Calou-se uma voz dos oprimidos
04/05/2014 | 01h41
Calou-se a voz de Tomás Balduíno,                                                                         
nessa noite de 2 de maio.
Uma voz que nunca quis ser sozinha,
sabia, desde os anos de chumbo:
uma voz solitária não suspende a manhã.
Quis ser uma voz entre vozes,
ergueu sua voz dentro do vasto coro dos oprimidos:
os índios, os posseiros, os lavradores,
os retirantes da seca e da cerca
e os que se levantam contra elas,
as mulheres, os negros, os migrantes, os peregrinos
para forçar claridades, para ensinar amanhecer.
Tomás é palavra.
A palavra que banha como bálsamo.
A palavra que fustiga.
Incendeia.
A palavra que perdoa
mas aponta - sempre - o caminho da Justiça.
E o que somos na vida?
Somos os ossos das palavras
que povoam o caminho de pedra ou flores
que sangram os pés dos nossos filhos.
Tomás é sertão.
O sertão e suas armadilhas.
O sertão e suas infinitas contradições.
Tomás é sertão
onde se dobram os ventos de Goiás e Minas,
onde nascem águas
nessa infinita geografia
que alimenta nossas esperanças.
Calou-se a voz de Tomás Balduíno.
Permanecerá sua palavra.
Tomás é sertão:
gesto de fé nessa gente que não se dobra.
Pedro Tierra Brasilia,Manhã de 3 de maio 2014
NOTA DE FALECIMENTO
Dom Tomás Balduino, fundador da CPT, fez a sua páscoa
“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu: Tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou...
tempo de lutar e tempo de viver em paz”.
(Eclesiastes 3:1-8)
É com grande pesar e muita tristeza que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) comunica a todos e todas o falecimento de Dom Tomás Balduino. Fundador da CPT, bispo emérito da cidade de Goiás e frade dominicano, Dom Tomás lutou por toda sua vida pela defesa dos direitos dos pobres da terra, dos indígenas, das demais comunidades tradicionais, e por justiça social. Nem mesmo com a saúde debilitada e internado no hospital ele deixava de se preocupar com a questão da terra e pedia, em conversas, para saber o que estava acontecendo no mundo.
Aos 91 anos, completados em dezembro passado, Dom Tomás Balduino, o bispo da reforma agrária e dos indígenas, nos deixa seu exemplo de luta, esperança e crença no Deus dos pobres. Ficamos, hoje, todos e todas um pouco órfãos, mas seguimos na certeza de quem Dom Tomás está e estará presente sempre, nos pés que marcham por esse país e nas bandeiras que tremulam por esse mundo em busca de uma sociedade mais justa e igualitária.
Dom Tomás faleceu em decorrência de uma trombo embolia pulmonar, às 23h30 de ontem, 02 de maio de 2014. Ele permaneceu internado entre os dias 14 e 24 de abril último no hospital Anis Rassi, em Goiânia. Teve alta hospitalar dia 24, e no dia seguinte foi novamente internado, porém desta vez no Hospital Neurológico, também em Goiânia.
O Corpo será velado na Igreja São Judas Tadeu, no Setor Coimbra, em Goiânia, até às 10 horas do domingo, dia 4 de maio, momento em que será concelebrada a Eucaristia, e logo em seguida será transladado para a cidade de Goiás (GO), onde será velado na Catedral da cidade até às 9 horas da segunda-feira, 5 de maio, e logo em seguida será sepultado na própria Catedral.
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MISSA DE 7º DIA
18/03/2014 | 11h51
Circula na rede social Facebook , o convite dos amigos e familiares para a missa de sétimo dia do ator e animador cultural David Moreira, friamente assassinado, na madrugada do sábado passado, no Parque Rosário, Campos. A  cerimônia religiosa será realizada na Catedral Basílica do Santíssimo Salvador de Campos dos Goytacazes, quinta feira, 20/03,  às 19h.

 
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APLAUSOS
15/03/2014 | 05h50
O corpo do ator e animador cultural, David Moreira, assassinado com um tiro no pescoço, no Parque Rosário, está sendo velado no Teatro Municipal Trianon. Segundo a Folha Online, será a partir das 21h transferido para Barra do Itabapoana, distrito de São Francisco de Itabapoana, onde será velado na madrugada e sepultado às 9h de amanhã, domingo. O delegado adjunto da 134ª, Paulo Pires, em coletiva, prendeu dois menores suspeitos. Com a apreensão da arma do crime - um revólver calibre 38 -, os dois confessaram o crime. Foram quatro tiros, um atingiu David. Leia reportagem na íntegra aqui.

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LUTO
15/03/2014 | 10h52
Amanheço, abatida com a trágica notícia do assassinato do colega David Moreira, ocorrido na madrugada de hoje. Para quem através da criatividade e doação só proporcionou renovadas alegrias, um fim triste, injusto. O meu respeito à família e à imensa legião de amigos e admiradores.

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Consternação
03/02/2014 | 12h37
Foi com esse sentimento que recebi, no Rio de Janeiro, o telefonema com a notícia da morte de Cristina Mocaiber, esposa do ex-prefeito Alexandre Mocaiber. A lembrança que dela guardo com mais força foi exatamente a daquele dia , fatídico, o 11 de março de 2008. A imagem da mulher e mãe que vigorosamente defendia a sua casa dos invasivos holofotes de uma mídia ávida, postada agressivamente no portão de sua casa. Aquela cena, repetida pelos canais de televisão, dava conta da surpresa e desamparo da mulher,  com o episódio local que ganhou todas as tintas de escândalo nacional. No olho do furacão criado, seu marido e então prefeito de Campos. Do outro lado, assoprando a ação policial cinematográfica, que era alardeada ao vivo através dos microfones de uma emissora de rádio campista, como narrador de um roteiro de novela radiofônica, o marido da atual prefeita. Parêntese:  passados seis anos, o processo que arrastou mais de 40 pessoas, não passou da primeira instância, nesta foi anulado por ser considerado "viciado", sofreu recurso e .  Aguarda-se que se esclareçam as supostas denúncias que tanto mexeram com vidas, reputação de vidas e que ato contínuo reconduziu ao poder municipal a força política que "entusiasmada" dele se beneficiou. [caption id="attachment_7535" align="alignleft" width="300" caption="Ft. Folha da Manhã"][/caption] Me reporto a Cristina Mocaiber, como uma das integrantes daquela administração, com a qual não privei da intimidade, mas, pela discrição no exercício da espinhosa função de primeira dama, de imediato conquistou meu respeito e carinhosa admiração. Com pesar, lembro da figura feminina educada. Digna, suportou o sofrimento que se abateu sobre sua família. Faço de público a minha homenagem a ela, ao seu marido, filhos e familiares.  
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Má notícia
04/11/2012 | 04h12
Cheguei a pouco de Cabo Frio e recebo a notícia da morte de Danilo Kniffis, aos 72 anos. Conheci Danilo desde minha chegada a Campos; era vereador, advogado e frequentava o bar 'Papo Quente', no Parque Tamandaré, onde fomos moradores de um outro bairro, de uma outra Campos. Nesse bar, esquina da Rua Colatino Gusmão, onde nasceu minha filha, Danilo se encontrava com uma turma pra lá de eclética em animadas conversas . Lembro-me das histórias humoradas que contava a respeito de seu estimado poodle. Segundo ele, o cão era do tipo grande, dormia junto dele e de sua mulher Aparecida e rosnava com ciúmes da esposa quando ele entrava no quarto. Danilo sempre afável e educado, podia ser também visto em Atafona onde tinha uma simpática casa. O ex-vereador, também trabalhou na antiga CERJ e na Cooperflu, estava no Rio de Janeiro quando em decorrência de um aneurisma veio a falecer. Deixa uma legião de amigos. Faço aqui minha homenagem. O enterro será hoje (4/11), às 17h,no Cemitério do Caju.
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Morreu Carlos Nelson Coutinho
20/09/2012 | 05h21
Somo-me aqui aos que registram a morte do intelectual marxista. Quem em algum momento militou na esquerda contemporânea sabe de suas idéias e de sua produção no campo do pensamento e das ciências sociais no Brasil. O velório está sendo realizado hoje no Atrium do Fórum de Ciência e Cultura,RJ. Entre tantas bonitas e sinceras homenagens que circulam na internet, reproduzo emocionado texto coletivo de seus alunos da UFRJ.   [caption id="attachment_4778" align="alignleft" width="262" caption="Ft. Google"][/caption]

A UM POETA DA REVOLUÇÃO BRASILEIRA

Homem que passou por mais de um partido, Carlos Nelson Coutinho foi  extremamente íntegro e coerente com a mesma luta, aquela descrita por Antonio Gramsci em sua Concepção dialética da história:
Criar uma nova cultura não significa apenas fazer individualmente descobertas originais; significa também, e sobretudo, difundir criticamente verdades descobertas, socializá-las por assim dizer; transformá-las portanto em base de ações vitais, em elemento de coordenação e de ordem intelectual e moral. O fato de que uma multidão de pessoas seja levada a pensar coerentemente e de maneira unitária a realidade presente é um fato “filosófico” bem mais importante e original do que a descoberta, por parte de umgênio”, de uma nova verdade que permaneça como patrimônio de pequenos grupos intelectuais.
Para além de suas contribuições originais, sem dúvida, a maior herança deixada pelo tradutor, pelo editor, pelo pensador e pelo militante Carlos Nelson é a difusão de uma “nova cultura”, profundamente comprometida com a luta pelaemancipação humana.
Com imensa generosidade, somente igualável a sua erudição, Carlito, como os amigos e camaradas mais próximos o chamavam, contribuiu para forjar novas gerações de lutadores e lutadoras comprometidos com a transformação social da realidade, solidamente formados naquilo que de melhor a tradição marxista produziu.
Hoje, dia de homenagens e de despedida, não queremos nos privar de dizer que, parafraseando Pablo Neruda nos versos que dedicou ao seu Partido, Carlito se tornou indestrutível, pois com o legado que nos deixa ele não termina em si mesmo, mas segue conosco, nas lutas que irmanadamente assumimos.
Ao prefaciar uma obra sobre a revolução sandinista, certo companheiro afirmou que, na Nicarágua, a poesia tomou o poder. Infelizmente ainda não é possível dizer o mesmo sobre o Brasil. Todavia, camaradas como Carlos Nelson escreveram e nos deixaram belos e importantes versos. Cabe a nós, novas gerações, levar a poesia ao poder!
Camarada Carlos Nelson Coutinho: PRESENTE, PRESENTE, PRESENTE!!!
Corpodiscente da Escola de ServiçoSocial da UFRJ
Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2012.
 
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Luto
13/09/2012 | 03h25
[caption id="attachment_4678" align="alignleft" width="169" caption="Ft. Google"][/caption] Com consternação tomo conhecimento do falecimento de Rita Maria Abreu Maia, figura marcante da vida acadêmica de Campos, professora apaixonada por seu ofício nas Letras. Tive o grande prazer de conviver produtivamente com ela, quando indicada pela universidade tomou assento no Conselho Editorial, da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima, época em que eu estive à frente como gestora. Rita, sem palavras que a definam melhor do que impecável:  no profissionalismo, na ética, no caráter, nas amizades e na mais fina alegria de viver. Coisa de uns tês anos, estivemos juntas em sua luminosa casa, onde de alguns anos residia, em Niterói. Anfitriã de primeira, nos recebeu com uma saborosa e farta moqueca de peixe, bem ao gosto das descontraídas conversas que como poucos, ela sabia alimentar. O sepultamento será hoje (13/12), em Niterói. Toda minha homenagem. fonte: Blog Reflexões, Gianna Barcelos  
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Silêncio
17/08/2012 | 07h40
Havia preparado o post " Memorial do Holocausto" que se esvaziou de sentido face à notícia do dramático desfecho que se abateu sobre Campos, com a morte do jornalista e fundador da Folha da Manhã, Aluysio Cardoso Barbosa.  Por um acaso do destino, era o  tema que de longe traria  ao blog; ela, que quando aparece nos arrasta pelo calcanhar. Do que o conheci, creio que gentil e firmemente me diria para não parar de reportar, mas meu constrangimento é maior. De público, rendo assim minha pequena e respeitosa homenagem. Luciana Portinho  
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Nota de Falecimento
24/07/2012 | 04h34
Há pouco tomei conhecimento do falecimento do arquiteto Francisco Leal. É dele o belo projeto do Palácio da Cultura de Campos. No concreto armado criou um espaço amplo em centro de praça, estilo moderno com colunas que remetem ao tronco da palmeira imperial, arejado e arrojado como a Cultura. Fica meus sentimentos.lp [caption id="attachment_4384" align="aligncenter" width="493" caption="ft. César Ferreira"][/caption]

 

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Sobre o autor

Luciana Portinho

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