KALU COELHO, como ela é
12/03/2013 | 12h05
[caption id="attachment_5905" align="aligncenter" width="450" caption="Ft. Divulgação"][/caption]

?

Diz o ditado, filho de peixe, peixinho é. Assim é com Kalu Coelho. Ela nos diz ter sido ninada com o violão pelo pai, o professor e presidente da Academia Campista de Letras Hélio Coelho. Kalu acaba de aprontar o primeiro CD autoral, como compositora. É produção independente, por escolha própria, apesar dos convites de gravadoras. Na fina capa, Kalu Coelho, sentada com elegância, em um deck, de costas abraçada ao instrumento companheiro, o violão. Ao fundo, uma paisagem plácida de água e verde, como o é sua voz na entrevista. A moça de fala mansa sabe bem o que quer. O lançamento em Campos será no Trianon, em abril. Em seguida, o CD, que leva o nome da compositora, será lançado em Búzios e por fim, em maio fará o lançamento, no Rio de Janeiro. Depois desses três momentos, do meio do ano em diante, Kalu então parte para realizar os shows do “disco”, como ressalta o resultado tem sua cara. — Quis colocar bastante o coração, expus minha intimidade. Falo do meu marido, de como sou. Gravei outros CDs como instrumentista, violonista que sou. Esse CD que leva o meu nome, é mais é interno, a minha vida está misturada nele, como instrumentista seria um trabalho mais frio — fala Kalu. Segundo ela o CD é um cartão de visita, bem sortido. É de música instrumental, tem toque jazzístico, “São vários estilos de música brasileira. A música brasileira é a grande referência; samba de raiz, bossa nova, valsa, baião, também flerto com fox, milonga e tango”. A moça que faz da música a sua religião e do violão faz sua prática de meditação, saiu de casa cedo (no ano de 1997) para poder estudar música na UNIRIO. “Dizem que a gente não escolhe a música, quando vi já estava tomada. Essa transição se deu na adolescência, quando comecei a pensar no que faria na vida, qual seria minha profissão. Na primeira vez que peguei logo percebi uma relação bem próxima. Como em um chamado, me senti comprometida ao pegar nele, daí a escolha foi clara, inevitável sair de Campos para fazer uma faculdade especializada” rememora. Desde então, Kalu Coelho, não mais retornaria a viver em Campos. Direto do Rio de Janeiro partiu a trabalho, professora contratada do núcleo avançado da Escola de Música Villa-Lobos, em Búzios. Entrou na Villa-Lobos como professora, hoje exerce a coordenação. Passados cinco anos residindo em Búzios, e, ainda que mantenha os vínculos afetivos e familiares com Campos, Kalu identifica no balneário uma vida com muita qualidade, perto do mar e da natureza, ambientes que compõem necessidades suas. “É uma escolha comum, minha e do Rodrigo (Rodrigo Mesquita, é marido dela) que também é compositor e cantor. Aqui temos boas oportunidades de trabalho, também nos apresentamos com frequência nas pousadas”, relata. Paradoxalmente à enorme oferta musical que se encontra hoje à disposição de qualquer um na internet, Kalu sente o tempo, no presente, mais escasso para ouvir música. “São tantas coisas maravilhosas que fico completamente confusa, acabo ouvindo pouco. Antes tinha aquele saber, a gente sabia que ia sair um disco novo, ficava esperando um mês, quando consegui ouvia”, esclarece. Ela fala da música como uma devoção, do violão como um grande parceiro e do processo de composição como um convite ao silêncio. “É um processo introspectivo, como um silêncio anterior. Sempre uma música cutuca, é uma inquietação de dois dias, eu sei que a música está ali, ouço um trecho. Aí é sentir a hora certa de pescar; fico mais quieta, o processo de criação é com o  violão, pego no violão, ela (a música) já está na portinha”, finaliza. [caption id="attachment_5906" align="alignright" width="390" caption="Ft. Divulgação"][/caption] O CD tem 10 músicas, algumas são canções, uma (“Patuá”) de autoria da própria e as outras duas (“Cajazz” e “Cinco Anéis”) em parceria com Mauro Aguiar e Paloma Espíndola, respectivamente. O diretor musical e arranjador é Henrique Band a quem Kalu credita competência e sensibilidade. Outra parceria que Kalu não esquece de citar é o compositor e violonista Guinga que segundo ela fortemente a influenciou e que generosamente divide uma faixa em comum, na canção feita por ela para o músico, Amalgama. Por tudo o dito, vale ouvir e conferir. Em Campos, o CD poderá ser comprado na Vox. Luciana Portinho
Capa da Folha Dois de segunda, 11/03/13.
Comentar
Compartilhe
Sobre o autor

Luciana Portinho

[email protected]