Jus esperneandi
21/04/2016 | 02h19
Se valer de um mandato presidencial sem plenitude, com uma autoridade irremediavelmente combalida por um  processo de impeachment em curso, para ocupar fóruns internacionais em defesa própria, gritando aos quatro ventos de que houve um "golpe" é não pensar no país. Ainda que eleita legitimamente, Dilma Rousseff perde as condições legais e políticas de governar o Brasil com a aprovação do impeachment pela Câmara Federal. Hoje (21), a presidente Dilma embarcou para Nova Iorque decidida a plantar sua defesa na ONU. É direito legal seu enquanto no exercício do mandato presidencial. Resta saber, nas atuais circunstâncias: repetir à exaustão no exterior o mantra escolhido ajuda o país que já está parado. Será legítimo? A diplomacia é terreno onde as relações internacionais são costuradas com precaução e zelo. É da sua característica. Ter permitido, antes mesmo da votação do impeachment pela Câmara, que um servidor qualquer se utilizasse do registros do Itamaraty para disparar às embaixadas no exterior da existência de um suposto Golpe já tinha sido escandaloso. Causou espanto ao nosso corpo diplomático. Ontem (20), três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) refutaram a tese da presidente Dilma Rousseff de que o processo de impeachment aprovado na Câmara dos Deputados é um “golpe”. O ministro Celso de Mello, o mais antigo da Corte, chegou a dizer que é um “gravíssimo equívoco” falar em golpe e que será “estranho” se a presidente for ao exterior defender esse argumento. Os ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes e Dias Toffoli reafirmaram que o processo seguiu a Constituição e as regras definidas pelo próprio STF. — O procedimento preliminar instaurado na Câmara dos Deputados, mostra-se plenamente compatível com o itinerário que a Constituição traça a esse respeito. Portanto, ainda que a senhora presidente da República veja, a partir de uma perspectiva eminentemente pessoal, a existência de um golpe, na verdade, há um gravíssimo equívoco — afirmou o ministro Celso de Mello, enfatizando que a “Câmara respeitou os cânones estabelecidos na Constituição”. Indagado sobre a possibilidade de Dilma usar seu discurso na ONU para denunciar a existência de um golpe no Brasil, o ministro afirmou: — Eu diria que é no mínimo estranho esse comportamento, ainda que a presidente da República possa em sua defesa alegar aquilo que lhe aprouver. O ministro do STF Dias Toffoli também criticou a tese de Dilma. — Alegar que há um golpe em andamento é uma ofensa às instituições brasileiras, e isso pode ter reflexos ruins inclusive no exterior, porque passa uma imagem ruim do Brasil. Eu penso que uma atuação responsável é fazer a defesa e respeitar as instituições brasileiras e levar uma imagem positiva do Brasil para o mundo todo, que é uma democracia sólida, que funciona e que suas instituições são responsáveis. Quem assiste ao largo o desenrolar da crise política brasileira - que tem sido e continuará - longa e arrastada pelos meandros da legalidade, percebeu claramente o processo da crescente perda de governabilidade por parte da presidente. Este mesmo Congresso que hoje é achincalhado (o faz por merecer) até há poucos dias era o mesmo que dava sustentação ao seu mandato. Se servia para governar como pode não servir para destituir? A Constituição que ampara a todos é a mesma que o PT erradamente não quis assinar e na qual hoje se agarra com unhas e dentes. O processo de impeachment em andamento acusado de "golpe" é exatamente o mesmo que o PT tentou utilizar contra todos os anteriores governantes. Ganhar e perder é da vida, assim como da política. Quer saber, ainda bem.
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Alguém se lembra? Eu me lembro
19/01/2016 | 02h37
Corria a década de 80 e a economia brasileira patinava em dívidas e inflação galopante. Lembrar que ainda, no país, não vigorava a Lei de Responsabilidade Fiscal. Os estados e municípios endividados até o pescoço rolavam dívidas e mais dívidas. No dia 15 de setembro de 1988, o prefeito Roberto Saturnino Braga (PDT), vai a TV e anuncia: está decretada a falência do município do Rio de Janeiro. Os motivos alegados foram muitos. O Banco Central bloqueara todas as contas da Prefeitura, a Câmara Municipal queria 100% de aumento para o funcionalismo, os mesmos vereadores - a maioria era oposicionista - impediam o reajuste das tarifas municipais que supostamente viabilizariam o combate ao déficit orçamentário, as chuvas tinham castigado a cidade e o município não obtivera ajuda da União. Outras línguas afirmavam que ao Saturnino faltava habilidade política para contornar a crise. "Salários do funcionalismo em atraso, greves, dívidas com fornecedores, hospitais funcionando precariamente, falta de professores e de merenda nas escolas eram alguns dos problemas que ele esperava solucionar com as emissões de 18 milhões de Obrigações do Tesouro Municipal (OTMs), conhecidas como carioquinhas. Mas os pedidos de emissão desse lote de títulos eram sempre negados pelo ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, do Governo Sarney". "A Prefeitura do Rio só se recuperaria na gestão seguinte, de Marcello Alencar, beneficiado pelas mudanças promovidas pela Constituinte, além de uma maioria na Câmara de Vereadores. Após a gestão da Prefeitura, Saturnino ainda se elegeu vereador, em 1996, e senador, em 1998. Simultaneamente, passou a se dedicar à literatura, tendo publicado várias obras. Uma delas, “Contos do Rio”, recebeu o Prêmio Malba Tahan, da Academia Carioca de Letras, em 2000".
Que a História não se repete, não duvido da máxima, mas que guarda similitudes, isso sim. Tanto que nos ensina, ou deveria.
fonte: O Globo
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Caroço de manga
17/12/2015 | 12h06
Há meses acompanhamos os capítulos da cruzada nacional contra o deputado federal Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara. Transformou-se no inimigo número um do brasileiro. Encarnou todas as mazelas inscritas na imagem que a população faz do político dos dias de hoje. É típico da nossa cultura personificar o mal. Passo seguinte: odiá-lo. Parece que assim exorcizamos das nossas vidas tudo aquilo que sabemos ser trabalhoso corrigir. É aquele toque de varinha mágica que no fundo desejaríamos real. Agora, esta novela se aproxima do fim e, na vida real outros surgirão para nos atazanar. [caption id="attachment_9509" align="aligncenter" width="534"]FullSizeRender(30) Charge, publicada no dia 11 de dezembro de 2015, na Folha de São Paulo[/caption]    
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Conspira-se contra a Lava Jato
28/11/2015 | 12h15
Quem se dispuser a ouvir o áudio inteiro que está disponível, para todos, no sítio da Youtube, irá se espantar. O mais surpreendente da longa conversa é a evidente disposição de melar a Operação Lava Jato. [youtube]https://www.youtube.com/watch?v=VOH1w6kW3lU[/youtube]
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A tal LUZ
09/10/2015 | 08h00
luz da dilma Mais uma semana se encerra aos trancos, barrancos e solavancos. Depois da reforma ministerial do governo na tentativa de "agradar" as bancadas e partidos da base aliada, nada fluiu ao seu favor. Os vetos presidenciais não foram votados por falta de quórum no plenário da Câmara Federal, ou seja, os nobres deputados esvaziaram as sessões (resta saber se receberão sem trabalhar). É uma guerra de braço entre o governo e o presidente da Câmara e nesta, pouco interessa o brasileiro. A política se divorciou da economia. Salve-se quem puder.
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Executivos atacados em protesto.
05/10/2015 | 09h59

Se a moda pega. O fato aconteceu, hoje (05), em Paris, França. Em questão nada menos do que uma das gigantes do ar: a companhia de aviação AIR FRANCE.

A empresa enfrenta, há alguns anos, a competição das concorrentes de baixo custo na Europa. Ainda tem que disputar com as empresas de longa distância no Oriente Médio. A Air France apresenta repetidos déficits na malha europeia só obtendo lucro no voos de longa distância, como os realizados para as Américas. Disposta a sair da situação de dificuldade financeira a companhia apresentou as propostas aos sindicatos que, pelo retratado nas imagens abaixo, rejeitaram os cortes anunciados. A Air France planeja cortar 1.700 funcionários da equipe em terra, 900 funcionários de cabine e 300 pilotos. Seria a primeira onda de demissões forçadas, a anterior foi há 25 anos. A frota também será reduzida em 14 aeronaves, de acordo com o sindicato de tripulantes Unac. Haverá o cancelamento da aquisição de aeronaves 787 Dreamliners da Boeing e a eliminação progressiva dos A340 da Airbus. A controladora Air France-KLM tem 19 jatos 787-9 e seis 787-10 encomendados. A empresa também eliminará rotas mais fracas.

Os funcionários  já tinham sido solicitados a trabalhar mais horas pelo mesmo salário como forma de  ajudar a companhia a reduzir as perdas anuais que começaram em 2011.

  • [caption id="" align="aligncenter" width="560"]Com a camisa rasgada, diretor da Air France em Orly, Pierre Plissonnier, é ajudado por seguranças após ataque de manifestantes, que invadiram o escritório da empresa durante reunião do comitê central KENZO TRIBOUILLARD / AFP Com a camisa rasgada, a gravata em torno do pescoço, diretor da Air France em Orly, Pierre Plissonnier, sai ajudado por seguranças após ataque de manifestantes. O escritório da empresa foi invadido plena reunião do comitê central | KENZO TRIBOUILLARD / AFP[/caption]
     
  • [caption id="" align="aligncenter" width="560"]Sem camisa, Xavier Broseta, diretor de RH da Air France, é escoltado por seguranças após a invasão da sede da empresa JACKY NAEGELEN / REUTERS Sem camisa, Xavier Broseta é retirado de reunião por seguranças (Foto: Jacky Naegelen/Reuters)[/caption]
  • Com o que restou de sua camisa amarrada na mão, Xavier Broseta, diretor de Recursos Humanos da Air France, escala uma grade na fuga de manifestantes contrários à demissão de quase 3 mil profissionais KENZO TRIBOUILLARD / AFP
  • Manifestantes em greve protestam em frente ao prédio da Air France no aeroporto internacional Charles de Gaulle, nos arredores de Paris JACKY NAEGELEN / REUTERS
A reunião realizada na manhã desta segunda-feira foi interrompida por centenas de manifestantes. Executivos foram obrigados a se retirar às pressas após funcionários revoltados, com bandeiras e cartazes, invadirem a sala. O presidente da Air France já tinha saído da sala antes da interrupção. A controladora Air France-KLM afirmou que tomará ações legais contra a violência adotada contra seus executivos.
 Fonte Le Figaro
 
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Uma era de incertezas
21/09/2015 | 10h07
Publicado, sábado (19), no O Globo. Artigo do escritor e jornalista Zuenir Ventura
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Trouxa. Quem é trouxa?
17/09/2015 | 10h10
Sou leitura costumaz do Luis Fernando Veríssimo. Não sou daquelas que idolatram ser humano. Nem cantor, nem músico, artista, ator, diretor teatral, poeta, intelectual. Em suma, aprecio a obra e ponto final. Parto daquela premissa de que "de perto ninguém é normal", daí me prendo ao que fica quando tem qualidade, inteligência ou força poética. Mas confesso, como resistir à simplicidade, humor e leveza do Veríssimo?! Raros - não me lembro de algum - são seus textos desinteressantes, até porque o modo como ele enxerga os fatos do cotidiano é peculiar. De tudo ele extrai assunto com um ponto de vista sensível, típico de um homem culto amável. Vamos lá! Ia reproduzir seu artigo de hoje (17) no O Globo. O título é "TROUXAS"  e começa com a frase do ator Charlie Sheen, no filme 'Quero ser John Malkovich' em que diz: “A verdade é para os trouxas”. Daí, ele parte para indagações como, "Ele quis dizer que a verdade é para quem não tem imaginação e vive preso à realidade? Ou que trouxas são os que não veem que não existe uma “verdade”, mas muitas, e elas se contradizem? Ou ele estava apenas bêbado"? Ou ainda,  "A frase do Sheen só quer dizer mesmo que a fantasia é preferível ao fato, e que trouxa é quem nega isto. E vive sem aceitar que tudo é irreal: a política, as paixões, a justiça e as injustiças, e até a morte". Filosofias de lado, Verissimo está matutando que a tal frase cai como luva no Brasil atual e continua ao justificar, "Nunca as 'verdades' de cada um foram tão antagônicas, e nunca os antagonistas se xingaram tanto (“trouxa” é o mais brando dos epítetos trocados). Para um lado, trouxas são os que acreditaram no passado e ainda acreditam nas verdades mentirosas do PT. Para o outro lado, trouxas são os que participam de um golpe sem se darem conta da sua cumplicidade numa ruptura política e social possivelmente incontrolável. Nos dois lados, a retórica obscurece a verdade. Qualquer verdade". Que a gente está num mato sem cachorro, acho não restar dúvida. Que sobram gatos e ratos, outra certeza!
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Também gostaria de saber: alguém responde?
16/09/2015 | 12h11
Nem precisaria, mas, óbvio que nada, patavinas tenho em comum com o capital financeiro (bancos e congêneres). Pois das tais recentes medidas apresentadas pelo governo federal ao Congresso para aliviar o déficit nas contas públicas e sinalizar alguma ascensão na economia nacional, somente o mercado financeiro anuiu. Pelo jeito, todos os demais - inclusive parlamentares do PT - se manifestam contra. Da minha humilde parte como cidadã que desde sempre se interessou pela política e pela economia, não vislumbro, no curto prazo, solução que nos retire do atual "volume morto". Alias, me pergunto qual força política tem de fato interesse em solucionar a crise. Cada partido, ou melhor, legenda, já tem sua pauta política clara: os eventuais recuos não passam de ajuste tático. A presidente com uma estupenda rejeição dos formadores de opinião, dos amplíssimos setores da classe média; falte-lhe respaldo até mesmo do seu partido, este dá mostras de não aceitar nenhum remédio amargo. Seu partido, por sua vez, chacoalhado pela Operação Lava Jato. A retração na economia deu tranco no povão: a carestia reapareceu e os empregos ameaçados. Que o Brasil é grande, que somos a oitava economia do planeta, que temos as instituições em funcionamento, que os poderes estão consolidados democraticamente, tudo isso sabemos. Mas?! O jogo político normalmente pesado está ainda mais pesado. Tudo leva a crer que enquanto a presidente não for retirada do comando do país, o impasse político perdurará. Não haverá nenhuma proposta econômica factível. Nada será aceito. É como brasa em fogueira armada, qualquer sopro reaviva o fogaréu. E o que não falta é gente com imensa vontade de soprar!          
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