Cultura pede socorro
18/08/2015 | 08h52
Que situação! Mais uma vez recebo apelo pela sobrevivência da ONG Orquestrando a Vida. É um pedido para o qual é impossível silenciar. Conhecemos o trabalho sociocultural com os jovens campistas pela e na música erudita. É esforço gigantesco da ONG. É quase que uma miragem na árida paisagem  da política cultural de Campos.
Transcrevo o e-mail recebido, sem saber ao certo como ajudar, mas, calar seria um desserviço.
Caso o leitor, vislumbre ao menos um sopro, sugiro que estenda sua mão.
DESESPERO !!
" QUERIDOS AMIGOS, BOA TARDE!
A ORQUESTRANDO A VIDA SE ENCONTRA EM UMA SITUAÇÃO DESESPERADORA. ESTAMOS PARA FECHAR NOSSAS PORTAS E INTERROMPER NOSSO ATENDIMENTO A CENTENAS DE CRIANÇAS E JOVENS  QUE ATRAVÉS DA MUSICA RECEBEM A ESPERANÇA DE VER SEU FUTURO TRANSFORMADO.
PARA MIM É TRÁGICO !! PARA MIM É MUITO DIFÍCIL,POIS TRABALHAMOS A CERCA DE 19 ANOS NESTE PROJETO.
POR FAVOR,NOS APOIE!! EU NÃO SEI MAIS O QUE FAZER AMIGOS!! ME SINTO IMPOTENTE!!
SE PODE NOS AJUDAR ,POR FAVOR FAÇA CONTATO COMIGO .
QUE DEUS NOS AJUDE."
JONY WILLIAM
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Parente é
16/08/2015 | 12h43
Se é mãe não afirmo, mas, que é parente em primeiro grau isso é!  
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Gracinha com o chapéu dos outros
03/07/2015 | 09h22
Comprar o futuro político deles às  custas de um significativo endividamento para o campista é falta de humanidade. Eles  sabem que empobrecerão Campos ao sangrar o orçamento - receitas futuras - com juros exorbitantes da dívida que querem porque querem contrair. image        
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Equívoco
20/05/2015 | 10h57
Com todo o respeito Sr. Secretário de Segurança José Mariano Beltrame do meu querido estado do Rio de Janeiro, mas, a VIDA é o nosso maior cartão postal! Nada além disso. Nem vista bonita, nem Olimpíada. Nada. O carioca hoje (20) fecha o dia de luto com a morte do médico Jaime Gold, de 57 anos, esfaqueado ontem, por volta das 19.30h, na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas. Furtos recorrentes. Motivo fútil, arma branca. Jaime seguiu as orientações das forças de segurança de não reagir, não reagiu. Situação que se repete cotidianamente ao longo de 365 dias que se repetem em 365 dias e se repetem. Após mais este assassinato, a segurança da área foi reforçada (?!) até cair em novo esquecimento e o descuido com o cartão postal que é a nossa vida se dissolve.... Inadmissível. [caption id="attachment_9021" align="aligncenter" width="500"]médico-esfaqueado-700x471 www.mancheteonline.com.br[/caption]  
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Moradores do Horto inconformados
01/03/2015 | 11h50

Recebi por e-mail, antes por telefone a reclamação abaixo dos moradores do Horto. Há mais de um mês se organizam em debates, registram com fotografias aquilo que eles titulam como "Empresa privada ocupa e degrada terreno do Horto Municipal". O fato os incomoda, procuraram a imprensa e blogs, colocam a boca no trombone. Vamos ler?!

" Os moradores do bairro do Horto desejam levar ao conhecimento da comunidade campista o que está acontecendo em um dos seus mais preciosos bens, o Horto Municipal. Solicitamos a imprensa e aos cidadãos conscientes que divulguem ao máximo a situação surpreendente e revoltante que está ocorrendo escondida da opinião pública.

A Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes, através da Secretaria de Meio Ambiente, cedeu à empresa EMEC Service, para uso como base operacional em Campos, uma área superior a 6.000 metros quadrados situada no interior do Horto, na parte dos fundos, tendo a referida empresa construído no local um grande galpão para abrigar seus escritórios, demais acomodações e necessidades. A EMEC atualmente presta serviços a Prefeitura de Campos, no cuidado de praças e jardins. Já o Horto Municipal possui seus próprios funcionários efetivos.

Esta cessão levanta imediatamente a questão da legalidade de uma empresa privada utilizar um bem público sem que haja um real benefício para a comunidade. Só este aspecto já bastaria para gerar uma séria discussão na Câmara Municipal, mas a controvérsia não acaba aí, como descrito a seguir.

 A empresa também transferiu para o mesmo terreno cerca de dezenove veículos de grande porte, incluindo caminhões-pipa e de transporte de terra, ônibus, além de ruidosas retro-escavadeiras. Para executar as tarefas diárias fora do Horto, a frota de veículos pesados precisa percorrer um caminho de centenas de metros ao longo de toda a extensão do Horto Municipal, passando ao lado de residências vizinhas e de um playground situado na parte da frente do Horto, expondo crianças ao risco de atropelamento e à enorme poeira levantada. A empresa EMEC, já tendo conhecimento das críticas que vínhamos fazendo sobre o risco de morte a que as crianças estavam submetidas, acabou de construir uma cerca de proteção, neste final de março. Mas continua a exposição à poeira e à poluição dos veículos.

 Os moradores das residências próximas também vêm sofrendo com o excesso de poeira no ar e com a poluição gerada pela combustão de óleo diesel. São diversos os relatos de problemas de saúde, principalmente de ordem respiratória e oftalmológica. Será que a solução da empresa vai ser asfaltar boa parte do Horto? As queixas também se referem ao ruído dos veículos e ao surgimento de rachaduras nas casas, com a movimentação de veículos de grande porte.

 A área atualmente ocupada pela EMEC é mencionada em uma página divulgação oficial da Prefeitura, em 23 de maio de 2011 (ver anexo), como sendo um local (dentro do Horto) onde os visitantes poderiam ter contato com canteiros de hortaliças, leguminosas e plantas medicinais. Na verdade, estes canteiros passaram por processo de deterioração nos últimos anos.

 A comunidade tinha a expectativa da implementação de um projeto de recuperação da flora naquela parte do terreno do Horto, para usufruto pela população, fosse para lazer, projetos educacionais, ou como parte de uma reserva ecológica. Ao invés disto, o que se viu nos últimos anos, foi a contínua degradação da área, inclusive com a aplicação de herbicidas em larga escala, culminando agora com a devastação da maior parte da flora para possibilitar a construção do enorme galpão da empresa e a transformação de grande parte do referido espaço em uma garagem de veículos pesados.

 São incluídas fotos que mostram os danos causados ao Horto com a vinda da empresa EMEC. Dentre estas, algumas indicam que a empresa estaria despejando dejetos in natura provenientes dos banheiros químicos e dos banheiros do galpão. Neste caso, será inevitável a contaminação do lençol freático.Os moradores estão revoltados e procurando todas as formas de denunciar  este descalabro, e, desde já, se colocam à disposição da imprensa para uma reunião, inclusive como forma de facilitar a visualização da região afetada, já que a esta parte do Horto só é permitido o acesso com autorização da EMEC. O espaço público antes acessível à comunidade foi efetivamente “privatizado”."

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 Fotos recebidas junto ao email cujas identidades estão preservadas, mas, arquivadas.

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Do que eu conheço...
09/02/2015 | 11h52
mesquitaNão é muito, também não é pouco,  a Mesquita de Córdoba - Andaluzia, Espanha -, é uma das mais belas construções muçulmanas ao longo de séculos, destaque arquitetônico do Ocidente. Um verdadeiro deslumbre aos olhos com seus milhares de arcos e colunas que fascinam milhões de visitantes. Construída em mármore e pedra no século VIII, quando do domínio árabe na Península Ibérica por quase 800 anos , a mesquita nos dias de hoje (há nove anos) é propriedade da Diocese de Córdoba, ou seja, da Igreja Católica que a nomeia de Catedral de Córdoba e está sendo acusada pelos muçulmanos de querer apagar a sua história. Considerada até o século XVI como a segunda maior mesquita do mundo, só batida pela Grande Mesquita de Meca, passou a ser a terceira com a construção da Mesquita Azul, em Istambul; é arrolada como Patrimônio Mundial da Unesco. Como o momento histórico é de uma renovada escalada religiosa beligerante, parece que por conta desta, mistura-se o anti-jihadismo na "disputa" ao tentar apagar a memória islâmica deste monumento. Os guias turísticos oficiais da prefeitura da Córdoba, a descrevem como uma fugaz intervenção islâmica. O fato tem causado polêmica entre historiadores e intelectuais e está no Tribunal Cordobês. — Seria importantíssimo que, através da mesquita de Córdoba, os visitantes pudessem conhecer, de primeira mão, informações fundamentadas sobre a História e a configuração do Islã em Al-andalus, em Córdoba, entre os séculos VIII e X. Esta é uma ferramenta excelente para combater a ignorância, o fanatismo e a intolerância - afirma Eduardo Manzano Moreno, historiador medieval e autor do livro “Conquistadores, emires e califas. Os Omeyas e a formação de al-Andalus”. Os escritores uruguaio Eduardo Galeano e irlandês Ian Ginson são alguns dos que, junto com os espanhóis Antonio Gala, José Manuel Caballero Bonald, Antonio Muñoz Molina, Rosa Montero e Javier Reverte, se uniram à campanha “Mesquita-catedral de Córdoba: patrimônio de todos”, que conta com mais de 400 mil assinaturas. O arquiteto britânico Norman Foster, os guitarristas de flamenco Manolo Sanlúcar e Vicente Amigo, e o cineasta Benito Zambrano também se juntaram. Tempos pobres. Tempo infame. Fonte: O Globo
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#euvoutomarbanhonacasadoAlckimin
27/01/2015 | 10h31
Uma das tantas brincadeiras (apesar da gravidade do tema) que o paulista criou para enfrentar com algum humor a falta d'água. A hashtag acima, ontem (26/01), levou um grupo às ruas de São Paulo, em clima de animação e ironia protestaram em frente à casa do governador de São Paulo. O grupo não foi grande, não importa, toda a mídia nacional divulgou. O governador Alckimin, até agora, não admite com todas as letras o que todos nós assistimos diariamente pelos canais de TV: a falta d'água nas torneiras das residências e nos estabelecimentos industriais e comerciais do estado. [caption id="attachment_8691" align="aligncenter" width="460"]protestoaguaspfutura2 Foto: Luiz Claudio Barbosa / Futura Press "Acumule a inhaca para o maravilhoso Dia do Banho Coletivo na Casa do Geraldinho! ..."[/caption] Como é difícil cair a ficha dos governantes brasileiros e admitir as trapalhadas, o erro puro e simples, a falta de visão de médio e longo prazo, a gastança naquilo que carece de serventia à população. Para essa casta de governantes que se jactam de impolutos e eficientes planejadores, caiu a ficha geral. Campos dos Goytacazes que o diga!
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Pra pensar 2
13/01/2015 | 09h19
De tudo que tenho lido na imprensa nacional, internacional e redes sociais sobre a carnificina que abateu os geniais cartunistas do jornal francês satírico Charlie Hebdo, na semana passada, talvez o mais esdrúxulo seja a falsa solidariedade manifesta disfarçada no viral Je ne suis pas Charlie (Eu não sou Charlie). Sob o manto da politicamente correta tolerância e do mantra pretensamente difuso, "o meu direito termina quando começa o do outro", buscam as "razões" que justificam o absurdo de invadir uma redação de jornal e sumariamente matar profissionais da imprensa, em pleno exercício profissional, no coração de uma república democrática e das mais representativas na conquista e observação dos direitos civis universais. Forçando um pouco a barra, mas, nem tanto, logo me lembrei da situação da mulher que quando estuprada, até recente, era responsabilizada (indiretamente) pela violência cometida pelo homem. Afinal, se ela estivesse sentada assim ou assado, com a roupa tal ou qual, ela em última instância é que teria provocado o agressor a agir. Também, me fez recordar os inúmeros casos de agressão e morte de mulheres que supostamente teriam ferido a honra dos maridos. Feridos na honra, ganhavam o direito de espancar e matar. Analisar as origens históricas do fundamentalismo religioso, nos ajuda a entender o fanatismo religioso - ou de qualquer natureza -  contemporâneo, nunca a compactuar com suas ações bárbaras. Passado quase uma semana do atentado que animalescamente ceifou 17 vidas, reafirmo, junto aos quase quatro milhões de franceses que foram às ruas no domingo passado, daqui desta planície goytacá: Eu sou Charlie (Je suis Charlie). Amanhã sairá a próxima edição do semanário francês. Já sem a sua cabeça pensante, no entanto, uma edição histórica. Dos 50 mil exemplares regulares, Charlie Hebdo irá às bancas com uma tiragem de 3 milhões. Abaixo, segue a capa já divulgada pela mídia de meio mundo. Foi desenhada pelo cartunista Luz, sobrevivente ao atentado terrorista por ter chegado atrasado naquela manhã fatídica. Com fundo verde, representando o extremismo islâmico, a caricatura do Maomé, com uma lágrima e segurando um cartaz, onde se lê: Eu sou Charlie. Acima dele, escrito em negro, Tudo está perdoado.Image-1(1)  
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Pra pensar
10/01/2015 | 07h55
Os últimos acontecimentos na França, colocam sérias questões para os futuros possíveis que estão por vir (já se anunciaram) e que, de algum modo, repercutirão em todo o mundo. Amanhã, domingo (11/01), assistiremos a uma mega manifestação na capital francesa (Paris), cidade oprimida pelos atos terroristas recentes. Dela participarão, primeiro a população indignada, fiel às liberdades democráticas, aos ideais que fizeram daquela república um baluarte da convivência entre os diferentes, do estado laico, da garantia aos direitos civis. Em segundo, líderes e representantes governamentais de meio planeta, muito deles - por ação ou omissão - corresponsáveis pela radicalização crescente entre Oriente e Ocidente.
As redes sociais foram tomadas por dois virais: "Eu sou Charlie" e "Eu não sou Charlie". Não há como ignorar os acontecimentos. Declararei-me, desde o início da carnificina: Eu sou Charlie, porque no momento trata-se de defender o direito à livre expressão do pensar. O momento é de unidade na defesa da democracia que a duríssimas penas foi conquistada, aqui como lá. Trago o artigo abaixo como uma contribuição, sugiro que leiam.

O terrorismo, a extrema-direita e o suicídio europeu

O ato terrorista contra os jornalistas do Charlie Hebdo é apenas a ponta do iceberg. A Europa inteira está assentada sobre uma bomba-relógio.

 

O ato terrorista contra os jornalistas do Charlie Hebdo francês, em Paris, que também provocou a morte de um funcionário da revista, de dois policiais no ato e possivelmente de mais um em tiroteio posterior, é apenas a ponta de um iceberg.

A Europa inteira está assentada sobre uma bomba-relógio. Não é uma bomba comum, porque casos como o do Charlie Hebdo mostram que ela já está explodindo. Nas pontas da bomba estão duas forças antagônicas, com práticas diferentes, porém com um traço em comum: a intolerância herdeira dos métodos fascistas de antanho. De um lado, estão pessoas e grupos fanatizados que reivindicam uma versão do islamismo incompatível com o próprio Islã e o Corão, mas que agem em nome de ambos. Os contornos e o perfil destes grupos estão passando por uma transformação – o que aconteceu também nos Estados Unidos, no atentado em Boston, durante a maratona, e no Canadá, no ataque ao Parlamento, em Ottawa. Cada vez mais aparecem “iniciativas individuais” nas ações perpetradas. Este tipo de terrorismo se fragmentou em pequenos grupos – muitas vezes de familiares – que agem “à la cria”, como se dizia, em ações que parecem “espontâneas” e até “amalucadas”, mas que obedecem a princípios e uma lógica cuja versão mais elaborada, para além da “franquia” em que a Al-Qaïda se transformou, é o Estado Islâmico que se estruturou graças à desestruturação do Iraque e da Síria. São fanáticos que negam a política consuetudinária como meio de expressão de reivindicações e direitos: negam, no fundo, a própria ideia de “direitos”, inclusive o direito à vida, como fica claro no gesto assassino que vitimou o Charlie Hebdo. Do outro, estão os neofascistas – ou antigos redivivos – que se agarram à bandeira do anti-islamismo também fanático como meio de arregimentar “as massas” em torno de si e de suas propostas. Agem de acordo com as características próprias dos países em que atuam, mobilizando, de acordo com as circunstâncias, as palavras adequadas. No Reino Unido, criaram o United Kingdom Independence Party – UKIP, Partido da Independência do Reino Unido, nome malandro que oculta e ao mesmo tempo carrega a ojeriza pela União Europeia. Na França têm a Front Nationale da família Le Pen, que mobiliza o velho chauvinismo francês que lateja o tempo todo desde o caso Dreyfus, ainda no século XIX. Na Alemanha é feio ser nacionalista alemão, desde o fim da Segunda Guerra. Então criou-se um movimento – PEGIDA – que se declara de “Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente”, procurando uma fachada pseudamente universalista para seus preconceitos anti-Islã e anti-imigrantes. Esta, aliás, é a bandeira comum destes movimentos: fazer do imigrante ou do refugiado político ou econômico o bode-expiatório da situação de crise que o continente vive, assim como no passado se fez com o judeu e ainda hoje se faz com os roma e sinti(ditos ciganos). Na Itália este fascismo latente se organiza com o nome de “Liga Norte”, mobilizando o preconceito social contra o sul italiano, tradicionalmente mais empobrecido. São movimentos que, embora busquem por vezes o espaço da política partidária, como é o caso do UKIP e da Front Nationale, ou mesmo da Liga Norte, têm como cosmovisão a negação da política como espaço universal de manifestação de direitos e reivindicações. Negam a política como campo de manifestação das diferenças, barrando ao que consideram como alteridade o direito à expressão ou mesmo aos direitos comuns da cidadania. O exemplo histórico mais acabado disto foi o próprio nazismo que, chegando ao poder pelas urnas, fechou-as em seguida. O caldo de cultura em que vicejam tais pinças contrárias à vigência dos princípios democráticos é o de uma crise econômico-financeira que se institucionalizou como paisagem social. Na Europa a tradição é a de que crises deste tipo levam a saídas pela direita. O crescimento do UKIP e da Front Nationale, partidos mais votados nas respectivas eleições para o Parlamento Europeu, em maio de 2013, é eloquente neste sentido. Na Alemanha as manifestações de rua do PEGIDA vêm crescendo sistematicamente, atingindo o número de 18 mil pessoas na última delas, na cidade de Dresden, reduto tradicional de manifestações nostálgicas em relação ao passado nazismo devido a seu (também criminoso) bombardeio ao fim da Segunda Guerra pelos britânicos. Deve-se notar, como fator de esperança, que manifestações contra estas formas de intolerância – o terrorismo que reinvindica o Islã como inspiração e os movimentos de extrema-direita – têm tomado corpo também. Houve manifestações de solidariedade aos mortos na França em várias cidades europeias e na Alemanha manifestações contra o PEGIDA reuniram milhares de pessoas em diferentes cidades. Mas pelo lado da exprema-direita cresce a aceitação de suas palavras de ordem na frente institucional (líderes do novo partido alemão Alternative für Deutschland têm acolhido reivindicações do PEGIDA) e junto à opinião pública. Na Alemanha recente pesquisa trouxe à baila o dado preocupante de que 61% dos entrevistados se declararam “anti-islâmicos”. Como ficou feio alegar motivos racistas, o que se alega agora no lado intolerante é a “defesa da religião” ou a “incompatibilidade cultural”. Os assassinos do Charlie Hebdo gritavam – segundo testemunhas – estarem “vingando o profeta”, referência a caricaturas de Maomé consideradas ofensivas. Na outra ponta jovens da Front Nationale, também no ano passado,  recusavam a pecha de racistas e declaravam aceitar o mundo muçulmano – em “seus territórios”, não na Europa agora dita “judaico-cristã”, puxando para seu aprisco a etnia ou religião que a extrema-direita europeia antes condenava ao ostracismo, ao campo de concentração e ao extermínio. Os partidos e políticos tradicionais, em sua maioria, estão brincando com fogo, sem se dar conta, talvez. Não aceitam o reconhecimento, por exemplo, que grupos por eles apoiados na Ucrânia são declaradamente fascistas, homofóbicos e até antissemitas. Preferem exacerbar o sentimento antirrusso e anti-Putin. Durante mais de uma década as duas agências do serviço secreto alemão concentraram-se em esmiuçar a vida dos partidos e grupos de esquerda (além dos possíveis terroristas islâmicos) e negligenciaram criminosamente o controle sobre os grupos e terroristas alemães. No momento o “grande terror” que se alastra no establishment europeu não é o de que a extrema-direita esteja em ascensão, embora isto também preocupe, mas é o provocado pela possibilidade de que um partido de esquerda, o Syriza, vença as eleições na Grécia (marcadas para 25 de janeiro), forme um governo, e assim ponha em risco os sacrossantos pilares dos planos de austeridade. Nega-se o pilar da democracia: contra o Syriza agitam-se as ameaças de expulsão da Grécia da zona do euro e até da União Europeia; ou seja, procura-se castrar a livre manifestação do povo grego através da chantagem política e econômica. Se as coisas continuarem como estão, poderemos estar assistindo o suicídio da Europa que conhecemos. O que nascerá destes escombros ainda se está por ver, mas boa coisa não será, nem para a Europa, nem para o mundo. (*) Originalmente publicado no Blogue do Velho Mundo, na Rede Brasil Atual. Fonte: aqui
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Terror investe contra a liberdade de expressão
07/01/2015 | 05h29
O dia começou sangrento na capital da França. Quatro homens mascarados atacaram a redação da revista de humor Charlie Hebdo, em Paris. Invadiram a reunião de redação , aos gritos de “vingamos o profeta” e fuzilaram 11 pessoas. Depois, na rua, mataram mais um, dessa vez um policial. Em um  vídeo, filmado por um dos ocupantes do edifício que se refugiou num telhado, divulgado no site da televisão pública France Télévisions, pode-se ouvir entre disparos a voz de um deles gritar: “Allahu Akbar” (Alá é grande). Eram 11h30 (hora local), quando teve início a carnificina. Dois homens armados com um fuzil automático kalashnikov e um lança-foguetes entraram na sede do Charlie Hebdo. Houve troca de tiros com as forças de segurança, relatou uma fonte próxima da investigação à agência France Presse. Na fuga, os atacantes ainda feriram um policial a tiro. Entre os mortos quatro reconhecidos cartunistas franceses:  Georges Wolinski, o editor da publicação, Stephane Charbonnier, o "Charb"; Jean Cabut, o "Cabu"; e Tignous. Wolinski era uma lenda internacional do cartum, um dos símbolos vivos do Maio de 68. [caption id="attachment_8629" align="aligncenter" width="620"]cartunistas mortos Fotos de arquivo mostram cartunistas da equipe da revista 'Charlie Hebdo' mortos no ataque. Da esquerda para a direita: Georges Wolinski (em 2006), Jean Cabut - o Cabu (em 2012), Stephane Charbonnier - o Charb (em 2012) e Tignous (em 2008) (Foto: Bertrand Guay, François Guillot, Guillaume Baptiste/AFP)[/caption] Ao Jornal Hoje, Ziraldo declarou: "A gente é amigo de longe. Mas toda vez que eu vou à França, encontro com ele. Ele já veio ao Brasil. A gente tem uma relação muito fraterna, muito agradável. Ele era muito combativo. Aquele francês bem irreverente e bravo. O 'Charlie Hebdo' fazia um humor muito agressivo. Acho que eles tinham muita coragem." O presidente francês, François Hollande, já no local,  descreveu a ação como um “ataque terrorista” de “extrema barbárie”. O jornal Charlie Hebdo tornou-se conhecido em 2006 quando decidiu republicar charges do profeta Maomé, inicialmente publicados no diário dinamarquês Jyllands-Posten e que provocaram forte polêmica em vários países muçulmanos. Em 2011, a sede do semanário foi destruída num incêndio de origem criminosa depois da publicação de um número especial sobre a vitória do partido islamita Ennahda na Tunísia, no qual o profeta Maomé era o “redator principal”. No mundo todo, além da manifestações oficiais, a população solidária se organiza para ir às ruas. Pelas redes sociais, estampam em seus perfis, Je suis Charlie. Daqui, contra toda forma de opressão e restrição da liberdade de expressão, Eu sou Charlie! Dia de triste memória. Image-1 Fontes: Agência Brasil, G1, Folha da Manhã
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