SALDO DA CULTURA
11/05/2014 | 09h48
Da agenda corrida do senador Lindberg Farias em Campos, na sexta-feira passada (09/05), a Cultura esteve presente. Após o almoço, o senador fez questão de visitar à ONG Orquestrando a Vida. Lindberg tem estreita vinculação com o setor, seja por sua militância na juventude no movimento estudantil, seja pelo trabalho desenvolvido nos bairros de Nova Iguaçu quando prefeito. Conheceu a sede da instituição, projetos, dificuldades, se comprometeu a ser um parceiro do projeto social através da música, foi recebido pelas orquestras e coro com duas belíssimas execuções. Ao final, ouviu a leitura de uma solicitação de agentes culturais campistas, confirmou sua vocação democrática ao se comprometer em dar voz ao setor cultural local. Acompanhando a visita estiveram o cinegrafista Carlos Alberto Bisogno e o professor João Vicente Alvarenga. Este último, leu a carta aberta que segue. Um sonho possível de ser vivido.
Ação Cultural do Estado com a Região O Solar dos Airizes, localizado às margens da Rodovia BR 356, que liga os municípios de Campos e São João da Barra, é testemunho do apogeu econômico da região durante o século XIX. O Solar encanta por sua imponência e também porque é parte significativa da narrativa sobre nossa história. A história não só do Palácio, mas também da Senzala. Lá viveu, amou e morreu a Escrava Isaura que está na memória coletiva de nossa gente. Sua história passou de geração em geração, ressaltando a possibilidade de uma escrava se unir a seu senhor, promovendo sua ascensão aos salões do Solar. Na década de 80 do século passado, a Rede Globo de Televisão, através de seu Núcleo de Teledramaturgia, transformou a Escrava Isaura em personagem que visitou os lares brasileiros. Sua história ficou conhecida dentro e fora do país. E nossa região também. Recentemente, o Solar passou por uma reforma em seu telhado, já que poderia comprometer suas estruturas por causa da infiltração de água, resultado das chuvas. Não existe pessoa física ou instituição que se dedique a conservá-lo. Nessas condições de abandono, há um risco iminente de mais uma vez termos suas estruturas comprometidas irremediavelmente pela ação do tempo. Nossa região precisa de um Museu moderno onde a dinâmica e a interatividade sejam sua marca diferenciadora. Ele poderia ser nomeado Museu Pluricultural Escrava Isaura. Nele seriam abrigadas atividades nas diferentes linguagens artísticas: Teatro, Música, Literatura, Dança, Cinema, Artes Plásticas. Estamos certos de que será um espaço de referência nacional. Vossa Excelência, Lindberg, pode transformar esse sonho em realidade, investido de poderes executivos.

Campos dos Goytacazes, 9 de maio de 2014

Antônio Roberto de Góes Cavalcanti Kapi - Teatrólogo  Carlos Alberto Bisogno - Cineasta João Vicente de Alvarenga – Professor, Mestre em Filosofia Luciana Portinho – Agente e Produtora Cultural Silvio Greego – Artista Plástico
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"Olha a campanha aí, gente"
14/03/2014 | 06h20

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Mastectomia preventiva: atitude que gera dúvida
23/05/2013 | 01h19
[caption id="attachment_6324" align="aligncenter" width="600" caption="divulgação"][/caption]

A decisão da atriz estadunidense Angelina Jolie de tirar os seios aos 37 anos teve enorme impacto na cabeça de outras mulheres. A retirada das mamas — mastectomia preventiva dupla — foi radical. Ela é um ícone mundial da sexualidade feminina e de feliz comunhão, no atual matrimônio. Casada com outro expoente do sexo masculino, o ator Brad Pitt, juntos tem três filhos biológicos e três adotivos. Em 2009 a revista Forbes elegeu Angelina como a celebridade mais poderosa da Terra. A opção pela “mutilação” para evitar correr riscos estatísticos, em poucas horas correu as redes sociais. Anualmente, no Brasil, cerca de 50 mil mulheres recebem a notícia de terem câncer de mama, tipo mais comum na parcela feminina.

Preocupada em esclarecer o assunto com a mulher campista, a Folha Saúde foi conversar com o médico, cirurgião geral e mastologista, o diretor do Hospital Álvaro Alvim, Jair Araújo.

[caption id="attachment_6322" align="alignleft" width="300" caption="Ft. Rodrigo Silveira"][/caption] Sua fala é didática, disseca o assunto ao pontuar a exceção do caso da atriz, “A decisão dela é inatacável, só ela, a família e a equipe médica que a acompanha é que possuem dados para decidir. Cada caso é analisado como um caso que requer profunda pesquisa genética e acompanhamento multidisciplinar. Existem três formas de tratamento, o clínico, o cirúrgico e o radioterápico. O mastologista inicia o diagnóstico, aponta o caminho de tratamento. A pedra de toque é abordagem multidisciplinar, a decisão é compartilhada. Antigamente o médico tinha certa onipotência, não ouvia o paciente. Isso mudou”, afirma Dr. Jair. Segundo o médico, os índices atuais são favoráveis à cura do câncer quando são tomados os cuidados da mulher no diagnóstico precoce. Através dos exames (mamografia) regulares, da consulta médica e do autoexame o controle é mais amiúde, o tratamento mais eficaz e mais curto. “O teste genético ao qual Angelina se submeteu não tem valor preditivo. É um dado estatístico. Estatística é referência importante para análise em coletivos não no individual. Havia a possibilidade de vir a desenvolver a doença, ela optou por cortar a possibilidade, não a doença, já que esta estava no campo das possibilidades”, fala ele. Mesmo na retirada “total” de mama, ficam 5% do tecido mamário e se ali nos 5% a doença se desenvolve? “Há que se ter cuidado em atitudes sem efeito prático e que predisponham as mulheres à fobia social. Cada caso é visto de forma isolada, assim como a decisão. O ser humano é uma integralidade, não uma parte”. Ao se defrontar com a possibilidade real da doença, de um modo geral, as pessoas apresentam cinco reações, sem hierarquização entre elas: 1) negação — quando o paciente não aceita, nega, não admite e perde tempo para o início do tratamento; 2) ira — é o momento da inconformidade por se sentir injustiçado, atrapalha muito; 3) barganha — faz todo o sacrifício para recuperar a saúde; 4) depressão — o paciente fica imobilizado, sem atitude e 5) aceitação — é quando consciente de que tem o câncer, precisa lutar. “Estes estados se alternam, há o conflito, tudo passará rápido. No caso da Angelina, a opção foi ditada por se encontrar na barganha. Decidiu se sacrificar para cortar a possibilidade de um eventual sofrimento aos filhos”, finaliza. Luciana Portinho Folha Saúde de ontem, 22/05.
 
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