Excesso de excesso é igual à mesmice
24/11/2011 | 08h26
Traduzo assim o parecer inicial ao projeto encomendado a Oscar Niemeyer de um teatro para 2000 pessoas, no Parque do Flamengo, proferido pelo superintendente do IPHAN, Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, o senhor Carlos Fernando de Andrade. A celeuma está aberta. Aliás, creio que bem aberta! Declaração intempestiva; qualquer coisa relativa à burocracia opaca ou ao senso de oportunidade histórica. É a opinião desta blogueira. Deixo claro que sou veemente na defesa do Patrimônio Histórico Cultural ou Natural do Brasil. Só que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Então os morros da capital fluminense são amplamente desmatados, ocupados sumariamente, até mesmo muralhas são pensadas como sendo o recurso mais inteligente de contenção das invasões. Mega-shows volta e meia interrompem a vida do carioca, restaurantes e postos de gasolina são legalmente instalados por todo o Aterro, mas uma obra de arte com função de teatro, de um dos arquitetos mais importantes da humanidade, em atividade aos 104 anos de vida “ é impossível de ser aprovado” nas palavras do representante fluminense do IPHAN ao jornal O Globo, no dia de ontem 23 de novembro de 2011. Se você leitor, não teve acesso ao lindo projeto, aqui abaixo poderá admirá-lo em toda sua leveza. Parece vindo de alguma película de ficção; uma nave pousada perto do espelho d’água da Baia da Guanabara. [caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="oglobo.oglobo.com"][/caption]

 

Tomo o direito de sugerir aos que eventualmente sejam solicitados a se pronunciar sobre a liberação da construção, que só o façam após o estudo detalhado do impacto do projeto no entorno sob pena de falarem bobagens. Decisões são tomadas após a análise de um amplo contexto; quem empunha em público o distintivo de sua autoridade setorial perde a oportunidade única de não ser açodado em suas palavras. Luciana Portinho  
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Luciana Portinho

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