PERIGO À VISTA
14/02/2014 | 08h54

PERIGO À VISTA

Liberdade corre riscos quando não se sabe o que fazer com ela

Por Alberto Dines em 14/02/2014 na edição 785 
A história está mal contada. E mesmo assim a imprensa a entrega ao freguês como absolutamente verdadeira, verossímil. E inquestionável. Dois jornalistas do Rio, ambos da Folha de S.Paulo (Janio de Freitas e Paula Cesarino Costa), não engoliram a armação (quinta, 13/2, págs. A-7 e A-2). Mas não são todos os leitores que se dispõem a ler comentários dissidentes, céticos, em textos distantes do noticiário, das fotos e da badalação marqueteira (ver “Sem resposta” e “Quem são eles?”). Nas matérias factuais sobre a caça aos responsáveis pela morte de Santiago Andrade, transparece o desdém pela inteligência do leitor. Vale o que dizem as fontes e autoridades. Porém, tanto as fontes como as autoridades parecem empenhadas em encerrar o caso atribuindo a culpa pela violência nas manifestações a partidos e políticos de extrema esquerda. E por que não se investiga a hipótese de que o aliciamento dos baderneiros faz parte da estratégia das milícias para desacreditar o governo estadual e as autoridades policiais? Foi impecável o trabalho de edição e análise do material televisivo apresentado pela TV Globo no sábado (8/2) com a ajuda do perito Nelson Massini. Graças a ele foi possível identificar com incrível rapidez e chegar ao Bandido nº1, Fabio Raposo, e dois dias depois ao nº 2, Caio de Souza, corresponsáveis pelo disparo do rojão que matou o cinegrafista da Band. Esta “incrível rapidez” é que chama a atenção. No domingo (9), o Bandido nº 1, ainda na condição de suspeito, já havia contratado um advogado, se apresentara à polícia e era longamente entrevistado pelo Fantástico. Na quarta-feira (12), o Bandido nº 2 era localizado numa pousada em Feira de Santana (BA), já com um advogado a tiracolo – o mesmo do outro! – e dava entrevista à Globo antes de embarcar para o Rio sob escolta policial. A informação de que os arruaceiros recebiam dinheiro de políticos para radicalizar os protestos foi dada por Caio de Souza e confirmada pelo advogado, Jonas Tadeu Nunes. Se ele conhecia esta conexão política, por que razão não a adiantou à polícia tão logo prenderam o Bandido nº 1? Contra a democracia E quem é este super-causídico que se desloca com tanta rapidez e eficiência para atender clientes aparentemente sem conexão e, de repente, implicados no mesmo crime? Jonas Tadeu Nunes não parece o clássico rábula de porta do xadrez. Tem escritório num shopping fuleiro do Recreio dos Bandeirantes, tem amigos na polícia civil do Rio, já defendeu um ex-deputado estadual (Natalino Guimarães) acusado de fazer parte das milícias e tem entre os clientes um ex-coronel da PM fluminense, exonerado pelo secretário de Segurança do Estado do Rio. Alega que o Bandido nº 1 era conhecido do estagiário do seu escritório e que chegou ao nº 2 porque eram amigos. A suspeita de que partidos de extrema-esquerda são aliciadores dos vândalos permeia insistentemente o noticiário desde segunda-feira (10/2) sem comprovações ou indícios concretos. A presença do advogado Jonas Tadeu Nunes não despertou desconfianças. Neste mix de tons de cinza, siglas, militâncias e agentes provocadores circula a figura sofisticada da “ativista” Elisa Sanzi, vulgo Sininho. E a partir da edição de quinta-feira do Globo, incorporou-se ao insólito grupo o ex-governador Anthony Garotinho (hoje no PR tentando chantagear o PT), desde o ano passado acusado de ser o instigador da cruzada contra o governador Sérgio Cabral Filho. O ingrediente mais preocupante desta desconjuntada cobertura começou logo depois do anúncio da morte cerebral do cinegrafista da TV Bandeirantes, quando a mídia em peso lançou-se numa emocionada cruzada em defesa da liberdade de expressão. Na sua edição de quinta-feira (13/2), seis páginas do Globo levavam no cabeçalho o selo “Ataque à Liberdade de Expressão”, numa evidente exploração política da tragédia. Tanto os vídeos como os depoimentos da dupla de bandidos coincidem em demonstrar que o rojão-assassino foi aceso e colocado no chão. Não foi apontado contra o cinegrafista, nem contra alguém em especial. O cadáver que se procurava era o da democracia. A liberdade de expressão corre perigo sempre. Em qualquer momento e lugar. Mas, sobretudo, quando seus beneficiários e defensores se atrapalham e não sabem o que fazer com ela.
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Aquele futuro chegou
14/08/2013 | 04h13
100 mil pessoas já se habilitam a ir a Marte, com passagem só de ida. Pode parecer brincadeira, não é. A empresa holandesa Mars One está com inscrições abertas até o dia 31 de agosto para voluntários que desejam se candidatar a uma viagem só de ida ao planeta vermelho em 2022, como parte de um projeto que pretende colonizar o planeta a partir de 2023. [caption id="attachment_6838" align="aligncenter" width="620" caption="Ilustração mostra como seria o abrigo dos turistas que viajariam até Marte com a Mars One (Foto: AFP)"][/caption]

 

A iniciativa, sem fins lucrativos, foi lançada em abril deste ano. Qualquer pessoa com mais de 18 anos e com inglês fluente ainda pode se candidatar. Após a inscrição, os aspirantes a astronautas passarão por uma triagem feita pela Mars One. Beatriz Roriz, uma estudante carioca de 21 anos, está entre os cerca de 100 mil voluntários inscritos em todo o mundo na disputa por 24 vagas. Ela é uma das quatro escolhidas para participar do documentário de divulgação, o One Way Astronaut (Astrounata sem volta) - que explica o projeto em detalhes para aqueles que se dispuserem a morar em Marte. “Eu hoje estou mais esperançosa de ser selecionada do que no início. Fiz um vídeo de propaganda deles, respondi uma carta e fiquei entre os quatro selecionados no mundo inteiro para fazer esse documentário”, contou Beatriz. Beatriz mora na Zona Oeste do Rio e estuda Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela ficou sabendo do programa através da internet e diz que sempre sonhou em viajar pelo espaço. “Eu acompanho a Mars One pela internet e sempre tive vontade de ser astronauta, mas no Brasil é muito difícil. Colonizar um planeta novo é uma oportunidade única e eu não posso perder”, disse a estudante, acrescentando que sempre teve apoio dos pais, mas, como é filha única, existe receio da parte deles. “No começo minha mãe ficou super empolgada. Quando viu que era sério, ficou um pouco chateada. Sou filha única. Existe um sentimento de tristeza dos meus pais, já que é uma viagem só de ida, mas eles apoiam. Acho que quem for vai demorar a se adaptar, mas depois será como aqui na Terra, só que em um ambiente controlado. Vamos viver em redomas controladas e com rotinas comuns. Acho que depois de um tempo será como uma comunidade pequena”, afirmou a candidata. E ainda tem gente nos dias de hoje que não enxerga as mudanças na sociedade. Fonte: G1
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Arapongagem, nua e crua
11/06/2013 | 08h21
O jovem adulto,Edward Snowden de 29 anos, um norte-americano, assistente técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA) é o novo bode expiatório do império estadunidense. É crime ser acometido por dúvida que se tornou certeza de que a liberdade privada do indíviduo neste planeta está sendo usurpada e varejada ao ralo pelo governo dos EUA. Edward revelou as atividades de monitoramento da NSA sobre milhões de usuários de telefones e internet, incluindo dos sites Google e Facebook, nos Estados Unidos, deixou seu hotel em Hong Kong horas depois de aparecer em um vídeo divulgado no domingo. Está escondido em algum canto para não ser extraditado. Sabe que será execrado publicamente pelo EUA, isolado como maluco ou terrorista, condenado e preso. Seu crime? Discordar, se arrepender, entrar em crise de consciência por prestar serviço técnico em um plano rotineiro de ‘segurança’ que aos vasculhar os passos virtuais dos indivíduos destrói até mesmo a sombra da possível privacidade e liberdade básica. Arapongagem da mais alta esfera, desnudada pelo jovem decidido a ser coerente com os valores morais da vida em sociedade e não do poder. O ato vai dar ainda pano para manga. Em minha opinião Edward terá três saídas: o exílio, morrer ou ser trucidado psicologicamente.    
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HORIZONTE
10/06/2013 | 12h41

Por mais diretrizes e valores a nos sustentar e guiar, ao nosso mundo raro comparecem os irretocáveis. Quem tem um norte, sabe mais do que ninguém o quão distante está. lp

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Força Motriz
25/05/2012 | 07h39
[caption id="attachment_3936" align="aligncenter" width="400" caption="Ft. Google"][/caption]

Hoje, 25 de maio é o dia da indústria.

Ela que surge da mais rude artesania, apertou o passo no vapor da manufatura e, soltando sua tóxica coluna de fumaça, disparou pelo planeta. Por cada canto percorrido, enfiou cunha. Fez cirurgia na feição das cidades.  Foi ambiente de exploração besta da breve vida humana. Juntou e separou gente. Foi fonte de emoções exaltadas de mudança. Projetou em nossas retinas épicas imagens. Eternizou o romance, se meteu no sexo. Nas tintas vieram texturas e cores; arte. Do preto na prensa, palavras multiplicadas; jornal. Da construção dos instrumentos musicais, ecoaram vigorosas sinfonias. Pelo céu abriu buraco; alterou a vida do humano. Tudo de objeto que em poucos séculos o homem possui existe graças ao modo de produção na indústria. Razão de comemorá-lo? E como! É salvar a capacidade infinita de transformação do homem. luciana portinho    
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STEVE JOBS EM STANFORD
16/10/2011 | 10h42
Esse é o cara. Isso é para nós. Exato!   [youtube]http://www.youtube.com/watch?v=JdmJEwO5qiE[/youtube]
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Ensinamentos
09/10/2011 | 09h20
De tão pertinente, trago até você leitor essa mensagem. Me chegou por email de um amigo. Divido-a...LP
Perguntaram numa ocasião a Mahatma Gandhi quais são os factores que destroem o ser humano, ele respondeu assim:
"A Política sem Princípios, o Prazer sem Responsabilidade, a Riqueza sem Trabalho, a Sabedoria sem Carácter, os Negócios sem Moral, a Ciência sem Humanidade e a Oração sem Caridade. A vida tem ensinado a mim, que as pessoas são amáveis, se eu sou amável; que as pessoas estão tristes, se estou triste; que todos me querem bem, se eu quero bem a eles; que todos são maus, se eu os odeio; que há rostos sorridentes, se eu sorrio para eles; que há rostos amargurados, se estou amargurado; que o mundo é feliz, se eu sou feliz; que as pessoas tem nojo, se eu sinto nojo; que as pessoas são gratas, se eu tenho gratidão. A vida é como um espelho: Se sorrio, o espelho me devolve o sorriso. A atitude que tomo na vida, é a mesma que a vida tomará ante mim."
"Quem quiser ser amado, que ame".
[caption id="" align="aligncenter" width="400" caption="Imagem recebida por email, desconheço autoria."][/caption]
"A única razão porque és feliz, é porque tu decides ser feliz"
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GUTENBERG
10/09/2011 | 04h32
GUTENBERG luciana portinho Se nos dias de hoje lemos, tudo o que podemos ler, cada qual com seu livro, revista ou jornal nas mãos, devemos a Gutenberg. Sua contribuição à sociedade foi gigantesca. Não por acaso foi considerado o homem mais importante do milênio pela revista Time-Life em 1997. Johannes Geinsfleisch zur Laden zum Gutenberg, João Gutenberg, nasceu em 1398 no que hoje é a Alemanha (Mainz). Ourives, dominava a fundição de moldes em ouro e prata. A ele atribui-se a denominada Revolução da Imprensa, com a criação do tipo móvel, prensa móvel em ligas de chumbo e zinco e, ainda por cima, reutilizável. Data do invento a impressão do primeiro livro, um exemplar da Bíblia. Até então os livros eram manuscritos, raros; acesso aos mesmos só nos mosteiros e aos muito ricos. Com a possibilidade de reprodução, mais exemplares de uma mesma obra, o conhecimento se expandiu pela Europa tornando possível a leitura individual. Com a imprensa há uma difusão de idéias; a alfabetização tornou-se vital ao ser humano com a proliferação quantitativa do saber. [caption id="attachment_1727" align="aligncenter" width="298" caption="Ft. Luciana Portinho"][/caption] Hoje, O Globo, no Caderno de Economia, página 38, nos traz a recentíssima constatação -  em escavações de maio e junho passados - de que sim, Gutenberg é o pai da moderna tipografia, mas não com paternidade exclusiva. Antes dele, coisa de poucos anos, Gutenberg, em visita que fez a Aachen, tomou contato com moldes em cerâmica que já eram feitos em fornos de padarias! Uma década depois, em 1450, já com sua técnica (ligas e tintas) dera início à impressão de textos em livros. [caption id="" align="aligncenter" width="350" caption="Ft. Google"][/caption]

 

Gutenberg com seu genial invento (impressão da Bíblia) abriu as portas à reforma protestante bem como a um dos mais ricos períodos da história do conhecimento e das artes, o Renascimento. Agora estamos aqui nos comunicando sem nem mesmo mais a necessidade do papel impresso. Na inexistência daquela genial invenção, bem lá de trás, a história teria sido outra. Qual seria? Impossível saber. Nada o ser humano conquistou que não fosse por um processo constante de acumulação e de democratização do conhecimento. Mas o que teríamos sido sem o livro?!
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