FALTA UMA
08/02/2016 | 10h44
  [caption id="" align="alignleft" width="303"] FOTO www.pragmatismopolitico.com.br[/caption] Ao falar que o Brasil está “perdendo feio” a guerra contra a dengue, o ministro Marcelo Castro prestou um serviço, embora incompleto, porque essa não é nossa única “derrota feia”. Perdemos a guerra contra a violência: o clima de guerra já se apossou tanto da sociedade, que nos acostumamos a fugir das ruas, trancafiarmo-nos em nossas casas, condomínios fechados, carros e shoppings. A tal ponto, que já não nos perguntamos como viver em paz, apenas como conseguir segurança prendendo menores e liberando porte de armas aos cidadãos. Perdemos a guerra da educação. Com mais de 50 milhões de brasileiros adultos sem o ensino fundamental, ainda que um governo sério decida fazer a revolução na educação de base, as crianças já nascidas chegarão à idade adulta despreparadas para enfrentar o desafio da era do conhecimento; não serão capazes de levar o Brasil ao desenvolvimento que precisamos. Perdemos feio a guerra contra a desigualdade social. Mesmo depois de 15 anos de Bolsa Escola/Família, continuamos campeões de desigualdade, e os resultados na luta contra a fome estão regredindo por causa da inflação. Perdemos feio a guerra do desenvolvimento científico e tecnológico, da inovação e da competitividade. Em muitos setores, estamos atrás até mesmo de países pequenos e sem tradição de desenvolvidos. E nossa educação, nossas empresas, nossas universidades não estão preparadas para enfrentar este desafio. Perdemos a guerra da saúde. Não a tratamos como uma questão sistêmica que cuide da água potável, do saneamento, do trânsito, da saúde primária e de hospitais eficientes servindo ao interesse do doente, e não de empresários, sindicatos ou políticos. Perdemos momentaneamente a guerra contra a inflação, e há sério risco de que não seremos capazes de vencer esta guerra por não querermos tomar as decisões necessárias. Perdemos feio a guerra contra a dívida pública; além de perdemos também a guerra do endividamento das famílias e empresas. Perdemos a guerra das cidades, transformadas em “monstrópoles”; violentas, feias, com trânsito atravancado, ruas inundadas e casas sem água. Perdemos também a batalha do transporte público. Perdemos feio a batalha da gestão pública, com um Estado ineficiente, dependente dos vícios dos partidos por aparelhamento, dos empresários por subsídios e desonerações fiscais; entregue à voracidade corporativa dos sindicatos, desprezando-se eficiência e mérito. Perdemos a guerra contra a corrupção. Apesar da Lava-Jato, a prática, continua generalizada e o crime impune. Perdemos feio a guerra da credibilidade na política e nos políticos, e nada será feito se esta guerra não for vencida. Estamos próximos de perder a batalha da democracia: com um debate centrado no impeachment de uma presidente com mandato ou na conformação a um governo eleito com notória incompetência para vencer as guerras e conduzir o Brasil para o futuro. Felizmente, ainda não perdemos a guerra da esperança. Cristovam Buarque é senador pelo PDT-DF e  professor emérito na UNB. Artigo retirado das redes sociais.
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Nós somos o maior desastre
22/01/2016 | 03h20
É só parar e pensar minimamente que chegaremos a esta conclusão. Nós (a sociedade que soubemos construir, com os valores que soubemos empunhar), somos o desastre ambiental do belo planeta Terra. Segundo cientistas, por ano, lançamos cerca de 8 milhões de toneladas de lixo plástico nos oceanos. E o pior, o Banco Mundial projeta que atingiremos o patamar máximo de lixo produzido no mundo até o final deste século. Choca saber que o uso maciço de plásticos é tão gigantesco que os oceanos abrigarão mais detritos plásticos do que peixes em 2050 - informação de um comunicado na terça-feira (19), no Fórum Econômico Mundial de Davos. "Isso significa que estamos tirando atum e colocando plástico em seu lugar", disse Kara Lavender Law, co-autora da pesquisa e porta-voz da Associação Educacional do Mar de Woods Hole, no Estado americano de Massachussetts. [caption id="" align="aligncenter" width="567"] Cientistas dizem que 20 países são responsáveis por 83% da poluição dos mares por plástico (Foto: Reuters/Erik De Castro/Files ) Cientistas dizem que 20 países são responsáveis por 83% da poluição dos mares por plástico (Foto: Reuters/Erik De Castro/Files )[/caption]

E mais.

Com as águas do mundo tomadas pelo plástico, a quantidade de lixo no oceano tem colocado em risco as aves marinhas do mundo. Estudo dos pesquisadores do Imperial College London e da Organização para a Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade da Austrália (CSIRO) concluiu que cerca de 90% das aves marinhas têm plástico em seu organismo atualmente. Também preveem que esse percentual chegará a 99% até 2050, segundo a pesquisa publicada em meados de 2015 na revista cientítica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para que tenham noção da tragédia: em 1960, menos de 5% das aves marinhas tinham ingerido plástico na época. [caption id="" align="aligncenter" width="516"]Atobá-de-pé-vermelho é fotografado na Ilha Christmas, da Australia; poluição dos oceanos está pondo em risco as aves marinhas (Foto: CSIRO/Divulgação) Atobá-de-pé-vermelho é fotografado na Ilha Christmas, da Australia; poluição dos oceanos está pondo em risco as aves marinhas (Foto: CSIRO/Divulgação)[/caption] Ou os países tomam atitudes radicais e imediatas, ou seremos um dia classificados como o mais venal dos lixos do belo planeta Terra.
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Bateu o motor
21/01/2016 | 09h17
FullSizeRender(36) Charge publicada no jornal Folha de São Paulo
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Mais um rebaixamento, o que diz o brasileiro
16/12/2015 | 03h11

Com reprovação de 70% da população brasileira, segundo pesquisa do Ibope divulgada ontem (15), o Governo Dilma recebe o segundo rebaixamento nesta quarta-feira (16). A agência de classificação de risco Fitch rebaixou a nota do Brasil, tirou o grau de investimento do país.

Pelos dados levantados da pesquisa Ibope são estes os percentuais de avaliação dos eleitores ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT):
- Ótimo/bom: 9% - Regular: 20% - Ruim/péssimo: 70% - Não sabe: 1% O Ibope também ouviu a opinião dos eleitores por área de atuação do governo. São essas as respostas: Combate à fome e à pobreza Aprovam: 27% Desaprovam: 71% Não souberam/Não responderam: 2% Educação Aprovam: 22% Desaprovam: 76% Não souberam/Não responderam: 2% Meio Ambiente Aprovam: 21% Desaprovam: 74% Não souberam/Não responderam:  5% Saúde Aprovam: 14% Desaprovam: 85% Não souberam/Não responderam:  1% Segurança Pública Aprovam: 13% Desaprovam: 85% Não souberam/Não responderam: 2% Combate à inflação Aprovam: 12% Desaprovam: 85% Não souberam/Não responderam: 3% Combate ao desemprego Aprovam: 12% Desaprovam: 87% Não souberam/Não responderam: 1% Taxa de juros Aprovam: 7% Desaprovam: 91% Não souberam/Não responderam: 2% Impostos Aprovam: 7% Desaprovam: 91% Não souberam/Não responderam: 2% [caption id="" align="aligncenter" width="542"] Charge do Laerte, publicada ontem (15), no jornal Folha de São Paulo[/caption]
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Natal minguado
14/12/2015 | 09h01
Vai ser difícil o brasileiro fazer as suas compras tradicionais de Natal. A carestia chegou pra valer e, até alguns - não poucos - nem sabem se receberão o 13º salário antes da festa, como manda a lei trabalhista. Se no início do ano, gastar R$ 100,00 no supermercado, era sinônimo de carrinho razoavelmente farto agora, no final do ano, o brasileiro tem que pensar duas vezes antes de comprar qualquer produto, ou se contentar em sair com umas poucas sacolinhas de compras. Estamos voltando a 25 anos atrás. Passar na máquina registradora é tenso. IMG_5525
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Brasil despenca
02/12/2015 | 03h21
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola
Economia brasileira deve andar para trás até 2018, diz ex-presidente do BC
A economia brasileira está num círculo vicioso: a baixa expectativa de empresários e consumidores resulta em queda da atividade econômica. A retração do PIB, por sua vez, piora mais a confiança, que volta a afetar a atividade. Para interromper esse processo, o economista Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central e sócio da Tendências Consultoria, diz que é preciso criar um ambiente favorável no país, o que lhe parece improvável diante do tamanho da crise política. Para Loyola, que estima uma queda de quase 4% no PIB deste ano, a economia deve encolher mais 3% em 2016 e pode ter uma recuperação "tipicamente cíclica" em 2017, com um PIB perto de 1%, sem estímulo de demanda. "Parece que a perspectiva com a presidente Dilma é chegarmos até 2018 com a economia nesse andar para trás". Folha - O que lhe chamou mais atenção no PIB do 3º tri? Gustavo Loyola - Sob ótica da oferta, a grande mudança que observamos é o enfraquecimento forte do setor de serviços, que vem aumentando trimestre a trimestre. Do lado da demanda, o que vinha dando um tom de crescimento ao PIB depois de 2004 é o consumo das famílias, que também está negativo. Os investimentos flutuavam um pouco mais, mas já são dois anos de números negativos. Podemos dizer então que a recessão é generalizada? Sim. Até a agropecuária, que vinha dando resultados positivos, neste trimestre teve queda. Podemos até dizer que alguns desses fatores vão se reverter, mas isso não vai ser suficiente para ter impacto no PIB. A única coisa que está favorecendo é o setor externo, que reduz seu deficit. Mas boa parte disso se deve à queda das importações, também devido à recessão. Sim, devido à recessão e ao câmbio. Não é mérito, mas mostra que a economia está se ajustando com a ajuda do setor externo. Mas, como a economia brasileira é muito fechada, essa contribuição é relativamente modesta para o PIB. Não consegue gerar um número mais significativo para a economia como um todo. O que o sr. espera para o 4º tri e para o acumulado deste ano? Mesmo considerando que você pode ter no último trimestre uma queda menor, de 1,3%, o PIB anual já ficaria perto de -3,8%, quase 4% negativos. Em 2016, teríamos uma queda em torno de 3%, ou acima disso um pouco.
[caption id="" align="aligncenter" width="546"] Maja Susli - 19.out.15/reuters Dilma Rousseff durante coletiva na Suécia[/caption]
 
Quando virá a recuperação? A nossa expectativa básica é de uma recuperação muito lenta, como se a economia tivesse batido no chão, a partir de meados de 2017. Só que, a cada dia que passa, parece que isso está mais longe, porque os números estão vindo muito piores. De todo modo, a gente ainda mantém uma estimativa de um crescimento muito baixo, em torno de 1%, para 2017. Mas seria uma recuperação tipicamente cíclica, sem muita atração. É uma recuperação baseada em fatores cíclicos, como a capacidade ociosa que cresceu no período de recessão. Não é baseada em uma fonte de crescimento de demanda. Essa estimativa para 2017 não considera um novo aumento na taxa de juros, correto? Sim, é verdade. Mas temos fatores que continuam ameaçando a inflação e, na última reunião do Copom, não houve consenso em relação à taxa de juros. É possível que uma mudança na política monetária ameace essa pequena recuperação em 2017? Os números estão mostrando que a atividade econômica está muito deprimida. Se o BC subir os juros de forma muito forte, ele só vai agravar isso. Pode ter resultados na inflação, mas o custo é muito alto, e também teria um custo para o governo das taxas de juros. Então o sr. acha que a atividade econômica também vai influenciar as decisões do BC? O BC deu a indicação de que vai ser um pouco mais duro com a inflação. Mas eu tenho a sensação de que a estratégia é deixar que a inflação vá caindo nos próximos anos, não necessariamente buscando 4,5% no ano que vem. Por outro lado, o BC também não pode afrouxar. Uma parte do problema do Brasil hoje é a inflação, e uma boa notícia para o Brasil em 2016 seria uma inflação menor. Então o BC não pode descuidar. Ele vai tentar de alguma forma assegurar que a inflação caia. Só que não vai, a meu ver, ter uma postura mais radical de querer uma convergência mais rápida [para a meta] em função dos custos da politica monetária. Acredito que eles buscam a inflação numa certa trajetória e, se ela não der sinais de cair, o BC pode aumentar os juros -e aí é mais lenha nessa fogueira da recessão. É difícil ver retomada na economia com o nível atual de investimento? Sim, muito difícil. A economia brasileira entrou numa espiral: as expectativas não melhoram, e com isso o PIB não melhora. Se o PIB não melhora, as expectativas não melhoram, e forma um círculo vicioso. E você não está oferecendo nenhum tipo de perspectiva para a retomada da atividade. Como não há perspectiva, os empresários não investem e as pessoas não consomem. O que poderia quebrar esse círculo vicioso? A retomada da confiança. Criar um clima mais favorável. Para que isso ocorra, você precisa começar a gerar notícias positivas, e não ter todo dia no jornal crise política, o governo com dificuldade para gerir suas contas, a inflação subindo... A sociedade precisa acreditar que as pessoas que dirigem a economia estão de fato ao volante, estão conseguindo fazer as coisas. E não essa confusão que a gente vê em Brasília. Você não consegue votar nada, a situação fiscal só se deteriora. Então só uma melhora na situação política pode quebrar esse ambiente? O Congresso ainda não julgou a extensão da complicação dessa crise. De um lado, o governo se defende do impeachment. Do outro, tem os que querem fazer o impeachment, e tem ainda os que querem salvar sua pele. São várias agendas e não existe uma agenda para o país. É preciso construir essa agenda, mas a gente não vê essa iniciativa nem por parte do governo nem da oposição. O PT faz oposição ao Joaquim Levy, e a oposição vota na Câmara contra aquilo que foi sempre defendido pelo PSDB. A presidente não tem liderança política, fica aquela confusão e o país não sai do lugar. O impeachment seria uma saída para melhorar a confiança? Eu acho que, quando você não consegue ver uma saída para essa situação de deterioração econômica -que a gente sabe que vai continuar no ano que vem- fica evidentemente atrás de uma solução. E uma solução seria criar a expectativa de um novo governo que poderia chegar e, quem sabe, conseguir apoio do Congresso, fazer um novo tipo de administração e, de certa forma, conseguir gerar uma onda de otimismo. Parece que a perspectiva com a presidente Dilma é chegarmos até 2018 com a economia nesse andar para trás, e no máximo ter alguma recuperação em 2017 e 2018, mesmo assim muito incipiente. Mas, dito isso, eu acho que o fato de ter um governo incompetente não é motivo suficiente para fazer impeachment. Não estamos no parlamentarismo, não é uma solução que você adota toda hora porque o governo se tornou impopular ou não consegue resolver os problemas. Seria uma ameaça ao sistema democrático? O impeachment é parte das regras do jogo dentro de certas circunstâncias. Se elas acontecerem, tudo bem. O que não pode é ter como motivador principal do impeachment a situação econômica. Se a gente der vez a esse tipo de ideia, vai ser muito mais fácil fazer impeachment no futuro. É só ter um Congresso trabalhando totalmente contra o governo, levar a economia a uma situação insustentável e propor um impeachment. Eu acho que é preciso analisar com muito cuidado os casos de crime de responsabilidade e de financiamento de campanha, mas aí é uma análise mais jurídica. O sr. mencionou, no início da entrevista, que os números só pioram. Por quê? Como o sr. poderia resumir a situação econômica do país? Eu diria que o primeiro mandato da presidente Dilma foi ruim do ponto de vista das diretrizes de política econômica. Aquela nova matriz econômica do ministro [Guido] Mantega destruiu a economia brasileira. Com o Joaquim Levy, a presidente corrigiu isso e conseguiu alguém para fazer essa política de ajuste. Mas o governo está muito fraco. De um governo que vinha fazendo a coisa errada passou para um governo que na economia tenta fazer ajustes e que não consegue ter credibilidade para isso, ter efetividade em termos de ação legislativa. A presidente também está sem credibilidade para passar para a sociedade essa ideia de que as coisas vão melhorar. Tem um hiato, um buraco entre o governo e a sociedade. Os empresários não sabem como vai estar a economia em um mês. O consumidor não sabe se gasta, se junta, se vai estar empregado amanhã... A crise tem um aspecto psicológico? Tem uma coisa psicológica também, mas as coisas reais estão acontecendo. A inflação está alta, o desemprego está aumentando.. E isso está atingindo muitos segmentos da sociedade que se beneficiaram mais do crescimento nos últimos anos, a chamada classe C. Esse grupo de brasileiros não teve ascensão social por causa das políticas de transferência, mas basicamente foram beneficiados pelo aumento do emprego formal. E agora você está tendo uma reversão. Nossos estudos na Tendências mostram que a renda está relativamente estável nas classes D e E, porque houve manutenção dos programas sociais, aposentadorias, pensões... Mas o desemprego aumenta e, quando as pessoas conseguem se reempregar, normalmente o salário será mais baixo que o anterior, e você tem uma queda na renda. Chegou-se a cogitar que uma alternativa para essa crise seria trocar o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por alguém com mais habilidade política e mais próximo do presidente Lula. O sr. acha que isso poderia ajudar? Duas coisas poderiam acontecer com essa mudança: uma delas seria o novo ministro manter a política econômica. Nesse caso, para que mudar o ministro? Só porque o outro é um pouco mais político? Eu não acho que seria o caso. Na verdade, quem teria de fazer a articulação política são as lideranças políticas do governo, não o ministro da Fazenda. Ele não pode ser o culpado pela falta de articulação política do governo. O outro desdobramento seria mudar a política econômica, e aí que o desastre vem mesmo. Você abandona o ajuste fiscal e voltamos à politica do Guido Mantega? Uma política que deu errado e que trouxe o Brasil para essa confusão toda? Então é melhor deixar o Joaquim Levy lá e apoiá-lo. E não estou fazendo nenhuma crítica ao [Henrique] Meirelles, pelo contrário. GUSTAVO LOYOLA, economista. Foi Presidente do Banco Central entre 1992 e 1993 (governo Itamar Franco) e de 1995 a 1997 (Fernando Henrique Cardoso). Entrevista concedida ao jornal Folha de São Paulo, publicada hoje (02).
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Executivos atacados em protesto.
05/10/2015 | 09h59

Se a moda pega. O fato aconteceu, hoje (05), em Paris, França. Em questão nada menos do que uma das gigantes do ar: a companhia de aviação AIR FRANCE.

A empresa enfrenta, há alguns anos, a competição das concorrentes de baixo custo na Europa. Ainda tem que disputar com as empresas de longa distância no Oriente Médio. A Air France apresenta repetidos déficits na malha europeia só obtendo lucro no voos de longa distância, como os realizados para as Américas. Disposta a sair da situação de dificuldade financeira a companhia apresentou as propostas aos sindicatos que, pelo retratado nas imagens abaixo, rejeitaram os cortes anunciados. A Air France planeja cortar 1.700 funcionários da equipe em terra, 900 funcionários de cabine e 300 pilotos. Seria a primeira onda de demissões forçadas, a anterior foi há 25 anos. A frota também será reduzida em 14 aeronaves, de acordo com o sindicato de tripulantes Unac. Haverá o cancelamento da aquisição de aeronaves 787 Dreamliners da Boeing e a eliminação progressiva dos A340 da Airbus. A controladora Air France-KLM tem 19 jatos 787-9 e seis 787-10 encomendados. A empresa também eliminará rotas mais fracas.

Os funcionários  já tinham sido solicitados a trabalhar mais horas pelo mesmo salário como forma de  ajudar a companhia a reduzir as perdas anuais que começaram em 2011.

  • [caption id="" align="aligncenter" width="560"]Com a camisa rasgada, diretor da Air France em Orly, Pierre Plissonnier, é ajudado por seguranças após ataque de manifestantes, que invadiram o escritório da empresa durante reunião do comitê central KENZO TRIBOUILLARD / AFP Com a camisa rasgada, a gravata em torno do pescoço, diretor da Air France em Orly, Pierre Plissonnier, sai ajudado por seguranças após ataque de manifestantes. O escritório da empresa foi invadido plena reunião do comitê central | KENZO TRIBOUILLARD / AFP[/caption]
     
  • [caption id="" align="aligncenter" width="560"]Sem camisa, Xavier Broseta, diretor de RH da Air France, é escoltado por seguranças após a invasão da sede da empresa JACKY NAEGELEN / REUTERS Sem camisa, Xavier Broseta é retirado de reunião por seguranças (Foto: Jacky Naegelen/Reuters)[/caption]
  • Com o que restou de sua camisa amarrada na mão, Xavier Broseta, diretor de Recursos Humanos da Air France, escala uma grade na fuga de manifestantes contrários à demissão de quase 3 mil profissionais KENZO TRIBOUILLARD / AFP
  • Manifestantes em greve protestam em frente ao prédio da Air France no aeroporto internacional Charles de Gaulle, nos arredores de Paris JACKY NAEGELEN / REUTERS
A reunião realizada na manhã desta segunda-feira foi interrompida por centenas de manifestantes. Executivos foram obrigados a se retirar às pressas após funcionários revoltados, com bandeiras e cartazes, invadirem a sala. O presidente da Air France já tinha saído da sala antes da interrupção. A controladora Air France-KLM afirmou que tomará ações legais contra a violência adotada contra seus executivos.
 Fonte Le Figaro
 
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O Quinto dos Infernos
22/09/2015 | 08h32
" Durante o Século 18, o Brasil-Colônia pagava um alto tributo para seu colonizador, Portugal. Esse tributo incidia sobre tudo o que fosse produzido em nosso País e correspondia a 20% (ou seja, 1/5) da produção. Essa taxação altíssima e absurda era chamada de "O Quinto". Esse imposto recaía principalmente sobre a nossa produção de ouro. O "Quinto" era tão odiado pelos brasileiros, que, quando se referiam a ele, diziam "O Quinto dos Infernos". E isso virou sinônimo de tudo que é ruim. A Coroa Portuguesa quis, em determinado momento, cobrar os "quintos atrasados" de uma única vez, no episódio conhecido como "Derrama". Isso revoltou a população, gerando o incidente chamado de "Inconfidência Mineira", que teve seu ponto culminante na prisão e julgamento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário IBPT, a carga tributária brasileira chegou ao final do ano de 2011 a 38% ou praticamente 2/5 (dois quintos) de nossa produção. Ou seja, a carga tributária que nos aflige é praticamente o dobro daquela exigida por Portugal à época da Inconfidência Mineira, o que significa que pagamos hoje literalmente "dois quintos dos infernos" de impostos... Para quê? Para sustentar a corrupção? Os mensaleiros? O Senado com sua legião de "Diretores"? A festa das passagens, o bacanal (literalmente) com o dinheiro público, as comissões e jatinhos, a farra familiar nos 3 Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário)? Nosso dinheiro é confiscado no dobro do valor do "quinto dos infernos" para sustentar essa corja, que nos custa (já feitas as atualizações) o dobro do que custava toda a Corte Portuguesa! E pensar que Tiradentes foi enforcado porque se insurgiu contra a metade dos impostos que pagamos atualmente...!" Obs.
  1. Desconheço a autoria do texto acima, recebi-o de uma amiga carioca professora de história.
  2. Penso que a maior insatisfação dos brasileiros com relação à carga tributária acontece pela falta de retorno em serviços por parte do pesadíssimo Estado Brasileiro.
  3. Campos dos Goytacazes é exemplo máximo de recursos públicos (royalties do petróleo) que se esvaem, literalmente, por ralos de uma máquina política autoritária e populista que exclusivamente foca permanecer no poder. Um município rico, uma população pobre.
 
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Também gostaria de saber: alguém responde?
16/09/2015 | 12h11
Nem precisaria, mas, óbvio que nada, patavinas tenho em comum com o capital financeiro (bancos e congêneres). Pois das tais recentes medidas apresentadas pelo governo federal ao Congresso para aliviar o déficit nas contas públicas e sinalizar alguma ascensão na economia nacional, somente o mercado financeiro anuiu. Pelo jeito, todos os demais - inclusive parlamentares do PT - se manifestam contra. Da minha humilde parte como cidadã que desde sempre se interessou pela política e pela economia, não vislumbro, no curto prazo, solução que nos retire do atual "volume morto". Alias, me pergunto qual força política tem de fato interesse em solucionar a crise. Cada partido, ou melhor, legenda, já tem sua pauta política clara: os eventuais recuos não passam de ajuste tático. A presidente com uma estupenda rejeição dos formadores de opinião, dos amplíssimos setores da classe média; falte-lhe respaldo até mesmo do seu partido, este dá mostras de não aceitar nenhum remédio amargo. Seu partido, por sua vez, chacoalhado pela Operação Lava Jato. A retração na economia deu tranco no povão: a carestia reapareceu e os empregos ameaçados. Que o Brasil é grande, que somos a oitava economia do planeta, que temos as instituições em funcionamento, que os poderes estão consolidados democraticamente, tudo isso sabemos. Mas?! O jogo político normalmente pesado está ainda mais pesado. Tudo leva a crer que enquanto a presidente não for retirada do comando do país, o impasse político perdurará. Não haverá nenhuma proposta econômica factível. Nada será aceito. É como brasa em fogueira armada, qualquer sopro reaviva o fogaréu. E o que não falta é gente com imensa vontade de soprar!          
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Brasil? BRASIS!
23/08/2015 | 02h01
Sou de uma geração de brasileiros que cresceu em um país real representado por um país fictício, Belíndia. O termo "Belíndia", foi criado pelo economista brasileiro Edmar Bacha, em 1974, em referência aos contrastes do Brasil na época, muito rico como a Bélgica e muito pobre como a Índia. Para quem vivesse na cidade do Rio de Janeiro, era fácil constatar a estúpida desigualdade social: bastava estar andando pelo asfalto e levantar a cabeça para os morros cariocas. Recente, no primeiro semestre de 2014, a revista britânica The Economist, retomou a alegoria do país inventado e afirmou que estaríamos  mais para uma "Italordânia", após as mudanças do país nas últimas quatro décadas. De acordo com a revista, o Brasil lembraria uma "Italordânia": em estados como o Distrito Federal, o PIB per capita era menor que o belga mas equivalente ao da Itália, enquanto outros tem renda próxima da Jordânia. [caption id="" align="aligncenter" width="468"]Italordânia é mais adequado que Belíndia, segundo a Economist (Foto: Reprodução/Economist) Italordânia é mais adequado que Belíndia, segundo a Economist (Foto: Reprodução/Economist)[/caption] A reportagem cita que apesar do progresso, existem exemplos muito superiores. Em 1950, a Coreia do Sul era mais pobre que o Brasil e estava à beira de uma guerra civil. Hoje, o país tem um PIB per capita duas vezes maior que o nosso - além de ser muito mais igualitário. Pois bem, na sexta-feira passada (21) ao fazer a leitura diária dos jornais nacionais, pus me a imaginar como seria essa leitura matinal para um trabalhador paulista no deslocamento de casa para o local de trabalho. Parado, em frente a uma banca de jornais da capital, leria a manchete da Folha de São Paulo - ainda sonolento - que só uma das empresas nacionais, a Camargo Correa, teria acordado devolver R$ 700 MILHÕES aos cofres da União. Para quem rala e organiza a sua vida familiar com algo em torno dos minguados mil reias, sinceramente não deve entender patavinas. São bem mais do que dois Brasis!      
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Sobre o autor

Luciana Portinho

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