Orávio de Campos. Foi então que abriu sua agência de publicidade que ele orgulhosamente cita ter emplacado os três primeiros comerciais da então recém-criada TV Norte. Também desse tempo, o início do gosto pela escrita apesar dele não se considerar poeta. — Foi quando meu pai me chamou para ajudá-lo na usina. Aí vendi tudo, fechei a agência. Anos depois, observando as orquídeas que minha mãe cultivava é que voltou a minha vontade de fotografar. Vem deste momento o início de minha intimidade com o computador; dei-me conta de que “o bicho ia pegar”. Comecei a entrar em sites, era o começo do desenvolvimento da computação no PC, da fotografia digital a qual, na minha visão, produziu uma revolução nas artes, em especial na arte de fotografar e no cinema — comentou o fotógrafo. [caption id="attachment_5355" align="aligncenter" width="450" caption="Ft. Phillipe Moacyr"][/caption]

Dudu Linhares esclarece que apesar de também expor sua arte em forma de quadros, ele não pinta, “todo meu trabalho é fotografia”. O que ele faz é introduzir texturas, manipulando propositalmente as imagens, brincando com elas ao envelhecê-las. Depois as imprime em tela de pintura para criar o efeito final de um quadro único.

“Fotografar é olhar para sempre”, assim Dudu Linhares finaliza o seu livro de 204 páginas. É uma bela síntese de seu trabalho voltado para o mundo da macro-fotografia, um convite ao mundo da beleza natural que acompanha a todos.

Novos projetos para fotografia em mente A mostra “Vintage” exibida na noite de ontem junto ao lançamento do livro “Caminhos do Vento” foi composta de nove trabalhos de autoria de Dudu Linhares. Para alinhavar a composição da noite, ao fundo, uma seleção musical de jazz especialmente produzida para quem adquiriu o livro. Dudu é um fotógrafo integrado ao ambiente de sua ar-te. Recentemente, no mês de outubro, foi classificado em primeiro lugar pelo blog FotoGlobo. Das 11 edições de 2012, ele participou em pelo menos oito delas. Agora, ele irá participar do Encontro de Fotógrafos de “O Globo”, que acontecerá neste mês de dezembro. Lá será lançado, também no Rio, o livro “Caminhos do Vento”. — É importante o feedback dos colegas. Com eles aprendemos. Travo permanente troca com gente na Noruega, nos EUA e com brasileiros que residem no estrangeiro — diz o fotógrafo. Dudu tem projetos futuros  claros em sua mente, entre eles, um livro de histórias infantis ludicamente ilustrado de fotografias.De sua mente criativa há ainda o desejo de transmitir seu conhecimento aos amantes da imagem fotográfica. “Muitos me pedem para ensinar, mas, não quero ensinar de um a um e sim coletivamente através de um blog que criarei e pelo qual avançaremos na mesma linguagem”, diz um Dudu que aos 61 anos se diz no lucro. “Nasci de sete meses, sem unha, nem um fio de cabelo, nada. Uma parteira me botou para fora”. Obs. Capa da Folha Dois de hoje, 05\12.    
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FINADOS NÃO FINAM
02/11/2012 | 10h52
Para alguns a estética pode ser um pouco agressiva. Uma mulher dos seios nus, o olhar reto, sangue na ponta da espada que exibe atravessada por entre as pernas. Eu gosto. E gosto muito. Sei que a vida são flores, borboletas também. Sei que uma conversa amiga me leva ao além. Sei que a vida é um batente cotidiano. Um empurra empurra, desde a concepção. Hoje, Finados. Finados não finam. Basta ler a poesia. Basta observar a imagem. Basta parar. LP ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Os mortos são na vida os nossos vivos. Andam pelos nossos passos, trazemo-los ao colo pela vida fora e só morrem conosco. (Florbela Espanca) [caption id="attachment_5134" align="aligncenter" width="500" caption="Jan Saudek, fotógrafo tcheco, nascido em Praga 1935."][/caption]

 

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Vamos?!
27/05/2012 | 07h22

São 15 minutos de encantamento, resta você se dispor a viajar....

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Adzywe9xeIU[/youtube]
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UM CÃO SEM DONO
16/05/2012 | 07h37

de  Nino Bellieny

 
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Último Dia
29/02/2012 | 09h12
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Pois é meu irmão...
28/02/2012 | 12h40
  [caption id="attachment_3564" align="aligncenter" width="350" caption="Extraído do FACEBOOK"][/caption]   * Walter Silva Jr, autor.
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DE HOMENS E CÃES
26/02/2012 | 08h13

DE HOMENS E CÃES

NinoBellieny
É de manhã, num dia de feira qualquer. O sol se espalha pela praça e se espelha nas poças d’água formadas na depressão do piso. O homem distinto e bem vestido caminha em direção à Igreja. Escorrega no passo apressado e desaba seus cento e vinte quilos. É acompanhado por estertores imediatos. O chacoalhar do cérebro ao repicar no mármore disparou impulsos e o corpanzil treme, gira, se debate. Logo se forma uma multidão em torno e ninguém tem coragem de chegar perto. São segundos de agonia e espetáculo para comodistas e medrosos. Rapazes filmam, meninas narram a cena pelo celular. Risos, piadas e o homem agora nem um pouco distinto, não se mexe mais com a mesma intensidade... a boca e o nariz estão inteiros dentro d’água. Vai morrer afogado e sua morte será mais tarde vista por milhões na internet.
Até surgir de modo brusco e misterioso um enorme cão. É um pitt bull. Já está próximo ao homem. Parte da multidão se excita: a fera vai completar o espetáculo estraçalhando o quase afogado. Outra parte parece despertar do transe e quer impedir.
O cão não se intimida. As duas poderosas patas reviram o homem na exata hora do afogamento. Lambe o rosto da vítima. O sujeito volta a respirar, está salvo. O povo engole o próprio silêncio e a vergonha. O pitt bull permanece majestoso por alguns instantes e depois se afasta lentamente num gingado marrento e heróico. Desaparece dentro da fumaça negra de um ônibus na movimentada rua, como um anjo de quatro patas.
Na praça a multidão se dispersa. Não há risos nem piadas. Só olhos cabisbaixos e ombros arriados como sempre.
[caption id="attachment_3550" align="aligncenter" width="300" caption="Arte Digital de Nino Bellieny"][/caption]

 

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Sobre o autor

Luciana Portinho

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