"Engenhosidade"
22/09/2015 | 07h38
Abaixo, o pequenino testemunho do escritor Luis Fernando Veríssimo. Quando se quer, as coisas acontecem na Cultura, ainda que com falta de recursos abundantes e das condições ideais. [caption id="attachment_27534" align="alignnone" width="315"]Verissimo no estande da Biblioteca Municipal |Foto Tiago Amado Verissimo no estande da Biblioteca Pública Municipal Nereu Ramos |Foto Tiago Amado[/caption] "Rio do Sul é uma simpática cidadezinha no nordeste de Santa Catarina, e Rio do Sul tem uma feira do livro, à qual fui convidado. Todos os eventos da feira acontecem num espaço montado embaixo de uma ponte. O que só serve para mostrar como a engenhosidade supera tudo, inclusive a falta de verbas e a negligencia oficial com a cultura. Estávamos embaixo de uma ponte, e estávamos, durante a feira, no lugar mais nobre da cidade."
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Flip, território da liberdade do pensamento
04/07/2015 | 12h27
Talvez uma das mais interessantes características da Flip seja a de propor linhas de pensamento diferentes para um mesmo tema. Em princípio, não existem tabus que não possam publicamente ser debatidos, alias se assim não fosse o evento não completaria, sem deixar a peteca cair, a sua 13ª edição e, também convocaria as nuvens, não seres humanos que pensam e escrevem o que pensam. [caption id="attachment_9120" align="alignleft" width="338"]ANTONIO RISERIO foto O Globo[/caption] A mesa “A cidade e o território”, abriu o segundo dia da Festa Literária Internacional de Paraty 2015. Reuniu o antropólogo baiano Antonio Risério e o poeta carioca Eucanaã Ferraz. Dois enfoques. Risério apontou a necessidade de encarar a situação catastrófica das metrópoles brasileiras: “não temos mais tempo para pensar uma cidade ideal, como fizeram os modernistas, hoje, a cidade ideal é a necessária, nos falta tempo”. Ferraz argumentou que a poesia traz consigo um urbanismo, pois age num terceiro espaço entre o real e a imagem do real. Na sua fala, o antropólogo começou analisando o duplo sentido das grandes cidades brasileiras com seus centros históricos: “duas cidades funcionando dentro de uma”, o que leva a um terceiro modelo que é “o que queremos construir: nem a cidade barroca escravista, tampouco a cidade capitalista que geram as periferias de excluídos”. Para ele, o centro antigo é o elemento central de uma identidade cívica que se deseja preservar, “é uma missão de todos num contexto em que avança a segregação sócio territorial”. — Temos que enfrentar a realidade e construir um chão compartilhável, uma narrativa comum. Mas como compartilhar um discurso, uma meta, se habitamos lugares tão diferentes e distantes. Sob o signo da segregação sócio territorial e das suas fraturas não é possível se manter saudável. Caso não nos organizemos, podemos nos encrencar de vez — afirmou Risério. — Não há nenhuma catástrofe a caminho, a merda já aconteceu. Só nos resta tentar remendar a idiotice planetária que já aconteceu. Ao responder a uma pergunta da plateia, pediam sua opinião sobre as ciclovias de São Paulo, o antropólogo afirmou que o debate não deve se centrar na construção ou não das pistas exclusivas para bicicletas, mas no fenômeno urbano onde elas estão inseridas. Ele elogiou o prefeito paulista Fernando Haddad (PT). — São Paulo é um fenômeno sócio territorial especifico com seus viadutos, como o Minhocão, frutos da engenharia da ditadura e do Paulo Maluf. Com Haddad, pela primeira vez vejo alguém tentando discutir a cidade enquanto questão urbanística. A ciclovia não é o problema. Acontece que esse cara está encarando o automóvel – disse Risério, provocando aplausos do público. [caption id="attachment_9122" align="alignleft" width="331"]EUCANAÃ FERRAZ foto. O Globo[/caption] Ferraz iniciou sua participação recitando os versos de “Lira paulistana”, poema de Mário de Andrade, autor homenageado da Flip: “Quando eu morrer quero ficar / Não contem aos meus inimigos / Sepultado em minha cidade / Saudade”. Seu objetivo foi ilustrar a inflexão praticada pelos modernistas ao abraçar a metrópole na década de 1920, enquanto toda linhagem anterior, Olavo Bilac à frente, a recusava. Para o poeta, a poesia é um fato social, “ela nos fala, é uma materialidade entre outras materialidades, é uma matéria que se instala entre outras matérias, daí seu valor urbanístico”. Menos do que um discurso excepcional e sacralizado e também não restrito ao sentimento do sujeito. Trata-se de uma matéria que entra em relação com outras matérias na cidade. — O urbanista Giulio Carlo Argan diz que faz urbanismo quem produz valor e o coloca em circulação. A poesia tem um alto valor de imaginação e se põe como valor, junto de outros valores, na cidade. Ela tem uma função, mesmo que não seja normativa – disse Ferraz, autor de uma tese de doutorado sobre a relação entre poesia e arquitetura. — É o terceiro espaço que a poesia põe em questão com o seu urbanismo, um espaço que não é nem a realidade nem a imagem dessa realidade. A poesia é uma ameaça, disse Eucanaã Ferrraz. No fim da mesa, quando comentava sobre três mulheres importantes da arquitetura moderna nacional – Carmen Portinho, Lota Macedo Soares e Lina Bo Bardi -, Risério criticou nomes badalados internacionalmente, como Santiago Calatrava e Frank Gehry. Segundo o antropólogo, cada arquiteto fazendo a sua escultura e “foda-se o resto”, não pensam no entorno e deu como exemplo a Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. A mediação da mesa foi do poeta e curador João Bandeira.  
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Da Flip 2015, primeiras impressões
02/07/2015 | 11h16
Com 43 autores - 11 são poetas - e o escritor brasileiro modernista Mario de Andrade (1893 - 1945) como homenageado, ontem (01) teve início a 13ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A cidade histórica durante os cinco dias do evento, será aos poucos tomada por uma gente misturada que veio assistir aos debates, encontros e mostras. Ainda que a recessão econômica do presente afete toda e qualquer iniciativa no país, a Flip, logo na abertura, deu mostra da seriedade e qualidade com que é elaborada desde a primeira edição há mais de uma década. O evento cultural, segundo os organizadores (Associação Casa Azul) não é mais um evento “de fora” ao paratiense; está fincado nos quatro cantos do Centro Histórico, movimenta a economia do turismo local, já faz parte do território, mesmo que tenha tido seu orçamento diminuído. Se em 2014 a Flip contou com R$ 8.5 milhões este ano recebeu R$ 7,5 milhões. Não é nada, não é nada – outros talvez cancelassem a festa em total descompromisso com o cativo público -, pois aqui se observa que o fundamental do movimento cultural está assegurado, o supérfluo sofreu cortes e a Flip 2015 acontece firme apesar de. Intitulada “As margens de Mário” foi a mesa da sessão de abertura da Flip 2015. Dela, participaram a crítica literária argentina Beatriz Sarlo, a ensaísta paulista Eliane Robert Moraes e o carioca estudioso do modernismo brasileiro, Eduardo Jardim. Antes, um vídeo com o artista e músico pernambucano Antonio Nóbrega. A proposta é alargar o olhar como o fez Mario de Andrade em suas incursões inquietas pelo Brasil; nas palavras de Nóbrega “O dia que descobrirmos esse olhar seremos um país melhor”, ou como disse Beatriz Sarlo ao fazer paralelo entre os dois países sul-americanos - Argentina e Brasil – trata-se de pensar “carência e conflito” deste país não apenas multicultural, mas, “ricamente multicultural”. "Eu sou trezentos, sou trezentos- e-cinquenta, Mas um dia afinal me encontrarei comigo..." Mário de Andrade FullSizeRender(11) FullSizeRender(12) FullSizeRender(13)  
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Mário de Andrade dá o tom do show de abertura da Flip
24/06/2015 | 11h53
flip logo 15 [caption id="" align="alignleft" width="296"] Luís Perequê (foto de André Conti)[/caption] Intitulado “Música na Praça”, o show de abertura da Flip 2015 reúne Luís Perequê, o grupo cirandeiro Os Caiçaras e a cantora Dani Lasalvia, voltados para a arte popular -- tema recorrente na obra do homenageado Mário de Andrade (1893-1945). O autor e musicólogo foi um desbravador da música popular de raiz do Brasil, apontando suas pesquisas para ritmos indígenas, músicas africanas, acalantos, ranchos, modinhas, cirandas. O show, gratuito, acontece ao lado da Igreja Matriz, na quarta-feira (1º de julho), às 21h30, após a sessão de abertura da festa literária. Apresentando canções de sua autoria, Luís Perequê abre a noite. Na sequência, uma convidada do artista caiçara ganha a Tenda da Flipinha, a cantora Dani Lasalvia – que interpreta algumas das canções coletadas por Mário. A ciranda, que o escritor modernista chamou de “dança dramática”, estará representada pelo grupo Os Caiçaras. Programação da FlipMais é totalmente gratuita A programação da Flip transborda os limites da Tenda dos Autores e se espalha pela cidade. Marcadas pela diversidade, as atividades da FlipMais combinam literatura, cinema, teatro, arquitetura, artes plásticas e políticas públicas, que ocupam a Casa da Cultura de Paraty e, pela primeira vez, a Capela Nossa Senhora das Dores, a Capelinha – tudo com entrada gratuita. Debates sobre preço fixo do livro e produção de poesia, além de espetáculos que trazem para cena o feminismo e a linguagem contemporânea do circo, compõem a grade da FlipMais. Confira a programação completa aqui.
ascom([email protected])
 
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A magia do baobá na obra de Saint Exupéry e Mia Couto
24/05/2015 | 01h51
Um pouco de magia e poesia para desembaralhar o dia, afinal folga para a maioria.
Por Nara Rúbia Ribeiro O baobá, também chamado de embondeiro, ou imbondeiro, talvez seja a árvore em torno da qual mais existam lendas, em todo o mundo. Árvore de idade incerta, posto que a sua madeira não possui anéis de crescimento, sua imponência, sua força, a fantasia que a envolve desafiam a imaginação humana. Cada um vê nessa árvore um diferente mistério. Uma magia peculiar. Com espécies nativas da África, de Madagascar e do Senegal, foi um baobá nascido em solo brasileiro (Natal, Rio Grande do Norte) que inspirou Saint Exupéry ao escrever “O pequeno príncipe” e no desenho das aquarelas. Neste livro, o baobá é visto como um iminente perigo ao minúsculo asteroide do protagonista, e razão pela qual ele necessita, urgentemente, de um carneiro que possa comer os baobás assim que brotarem do chão.
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Baobá que inspirou Saint Exupéry-  Natal, Rio Grande do Norte
Há uma outra história de que gosto muito, narrada por Mia Couto no livro “Cada homem é uma raça”. Concebida pelo escritor à sombra de embondeiro, ou, quem sabe, apenas à sombra de sua lembrança, trata-se do conto “O embondeiro que sonhava pássaros”. É a história de um passarinheiro negro que morava num embondeiro e que visitava, com recorrência, um bairro de brancos, despertando o encantamento das crianças e a desconfiança dos adultos. “O homem puxava de uma muska (Muska – nome que, em chissena, se dá à gaita-de-beiços.) e harmonicava sonâmbulas melodias. O mundo inteiro se fabulava. Por trás das cortinas, os colonos reprovavam aqueles abusos. Ensinavam suspeitas aos seus pequenos filhos – aquele preto quem era? Alguém conhecia recomendações dele? Quem autorizara aqueles pés descalços a sujarem o bairro? Não, não e não. O negro que voltasse ao seu devido lugar.” E assim o passarinheiro ganhou fama e passou a ser objeto de comentários de todo o bairro, despertando diferentes reações em cada um. Um preto ganhar fama não era algo aceitável, posto que nem mesmo a convivência era ali tolerada. Assim, os moradores do bairro trataram de denegrir a sua imagem. De desumanizá-lo, de sorte a poderem melhor discriminá-lo. Quiçá prendê-lo. Ou matá-lo. “Mas logo se aprontavam a diminuir-lhe os méritos: o tipo dormia nas árvores, em plena passarada. Eles se igualam aos bichos silvestres, concluíam.”13295_gg Diante do encantamento das crianças, especialmente de um menino chamado Tiago, o passarinheiro lhes transmitia lendas acerca da grande árvore:  “(…) aquela era uma árvore muito sagrada, Deus a plantara de cabeça para baixo.“Aquela árvore é capaz de grandes tristezas. Os mais velhos dizem que o embondeiro, em desespero, se suicida por via das chamas. Sem ninguém pôr fogo.” Mia Couto se vale, no conto, de sua poesia ímpar e das crenças africanas acerca do embondeiro. Ele discorre sobre a alma preconceituosa e medrosa dos homens, sobre a fantasia das crianças, e ainda sobre as desigualdades de um mundo em que a cor de um homem pode servir de fulcro  para a sua condenação cabal. Assim, o embondeiro é, tanto no conto quanto na vida, uma fonte de magia a cada um que de perto observar a sua imagem, trazendo-a ao coração. Ele nos mostra a grandeza da Natureza que nos cerca e do quanto a nossa mente ainda necessita expandir para bem compreende-la e integrar-se a ela. E, talvez, nas palavras de Mia Couto, quem sabe em breve tempo a humanidade já consiga assimilar o que, do embondeiro, o menino Tiago viu em sonho: “Dentro, o menino desatara um sonho: seus cabelos se figuravam pequenitas folhas, pernas e braços se madeiravam. Os dedos, lenhosos, minhocavam a terra. O menino transitava de reino: arvorejado, em estado de consentida impossibilidade. E do sonâmbulo embondeiro subiam as mãos do passarinheiro. Tocavam as flores, as corolas se envolucravam: nasciam espantosos pássaros e soltavam-se, petalados, sobre a crista das chamas.” Talvez ainda possamos enxergar os sonhos do embondeiro. Afinal, afirma Mia, que o embondeiro sonha pássaros. Sonhemos também! wp_large_20090227_3

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É pra rir. É pra chorar.
23/01/2015 | 09h33
Dos assuntos que dominam a agenda dos dramas do cotidiano de todos nós: a água. Ou melhor, a falta dela. Bem escrito, sugiro a leitura. E vamos nós! Até quando e como? Alguém se atreve a predizer? Eu já enfiei as minhas certezas há tempo na minha sacolinha.

Ensaio sobre a cegueira paulista

janeiro 21, 2015 11:43
 E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo estado, por todas as cidades e vilarejos
Por Mauricio Moraes E, de repente, um surto de cegueira acometeu São Paulo. Não se sabe se começou na avenida Higienópolis, na capital, ou se veio do interior. Há quem diga que o primeiro cego perdeu o senso de realidade em Ribeirão Preto. De repente deu de achar que estava na Califórnia. E a epidemia se espalhou silenciosamente pelo Estado, por todas as cidades e vilarejos. Em 2014, nas eleições para o governo do Estado, a cegueira estava disseminada. Diferentemente do livro de José Saramago, onde uma mancha branca, um “mar de leite”, cegava um a um os habitantes de uma cidade fictícia, em São Paulo os cegos continuavam enxergando. Mas há tempos já se diz que o pior cego é aquele que não quer ver. E eles não viram, ou apenas fizeram cara de paisagem, junto com editores cegos de jornais e revistas, do rádio e da TV. Tudo parecia normal durante a reeleição do “Geraldo”, alcunha de Geraldus Alckminus, da longeva dinastia tucana. “Não vai faltar água”, disse o governador pausadamente naquela campanha, ressaltando cada sílaba, na maior mentira deslavada da história recente do país. E assim a maioria dos paulistas “acreditou” no que ele disse. Culparam São Pedro, o PT, e ignoraram solenemente os milhões que escorreram nos túneis do metrô e a violência que voltou a crescer. Se fizeram de Maria Antonieta no desmonte da educação e das universidades do Estado. Aplaudiram a PM esfolando manifestantes e matando jovens negros e pobres nas periferias. E sobretudo se fizeram de surdos quando alertados que a Cantareira estava baixando e que a água, logo logo, iria acabar. No quarto mês de 2015, no início do quarto reinado alckmino, ano 20 da era tucana, muitos paulistas começaram a se dar conta da realidade. Talvez tenha sido o odor inebriante do CC no busão ou as louças amontoadas na pia. O cabelo ensebado por falta de banho pode ter ajudado. Cientistas suspeitam dos efeitos colaterais da água do volume morto. Dizem que uma moradora dos Jardins acordou num surto psicótico depois que uma crosta de poeira havia se impregnado em seu carro de luxo. Nem decuplicar a oferta ao lava jato conseguiu driblar a realidade. “Esse atendimento não era gourmet?”, gritava, insana. Mas naquele dia já não havia mais água. Não demorou a que o caos se instalasse. Todos correram aos supermercados para estocar o líquido precioso. As gôndolas ficaram rapidamente vazias. Em Itu, um caminhão de água foi sequestrado. Por toda a parte, havia registros de brigas, até por garrafinhas de 500 ml de água. E o preço foi às alturas. Em Pinheiros, uma rua cedeu depois que vários moradores cavaram poços clandestinos. A desordem se instalou. No Palácio dos Bandeirantes, longe de tudo e de todos, Alckminus tentava contornar a crise. Desta vez, estava preocupado. O Maquiavel de Pindamonhangaba enxergava tudo muito bem e, com jeito de bom moço, já havia se tornado mestre em abafar CPIs na Assembleia Legislativa ou em mentir que a Corregedoria da PM funciona. Agora, estava sob grande pressão. Ainda não havia sinal de nenhuma turba chegando ao longínquo Palácio dos Bandeirantes. O Choque da PM bloqueou o acesso ao Morumbi (com garantia de água à vontade, a fim de evitar um motim policial). O estoque de balas de borracha foi reforçado e um novo lote de gás lacrimogêneo fora usado contra manifestantes do Movimento Água Livre. Contra o povo, Alckmin tinha a polícia. O que realmente o preocupava eram os 30 PIBs de São Paulo reunidos no Palácio (a quem foi oferecido champagne por razões de “restrição hídrica”, como explicou o cerimonial). Também apavoravam o governador as chantagens dos acionistas da Sabesp. Apesar do preço exorbitante, a falta d’água deixou a companhia deficitária, com as ações a preço de banana na Bolsa de Nova York, onde eram comercializadas desde a privatização parcial da empresa. E assim os paulistas tentavam deixar a cidade, o Estado. Um grande congestionamento, que já durava uma semana, travou as rodovias. Na capital, moradores fugiam pelas ruas, carregando o que podiam, em uma cena dantesca. Uns deliravam e arrancavam as roupas, andando desorientados. A Força Nacional foi acionada. Já havia gente se jogando no Tietê. Em meio à tragédia, os jornais traziam notícias otimistas. “Cacique Cobra Coral assegura que vai chover”, dizia a manchete de um deles, com declarações de Alckminus justificando a contração da “consultoria para deficiência hídrica”. Analistas chegaram a prever um ataque da população ao Bandeirantes, mas pesquisas mostravam que grande parte dos paulistas ainda não tinha certeza sobre quem era o responsável pela crise da água, se Dilma ou Haddad. Na dúvida, resolveram ir embora o mais rápido possível, com a fé abalada em São Pedro. Ainda mantinham a esperança de que, um dia, a cidade fosse inundar mais uma vez durante as chuvas de verão e que haveria água para todos (ou ao menos nos camarotes). Para muitos, a cegueira era irreversível. Fonte: aqui http://www.revistaforum.com.br/blog/2015/01/ensaio-sobre-cegueira-paulista/
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Um Rio
18/01/2015 | 05h27
Reproduzo via mural do Artur Gomes, poeta e produtor cultural, publicado no Facebook, o poema escrito por Antonio Roberto Góis Cavalcanti (Kapi), entre os anos 1977 e 1978. Há mais de duas décadas, a sensibilidade do poeta Kapi já antevia a agonia do "nosso" Rio Paraíba do Sul.
Um rio Era uma vez… Um rio Que de tão vazio, já não era rio e nem riachão, tão pouco riacho.Não era regato, nem era arroio, muito menos corgo.uma vez… um rio que, de tanta cheia, já não era rio e nem ribeirão.Era mais que Negro, era mais que Pomba, era mais que Pedra, era mais que Pardo, era mais que Preto, bem maior ainda que um rio grande. Era uma vez… um rio que de tão antigo era temporário, era obsequente, era um rio tapado e antecedente. Que não tinha foz, que não tinha leito, que não tinha margem e nem afluente, tão pouco nascente. Mas que era um rio. Não era das Velhas, não era das Almas, não era das Mortes. Era um Paraíba, era um Paraná, era um rio parado. Rio de enchentes, rio de vazantes, rio de repentes: Um rio calado: Sem Pirá-bandeira, Sem Piracajara, Sem Piracanjuba. Em suas águas não havia Pira não havia íba, não havia jica, não havia juba. Nem Pirá-andira, nem Piraiapeva, nem Pirarucu. Era um rio assim: Sem pirá nenhum. Mas que era um rio. Era uma vez…. Um rio. Que, de tão inerte, Já não era rio. Não desaguou no mar, não desaguou num lago, nem em outro rio. É um rio antigo, que de tão contido não é natureza. Um dia foi rio, há muito é represa. [caption id="attachment_8661" align="aligncenter" width="556"]IMG_4154 Ft. Artur Gomes[/caption]  
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Qualquer noite dessas
01/01/2015 | 10h04
Quando chegar a maré cheia
vou pegar 
uma daquelas pranchas de areia
e vou embora ...
Vou matar todas as saudades
vou para minha Campos dos Goytacazes,
vou com todas as velas enfunadas,
descer na Rua da Jaca
e ouvir histórias de lobisomem
contadas por José Cândido,
vou ver a lua seresteira
acender suas velas
nas margens da grande curva.
Quero ver tudo!
Ver Atafona afogada na areia
soltando o vento leste,
quero ouvir o murmúrio do canavial
e o gemido das velhas catanas,
vou procurar aqueles objetos perdidos
que deixei no fundo do meu quintal
deixa chegar a maré cheia!
Vou pegar uma daquelas pranchas de areia
e vou me embora...
Vou para a minha Campos do Goytacazes
Antonio Carlos Pereira Pinto
( Encontrei este poema, sem data, remexendo nos papéis. Bonito, de um tempo remoto, em uma dessas viradas do calendário que inventamos para nos lembrar da dimensão real. Tempo menos fornalha, do céu mais camarada, das velas levadas pelo vento em dias de água no Paraíba do Sul.)
[caption id="attachment_8623" align="aligncenter" width="400"]barco_rvermelho Ft. Globo. G1[/caption]
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Especial: programa dos bons!
03/12/2014 | 02h42
Deixo aqui um convite para o leitor antenado ao que de bom acontece em Campos. Recebi dele, via rede social , segue com suas próprias palavras. Cristiano, é uma dessas pessoas movimentadas quando o assunto é criatividade. Inquieto e questionador, não tem prato feito que mentalmente o alimente. Foi uma dessas aquisições culturais (ele é gaúcho de nascimento) que o campista tem a sorte de poder "adotar". Em sua bagagem, veio o principal: o próprio em carne e osso.
cristiano livro
Com enorme satisfação te convido para o lançamento do meu livro "antes os dentes eram brancos". Data: 6 de Dezembro de 2014 Horário: 20 h às 22 h - Entrada franca Local: The Underground Pub (Rua Marcílio Dias, 29/31, Campos dos Goytacazes - RJ. Participação especial da banda Anti Matéria, do amigo Gabriel Formaglio. Te aguardo! Cristiano Pluhar.
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Sylvia Paes lança livro na VIII Bienal de Campos
14/05/2014 | 02h55
   

Como ela mesmo nos diz: "Esse é o primeiro livro de uma série que trata do nosso Patrimônio Cultural Imaterial. Ele fala da nossa lenda do Ururau em uma linguagem infantil utilizando também o linguajar local.Os outros tratam do Jongo, da Mana Chica, dos doces, das rendas e do indígena Goitacá. O Ururau Pançudo estará a venda na 8ª Bienal do Livro de Campos a R$10,00 para alunos uniformizados, a partir do dia 18 de maio às 9 horas, no stand da Academia Campista de Letras." Parabéns!!
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Sobre o autor

Luciana Portinho

[email protected]