"Lama até o pescoço"
16/11/2015 | 08h44
Recebi por e-mail esta correspondência da ONG Greenpeace do Brasil. Nutro por eles, pela dedicação e atrevimento, simpatia. Sugiro que leiam, vejam as fotos. Sem dúvida foi o maior desastre ambiental do país. O rastro, para além das mortes dos nossos semelhantes - destruição das suas formas de viver, das perdas materiais irreparáveis, das lembranças individuais, das histórias coletivas - é mortal ao meio ambiente. O vômito da lama contaminada, anda quilômetros, atravessa cidades, estados. Por onde passa, desesperança.
Greenpeace Brasil
Lama até o pescoço
Olá luciana, Neste momento, estamos em uma expedição documentando os estragos causados pelo estouro das barragens da mineradora Samarco, controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton. Começamos a nossa viagem pelo arraial de Bento Rodrigues (MG), primeira comunidade a ser atingida, e estamos descendo rumo ao litoral do Espírito Santo, onde acompanhando o avanço da lama rumo ao Oceano Atlântico. Não conseguimos definir em uma palavra o cenário desolador que temos encontrado! O Rio Doce, a mais importante bacia hidrográfica do Sudeste, agora é um mar de lama, que tomou tudo o que há em sua volta e amarga uma lenta morte. Além disso, falta água para os moradores beberem em cidades importantes como Governador Valadares. Confira no nosso site relatos, fotos e vídeos da expedição. A história desse lugar e dessas pessoas deve ser contada e ouvida - por você, pela imprensa e por todos que acreditam que a Justiça deve se feita.
 
Alan Azevedo Greenpeace Brasil
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Mundo vulgar
30/07/2015 | 11h57
Beira ao surreal a decisão de um padre ser convocado a fazer o exorcismo em sobrevoo de helicóptero para banir o mal de uma cidade litorânea da Itália. Castellammare di Stabia, perto de Nápoles, sul da Itália estaria sendo assombrada por decadência moral e social. Incidentes vêm apavorando a população. Igrejas tem sido invadidas, túmulos violados, crucifixos são virados de cabeça para baixo e imagens de Santa Maria atiradas de penhascos. Católicos da cidade de 65 mil moradores atribuem tais desordens à presença de adoradores do diabo. Enquanto isso, em outro continente, ainda repercute a estupidez de um dentista norte-americano que matou o famoso leão do Zimbábue. O felino Cecil, tinha 13 anos, era calmo, líder de um bando de leões e deixou para trás 24 de seus filhotes . Entidades especializadas temem que sem o pai, o macho dominante do bando, é possível que as crias sejam mortas por outro leão que tentará assumir o lugar de Cecil no bando. Ou seja, Palmer também sentenciou os filhotes à morte. O imbecil do dentista, de nome Walter Palmer, teria pago U$ 50 mil pela cabeça do leão que foi propositalmente afastado de uma área de proteção até uma propriedade privada e teve seu rastreador GPS removido. Em um "esporte" bem animal Cecil foi perseguido por 40 horas e, por fim, morto com um disparo de arma. [caption id="" align="aligncenter" width="560"]cecil (Foto: reprodução) Cecil (Foto: reprodução)[/caption]
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A magia do baobá na obra de Saint Exupéry e Mia Couto
24/05/2015 | 01h51
Um pouco de magia e poesia para desembaralhar o dia, afinal folga para a maioria.
Por Nara Rúbia Ribeiro O baobá, também chamado de embondeiro, ou imbondeiro, talvez seja a árvore em torno da qual mais existam lendas, em todo o mundo. Árvore de idade incerta, posto que a sua madeira não possui anéis de crescimento, sua imponência, sua força, a fantasia que a envolve desafiam a imaginação humana. Cada um vê nessa árvore um diferente mistério. Uma magia peculiar. Com espécies nativas da África, de Madagascar e do Senegal, foi um baobá nascido em solo brasileiro (Natal, Rio Grande do Norte) que inspirou Saint Exupéry ao escrever “O pequeno príncipe” e no desenho das aquarelas. Neste livro, o baobá é visto como um iminente perigo ao minúsculo asteroide do protagonista, e razão pela qual ele necessita, urgentemente, de um carneiro que possa comer os baobás assim que brotarem do chão.
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Baobá que inspirou Saint Exupéry-  Natal, Rio Grande do Norte
Há uma outra história de que gosto muito, narrada por Mia Couto no livro “Cada homem é uma raça”. Concebida pelo escritor à sombra de embondeiro, ou, quem sabe, apenas à sombra de sua lembrança, trata-se do conto “O embondeiro que sonhava pássaros”. É a história de um passarinheiro negro que morava num embondeiro e que visitava, com recorrência, um bairro de brancos, despertando o encantamento das crianças e a desconfiança dos adultos. “O homem puxava de uma muska (Muska – nome que, em chissena, se dá à gaita-de-beiços.) e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava. Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos – aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar.” E assim o passarinheiro ganhou fama e passou a ser objeto de comentários de todo o bairro, despertando diferentes reações em cada um. Um preto ganhar fama não era algo aceitável, posto que nem mesmo a convivência era ali tolerada. Assim, os moradores do bairro trataram de denegrir a sua imagem. De desumanizá-lo, de sorte a poderem melhor discriminá-lo. Quiçá prendê-lo. Ou matá-lo. “Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.”13295_gg Diante do encantamento das crianças, especialmente de um menino chamado Tiago, o passarinheiro lhes transmitia lendas acerca da grande árvore:  “(…) aquela era uma árvore muito sagrada, Deus a plantara de cabeça para baixo.“Aquela árvore é capaz de grandes tristezas. Os mais velhos dizem que o embondeiro, em desespero, se suicida por via das chamas. Sem ninguém pôr fogo.” Mia Couto se vale, no conto, de sua poesia ímpar e das crenças africanas acerca do embondeiro. Ele discorre sobre a alma preconceituosa e medrosa dos homens, sobre a fantasia das crianças, e ainda sobre as desigualdades de um mundo em que a cor de um homem pode servir de fulcro  para a sua condenação cabal. Assim, o embondeiro é, tanto no conto quanto na vida, uma fonte de magia a cada um que de perto observar a sua imagem, trazendo-a ao coração. Ele nos mostra a grandeza da Natureza que nos cerca e do quanto a nossa mente ainda necessita expandir para bem compreende-la e integrar-se a ela. E, talvez, nas palavras de Mia Couto, quem sabe em breve tempo a humanidade já consiga assimilar o que, do embondeiro, o menino Tiago viu em sonho: “Dentro, o menino desatara um sonho: seus cabelos se figuravam pequenitas folhas, pernas e braços se madeiravam. Os dedos, lenhosos, minhocavam a terra. O menino transitava de reino: arvorejado, em estado de consentida impossibilidade. E do sonâmbulo embondeiro subiam as mãos do passarinheiro. Tocavam as flores, as corolas se envolucravam: nasciam espantosos pássaros e soltavam-se, petalados, sobre a crista das chamas.” Talvez ainda possamos enxergar os sonhos do embondeiro. Afinal, afirma Mia, que o embondeiro sonha pássaros. Sonhemos também! wp_large_20090227_3

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Campos: da baixada às baixarias
14/04/2015 | 09h03
Se da Baixada Campista tem vindo a invasiva fumaça, da política goytacá tem vindo fenômeno pior. É a baixaria bruta, não lapidada. Faltam mãos de fino manejo e mentes de almas limpas. Em Campos, há décadas, essas almas de encosto nefasto, rastejam pela planície nas costas de um e outro. Agora, escolheram atacar profissionais da imprensa e da rede de blogs locais. Não toleram o questionamento, menos ainda a independência. Exigem o cerco da corte. Caluniam, difamam, inventam. Mentem acintosamente como se a mentira, repetida como artilharia, pudesse transformar-se em verdade. Esquecem-se de que a realidade em movimento fala mais alto, dita o ponto e vírgula e confere o ponto final. Um dia, mesmo a aqueles que se enganaram e acreditaram no discurso, o ouvido trava. E tudo o mais dito soa como uma brutal poluição sonora. Distorção em alto grau. Perda de tempo. Bem como a decomposição incômoda da turfa em brasa não é bem-vinda às narinas humanas, esses, por mais processos e ameaças de processos, não mais encontram eco. [caption id="attachment_8849" align="aligncenter" width="422"]turfa queimando foto. campos24horas.com.br[/caption] Saravá!  
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Alguém viu???
30/09/2014 | 11h29
Leio pra lá e pra cá. Leio pra aqui e pra acolá.....

Alguém viu o brejo por aí?!

 

[caption id="attachment_8502" align="aligncenter" width="615" caption="Cavalo deitado na carcaça do Rio Paraíba do Sul"][/caption]
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Aniversário
05/04/2014 | 01h35
Em dia de aniversário da que vos escreve, deixo um presente a você leitor que todos os dias me acena com leitura e comentários. Mais um ano se passa ou eu passo por mais um ano e, a cada um percorrido me certifico que pouco quero além da troca de afeto com a família, da estreita convivência com os amigos e da sensibilidade para as coisas bonitas que a natureza e o ser humano me proporcionam.  Se poder tivesse extirparia o mal e o mau da Terra, seríamos assim mais dignos e irmanados. Como nada sou, procuro fazer a minha minúscula parte nessa grande confusão que é a sociedade que soubemos erigir.  Curtam a fotografia perfeita do campista Dudu Linhares e a pequenina poesia do também campista Artur Gomes. [caption id="attachment_7805" align="alignright" width="465" caption="Ft. Dudu Linhares"][/caption] Poética para Dudu Linhares pássaro pluma voa leve pluma voa sobre o barco/pássaro flutuando na lagoa Artur Gomes  
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Nosso muro está baixo
21/03/2014 | 06h14
Nosso muro está baixo Disse o poeta Eduardo Alves da Costa, de Niterói, no poema intitulado “No caminho com Maiakóvski”: [...] Na primeira noite eles se aproximam/e roubam uma flor/do nosso jardim./E não dizemos nada./Na segunda noite, já não se escondem;/pisam as flores,/matam nosso cão,/e não dizemos nada./Até que um dia,/o mais frágil deles/entra sozinho em nossa casa,/rouba-nos a luz, e,/conhecendo nosso medo,/arranca-nos a voz da garganta./E já não podemos dizer nada.[...] Pois é, todo mundo quer nos tomar alguma coisa. Há dois anos foram os royalties do petróleo, na mão grande, não respeitando contratos firmados, nem tampouco a Constituição (ainda não estamos definitivamente livres do assalto). Bem antes, também sobre a mesma matéria dos royalties, levamos a primeira garfada: impuseram-nos a cobrança do ICMS no estado final do consumo e não no da origem, no estado produtor. Agora vem o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, querer captar água de um rio federal que é interestadual, para despejá-la no sistema Cantareira, reservatório responsável pelo abastecimento da grande São Paulo e que atravessa problemas. Há dois dias, o governador esteve com a presidente Dilma. Foram, então, convocados à reunião, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e dirigentes da ANA (Agência Nacional de Águas) a quem cabe formalmente autorizar a captação. Óbvio que o rio é o Paraíba do Sul garantidor do abastecimento de cidades paulistas – do Vale do Paraíba – e em nosso estado, da capital e de outras cidades, incluindo a nossa Campos dos Goytacazes, em um total de 10 milhões de pessoas. O projeto paulista é antigo, sempre enfrentou a resistência dos técnicos do Rio de Janeiro, pela simples razão de que abasteceria a grande São Paulo e iria nos desabastecer. Outro problema é que ao diminuir, ainda mais, o volume da água do rio, aumentará a concentração de resíduos tóxicos despejados ao longo do seu curso por indústrias , o que fatalmente piorará, em muito, a qualidade da água em nossas torneiras. Os menos jovens lembram-se da catástrofe da Paraibuna de Metais, em 1982. Despejou de Minas no rio Pomba, afluente do Paraíba, enorme quantidade de resíduos tóxicos e ficamos quase por um mês só usando água mineral. É preciso dar um basta nas pretensões dos amigos do alheio. Este tem que ser dado através dos nossos deputados estaduais e federais, senadores e do governo do estado. A questão não será resolvida na argumentação e no bom senso, sim na política. Depende da firme atuação dos nossos representantes com mandato. Sem dúvida o nosso muro está baixo e todos se atrevem a nos invadir. Será que isto acontece devido à estatura de nossos políticos? De qualquer maneira não podemos ficar calados, senão, como disse o poeta, a nossa voz virão roubar, “E já não podemos dizer nada”. Makhoul Moussallem Médico conselheiro do CREMERJ e CFM Artigo publicado hoje, 21/03, no jornal Folha da Manhã
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Pavio curto
07/03/2014 | 07h17
Quanto mais observo a natureza, mais me choca a pobreza. Sou assim desde pequena. Os anos se passaram, não consegui me modificar. Tanto mais a natureza me cerca, mais sinto culpa (isso mesmo, culpa) de me saber parte de uma sociedade estúpida. Resisto a aceitar a teoria da índole humana má, mas, hoje, reconheço... vacilo. Nascemos em um paraíso cósmico, na Terra fomos engenhosos, criamos o inferno. Com unhas e dentes queimamos nossas breves vidas a gerir a infelicidade do individualismo.   De volta ao blog, um abraço a quem me procurou por aqui.
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ÚLTIMO POST
30/12/2013 | 02h11
Com a sensação de que tudo foi dito, de que nesses dias finais do calendário não temos algo a novo dizer, ao ler ontem O Globo, renovei convicção particular. A bióloga brasileira resume meu sentimento: ontem, hoje e amanhã, agir é preciso. A ativista gaúcha do Greenpeace, Ana Paula Maciel, finalmente pisou o solo pátrio no sábado. [caption id="attachment_7384" align="aligncenter" width="600" caption="Ft. Divulgação"][/caption]

Presa pela causa ambiental, por cem dias na Rússia, a moça e mais 29 integrantes do Greenpeace foram detidos por autoridades russas em 19 de setembro. Um dia após protestarem em uma plataforma de petróleo da companhia Gazpron, no Mar do Norte, Círculo Polar Ártico, o grupo foi acusado de pirataria e vandalismo (sic). Enfim libertos, guardam a certeza da mobilização internacional como única responsável pela soltura deles.

Ana Paula ao desembarcar, logo desfraldou a bandeira "Salve o Ártico", descansará junto à família por cerca de um mês, de lá volta à ativa: a nova missão será na Nova Zelândia, uma campanha de preservação das baleias orcas. Termino assim 2013, saudando a todos que não desistem das suas "utopias", por dinheiro não se vendem, homenageando a corajosa Ana Paula. No front, nos encontraremos em 2014! Um Ano Novo de esperanças!  
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Ao léu
27/12/2013 | 10h17
Ao léu Um menino, uma bóia, uma água verde doce. A bóia jogada n’água, o menino pula atrás. Mergulhado, entre o azul do céu e o verde da mata, o menino transborda. [caption id="attachment_7374" align="aligncenter" width="620" caption="Ft.Google"][/caption]

 

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