Caroço de manga
17/12/2015 | 12h06
Há meses acompanhamos os capítulos da cruzada nacional contra o deputado federal Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Transformou-se no inimigo número um do brasileiro. Encarnou todas as mazelas inscritas na imagem que a população faz do político dos dias de hoje. É típico da nossa cultura personificar o mal. Passo seguinte: odiá-lo. Parece que assim exorcizamos das nossas vidas tudo aquilo que sabemos ser trabalhoso corrigir. É aquele toque de varinha mágica que no fundo desejaríamos real. Agora, esta novela se aproxima do fim e, na vida real outros surgirão para nos atazanar. [caption id="attachment_9509" align="aligncenter" width="534"]FullSizeRender(30) Charge, publicada no dia 11 de dezembro de 2015, na Folha de São Paulo[/caption]    
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Mais um rebaixamento, o que diz o brasileiro
16/12/2015 | 03h11

Com reprovação de 70% da população brasileira, segundo pesquisa do Ibope divulgada ontem (15), o Governo Dilma recebe o segundo rebaixamento nesta quarta-feira (16). A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do Brasil, tirou o grau de investimento do país.

Pelos dados levantados da pesquisa Ibope são estes os percentuais de avaliação dos eleitores ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT):
- Ótimo/bom: 9% - Regular: 20% - Ruim/péssimo: 70% - Não sabe: 1% O Ibope também ouviu a opinião dos eleitores por área de atuação do governo. São essas as respostas: Combate à fome e à pobreza Aprovam: 27% Desaprovam: 71% Não souberam/Não responderam: 2% Educação Aprovam: 22% Desaprovam: 76% Não souberam/Não responderam: 2% Meio Ambiente Aprovam: 21% Desaprovam: 74% Não souberam/Não responderam:  5% Saúde Aprovam: 14% Desaprovam: 85% Não souberam/Não responderam:  1% Segurança Pública Aprovam: 13% Desaprovam: 85% Não souberam/Não responderam: 2% Combate à inflação Aprovam: 12% Desaprovam: 85% Não souberam/Não responderam: 3% Combate ao desemprego Aprovam: 12% Desaprovam: 87% Não souberam/Não responderam: 1% Taxa de juros Aprovam: 7% Desaprovam: 91% Não souberam/Não responderam: 2% Impostos Aprovam: 7% Desaprovam: 91% Não souberam/Não responderam: 2% [caption id="" align="aligncenter" width="542"] Charge do Laerte, publicada ontem (15), no jornal Folha de São Paulo[/caption]
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Quem teria vazado a carta do Temer?
08/12/2015 | 02h32
Pelo andar da carruagem, ou melhor, pelo azedume da relação entre o vice-presidente Michel Temer (PMDB) e a presidente Dilma Rousseff (PT), o vazamento da carta pessoal do Temer para Dilma é só mais um episódio. Soou falsa, bem forçada,  a declaração recente da presidente de que não desconfiaria "nem um milímetro" do seu vice. Era melhor nada ter dito. Tapar o sol com a peneira é direito não facultado a quem exerce o cargo máximo da nação. E, sendo assim, a criatividade mais uma vez toma conta das redes.... FullSizeRender(19) FullSizeRender(20) Ps. Quem quiser ler a íntegra da carta do Temer que vazou, leia aqui.    
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Conspira-se contra a Lava Jato
28/11/2015 | 12h15
Quem se dispuser a ouvir o áudio inteiro que está disponível, para todos, no sítio da Youtube, irá se espantar. O mais surpreendente da longa conversa é a evidente disposição de melar a Operação Lava Jato. [youtube]https://www.youtube.com/watch?v=VOH1w6kW3lU[/youtube]
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DA PESADA
25/11/2015 | 10h03
bancada psicopataPublicada no dia 23/11, jornal Folha de São Paulo
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"Não acaso, mas descaso"
12/11/2015 | 10h09

Não acaso, mas descaso

Não foi por falta de advertências. Em 2013, o relatório de um procurador estadual alertou para sérios problemas de segurança nas barragens da Samarco

Não sei o que impressionou mais nas imagens da avalanche de lama formada após o rompimento de barragens da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais — se o volume, se a força destruidora ou se a velocidade com que o mar de rejeitos de mineração avançou 500 quilômetros rapidamente pelo leito do Rio Doce em direção ao Espírito Santo. Já se tinha visto avalanche de terra, como na tragédia da Serra Fluminense, em 2011, que matou cerca 900 pessoas e é considerada um dos dez maiores desastres ambientais do mundo. Mas diferente desse tipo de tsunami de barro pastoso, de lama. Os bombeiros rastejando e se segurando uns nos outros ou em pedaços de madeira para não se afundarem naquele terreno movediço, enquanto procuravam corpos, formaram uma cena inédita, em que os que socorriam precisavam também de socorro. Mas um dos episódios mais comoventes não apareceu em imagens, o gesto da professora Eliane Almeida, 31 anos, diretora da escola municipal de Bento Rodrigues, distrito de Mariana. Enquanto os moradores correram para as partes mais altas ao tomarem conhecimento do rompimento, na escola não se sabia que uma muralha de 20 metros estava se aproximando. Foi quando apareceu alguém, o marido de Eliane, para avisar. “Ele chegou gritando que tínhamos que correr”. Desesperada, ela reuniu seus 58 alunos, na maioria com idade entre 11 e 16 anos, e “em três minutos, todos estavam fora da escola”. Ela foi chamada de “heroína” pelo prefeito da cidade. Do estabelecimento de ensino orgulho do vilarejo de 600 habitantes, só o telhado está visível; o resto ficou coberto pela lama e por resíduos de minério de ferro. O aviso que salvou 58 crianças demonstrou que uma sirene de alerta ou um plano de retirada poderiam ter evitado a morte/desaparecimento de umas três dezenas de pessoas. Não foi por falta de advertências. Em 2013, o relatório de um procurador estadual alertou para sérios problemas de segurança nas barragens da Samarco. Segundo o documento, um plano de emergência deveria ser criado para Bento Rodrigues, com exercícios práticos. Essa teria sido a condição imposta para a renovação da licença das barragens. Mesmo assim, a empresa não tinha sistema de alarme até quinta-feira passada, dia do rompimento. Mas alegou que, por telefone, avisou os moradores do entorno do desastre iminente. Líderes comunitários ouvidos pelas enviadas especiais Mariana Sanches e Dandara Tinoco negaram ter recebido qualquer comunicado. Na televisão, ouvi também alguém afastar a cômoda hipótese da fatalidade. Na verdade, tudo indica que não foi obra do acaso, mas do descaso.
Zuenir Ventura é jornalista e escritor. Membro da Academia Brasileira de Letras, ganhou o Prêmio Jabuti em 1995, na categoria reportagem, pelo livro Cidade Partida.
Artigo publicado ontem (11), no jornal O Globo
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Paciência tem limite
16/10/2015 | 11h29
Do jeito que a política desceu a ladeira e o impasse se estabeleceu com a falta de legitimidade dos atores, em toma lá da cá inaceitáveis a qualquer respeitável democracia, fica difícil imaginar mínima solução para a crise econômica que é grave. Fala-se contra o arrocho do ajuste fiscal defendido pelo Ministro da Fazenda Joaquim Levy e isso sem que nem mesmo as medidas tenham sido aprovadas pelo Congresso Nacional. Hoje, as manchetes dos principais jornais nacionais apontam a desestabilização do Levy no cargo. Ou seja, entrando outro ministro nem andamos para um lado nem para o outro lado. Continuamos cavando no fundo do buraco. Imobilizado o Estado, em cascata os estados ficaram engessados. Por cima, ainda, nem podem pensar em pedalar. Aqui no nosso Rio de Janeiro paira a sombra do atraso sobre pagamentos aos aposentados e pensionistas em futuro não longínquo. Não por acaso, um ministro do STF  - pela primeira vez desde que esta fuzarca paralisou o Brasil -  sugere a renúncia de Dilma, Cunha e Temer como forma "não traumática" para o país superar a crise. Que o brasileiro comum deseja zerar a conta e recomeçar tudo outra vez é fato sensível. Qual será o caminho só o futuro dirá. [caption id="" align="aligncenter" width="550"]Charge (Foto: Chico Caruso) Charge (Foto: Chico Caruso) publicada hoje, 16/10 no O Globo[/caption]
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Uma era de incertezas
21/09/2015 | 10h07
Publicado, sábado (19), no O Globo. Artigo do escritor e jornalista Zuenir Ventura
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Uma análise dura da conjuntura atual
19/08/2015 | 07h48

Tango petista

Um verso do poema "Pneumotórax", de Manuel Bandeira, traduz o melancólico esgotamento dos quase 13 anos da era petista: "A vida inteira que podia ter sido e que não foi". Lula terminou as eleições de 2002 com um enorme capital político e a chance histórica de promover mudanças estruturais. Sua vitória não foi obra exclusiva do pacto com as elites política e econômica. Ela também se deveu à mobilização de milhões de pessoas que clamavam por transformações. Por isso, apesar dos acordos eleitorais, o futuro da gestão não estava determinado, mas em disputa. Foi ao longo do mandato que Lula trocou a possibilidade de transformação pela acomodação aos vícios da política tradicional. Reconheço conquistas como o fortalecimento dos órgãos de investigação, a valorização do salário mínimo, o aumento do poder aquisitivo dos trabalhadores e a redução da miséria. Entretanto, o PT não avançou nas reformas de base no sistema político, na educação, na saúde, na ampliação da participação social e nas questões agrária e indígena. A Agenda Brasil, proposta pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, como saída para a crise, é o episódio mais recente da agonia do governo. Diante do risco de sofrer um golpe na Câmara, dirigida por Eduardo Cunha, Dilma apela a Renan e abraça uma agenda que representa um retrocesso histórico nos direitos sociais. O resultado desse pragmatismo é a crescente negação da política e o empobrecimento do debate sobre democracia. Os sonhos das transformações deram lugar ao pesadelo da corrupção. Enxergamos o país sob a ótica do escândalo, não das utopias possíveis. O desencanto nos fez perder a capacidade de projetar o futuro: os indignados sabem mais o que não querem do que o que querem. Sou contra o impeachment, pois ainda não há elementos que liguem Dilma às denúncias. A saída de uma presidente deve ser uma medida excepcional, tratada com cautela, para o bem da democracia. A ética na política não é secundária, mas não pode ser tratada como problema exclusivamente comportamental. É preciso criar mecanismos para combater a corrupção de forma estrutural, porque esta não é monopólio de um só partido. Isso não diminui a gravidade dos delitos e a desfaçatez dos argumentos que relativizam escândalos devido aos precedentes tucanos. Paulo Freire dizia que quando não há mais sonho, só nos resta o cinismo. No fim do poema de Bandeira, o paciente pergunta ao médico se há remédio para suas mazelas. A resposta é ironicamente sombria: "Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino". O tango é a trilha sonora do desencanto petista nestes tempos de Agenda Brasil.
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Fantasmas pululam
18/08/2015 | 07h08
Em momentos de crise política, do simples aceno de um incerto vazio no poder, surgem as cassandras, não a verdadeira Cassandra que de fato profetizou a destruição de Tróia pelos gregos. São as velhas e ultrapassadas cassandras da política brasileira, falsas anunciações. Há quem defenda a volta do regime monárquico e tira proveito de um ajuntamento qualquer. Após rechaçar protestos de 2013, Casa Imperial conclamou seguidores a protestarem no último domingo. Há aqueles saudosistas de uma ditadura militar, douram o defunto do "Brasil ame-o ou deixe-o" de triste memória, querem mais é ver o circo pegar fogo. 3 E mais imagens da famigerada intolerância tupiniquim. fora-stf   manifestações impeachment dilma   Lula e Dilma enforcados Em entrevista à Agência Estado, o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da cadeira de Ética e Filosofia Política da USP, defendeu que a pregação da ditadura militar deveria ser criminalizada. “Estamos tendo no Brasil uma tolerância, que é grande, com condutas antidemocráticas que deveriam ser tipificadas como criminosas… Pregar a volta dos militares deveria ser crime, deveria levar a pessoa para a cadeia. Vários países da Europa criminalizaram a pregação nazista. Nós – que tivemos uma ditadura militar – deveríamos criminalizar a pregação da ditadura”, afirmou o filósofo.  
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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