Tão bonito quanto abandonado
28/08/2015 | 08h27
Creio que os leitores o localizarão na paisagem urbana de Campos. Largado, cheio de rachadura, relógio estragado, mato crescente a fazer com que a infiltração corrompa ainda mais a estrutura. Perdido por trás do tapume de uma duvidosa obra em que a Prefeitura de Campos  - de costas aos anseios da sociedade e da unanimidade dos setores culturais  - teima em realizar. E o irônico da situação, a PMCG meteu os tapumes, não os retira, não realiza e deixa os rastros do abandono aumentarem, quiçá como uma aposta no quanto pior melhor para depois amealhar o alívio momentâneo da população pela conclusão. Prática caduca desse governo local trôpego. Inicia obras sem caixa, arrogantemente sem discutir com a sociedade, em um mero orçamento de papel. EITA CAMPOS!
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Qual é o cartão-postal de Campos?
27/07/2015 | 01h47
Tenho lido matérias jornalísticas sobre a volta (ainda que restrita) do bondinho de Santa Teresa, motivo de alegria do carioca e de esperanças para o comércio do tradicional bairro da cidade do Rio de Janeiro. Demorou, mas, enfim, volta aos trilhos. O bondinho é um ícone no imaginário dos moradores da cidade, é amálgama de uma identidade; um pedaço do passado integrado à paisagem. E atrai turistas. Me pus a pensar em Campos. Qual seria o nosso cartão-postal? Lembrei-me de alguns que poderiam ter continuado a ser. O Mercado Municipal: entregue aos ratos e à sujeira. O Horto Municipal: sucateado e transformado em depósito de máquinas. O rio Paraíba do Sul: seco pela estupidez e desmandos dos governantes (de todos sem exceção). O Pavilhão de Regatas: demolido a golpe de marreta pela atual administração que se aboleta na prefeitura de Campos como trampolim para interesses particulares. Qualquer cidade em qualquer canto da Terra que tenha governantes com um mínimo de amor pelo seu chão, de gratidão por sua raiz e cultura (ainda que incipiente), embeleza o território com continuado carinho... Alguém poderia lembrar de algum?    
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Uma sobrevivente
17/05/2015 | 05h47
Nascida em área nobre da ventilada Orla de Guarus, vizinha do Rio Paraíba do Sul, no Jardim Carioca. A coitada faz de tudo para resistir à praga que a sufoca,mas, está difícil! IMG_5396 Brincadeirinha à parte, esta é apenas uma, de tantas, das escassas árvores da cidade de Campos. Em outras partes do planeta o poder público já acordou para a necessidade de preservá-las para o bem do Homem como, por exemplo, em Berlim (Alemanha) onde cada pé de árvore é identificado. Cada uma tem um plaquinha afixada, como se fosse um registro geral com espécie, data de plantio e intervenções fitossanitárias praticadas.  Esses dados são digitalizados em programa específico de controle. E assim a cidade é verde.
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QUEM É QUE AGUENTA?
05/03/2015 | 08h12
Quem anda pelo centro da cidade, encontra muita poeira, obras que há 6 anos se arrastam, postes na faixa dos deficientes visuais, um emaranhado - sem fim de fios - pendurado e o comércio visivelmente prejudicado. É isso, sem tirar nem pôr. Assim fiz, ontem, meus registros em necessária circulação pela área central de Campos, conhecida como Centro Histórico. De cara, me assustou a quase totalidade de lojas comerciais que fecharam as portas nos últimos meses. Me refiro ao trecho da Rua João Pessoa, entre as ruas Sete de Setembro e Andradas. Chocante! Seguindo pela mesma Rua João Pessoa, depois de ultrapassar esse cemitério de estabelecimentos comerciais, é um canteiro de obra por mais três quadras, até a Rua Treze de Maio. Apesar de tumultuar a vida de todos transeuntes e lojistas não dá pinta de em breve terminar. São 6 anos que o Centro assim se encontra. A retirada da fiação, um dos objetivos anunciados pela PMCG, quando do início da intervenção naquela área, não aconteceu, continua lá, do mesmo jeito, mesmo em logradouros por onde as obras findaram há mais de 2 anos. A sensação que fica é de que os atuais ocupantes da prefeitura devem estar fazendo contas de mais um mandato eletivo (seriam então 12 anos), para finalmente entregar à população aquilo que, se tivessem vontade política, poderia ter sido feito no primeiro mandato, ou seja, em 4 anos. Obra pública suada em conta gotas, cara, responsável pela quebradeira de muitos comerciantes, mas, o que isso importa para quem não tem que correr atrás do pão nosso de cada dia?! Uma vergonha. Ou melhor, mais uma. obra centro 1                                                                      obra centro 5                 obra centro 3                                                                       obra centro 4               centro quebra 1                                  obra centro 8                   IMG_4983(1)
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Sobre o destino dos cocôs: esclarecimentos
03/02/2015 | 07h28
Recebi, agora a pouco, um telefonema do responsável pela empresa WORKING, ganhadora da licitação municipal dos banheiros químicos. O mesmo se sentiu prejudicado acerca do meu último post, ver aqui. Fez questão de me repassar detalhes sobre o despejo dos dejetos recolhidos nos banheiros químicos. Como em nenhum momento é nossa intenção, através deste blog, ser injusta com quem quer que seja,  nem tampouco com qualquer empresa na realização de seus serviços, passo a relatar o teor da nossa conversa. Segundo o mesmo, a WORKING está licenciada junto ao Inea, possui contrato junto à empresa Águas do Paraíba para despejo regular dos excrementos na estação de tratamento que se localiza na Chatuba, esta inclusive está bem perto da sede da própria WORKING, cerca de 600 metros. Também me afirmou que toda a sua frota de caminhões é  adesivada com o nome da empresa e monitorada por satélite. Alegou-me que não faria nenhum sentido deslocar-se longe, para o Horto Municipal, para tal fim. Por fim, disse estar ciente que ninguém está, em algum momento, sujeito a alguma atitude de má fé por parte de algum funcionário, ou mesmo por algum adversário concorrente. Após ouvi-lo atentamente, pedi que me enviasse a documentação que julgasse pertinente. O blog as publicará. Chamo a atenção de que a foto que serviu de ilustração no post anterior foi retirada do site oficial da PMCG, a fonte está citada. Como de costume, desde o início de sua existência, o blog está aberto a todos que nele queiram se manifestar.        
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Um alento para o transitar do campista
19/08/2014 | 11h58

Enfim, saiu no papel o novo traçado que afastará a BR101 da malha viária urbana de Campos. Sexta-feira (15/08), em primeira mão o Blog Ponto de Vista do Crhistiano Abreu Barbosa anunciou aqui e ontem novamente, aqui.

Hoje (19/08), o blog do colega Nino Bellieny, sediado na cidade vizinha de Itaperuna, também levou a notícia à região noroeste, ver aqui.

Agora é esperar que  se cumpra o prazo - três anos- anunciado para conclusão do novo traçado, mas, é um alento e um indicador da irreversibilidade do boom em Campos.

 

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Acolhimento
29/04/2014 | 11h57

No poeta o desalento encontra refúgio.

[caption id="attachment_7969" align="aligncenter" width="400" caption="Fotografia: João Machado"][/caption]
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Cuida lá e toma cá
16/04/2014 | 01h35
Enquanto em demais cidades se respeita e facilita o direito de ir e vir dos deficientes visuais, a prefeitura de Campos abusa da maldade de fazer com que se acidentem. O discurso roto de que vão, em algum dia,  retirar os postes do caminho, é no mínimo piada de mau gosto. Veja: lá

 

E cá!

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Nosso muro está baixo
21/03/2014 | 06h14
Nosso muro está baixo Disse o poeta Eduardo Alves da Costa, de Niterói, no poema intitulado “No caminho com Maiakóvski”: [...] Na primeira noite eles se aproximam/e roubam uma flor/do nosso jardim./E não dizemos nada./Na segunda noite, já não se escondem;/pisam as flores,/matam nosso cão,/e não dizemos nada./Até que um dia,/o mais frágil deles/entra sozinho em nossa casa,/rouba-nos a luz, e,/conhecendo nosso medo,/arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada.[...] Pois é, todo mundo quer nos tomar alguma coisa. Há dois anos foram os royalties do petróleo, na mão grande, não respeitando contratos firmados, nem tampouco a Constituição (ainda não estamos definitivamente livres do assalto). Bem antes, também sobre a mesma matéria dos royalties, levamos a primeira garfada: impuseram-nos a cobrança do ICMS no estado final do consumo e não no da origem, no estado produtor. Agora vem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, querer captar água de um rio federal que é interestadual, para despejá-la no sistema Cantareira, reservatório responsável pelo abastecimento da grande São Paulo e que atravessa problemas. Há dois dias, o governador esteve com a presidente Dilma. Foram, então, convocados à reunião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e dirigentes da ANA (Agência Nacional de Águas) a quem cabe formalmente autorizar a captação. Óbvio que o rio é o Paraíba do Sul garantidor do abastecimento de cidades paulistas – do Vale do Paraíba – e em nosso estado, da capital e de outras cidades, incluindo a nossa Campos dos Goytacazes, em um total de 10 milhões de pessoas. O projeto paulista é antigo, sempre enfrentou a resistência dos técnicos do Rio de Janeiro, pela simples razão de que abasteceria a grande São Paulo e iria nos desabastecer. Outro problema é que ao diminuir, ainda mais, o volume da água do rio, aumentará a concentração de resíduos tóxicos despejados ao longo do seu curso por indústrias , o que fatalmente piorará, em muito, a qualidade da água em nossas torneiras. Os menos jovens lembram-se da catástrofe da Paraibuna de Metais, em 1982. Despejou de Minas no rio Pomba, afluente do Paraíba, enorme quantidade de resíduos tóxicos e ficamos quase por um mês só usando água mineral. É preciso dar um basta nas pretensões dos amigos do alheio. Este tem que ser dado através dos nossos deputados estaduais e federais, senadores e do governo do estado. A questão não será resolvida na argumentação e no bom senso, sim na política. Depende da firme atuação dos nossos representantes com mandato. Sem dúvida o nosso muro está baixo e todos se atrevem a nos invadir. Será que isto acontece devido à estatura de nossos políticos? De qualquer maneira não podemos ficar calados, senão, como disse o poeta, a nossa voz virão roubar, “E já não podemos dizer nada”. Makhoul Moussallem Médico conselheiro do CREMERJ e CFM Artigo publicado hoje, 21/03, no jornal Folha da Manhã
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As insatisfações,as manifestações e os medos
20/01/2014 | 12h37

A bastilha manda lembranças? Rolezinhos não são arrastões.

Os rolezinhos são parte de um contexto mais amplo de questionamento da inserção subalterna – nas relações internacionais, na política, na cidadania, no mercado – quer no Brasil ou em outros países classificados no mundo contemporâneo de terceiro mundo ou subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. É a periferia dos capitalismos clamando ao centro do sistema econômico e político e cultural por igualdade sem deixar de ser o mesmo. Sem perda da identidade, sem serem colonizados pelos costumes elitizados de ser e estar, desejam o direito dos usos do mercado em benefício próprio. Assim, se a sociedade capitalista num primeiro momento tinha como demanda o consumo e, nos dias atuais, tem como demanda o desejo artificialmente criado, nada mais capitalista que mobilizar-se nos templos dos desejos por mais.
Bem ao modo brasileiro de ser – superando as divisões de classe mas fora do tempo e do espaço próprios determinados pelos detentores dos poderes – a manifestação é de tudo um pouco; parte de um movimento social ainda informe na totalidade de seus projetos; namoro; compras; protesto; organização política informal; festa; dança; canto; gritaria; alienação. Todavia, ampliou a agenda das demandas e modos de manifestação e seu lócus.
O “Movimento não é só por R$0,20” que foi cooptado pelos mais diferentes interesses e classes começa a passar pelos expurgos dos dominantes insatisfeitos com o partido detentor do poder. Agora o mercado, e não apenas o Estado a serviço do mercado é questionado, é questionado e se canta e grita e corre por inclusão via mercado, ou seja, a cidadania via mercado  que tanto agrada as classes médias é demandada pelas novas classes médias que diante da inflação crescente percebem que seus avanços podem ser temporários. Mais efêmeros do que o “O milagre econômico brasileiro da ditadura militar no Brasil”.
Como desejam a manutenção da identidade via consumo de mercado regido por um partido que foi de esquerda e que se consolida no poder como partido “social de mercado”, não se deixam colonizar pelos modus vivendi da etiqueta de classe média. Neste ponto, os rolezinhos assustam aos cidadãos privilegiados historicamente como classe média, pois estes não o distinguem do arrastão, da turba ou das lembranças da Bastilha que bate a porta todos dias quer via Maranhão ou Carandiru ou arrastões.
O recado está dado desde o “Não é só por R$0,20”. A pólvora está sendo espalhada em nome da cidadania plena sem perda de identidade colonizadora. Que os políticos respondam com a assertiva de democracia sem desvios de conduta ética e econômica para que todos possam ter o que o desejo de mercado lhes prometeu. O consumo de direitos de felicidade de bem estar movimentos pelo mercado social.
Wlaumir Souza.
Ribeirão Preto, São Paulo. Professor Universitário, graduado em Filosofia e Pedagogia. Mestre em História e Doutor em Sociologia. Autor de "Anarquismo, Estado e pastoral do imigrante" - Editora UNESP; e, "Democracia Bandeirante" - Paco Editorial. Contato: [email protected]
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